Quando ela prende o cabelo

É um jeito que vocês deveriam ver. Eu juro.
O dia inteiro ela tenta lidar com o cabelo.

É um prende e solta que não tem fim. “Ele tá sujo hoje” ela alega quando prende apressada num rabo de cavalo. “Lavei hoje, né?” ela diz quando teve pique para acordar mais cedo e ter um banho mais demorado.

Quando o cabelo dela está solto, ela costuma tirá-lo do rosto algumas vezes durante o dia; ora repartindo e colocando um pouco atrás da orelha, ora só tirando da frente dos olhos com uma leve passada de dedo. Agora, quando ela prende o cabelo… Ela prende de formas muito variadas. Tem dias que ela prende com o já citado rabo de cavalo. Tem dias que ela usa uma caneta ou o que mais tiver pela frente só para dar um jeito rápido, principalmente se estiver estressada. Nesse caso, meu amigo, ela fica puta da vida e só quer encontrar uma maneira de parar de se irritar com esse cabelo.

Tem dias que ela puxa todo o cabelo para cima e fecha num coque. Aliás, dias assim são sempre incríveis. Mas às vezes esse coque se solta um pouco pela nuca, deixando fios mais longe da cabeça e um pouco da franja perto do rosto. Eu não tenho certeza, mas a impressão é que faz parte do penteado deixar um pouquinho da franja. Ela faz ser natural o que me soa tão especial.

Falando nisso, será que ela sabe como fica quando prende o cabelo?
Será que alguém já falou? É que quando ela prende o cabelo é tão, tão, eu não sei explicar. Mas vou tentar.

O negócio é que o jeito que ela cuida do cabelo é bonito. E não é sobre cosméticos, é sobre o jeito que ela toca no cabelo durante as horas do dia; é sobre como, talvez sem querer, ela consegue ser ainda mais charmosa.

É sobre o bonito se transformar em lindo.

Inquieta, ela está sempre em mudanças: Faz progressiva, deixa natural, pinta de uma cor, de outra, não pinta, repica aqui e acolá, corta muito ou corta pouco. Ela parece estar sempre querendo dar um quê a mais para o cabelo.
Ela sempre diz que  “precisa cortar”, que “tá sem corte”, que “precisa dar um jeito nesse cabelo”, mas quem sou eu para falar o contrário, né? Eu sei que vou gostar de qualquer coisa que ela fizer, porque a beleza não é no cabelo sozinho, é na proprietária dele.

Eu fico pensando no privilégio de todos os shampoos e cremes que ela usa. É que eles beijam aquele cabelo bem na hora do banho. E poucos momentos são mais especiais para beijar alguém quanto no banho.

Não é só “prender o cabelo”: é levantar os braços, encontrar algo para prender, recolher uma parte com uma das mãos, depois a outra metade com a outra, juntar tudo e finalmente prendê-lo. Não é um gesto, é um ritual.

Ela pode ter qualquer corte e qualquer cor, quem faz o cabelo ser bonito é o fato dela ser linda.
E ela ser linda só é uma verdade pelo jeito que ela é. É sobre o jeito dela.

Quando ela prende o cabelo é um jeito que vocês deveriam ver. Eu juro.
Mas esse é o tipo de coisa que a gente não deve ver com os olhos, mas sim com o coração.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Essas são coisas que eu queria te falar

Eu acho que nunca vou conseguir te dizer tudo isso pessoalmente.
É covarde, eu sei, mas eu acho que não vou.
É que eu acho que você se assustaria e já passei por isso antes.
Já aconteceu de eu falar o que sentia por alguém e esse alguém reagir de uma forma não muito boa; agir sei lá, meio que em desespero tentando medir as palavras para não me machucar. Eu fiquei pior. Naquela ocasião eu só contei o que eu sentia e não o que deveria acontecer. Eu não coloquei uma faca no pescoço, eu só disse que gostava dela. É complicado.

Eu queria te falar que tenho pensado muito em você. Vou explicar.
Parece que seu papel na minha vida se transformou um pouco. Meio que do nada, juro para você, passei a te ver com os olhos do coração e não mais só com os da visão. Isso significa que comecei a querer ficar mais perto de você e me deu vontade de te falar coisas que você merece ouvir.

Para começar, eu gostaria de te falar que você é uma pessoa incrível. Que é valioso demais ver o seu esforço para conquistar o que deseja e que você me motiva muito, mesmo sem saber, a conquistar as coisas que eu quero. Você merece ouvir que motiva alguém nesse mundo. Preciso te falar também sobre o quanto te acho uma pessoa linda. Uma pessoa linda por todos os lados, um sorriso que dá vontade de morar nele, um jeito de mexer no cabelo que eu ficaria assistindo mais tempo do que assisto meu seriado preferido e um jeito de ver o mundo que faz com que os problemas não pareçam tão pesados quanto são. Louco, né? Do nada, juro.

É que você não faz ideia do bem que faz.
Agora me diz, como te contar isso tudo pessoalmente sem você se assustar? Impossível. Engraçado que nunca planejei contar coisas ruins, o problema é justamente quem me ouve dizer coisas boas. Pelo menos foi isso que aprendi com outras reações. Quando eu falei para uma garota que eu a amava, ela quis ir embora na hora. Eu sei que a peguei desprevenida, mas ela só poderia dizer que gostou de saber disso, ao invés de tentar fugir com medo de me encarar, sabe? Não foi legal para mim.

As pessoas que contam o que sentem para outras não merecem ser diminuídas ou tratadas com piedade. Contar o que se sente para alguém é um ato de nobreza. Não há como descrever o valor que há em alguém que para algumas horas do próprio dia para dizer a outro alguém que não consegue parar de pensar nos dois.

O mundo anda estranho e eu só queria andar com você.
Eu queria que você visse em mim um pouco mais do que já vê, queria que me visse como alguém que poderia te fazer se sentir bem na vida, na felicidade, na dor, no amor, na cama, na praia, no sonho, no sábado de manhã, no cinema, nas boas e nas más notícias. Eu queria dizer que te entendo. E que mesmo que eu não consiga, que eu vou tentar. E que mesmo que tentando eu ainda não consiga, eu vou estar lá. Pelo menos para te ouvir. Eu queria te dizer que eu não esperava te ver assim também, mas que por algum motivo eu passei a sentir que poderia te ajudar a se equilibrar nesse mundo tão desequilibrado; senti que eu poderia te fazer sentir como sempre quis com um abraço para fugir e um beijo antes de dormir. Eu poderia e eu posso. Eu queria te falar essas e outras tantas coisas.

Você é uma pessoa especial. Sua coleção de dias ruins já está cheia demais. Eu queria te ajudar a organizar tudo, guardar um pouco, esvaziar uma parte e colocar mais dias bons na sua prateleira para você ver e lembrar antes de dormir. Eu queria te mostrar que a decepção não é padrão. Eu queria te falar tudo isso mas, como eu disse, eu não consigo porque tenho medo de você se assustar, entre outras coisas. Então eu escrevi. E estou aqui para te provar tudo o te fiz ler.

Eu estou aqui.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Não sou quem você precisa

Demorou um pouco para eu ter certeza disso. Essas coisas não aparecem na cabeça do nada e seria injusto concluir algo assim por impulso. Mas eu entendi que não sou quem você precisa. E me dói dizer isso.

Me dói porque eu aprendi a gostar de você. Diferente de chegar na conclusão, gostar de você foi rápido. Você cativa todos ao seu redor e não é difícil sorrisos brotarem nas pessoas quando você está por perto. Passei a te ver de um jeito especial e, pouco a pouco, foi fazendo sentido para mim que você era uma pessoa mais interessante do que eu havia pensado naquelas primeiras horas.

Só que eu comecei a perceber também alguns ruídos entre nós.

As coisas passaram a se acertar menos. Vou tentar explicar. Comecei a te sentir inacessível e tudo parecia um empecilho quando a gente combinava algo. Isso quando não era pior: a gente combinar, eu esperar o dia e horas antes você cancelar. Comecei a sentir que na fila de prioridades eu ocupava o último lugar. No começo eu achava que era coisa da minha cabeça, sei lá, que eu estava preocupado demais com algo que era normal, mas na verdade não tinha nada de normal: a gente simplesmente não sincronizava mais.

Eu percebi que a sua vontade era viver coisas nas quais não me cabia. E fiquei preocupado em parecer um problema nos seus desejos. Eu não queria ser um bloqueio na sua agenda e também não queria me sentir encaixado em momentos que você queria viver, tampouco quase que implorar para fazermos algo juntos.

Eu sei que a nossa história nem foi tão longa, mas por isso cheguei nessa conclusão: para eu não sofrer mais e para você se sentir mais livre. Acho que não é o momento de discutir quem está certo ou errado, se a minha sensação era equivocada ou algo do tipo, o fato é que fui me sentindo diferente até concluir que era melhor você seguir seu caminho e eu o meu – apesar de gostar de você.

Nossa fase não é a mesma.
Planejo dias mais calmos pela frente e uma companhia para me ajudar a dividir o peso da rotina e aproveitar os bons momentos, já você, me parece querer se descobrir, aproveitar mais a sua própria vida e aguçar ainda mais o seu espírito aventureiro – algo que admiro, aliás. Em outras palavras, enquanto você parece não saber o que quer, eu tinha certeza que queria você. Por isso eu não sou quem você precisa.

Acho que me distanciar vai ser uma boa saída para nós dois. Pelo menos não vai doer tanto por estar no começo. É nisso que estou me apegando para não me ver apegado ao histórico das nossas conversas.

Não sou quem você precisa e tudo bem. Meu coração tentou me convencer que você é quem eu preciso e ele estava conseguindo; até meu cérebro ponderar e me fazer perceber que eu estava gostando de algo sozinho. A gente decide melhor quando decidimos pelo coração ouvindo o que a cabeça diz.

Está tudo bem, tá? Não há sentimento ruim por aqui. Não vou fazer do tipo que cita lembranças pra gente se comover. O que valeu a pena foi gostar de te mostrar que parte da minha vida, esses tão poucos dias, eu dediquei inteiros para você. De verdade.

Vai ficar tudo bem. Vai sim.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseirparadois@gmail.com

 

Você é muito devagar

Não me leve a mal?
Mas deixa eu te falar como vejo daqui de fora?
É que eu te vejo reclamar muito, mas vejo pouco você assumir a sua parcela de culpa. E uma delas é que você é muito devagar. Desculpa falar assim.

Não há uma pessoa nesse mundo que tem certeza de todas as coisas, ou seja, partimos do mesmo princípio do desconhecido, né? O que diferencia, porém, é o quanto as pessoas metem a cara, arriscam, tentam ver no que vai dar, fazer alguma coisa, pelo menos alguma coisa. É isso que muda.

E o que vejo em você é uma distração com a própria vida; é sobre o quanto tudo te passa por debaixo do seu nariz; é sobre o quanto o que é claro para todos para você é um grande mistério. Eu não quero, porém, que você caia na armadilha dos amigos bem intencionados que dizem: “Amiga, elx tá a fim de você, tá na cara” ou “Mano, para de ser burro, é claro que elx tá a fim de você”. Estes parâmetros são escorregadios. Onde eu quero chegar é no ponto de você, com si mesmo, começar a ponderar que sim, talvez elx esteja a fim de você mesmo, talvez esteja te dando mole, talvez sim de verdade, sim, logo aquela pessoa, sim, que você não imaginava. Pois é.

Mas eu te entendo, esse jeito tem a ver com proteção. De tanto sofrer, você agora se protege de tudo – e isso é ótimo. O problema é quando a proteção vira uma agressão contra nós mesmos, sabe? Vou explicar mais. De tanto se proteger, você acaba se machucando ao perder as oportunidades que a vida te dá. Oportunidades estas que você tanto espera que aconteçam. Não é irônico?

Dificilmente alguém vai chegar em você e falar: “Eu gosto de você, fica comigo?” – acontece, mas esta é uma conversa pouco convencional. A julgar que esse momento da vida acontece feito magia, com olhares velados e algumas indiretas até que alguma atitude seja tomada. O meu ponto é que você só percebe quando a pergunta é feita, do contrário, você nunca percebe.

Falar para tentar ser menos devagar não significa que estou falando para mergulhar em todos os momentos em que sentir que uma indireta foi dada a você. Nada disso. É perigoso. O que eu quero dizer é para você ligar o radar e sensibilizar sua intuição. Arriscar mais. Com isso, veja só, você vai conseguir inclusive usar um pouco mais do seu charme e do seu jeito de fazer bem a alguém – aquele jeito que você sabe tão bem.

Você é muito devagar, mas você pode mudar. Não foi uma, nem duas, nem dez as vezes que oportunidades passaram por você sem que percebesse, mas a boa notícia é que isso pode mudar. E a melhor estratégia para isso é também provocar quando a sua intuição te disser que está sendo provocado. Esta é a parte gostoso do conhecer alguém – ou do se interessar por alguém. É tomar uma iniciativa sem a certeza de reciprocidade. É pagar para ver. É pensar: “Será? Deixa eu fazer alguma coisa também”. O meu desejo é para que você pare de ignorar quando chances aparecerem na sua cara. Não consigo garantir que essa mudança de postura vai representar bons resultados, é impossível afirmar, mas da para dizer que FAZER ALGO É MELHOR QUE NÃO FAZER NADA.

Agora, em outras e diretas palavras, PRESTA ATENÇÃO QUANDO EXISTE ALGUÉM PRESTANDO ATENÇÃO DEMAIS EM VOCÊ; se enxerga que você é sim uma pessoa do caralho e alguém pode estar se interessando por você AGORA, mas você precisa colaborar. Abre esse olho, estimule sua intuição e pare de deixar que o destino seja responsável por tudo na sua vida; saia do modo “a vida sabe a hora” e dê chacoalhões para que essa hora TALVEZ CHEGUE ANTES. Você é quem escreve a sua história.

Tenta. Só tenta. Tenta e se joga, se cair, levanta e tenta de novo. A vida tem dessas e vai ter para sempre. Se está difícil agora, já lembro que não vai facilitar depois de mais velho.

Foque em viver dias bons, deixa o frio chegar na barriga, esfrie a de alguém também, ainda que só para ir descobrindo um ao outro e ver se esse frio vai passar sozinho ou vai passar no quentinho de um abraço. Pelo menos ele passa.

Você é muito devagar, mas você pode mudar isso. Tá? Tá.
Não me leve a mal, mas quando a gente gosta de alguém a gente fala o que a pessoa tem que ouvir e não só o que ela quer.

Ah, esqueci: Eu também sou devagar, mas estou tentando mudar. Todo mundo é um pouco, né? E todo mundo pode mudar sempre.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Amor não precisa doer

Eu não sei de onde tiraram esse papo de que “amor é assim mesmo” para algumas coisas como, por exemplo, sofrer. “Ah, não liga não que isso faz parte” é o que a gente ouve quando revelamos alguma coisa que não deu certo com alguém ou alguma chateação nossa. É como se minimizássemos os problemas com essas respostas na intenção de surtir um efeito de alívio, algo como “então tá, tem razão”. Não, não tem razão. Amor não precisa doer. Nunca vai precisar.

Essa é uma ideia errada e que reforça os momentos que ninguém quer viver em relação nenhuma, menos ainda num relacionamento sério com alguém.

É inconcebível entrar no discurso de que “é assim mesmo” quando se trata de problemas que envolvem duas pessoas. Isso não anula, porém, a necessidade de encarar o fato de que nem todos os dias numa história a dois são bons.

Amor não precisa doer porque não é essa a função dele na nossa vida. Amor não precisa doer e a gente precisa muito reverter este quadro, quebrar estas viciadas formas de pensar. Amor não precisa doer e não precisa ser complicado. É que justamente ao complicar que ele começa a doer mesmo.

A gente não precisa brigar pelas pequenas coisas se a gente fizer com que essas pequenas coisas simplesmente não existam – ou se a gente tentar resolver. A gente não precisa discutir o tom da voz numa conversa se o nosso tom sempre for respeitoso, ainda que para discordar – ou principalmente. A gente não precisa entrar no jogo de “não falar nada para não parecer grude demais” se a gente simplesmente reconhecer que queremos fazer bem a alguém sendo quem somos. A gente não precisa dormir e acordar triste com vontade de voltar para alguém se a gente simplesmente acabar com o nosso orgulho e falar o que sentimos. A gente não precisa empurrar um negócio ruim com a barriga se a gente simplesmente pedir para conversar e tentar entender. Vê como o amor não precisa doer? Vê como essa ideia errada? Vê como não precisa ser difícil?

A gente precisa mudar esse mundo.
Precisamos começar fazendo a nossa parte para fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de agir tão no automático. É que está tão enraizado por gerações essa ideia de que amor dói e é assim mesmo que fica difícil desconstruir esse pensamento. Porém, é preciso. Vai ser foda, mas vamos tentando. É preciso mudar esse pensamento se o que queremos é ter uma vida mais leve, bonita e nem por isso menos real cheia de lombadas para a gente atravessar. A gente precisa começar a falar o que queremos. Precisamos fazer alguém saber quando sentimos saudade desse alguém. Precisamos pedir desculpas para ficar bem ao invés de “esperar a pessoa vir falar alguma coisa”. Precisamos focar em resolver os problemas, não aumentá-los. Precisamos dedicar mais força para bons momentos para que tenhamos força o bastante para superar os maus.

Amor não precisa doer. De verdade. Tira isso da sua cabeça. Esqueça essa ideia de deixar de ser quem você é só para ser conivente com algo que não concorda. Talvez seja por isso que conhecer alguém, dizer que gosta de alguém, querer ver alguém, falar da saudade de alguém ou qualquer outra coisa que envolva alguém, ultimamente, seja algo tão difícil de acontecer. Porque as novelas nos ensinaram que existe padrão para tudo. É o típico caso de saber que o casal que briga no começo vai terminar juntos no fim. Apesar disso realmente ser um retrato da vida, isso não precisa ser encarado como padrão. Às vezes eles não vão ficar juntos mesmo. Essa é a vida real. É que somos nós que podemos romper os padrões! Somos nós a surpresa que queremos ter. Somos nós que podemos descartar o óbvio e fazer do jeito que a gente SENTE. Somos nós. A gente precisa fazer mais o que a gente sente e menos o que dizem para a gente fazer. E precisamos também questionar mais o que raramente foi questionado, tipo esse papo do amor doer.

Eu não sei dizer se vai dar tudo certo sempre, mas você sempre vai poder dormir em paz com a certeza de que fez o que queria, principalmente, se o que sente é amor.

Tenta uma vez e depois me conta como foi?

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

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Quero te fazer bem

Antes de ser amor.
Antes do tempo passar e a gente concordar que tudo isso eventualmente se transformou em amor e antes da preocupação pela hora que isso vai acontecer, eu quero te fazer bem. Eu quero te fazer bem porque quando a gente está junto eu fico bem. É isso. Não tem muito o que palavrear de um jeito difícil de entender.

De todas as dúvidas que tenho nessa vida, fazer bem a alguém nunca foi uma delas. Sempre acreditei e vou acreditar que a escolha certa sempre vai ser valorizar quem me valoriza e dar atenção a quem também me dá. Essa é a escolha certa mas nem sempre a gente escolhe certo.

Às vezes a gente se perde no meio do conflito entre o coração e a razão. Isso acontece naquelas vezes em que aceitamos que abram feridas na nossa vida e não conseguimos dar fim por tudo o que sentimos. São vezes que a gente não precisa ficar lembrando, mas que também não podemos esquecer.

É que só por comer o pão que o diabo amassou, só por alguém ter pisado no que sentimos é que conseguimos valorizar um novo alguém que aparece na nossa vida – e por esse alguém então nascer uma nova vontade de fazer bem.

A dor que já sentimos nunca pode comprometer o amor que protegemos, isto é, nenhum dos dias de bosta que você viveu com alguém pode ser capaz de te desanimar para colocar o sorriso no rosto de outro alguém e ter um no seu também.

Por isso que eu quero te fazer bem.
Porque a gente conversou sobre as quedas que demos nesse mundo, porque a gente conversou sobre as nossas vontades e, pela mais simples delas de viver e mais difícil de acontecer, ser a vontade de ter alguém para conversar amanhã, depois de amanhã e a cada manhã. Quero te fazer bem porque a gente conversa. Porque a gente toca nos assuntos. Quero te fazer bem porque meu dedo gostou de deslizar no seu rosto. Quero te fazer bem porque eu acordei antes de você naquela vez só para ver como é você dormindo. Quero te fazer bem porque o que você tem de diferente no seu jeito é o equilíbrio para melhorar o meu e talvez eu tenha algo para te completar.

Eu só não quero pensar no que vai ser. Carrego comigo as possibilidades da vida e, entre elas, a da gente se esfriar e nos ver cada vez menos, mas eu me apego mesmo é na possibilidade que tenho hoje de te fazer bem a cada vez que a gente se vê, levando toda a minha energia para somar à sua e a segurança de um momento bom para viver enquanto estiver ao meu lado.

Não sou – e ninguém é – quem vai te curar as feridas da vida, mas sou quem pode te evitar aparecer novas e, mesmo se não conseguir, posso ser quem pelo menos vai te ajudar.

Viver pelo coração é bom, mas ter um outro para ajudar a viver é melhor ainda.

É por isso que eu quero te fazer bem.
A cada novo “oi”, a cada nova mensagem recebida, a cada beijo de despedida e a cada noite juntos de conchinha. Quero te fazer bem a cada momento, enquanto a gente continuar com vontade de viver o que sentimos ser o bom da vida para nós dois – entre hambúrgueres, filmes e croissants recheados.

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Ainda te olho igual ao primeiro dia

Só que agora a gente tem uma companhia.
Agora a gente tem um parceirinho para dividir os dias com a gente. Aqueles mesmos dias que eram bons, ficaram ainda melhores com o nosso pequeno por perto. Ainda te olho igual ao primeiro dia só que agora a banda que a gente ama deu lugar a musiquinhas infantis de trilha sonora. E tudo bem.

Ainda te olho e percebo o quanto você mudou, me mudando também.
Mudamos um ao outro e até de casa nos mudamos. Sempre fomos de mudanças e talvez sempre seremos. Eu não sou o mesmo e consigo ver que você também está diferente. O que continua igual, porém, é o jeito que te olho, igual ao primeiro dia.

Eu ainda fico feliz quando vejo que a mensagem é sua – mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tantas outras mensagens. Ainda traz alívio ao meu dia e à rotina de trabalho com todas as preocupações da vida adulta. Ainda busco energia no brilho do seu sorriso e no seu jeito de abraçar dormindo.

Apesar de hoje sermos três, ainda somos nós2. E isso é o que faz tudo ter um sabor diferente e especial. É que se um dia deixarmos de ter um ao outro jamais teremos tudo o que queremos e tampouco faremos o bem que lutamos para fazer ao nosso pequeno. Nos tornamos uma coisa só com momentos a sós.

Ainda te olho igual ao primeiro dia.

E antes de dormir fico pensando na sorte que eu tenho em ter você. Mentalizo que todas as pessoas do mundo tenham a mesma sorte que eu um dia, porque todo mundo merece saber como é bom se sentir bem tratado, como é bom saber que alguém gosta da gente e como é bom ter alguém pra gostar de verdade e deixar que nos conheça do avesso, afinal, não há nada em mim que você não saiba porque tudo em mim tem um pedaço de você.

Durante todo esse tempo eu tentei ser alguém para você não precisar de outro alguém. E ainda que tenho conseguido – acho hehe -, você não faz ideia do quanto ainda posso fazer. A nossa história se transformou, hoje criamos uma metade minha e sua, mas isso tudo só aumentou a minha vontade de ser melhor. Sempre tive o quentinho do nosso edredom como motivação, mas hoje também tenho as palavras que ainda nem saíram daquela boquinha que só faz barulhinhos que vem do coração.

Está tudo bem.
Vai ficar ainda melhor.
Vamos fazer ser melhor porque somos o que sempre quisemos ter.

Apesar de hoje termos tantas fotos fáceis de ver, quando chego em casa ainda te olho igual ao primeiro dia.

Hoje é só mais um dia, mas hoje eu não fico mais um dia só.
Hoje somos três a sós.

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Tente se acalmar

A sua cabeça é um liquidificador.
Mistura todas as suas vontades em um mesmo lugar sem saber onde tudo vai dar. Você quer muita coisa e todas elas para ontem. Você tem pressa. É que você já passou por cada momento na vida que não vê a hora de tudo começar a dar certo como deseja. Só que você não consegue focar muito. É tanto querer que você se perde nas prioridades.

Tente se acalmar, mas não se acomode.
Tente se acalmar para conseguir tirar a cabeça para fora dessa turbilhão em que se vê dentro. Não dá para ter tudo de uma vez na vida. Não para dedicar a mesma força em tudo e em tudo o que gente quer. A saída é encontrar um foco, é encontrar um norte e se concentrar.

Até que provem o contrário, nunca fará mal acreditar que a conquista de uma coisa boa vai atrair as outras, mas para isso é preciso conquistar a primeira antes. Tente se acalmar.

É que talvez você esteja querendo tudo, a qualquer custo, desde que seja agora pois amanhã você vai… Bem, amanhã você não vai nada. Amanhã vai ser só mais um dia mais perto de novas contas para pagar.

É que você tem tanta pressa para o bolo ficar pronto que não consegue sentir o cheiro dos ingredientes. Entende?

Você quer tanto o que tanto deseja que não consegue ver graça no que já tem ou no que acaba conquistando, sabe? Tente se acalmar e tente ver vitórias nas pequenas coisas do dia a dia. É que com certeza isso te aliviará um peso nas costas por ver que as coisas nem vão tão mal assim como imaginava.

Tente se acalmar. Tente respirar um pouco em silêncio. Vai ficar tudo bem, mas não vai ser tudo agora. Muito difícil ser tudo agora. Vai ser aos poucos, vai ser quando for a hora.

Você tem atropelado o calendário querendo tanto que chegue a sexta-feira sem dar a mínima para a segunda, terça, quarta e quinta. Percebe? Tente se acalmar e tente praticar a paciência para o seu dia acontecer. É que isso, automaticamente, faz a vida engrenar. Funciona assim: quanto mais a gente conseguir valorizar as pequenas alegrias do nosso dia, mais a gente vai aproveitar as grandes felicidades. E mais rápido elas vão acontecer.

Tente se acalmar. Vai dar tudo certo.
Vai chegar o emprego que você gosta, vai receber o salário que acha justo, vai conhecer alguém que te faça bem, vai conseguir pagar as faturas, vai conseguir orgulhar sua família, vai criar a sua própria, vai viajar para onde sonha, vai acontecer tudo e muito mais, mas antes você vai ter que continuar em pé em todas as voltas que o mundo dá. Aguenta firme, aguenta que vai funcionar. Sua cabeça é um liquidificador, eu sei, mas tente se acalmar.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Você não se ajuda

Eu sei que talvez as coisas não estejam acontecendo como gostaria. Sei que, inclusive, quando parece funcionar, do nada não funciona mais. Tudo isso tem te cansado tanto, eu sei. E só sei porque essa história é mais repetida do que parece.

É que a vida tem mesmo dessas. Parece que ela dá uma rasteiras na gente pra ver se a gente acorda e faz alguma coisa. E é sobre isso que eu queria falar com você.

É que tenho te visto reclamar tanto sobre tudo, mas tenho te visto tão pouco fazer alguma coisa para mudar. A definição é simples e conhecida por todos: você não se ajuda.

Você não se ajuda mas deposita nos ombros do destino toda a responsabilidade para as coisas darem certo. Você cobra que a vida bata na sua porta trazendo todas as suas oportunidades – ou até mesmo que a vida te traga um novo amor. Você exige mais do que a vida te oferece. Você agradece pouco quando a vida te privilegia. Você percebe tudo isso?

Você percebe que não se ajuda? Que quando aparece alguém legal você insistir em cavar defeito? Percebe as portas que fecha para tudo na sua vida? Percebe que os dias só parecem tão longos assim porque você não consegue aproveitá-los? Percebe que metade das coisas que deseja viver depende de você? Se não percebeu ainda, é bom que comece.

Eu gostaria de te convidar para colocar a mão na consciência e refletir sobre si mesmo; refletir sobre suas atitudes, refletir sobre sua dedicação para ter as coisas que deseja, refletir sobre o que deseja colher versus o que tem plantado e refletir também sobre seus erros, excessos e formas de ver. A gente sempre pode melhorar.

Acho que todos os problemas já estão super claros. Acho que já deu para entender que essa não é a vida que você deseja ter. E acho que já deu para diagnosticar cada um dos problemas que fazem parte dos seus dias. E, por isso tudo, eu acho que já deu de reclamar para então começar a fazer alguma coisa.

Chegou a hora de se ajudar. Chegou a hora de amar a si mesmo antes de querer amar alguém. Chegou a hora de ter a si mesmo antes de ter qualquer coisa nesse mundo. Chegou a hora de fazer alguma coisa, mudar a rotina, cortar caminhos, movimentar as coisas. Chegou a hora de você parar de deixar a o mundo viver em você e começar a viver nele. E chegou a hora de parar de atrair para você coisas e pessoas que não te fazem bem.

Você não se ajudou tanto até hoje, mas que isso seja passado então. Quando essas palavras chegarem nos seus olhos, eu gostaria que fechasse os olhos e pensasse um pouco em você. Suas respostas não estão em algo ou alguém, mas sim em você. Todas elas. E isso é bom, porque isso significa que você é responsável pelo que vive e pelo que deseja viver.

Chegou a hora de você perceber que não precisa esperar ajuda de ninguém se você conseguir acordar todo dia se ajudando a viver melhor.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Quando a gente dá tchau com vontade de ver de novo

Tem pessoas que marcam a nossa vida. E só quero falar das marcas boas. Pessoas que fazem a gente voltar pra casa olhando nosso reflexo no vidro do metrô pensando: “como é bom conhecer alguém legal”. A todo momento podemos conhecer pessoas, mas não é sempre que alguém quer conhecer a gente também.

É aí que as coisas mudam.

É quando a gente sente que tem alguém com a mão na maçaneta da porta da nossa vida, isso quando não entram sem avisar, como se conhecesse toda a bagunça que somos.

Quando a gente conhece alguém bacana a gente não quer parar de ouvir esse alguém falar. A gente quer congelar as horas e ficar lá ouvindo e por vezes falando. É um revezamento de assuntos que vai preenchendo nosso peito. Ora a pessoa expondo um ponto de vista, ora somos nós também. E o mais mágico é quando essa união se faz completa, isto é, quando esse alguém termina a frase que a gente começa. E a gente até conta para os amigos mais próximos de tão impressionados como ficamos. Não é sobre paixão, poxa, é sobre atenção, sobre alguém gostar de ouvir o que a gente pensa sobre qualquer coisa do mundo.

Esse é um alguém que a gente da tchau com vontade de ver de novo, sabe? É alguém que a gente se despede com um sentimento curioso como se falasse: “queria te ver amanhã!” mas sem saber se vai acontecer. É um alguém que depois de um “a gente se fala” começa uma contagem regressiva para encontrar de novo e trocar mais opiniões qualquer coisa que faça sentido – ou não.

E aí a gente volta pra casa com uma dúvida se tudo o que aconteceu foi real mesmo, se realmente é real que esse alguém completa a risada que a gente dá, se realmente é real que esse alguém parece ter gostado da gente também. É que os machucados da vida ardem demais pra gente aceitar que também somos o interesse de alguém, que também podemos ser alguém que outro alguém vai gostar de ouvir e vai dar tchau com vontade de ver de novo. A gente duvida, a gente não quer acreditar: “Como assim me ver de novo?”, “É sério mesmo?”, “Jura que ontem não foi só ontem e que para você tudo bem a gente se ver hoje?”.

A vontade de ver alguém de novo é só uma vontade de viver momentos legais outra vez. É loucura dizer que isso já é sobre amor e também não é só sobre sexo, não tem nada disso, é sobre ficar perto e ter uma mão para acompanhar a nossa no caminhar da rua e sobre continuar aquele assunto, é sobre a vontade de ver alguém de novo para saber mais desse alguém, para derramar nossa verdade, para conhecer os sonhos, descobrir os medos, pra gente se sentir especial de alguma maneira.

Quando a gente da tchau com vontade de ver de novo é quando a gente pensa que talvez seja a nossa vez de ter alguém para nos fazer bem também. Nem que seja só por algumas horas e tudo bem.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

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