Não sabemos mais amar para sempre

O combinado na maior escala de uma relação é: “viverão juntos até que a morte os separe”. Não é esse? Não continua sendo esse?

Será que já matamos o que só a morte ia separar?

Todo mundo fala que quer um amor para sempre. Um daqueles de ficar bem velhinhos mas ainda conseguir dar umas bitocas no seu mozão. Todo mundo começa a viver uma história, passa pouco tempo e sai falando que ama e logo sai respondendo que ama também. E até aí tudo bem. Não se trata da hora em que as coisas são ditas. O ponto é: será que estamos prontos mesmos para amar para sempre? Ou a gente só gosta de colocar “pra sempre” nas legendas das fotos e cantar nos refrões das músicas? Por quê a nossa paciência acaba na terceira briga e já consideramos a possibilidade de jogar tudo para o alto – inclusive a pessoa que está com a gente?

O casal da foto deste texto viveu 62 juntos. E sua última história, quanto tempo durou? Será que você é alguém pronto para amar para sempre? O que sustenta uma relação por tanto tempo assim? O que você fez para que sua última história perdurasse? Qual é o seu papel no papo de ser feliz com alguém?

De novo porque é impressionante: o casal da foto viveu juntos por 62 anos. Por quê a gente acaba as histórias antes delas começarem? Por quê as pessoas estão se importando cada vez menos em respeitar as outras, e pior, em respeitar aquelas em que dividem a cama? No que diabos estamos transformando o amor? Por quê eu preciso demorar para te responder? Quem inventou que você não pode me valorizar se eu responder rápido, só se eu demorar?

Por quê você tenta tanto controlar a vida de alguém que ama? Qual é o seu problema? Se você sabe qual é, por que não tenta tratar? Olha a quantidade de perguntas até aqui. Tem tanta coisa errada que é difícil exclamar algo.

Estamos nos tornando tijolos. Operários do amor, ao invés de construirmos histórias, amontoamos pessoas que passam pela nossa vida, uma seguida da outra. “Essa é boa, vou deixar aqui um pouco mais”, “Essa não é boa, vou jogar fora”. Na verdade, olha que louco, os tijolos parecem ser muito mais inteligentes que nós. Eles ficam ali, grudados um no outro, aguentando churrasco na sua casa, parente bêbado, chuva, frio, calor, solidão e tudo mais. Mas eles estão juntos e vão continuar para sempre juntos até que a morte os separem. Espera, isso é interessante:

Até os tijolos na parede ficam juntos até que a morte os separe, enquanto a gente já repensa se vale seguir com a pessoa na terceira briga.

É claro que cada história tem o seu para sempre, podendo durar 1 dia ou 1000 anos e toda aquela verdade de que seja eterno enquanto dure, mas será que não conseguimos mais fazer durar para sempre? Será que você não consegue mais começar uma história planejando viver 62 anos com este alguém? Começamos algo já esperando o fim chegar? O que está acontecendo? Não temos mais tempo. Não temos mais saco. “Mandei mensagem tem 5 minutos e não me respondeu? Não aguento mais, vou terminar”. Estamos egoístas diante do amor. “Tenho o mundo inteiro para viver, me deixa”. “DEIXO, MAS POXA, QUE TAL A GENTE VIVER O MUNDO INTEIRO JUNTOS?”

A soma das nossas risadas pode ser mais engraçada que a sua sozinha.

Não estamos mais cuidando de quem a gente gosta. Estamos sem forças para dificuldades. Estamos decepcionados pela vida não ser mais igual era na terceira série da escola. As pessoas estão nos dando preguiça. A gente se entedia rápido demais. Perceba os monstros que nos tornamos e o quanto quem antigamente era fundamental, hoje não passa de um tanto faz. Planejamos o próximo fim de semana, não a viagem do ano que vem, que até lá pode sofrer dificuldades.

Queremos uma coisa, mas estamos fazendo outra. Queremos um amor para sempre, mas estamos jogando fora todos os candidatos. Exigimos muito como se fôssemos tudo isso também.

O casal da foto deste texto viveu juntos por 62 anos. Será que ainda conseguimos manter alguém perto da gente, sem celular, sem TV, sem distrações, por 62 minutos?

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

foto: http://dailym.ai/1pSvCS0

Não seja a muleta de alguém

 

Sei que você pode estar sendo sem perceber, mas tome cuidado e se atente aos sinais para não ser tornar, de um jeito sem volta, a muleta de alguém.

Quando você é muleta de alguém é quando esse alguém te procura só quando precisa. É quando, na maior parte do tempo, esse alguém não está nem aí para você e quer mais é te cozinhar ali em banho-maria, paradinho, quieto mas sempre pronto, tudo para quando este alguém quiser, poder estalar os dedos e você correr para se disponibilizar.

A muleta de alguém. Não seja essa pessoa. Faça o possível para isso.

É claro que quando a gente sente algo intenso demais tudo fica mais complicado. Eu sei disso. E você não erra por confiar no que sente, jamais errará. O que está em discussão, porém, é o tamanho da sua entrega frente a alguém que, me desculpe o termo, está CAGANDO para você.

No fundo, você sabe que não é prioridade deste alguém. Ahh, você sabe muito bem que não é.

Mas algo não te deixa largar. É que de certa maneira para você também é vantajoso, afinal, é aquilo de “melhor ter você desse jeito do que não te ter de jeito nenhum”. Eu entendo, mas preciso te dizer que isso só vai te fazer mal a médio prazo, a não ser que você seja do tipo raro que não se importa em ter pessoas pela metade na vida, enquanto o prazer está em ter alguém que nos complete tanto a ponto de nos transbordar. Eu sei como você é, as frases que compartilha não te deixa mentir.

Ser muleta de alguém é quando este alguém te chama para conversar em horários estranhos; típico hábito que representa algo como “não deu certo com ninguém, vou tentar com esta muleta aqui”. Ser muleta de alguém é quando este alguém só quer a sua presença para ajudar nos problemas. Este alguém não vai te convidar para fazer algo legal, mas vai te pedir ajuda quando ninguém mais quiser ajudar.

Ser muleta de alguém é ser quem este alguém quer beijar quando não tem mais a quem; é quando este alguém quer transar quando ninguém quiser também; é quando você ganha um papel exclusivo na vida deste alguém: o de se tornar valioso para momentos específicos, não para todos os momentos.

Você está sendo tratado igual BOSTA se você identificou que está sendo muleta de alguém. Você está sendo tratado feito LIXO se você parou para pensar que os seus convites são recusados, mas os de quem te considera muleta, você aceita sem pestanejar. E a injustiça está em ver como é triste se sentir feliz por tantas migalhas; se sentir feliz por um “oi” no chat ou por uma puxada de assunto rasa. É triste se sentir feliz por motivos que são só ilusões.

Eu não preciso dizer, você sabe bem que não merece passar por essas coisas. Na verdade, ninguém merece. Mas, você em especial sabe e não é de hoje que existe algo estranho nesses aparecimentos repentinos seguidos de desaparecimentos instantâneos. Você já percebeu que chega a mensagem perguntando “vai fazer o que hoje?” mas não chega outra falando “obrigado por ser especial na minha vida”. Pois é. E quando não é pior: há quem atue tão bem de modo a confundir nossa cabeça se estamos sendo usados ou somos fundamentais. Essas pessoas são horríveis.

Separando tudo que envolve o sentir, se você puder, pense em tudo isso, pense no histórico disso que chama de relação, pense com o carinho de quem não quer sofrer mais, pense e perceba que você não pode mais ser muleta deste alguém e nem de ninguém.

Você merece ser alguém para outro alguém.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Você sabe que deve desculpas

No fundo, você tem certeza que deve desculpas a algumas pessoas – ou a alguma, pelo menos. E talvez você já ficou em dúvida se funcionaria ou se alguém te ouviria, ou até mesmo se faria sentido “pedir desculpas do nada depois de tanto tempo”, por exemplo. Tudo isso pode passar pela sua cabeça e é normal, mas lembre-se de uma coisa: nunca é tarde para pedir desculpas a alguém.

Pedir desculpas é uma atitude que te faz gigante. Abrir mão de um possível orgulho para voltar a ficar bem com aquele alguém é algo que só vai ajudar a sua vida a ser melhor. E dentro desse alguém, há muitas coisas envolvidas além de só um caso, um namoro ou um ex. Há também os seus amigos e sua família.

Na tranquilidade de ter um amor ao seu lado, você pode esquecer de quem sempre esteve lá com você: seus amigos e sua família. A começar pelos seus amigos. E são mil os fatores que influenciam isso. Você conhece alguém, por exemplo, quem não foi com a cara deles. E aí você quer manter paz nos dias e escolhe ficar longe dos seus amigos para ficar perto do seu amor. Passa pela sua cabeça que “seus amigos podem te esperar” porque é preciso viver esse amor. Passa pela cabeça, mas passa errado. E aí você começa a ignorar todas as pessoas que faziam parte da sua vida só porque uma nova pessoa chegou – e que pode ir embora a qualquer momento. Você começa a adiar compromissos, excluir das redes sociais, deixar de se importar e, muitas vezes, chegar ao ponto de “se encontrar escondido” só porque quem namora com você não se dá bem com seus amigos por algum motivo. Repito: por algum motivo, existem tantos.

Bem, está claro que você deve desculpas aos seus amigos. Porque você sabe bem que se essa história toda sua acabar, é para eles que você vai recorrer; sabe bem que ninguém te entende e te faz tão bem quanto eles; sabe que em todas as outras mil vezes que você precisou, foram eles que estavam lá. Então, por favor, peça desculpas aos seus amigos. Abaixe essa guarda e orgulho e diga o que sabe que deve ser dito. Eles, como sempre, vão te entender.

Agora a sua família. Ser motivo de chateação para a família é uma das piores tristezas do mundo. Eles que te deram a vida, uma casa e tudo mais necessário para você chegar onde está hoje. Logo eles que se sacrificaram para te ver bem. Logo eles que, de um jeito ou de outro, sempre serão sangue do seu sangue. É injusto que você cultive um clima péssimo com sua família. E entenda, eu sei que muitas vezes eles irritam demais, querem te controlar e te tratam “como criança”, mas PORRA, eles são sua família, eles NUNCA, repito, NUNCA vão querer o seu mal. Podem pecar pelo excesso, mas nunca pela falta. Entenda e perceba o quanto você deve para a sua família por estar aí agora lendo esse texto. Se não tiver pelo que desculpas, continue não tendo motivos para tal.

De um modo geral, nós sempre devemos pedir desculpas se sentimos que erramos. Pode ser aos pais, ao chefe, um amigo e a uma pessoa que viveu uma história com a gente. Sabe aquele alguém que você sabe o quanto se decepcionou com você? Aquele que te fez tudo mas que você cuspiu em tudo? Muitas vezes sem querer? Afinal, tem isso, naquela época, você poderia estar vivendo uma fase cega e entendeu que era o certo a fazer. Mas e hoje? Tanto tempo depois? Será que você não deve pedir desculpas só para dormir mais em paz? Essa pessoa não espera nada de você e essa que é a vantagem de abaixar o orgulho e se desculpar, isso te faz alguém com poder de vida e te destaca na multidão. Exatamente o mesmo funciona para quem te beija a boca hoje em dia: como você consegue ofender que você diz amar e não se desculpar? Percebe que não é sobre errar, mas sim sobre errar e não tentar consertar?

Entenda que ninguém acerta sempre. Faz parte errar, falar bosta sem pensar, preferir se priorizar e tudo o mais, tudo bem tudo isso. Mas, é preciso pensar se tudo isso implica na vida de outra pessoa. É preciso pensar se essas coisas chatearam alguém de um jeito maior que o natural, ou seja, se você terminou com alguém, naturalmente esse alguém vai ficar triste, mas tudo isso faz parte. Agora, se terminou com alguém PISOTEANDO O CORAÇÃO DESTE ALGUÉM, passe o tempo que for, você sempre vai dever desculpas.

Peça desculpas hoje. Mande uma mensagem. Chame no chat. Marque um encontro. Escreva uma carta ou e-mail. Faça alguma coisa, mas faça. Não jogo para foda da sua vida aqueles que sempre te ajudaram a ficar de pé. Peça desculpa aos seus amigos por menor que seja o motivo, peça desculpa ao seu amor por pior que seja o motivo. Não seja quem você odeia. Prefira resolver. Escolha ter paz do que um pé atrás. Não se preocupe com palavras bonitas, só com o coração. Diga não para esperar que aceitem, diga porque sabe que precisa dizer.

Você sabe que deve desculpas, só não faz ideia do bem que a vida vai te fazer se você se desculpar.

Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Quando foi que gostar de alguém se tornou algo ruim?

Na minha cabeça era para ser algo leve e gostoso de viver, não essa arapuca toda em que a gente se vê envolvido. Por quê o simples gostar de alguém pode se tornar em algo tão devastadoramente assombroso? Por quê a gente tem que ser menos quem somos para fazer parte de um tal jogo do gostar? Por quê eu tenho que demorar para te responder se a minha vontade é responder já? Que mal tem? “Ah, aí a pessoa vai se assustar né, por isso” – mas e se a pessoa amar receber uma resposta rápida? E se for eu o primeiro a responder rapidamente? E essa atitude é ruim? E se eu responder rapidamente, ela também, a gente se ver e ficar juntos rapidamente? Isso é ruim? Será que se ela se assustar por eu responder rápido não significa que ela não é bacana para ficar comigo? E quanto mais rápido eu souber, menos tempo a gente vai perder tentando? A gente está numa competição entre o sentir x o demonstrar? Quem demonstrar menos ganha? Ganha o que? Quanto menos os dois ficarem juntos, não é pior para os dois? Ninguém ganha.

Quando foi que gostar de alguém passou a ser algo ruim?
O que Romeu e Julieta pensariam se pudessem ver no que nós transformamos o amor? Quantas perguntas, né? Tem muito mais! Está tudo tão estranho que nem dá para explicar direito. Por quê a gente briga se alguém só leu e não respondeu?

Não seria bacana a gente só gostar de ficar perto de quem gostamos enquanto temos vontade? E aí a gente se distanciar quando algum de nós não querer mais? Não daria para funcionar assim? Qual é a dificuldade?

A gente conseguiu problematizar o amor. Conseguimos transformá-lo em instrumento de tortura. Pegamos todos os seus benefícios e o amaldiçoamos! Afinal, se eu demonstrar que estou gostando de você, o que é básico na premissa do amor, pode ser um perigo para mim. Se eu disser que estou com saudade, poucos momentos depois te ver, vai parecer pressão e que estou sufocando a sua vida. Mas isso era carinhoso há pouco tempo atrás. Alguém ainda gosta disso? Sempre foi legal de dizer e sentir.

Eu queria voltar ao tempo que a gente só vivia as coisas e falava o que sentia. Naquele tempo, a gente passava horas no telefone falando com a pessoa – até a orelha arder. A gente mandava uma mensagenzinha de bom dia e um de “cheguei em casa”, sem a preocupação de parecer perseguição ou qualquer tipo de pressão. A gente gostava de cuidar da pessoa porque ela gostava de ser cuidada também – assim como todos nós. Quando a gente só vivia as coisas que a gente sentia ao invés de problemetizá-las, a gente fazia declarações cafonas. A gente gostava de comprar coisas ao lembrar da pessoa – mesmo sem ter algo sério com a pessoa. A gente chegava em casa e fazia as coisas super rápido para ter tempo livre o bastante para a ligação sobre como foi o dia. A gente só gostava de ficar perto, de ouvir a voz, de falar que amava, de responder que também ama e de ficar na fila do cinema de mãos dadas.

Quando foi que tudo mudou a ponto de eu não poder te falar uma coisa boa? Se não essa coisa boa vai parecer grude da minha parte? Será que nós viramos aquelas peças que a gente troca, tipo: não deu essa, vamos tentar com outra. Essa também não deu, pode ser essa então. No que nós transformamos as histórias?

Jura mesmo que nós viramos peças de um grande jogo do amor? Que eu preciso seguir regras ao invés de seguir meu coração? Que eu não posso dizer que só fiquei te olhando feito bobo por te achar bonita e gostar de você, pois se eu fizer isso eu vou demonstrar que estou “gostando demais, rápido demais”. Jura mesmo que a realidade hoje é esse papo de joguinhos de amor? Quando foi que o relógio passou a ser o controlador do coração? E o pior: em que escola se aprende a como dizer para o coração o que ele deve sentir? Ou então: onde se aprende a ignorar o coração e viver sem sofrer? A não ser, pode ser isso, que sejamos hoje um bando de sofredores profissionais, colecionando armas e escudos para o coração. Olha o que nos tornamos! Te beijei ontem e queria tanto te falar que queria te beijar hoje, mas “eu preciso esperar você mandar a mensagem primeiro”, porque “faz parte”. Isso é tão triste. A gente não pode deixar isso acontecer. Nós, eu e você, nós que somos eternos confiantes sobre o lado bom da vida não podemos deixar que transformem o amor que amamos em um sentimento para sentirmos. Vê a diferença? Não podemos deixar que estraguem o prazer de começar uma história com alguém e ouvir, pela primeira vez, que esse alguém nos ama. Não podemos assassinar a espontaneidade dos sentimentos. Não podemos deixar de ser quem somos para evitar sofrer. A GENTE TEM QUE SOFRER QUANDO A VIDA ACHAR QUE DEVEMOS! Sofrer nos faz crescer. Sofrer nos ensina a ser melhor. Sofrer por amor faz parte da vida feito dias de chuva e sol. O amor também envolve o sofrer e os refrões de fossa deitado na cama de rosto para o colchão. Mas sofrer é só um pedacinho, o amor puro é muito mais que isso. Todo mundo sabe que o amor é mais que sofrer.

Deixa eu te fazer um pedido?
Continue amando mais e jogando menos.
Sendo mais você e menos um personagem de você.
Errando mais por excesso do que pela falta.
Respeitando mais o que sente do que as regras que te dizem.

Você será melhor, serei melhor, seremos melhores e mais felizes.

Tipo como o amor quer que a gente seja e como a vida merece ser vivida.
Não dá para ter certeza de quando foi que gostar de alguém se tornou algo ruim, mas dá para gente evitar com que isso se torne algo maior e fora do nosso controle; da para fazermos alguma coisa, sermos mais reais, tudo isso e muito mais para preservar o amor que gostamos de gostar e o que gostamos de sentir. Quando vivemos o amor como um jogo nós só temos a perder. E ele é bem mais que você, eu e nós.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Esperava outra reação sua

Vou mentir se eu falar que, pra mim, foi tudo bem o jeito que reagiu depois de tudo que te contei. Vou mentir se eu falar que sou compreensivo e entendo você. Minha cabeça até pode tentar explicar, mas meu coração não consegue entender. E este é o problema.

As teorias dizem coisas que o coração contradiz.

A todo momento era eu ponderando sentimentos na tentativa de me proteger. Metade do meu cérebro falava que era melhor eu reduzir minhas expectativas, a outra metade, porém, falava que era melhor eu continuar como sou: aquele eterno otimista, aquele que prioritariamente enxerga o lado bom. É uma lógica muito efetiva para decorar.

Só que a vida real nem sempre tem os finais felizes dos filmes.

Me preparei para descrever o melhor dos sentimentos por você. Me preparei para abrir meu peito e te convidar para entrar. Me preparei para te revelar que eu não te via só como uma amiga. Me preparei tanto.

É que às vezes o segredo está justamente em não se preparar, mas sim em só confessar sem medo de errar.

Você entendeu diferente. Ou entendeu certo e agiu diferente. Ou agiu de forma correta mas diferente do que eu esperava. E bingo, temos: eu esperei tanto uma reação sua através dos sinais que me dava, mas esperei por algo que não chegaria.

Tentei roteirizar uma história que tem o coração como diretor.

Você disse estar vivendo outra coisa. Outra fase.
E sua honestidade flechou meu peito e cada uma das minhas esperanças. Dormi tentando te culpar para me evitar sofrer, sem perceber que não havia errados nisso tudo, não era eu e nem você.

Te contar meu sentimento foi só um pedágio na estrada da sua vida, algo para parar e prestar atenção, mas superar e seguir viagem. Você viu como fim o que eu via como começo.

E a minha raiva é não poder apontar culpados. Fico furioso ao ser obrigado a admitir que: as coisas simplesmente podem ser assim, isto é, raramente alguém vai reagir do jeito que a gente espera. Esta é uma das rotinas da vida.

E tudo isso em nada tem a ver com idade, imaturidade ou coisa que o valha. É muito mais sobre as rasteiras que a vida dá na gente sem que percebamos. E sobre como é importante levarmos essa mesma vida como uma trilha na floresta: cheia de obstáculos até que possamos ter uma vista boa do que há de mais bonito.

Ainda bem que nós, os otimistas, nunca cansamos de caminhar, né? É.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Diga tudo o que sente para esse alguém

Não é sobre ser fácil, é sobre ser necessário.
Diga logo tudo o que sente para esse alguém que não sai da sua cabeça.
Resolva a parte da vida que depende de você. Não espere que o universo conspire a favor e favoreça com que cada peça se encaixe. Não espere nada do universo nem de ninguém. Apenas: não espere.

Dizer o que sente sempre será a melhor alternativa.

Provavelmente o seu receio seja o de ouvir o que não deseja. Esta chance é real. Mas ninguém sabe se o filme é bom mesmo se não assistir até o final.

Você tem acumulado tanta coisa dentro do peito. Só você sabe de tudo que já planejou, dos sonhos que já teve e de como já viu essa pessoa pelas ruas sem perceber que, na verdade, acontece que ela mora em cada um dos seus pensamentos.

As pessoas precisam saber quando alguém gosta delas.

Não exatamente para que percebam e sejam obrigatoriamente recíprocas, mas para que valorizem a coragem de se assumir o que sente, pois este é o fato: dizer a alguém o quanto gostamos desse alguém é um verdadeiro ato de coragem. Mas as pessoas precisam saber mais disso para que se torne comum e menos tenebroso de se conversar, afinal, é um assunto bom, o que não significa ser um assunto com desfecho justo. E o principal: quem hoje diz gostar de alguém, amanhã ouvirá o mesmo de outro alguém.

Diga o que sente não esperando que esse alguém diga sentir o mesmo, diga porque este já é um sentimento tão grande que não cabe mais no coração.

É preciso dividir um sentimento quando ele faz parte da vida de outra pessoa.

Diga sem artifícios, sem tentativas de sentimentalizar ou com chantagens de emoção, diga só porque é real. Diga da maneira que sente, da intensidade que sabe que tem sentido.

Digo tudo agora. Chame no Whatsapp. Chame no chat. Mande uma mensagem. Pegue um metrô e vá até a casa desse alguém. Combine de se encontrar no próximo momento livre dos dois. Nessa semana. Dê um jeito. Faça algo, só não faça nada. Não admita conviver com algo tão bom por alguém sem esse alguém saber. Diga para que os dias voltem a ser leves e para que os passos possam ser, de novo, mais confiantes. Diga para sair dessa vida instável em que um refrão beija os seus ouvidos desenhando uma história que está longe de ser real. Isso tudo te faz sentido?

Diga tudo o que sente para esse alguém. Diga que não explicar – não é preciso saber. Diga que não entende quando começou. Diga que sabe que isso pode assustar. Diga que não quer constranger. Só diga.

Até o melhor dos sentimentos apodrece quando é guardado demais. Isto é, tudo isso que é bonito vai começar a te fazer mal simplesmente porque você não conseguiu jogar para fora.

Eu sei que dá medo, mas vai te dar mais alívio, isso sim. Pode ter certeza.
O melhor final feliz que pode existir quando a gente conta para alguém o quanto gostamos desse é alguém, é o fim da angústia em nossos dias.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

Nossa intensidade está me assustando

Vou te falar que sinto um pouco de medo.
Sei lá, medo de como as coisas tem ido com a gente.
Como assim até ontem eu estava sem ninguém e hoje já tenho planos com você? É razoável que eu sinta medo, né?

Não que eu não confie em você ou algo do tipo, não é isso.
Mas coração nenhum está pronto para mudar de rota da noite para o dia por mais natural que isso seja. Sempre será um choque.

Vou mentir, porém, se eu disser que não estou gostando.
É tudo bastante novo, mas já tem sabor para mim.
Eu gosto de ver que você quer dividir seus dias comigo.

Vou te explicar o que acontece: já passei por isso antes. Era tudo bastante parecido. Eu não esperava, mas quando me dei conta tinha acontecido. Só que eu mergulhei tanto – eu sempre mergulho. Me entreguei e me vi caindo em algo sem saber o que era, afinal, é assim que funciona, né? Mas aí eu do mesmo jeito que mergulhei eu fui tirado lá debaixo, ou seja, eu conheci alguém que transformou meus dias para bom e para péssimo. Foi muito louco e traumatizante.

Não saber até onde a gente vai dar é o que me desespera. Não que eu queira as respostas, que eu queira as dicas ou qualquer coisa do tipo, é só estranho pra mim caminhar sem saber para onde estou indo. E é bom ao mesmo tempo. Que inferno!

No fundo, eu estou gostando disso tudo, principalmente do fato de eu me sentir gostado. Acho que essas coisas tem disso, né? O jeito que temos sido é muito assustador mas muito bom também. Me sinto em paz e empolgado, sem deixar de sentir pavor. É uma grande e teórica cilada. Parte da minha cabeça diz para a gente ir mais devagar, para eu me distanciar, mas outra parte diz para eu aproveitar enquanto estiver existindo. É complicado.

Será que amanhã você vai simplesmente parar de me responder? Como fizeram antes?
Será que vou te entediar? Ou será que vai ver que não somos aquilo que estava imaginando? E eu? Será que vou preferir sumir da sua vida para me proteger? Ou será que vou te deixar entrar sem pedir licença mesmo?

Às vezes a gente esquece como é bom quando gostam da gente.
E aí meio que tentamos nos proteger fugindo de bons momentos. É como se tudo fosse ruir e fazer mal pra gente.

É que só quem tem teve uma ferida difícil demais para fechar sabe quanto medo da que abra de novo.

Talvez eu esteja ansioso demais. Pode ser.
Talvez meu preciosismo esteja exagerado. Ou talvez eu esteja com toda a razão do mundo.
Não sei dizer. É muito louco. Preciso repetir que é muito louco.
Vai ver era exatamente disso que eu precisava na minha vida depois de algum tempo. Vai ver com você o roteiro pode ser igual mas o fim diferente. Ou, vai ver você realmente não vale nada e estou aqui de novo me entregando cegamente.

Sobre o que fazer: não tenho resposta.
Sobre você: tenho sentimento.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Você é do caralho

Você precisa acordar amanhã sabendo disso, pois é a maior roubada esperar que te digam. Você é do caralho. Seus amigos te acham do caralho. Sua família se orgulha de você ser uma pessoa do caralho. Mas não é desse jeito que a gente fica sabendo disso, né? É.

Ao mesmo tempo que temos uma tendência a piorar as coisas ruins – ou problematizar dias tristes -, também existe uma certa dificuldade nossa em aceitar o melhor que somos. É só alguém te elogiar que lá vai você rejeitar inventando uma saída. “Que camiseta legal!”, “Ah, é velha e tal, comprei na loja x”. NÃO CARA, ACEITA QUE SUA CAMISETA É LEGAL. A gente estranha elogios, a gente estranha quando alguém olha a gente de um jeito bom.

Só que isso não diminui o fato de você ser uma pessoa do caralho.
Vou te contar que amor nenhum vai te dar essa certeza. Saia dessa furada de acreditar que para se sentir bem é preciso ter outro alguém. Para se sentir bem é preciso apenas que tenha a si mesmo – se um dia rolar de alguém aparecer, show! Se não, show também! – A vida vai seguir. É preciso que lembre do bem que já fez e do que ainda pode fazer.

É bobagem também você se diminuir no trabalho.
Dificilmente algum chefe vai te chamar e dizer: “Viu, só te chamei para te lembrar que você é um profissional do caralho! Obrigado por tudo!”. Não entre nessas. Não é para esperar que as pessoas reconheçam quem você é, é para que faça o que gosta de fazer de modo que todo mundo vai ser obrigado a perceber como você faz bem, isto é, como você é do caralho. Sua viagem sonhada não chegar pelo correio, é preciso muito perrengue de segunda a sexta para justificar.

Queria dizer algo do tipo: “Você é legal”, “Você é especial” ou coisa que o valha, mas nada teria efeito melhor que “Você é do caralho”. É tipo aquele exemplo: “o amor é importante” que é legal de legal de ler, mas “o amor é importante, porra!” é mil vezes mais legal.

Entendo você. A gente esquece de lembrar que gostamos da gente. Volta naquela tendência em nos diminuirmos – uma bobagem sem tamanho. É sim para você colocar uma roupa que gosta amanhã e esbanjar o seu melhor por onde andar. Aceite os dias ruins, mas acredite nos dias bons.

Uma pessoa confiante é uma pessoa invencível.

E confiança se passa pelo sorriso, pelo caminhar, pelo pedido de desculpas, pelo desejo de amor e pela esforço por sucesso. Confiança é acreditar que a sorte é resultado do seu esforço e que a sorte é sua por acordar com você mesmo todos os dias, e que se um dia aparecer alguém para dividir a cama, sorte desse alguém também. Mas que se esse alguém for embora, você vai continuar sabendo que é uma pessoa do bem, confiante e dedicada. Ou melhor: uma pessoa do caralho. Você sempre será sua melhor companhia.

Mas deixa eu falar, cuida dessa sua vida, viu?
Quando você acha que fez de tudo para ser feliz lembre-se que não fez nada do que pode fazer ainda. Horóscopo sempre, mas livro que é bom você raramente lê, né? É preciso enriquecer a alma para sentir melhor o sabor da felicidade e da completude espiritual. Que papo good vibes, né? O ponto aqui é um só: se você não cuidar do seu corpo e da sua alma, ninguém fará isso no seu lugar.

E a gente não precisa ser feliz para esperar alguém chegar e completar, a gente precisa ser feliz para nós mesmos por completo.
Da manteiga na fatia do pão, até a noite de tesão, lembre-se todo dia e se preciso for escreva no espelho: você é uma pessoa do caralho.

Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

 

 

 

Deixa eu te fazer bem?

Esqueça.
Esqueça tudo o que passou. Guarde para aprender, mas esqueça para viver.
Esqueça porque só assim eu vou conseguir te mostrar quem posso ser para você. Só se você me deixar eu vou conseguir te mostrar como é possível ser feliz sem sofrer.

Esqueça tudo o que passou porque cheguei para te mostrar que o lado bom da vida nem começou.
Sei que falando assim posso parecer alguém confiante demais, alguém que beira até uma certa arrogância como se eu soubesse exatamente qual é a receita da felicidade, mas não tem nada disso não. Falo isso só por ter certeza que sou quem pode te fazer bem, te fazendo esquecer toda a dor para aproveitar todo o amor dessa vida. Todo o amor que guardo dentro de mim.

Eu estou pronto para você.
Vou gostar de ser quem você precisa para te acompanhar. Vou gostar de ser quem você quer para dividir os dias bons e aqueles nem tão bons assim. Vou gostar de derramar a minha vida um pouco na sua e levar um pouco de paz e bons motivos para dar risada.

A minha impressão é que sempre te esperei.
O tempo caprichou e me fez até engordar de tanto comer o pão que o diabo amassou, porque olha, passei por cada uma que nem sei como estou aqui para contar história. Mas o legal é que tudo isso me ajudou a ficar pronto para você, tudo isso me ajudou a ter clareza do que sou e do que posso ser para alguém.

Eu também não sabia que a gente daria nisso, mas tem coisas que não dão para saber onde vai dar. E justamente essa que é a graça.
De ser alguém para distrair, passei a ser alguém para te completar. Pelo menos é como me sinto e como gostaria de ser para você.

Deixa eu te fazer bem?
Deixa eu te ligar sem o medo de te atrapalhar? Deixa eu te chamar para conversar sem pensar que estou te pressionando? Deixa eu te convidar para fazer alguma coisa na sexta a noite? Deixa eu te fazer bem só te ouvindo falar?

Deixa eu te mostrar que o passado tem valor para aprender, mas é no futuro que mora o amor para viver?

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

Não consigo ser mais do que isso

Tudo de bom que sou e que tenho, você já conhece e te dei.
Nunca faltou carinho, porque todo o que eu tinha na vida dei para você. Nunca faltou atenção, porque você sempre foi a prioridade dos meus olhos e do meu coração. Nunca faltou companhia, porque eu sempre falei que poderia contar comigo, mesmo que fosse para fazer nada. Quando a gente reconhece que temos uma pessoa inteira com a gente, a busca pela felicidade com alguém termina e começa o prazer em aproveitar.

Para mim, sempre foi você.
A gente sabe como é tarefa difícil saber conviver com alguém e todas as instabilidades que vem com outra pessoa na nossa vida. A gente sabe. Mas tudo fica tão mais fácil quando a gente dorme com a certeza de que temos alguém do bem ao nosso lado, e não só alguém para chegar, aproveitar e ir embora. E eu sempre fui esse alguém para você. Quem te via dormir e quem estava ao seu lado quando acordava. Quem te elogiava nas terças-feiras normais e quem te apoiava nas segundas-feiras estressantes. Eu sempre fui.

A gente só não conta com o inesperado da vida, né?
Eu não esperava te cansar, até porque, pra mim, era combinado que quando uma coisa não estivesse tão legal entre nós, a gente conversaria. Só que a gente não conversou direito e, pouco a pouco, fui te vendo se entediar com a minha presença na sua vida. Mesmo sendo inteiro como falei, mesmo estando presente como sempre estive, mesmo te lembrando da sua importância para mim com gestos e palavras, acabei me desfazendo diante dos seus dias. Virei paisagem. Parece que fui de “a pessoa certa” para “uma certa pessoa”. Aconteceu. Este é o fato.

Não consigo ser mais do que sou, até porque nunca fui nem metade com outro alguém. Falo isso porque a impressão que eu tenho é que você gosta de mim, mas gostaria mais se eu fosse de um outro jeito que você gosta – um jeito que não sou. Acho que isso tem a ver com aquele momento em que alguém passa a não ser tão fundamental assim na nossa vida. O fim de semana que a gente se via, passa a ser o fim de semana que talvez a gente se vê; aquele filme no cinema que a gente não perdia, passa a ser um filme para qualquer dia.

Acho que nem você percebeu ainda, mas eu percebi pela gente, correndo o risco de estar enganado – é preciso me alertar – , mas certo de que só juntei alguns dos fatos. E isso também me deixa triste: você pode alegar que estou enganado, mas você nunca mostrou outra coisa. Devo acreditar mais no que demonstra ou no que argumenta?

Não consigo ser mais que isso.
Sempre fui um apaixonado em ser para você o que nunca fui para alguém, e isso inclui cada um dos nossos pequenos momentos, das quebras de rotina, das surpresas sem pra quê e dos bilhetes inesperados.
Eu queria lembrar do dia que você me viu como alguém que seria o seu único alguém. De repente eu poderia fazer a mesma coisa de novo para você me olhar assim outra vez.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

 

 

 

« Older posts