Vocês estão fazendo tudo errado

Vocês aí que estão no conforto da verdade absoluta na cabeça de vocês e sem questionarem a si mesmos: vocês estão fazendo tudo errado. Vocês que permanecem acreditando que “esse é o meu jeito e pronto” estão fazendo tudo completamente errado. Sério, vocês estão fazendo tudo errado e a gente precisa pensar sobre tudo isso.

Vocês que já se assustam com demonstrações de pessoas que querem o bem de vocês, puta que pariu, você estão fazendo tudo errado. Como é que pode ser ruim alguém demonstar algo bom pra gente? Como? Então por que vocês não conversam e não contam o que sentem – e o que não sentem – ao invés de fazerem essa merda de joguinho e desgraçar a cabeça DE QUEM QUER O SEU BEM? Vocês tem noção do que estão fazendo? É bom que saiba que está tudo errado.

Vocês que brincam com as pessoas boas que aparecem na vida de vocês. É bom que saibam que um saco de lixo na porta da sua casa tem mais valor que você sendo assim. Como é que você consegue usar alguém de muleta só para te fazer bem? Como é que você se aproveita da boa intenção, do tempo, do sentimento e da dedicação de alguém só para você usar quando for conveniente? E aí depois jogar fora tipo guardanapo sujo? Vocês percebem o tamanho desta cagada? Vocês percebem o quanto podem destruir a vida de alguém fazendo isso? Como que vocês conseguem dormir? Como que conseguem dormir ao BRINCAREM, porque é essa a palavra, ao BRINCAREM com o que alguém sente por você? Como que consegue dar algum sorriso agindo exatamente na maldade ao estalar os dedos para aquele alguém que te quer bem vir te agradar como deseja?

Vocês que não permitem que pessoas gostam de vocês. Nossa, essa é pesada. Como é que vocês vão conhecer alguém bacana se vocês não deixam ninguém bacana se aproximar? É claro que todo mundo já viveu muita bosta nessa vida que fica complicado confiar em novas pessoas, mas é bom que a gente coloque a mão na consciência para lembrar que: não tem jeito, vai ser assim sempre. Conhecer pessoas, viver histórias boas ou não e conhecer outras pessoas. Agora, você pagar de pessoa encalhada por aí enquanto tem gente querendo te fazer bem só te faz alguém que ESCOLHE sofrer. Olha o tamanho do absurdo. E poxa, é óbvio que em nada tem a ver com se forçar a gostar de alguém, pelo contrário, tem a ver com se permitir que te façam bem, se permitir surpreender com coisas boas da vida, se permitir que alguém interessante se interesse por você ao invés de sabotar tudo nos primeiros momentos. E todo mundo sabe que isso não é fácil assim de fazer também, mas tudo pode pelo menos ser conversado. O problema está na pessoa que te quer bem começar a acreditar que está te fazendo mal – e tudo porque você não conversa.

Não são tempos fáceis para quem quer ser legal para alguém. Não são tempos fáceis para se interessar por alguém e querer provar isso, uma vez que ninguém acredita mais que exista alguém diferente das pessoas-lixo das histórias anteriores. Não são tempos fáceis. Não são tempos fáceis para o amor. Parece que a gente não quer mais ser feliz. E a dúvida é: quando que ser feliz com alguém foi algo fácil? Nunca será, mas escolher piorar só atrapalha mais. Vocês estão sendo ótimos em serem péssimos; vocês que pensam mais em dificultar que facilitar, que parecem preferir problemas as soluções, que cobram mais do que aproveitam, que mais procuram defeitos do que valorizam qualidades, vocês todos estão fazendo tudo errado completamente errado.

Vamos refletir recapitulando o que está acontecendo em muitas das relações: se a pessoa demonstra que gosta, ela pode te assustar; se ela dá espaço para acontecer devagar, você vai achar que ela não está interessada; se a pessoa responde rápido, você acha que ela está sendo grude; se demora para responder, não quer mais nada com você; se a pessoa diz que gostou e quer te ver de novo, você ficando pensando que está indo rápido demais e nossa, por aí vai. Olha o tamanho do problema.

Vamos sublinhar algo importante: vocês não são obrigados a se forçar a nada, a sentir nada por alguém. Jamais. O problema é vocês sustentarem um discurso, por exemplo, de “nossa, só tem gente ruim no mundo” enquanto: 1) VOCÊS NÃO DEIXAM PESSOAS BOAS SE APROXIMAREM e 2) VOCÊS ACHAM PROBLEMAS ONDE NÃO TEM. Então, pensem melhor antes de saírem falando por aí que “o mundo não tá fácil”, “ninguém presta”, “não acredito mais em ninguém” etc, pensem mehor para talvez concluírem qual o papel de vocês nessa bosta toda; para talvez concluírem que vocês são grande parte responsável pelo problema; para talvez concluírem que ENQUANTO VOCÊS NÃO SE ENXERGAREM, NINGUÉM QUE VOCÊ GOSTA VAI CONSEGUIR VER VOCÊS COMO DESEJAM.

Vocês estão fazendo tudo errado mas sempre há tempo de consertar.
Vocês somos nós.

por Márcio Rodrigues.
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Parece que falta algo

A saúde está boa, o salário está em dia e os boletos também – alguns sim, pelo menos. Os amigos estão por perto. A pele tem ficado menos oleosa. O cabelo até acorda de bom humor. Aquela roupa antiga parece que está servindo novamente. Tá tudo bem, mas parece que falta algo. Parece que falta uma peça e é estranho ter que admitir, apesar do primeiro passo para alguma coisa melhorar seja aceitar que não está tão bem assim.

A vida nunca estará exatamente como a gente gostaria.
Por melhor que as coisas estejam, a gente sempre vai encontrar um motivo para dizer que ela poderia ser melhor. Isso é algo que faz parte da gente e, de certa maneira, não tem problema. O problema começa quando a gente não valoriza o que a gente tem e passamos a exigir mais e mais, de tudo e do mundo. Não é bem o caso aqui.

Ser autossuficiente é fundamental para não depender de outra coisa ou outra pessoa para ser feliz. É fundamental acreditar na energia vital que carregamos e na capacidade que temos de conquistar as coisas que desejamos e desfrutarmos dos melhores sabores da vida sem, obrigatoriamente, precisar de alguém. Mas aí entra outra coisa que não é sobre precisar, mas é sobre gostar. É sobre gostar de ter alguém.

E, por mais que tudo esteja muito bem, tem horas que parece faltar algo.
Parece que a gente dá a nossa risada mas ela poderia ser prolongada. Parece que a viagem é boa, mas ela pode seria ainda melhor. Parece que o feriado é gostoso, mas poderia ser maravilhoso. Parece que as boas notícias são incríveis, mas poderiam ser fantásticas. Parece que a gente celebra, mas a gente poderia comemorar mais. E tudo isso parece quando a gente sente que parece faltar algo. E, nesse caso, faltar alguém.

Ninguém é tão boa pessoa que outro alguém não possa ajudar a ser uma pessoa ainda melhor. Enquanto seres humanos, é uma tendência nossa a de buscar um estímulo em outro coração além do nosso. E tudo bem, faz parte. A gente vive bem sem ninguém, mas a gente pode viver ainda melhor com alguém e, em algumas fases da vida, essa vontade aperta um pouco mais. Começa a ficar complicado viver algumas sextas-feiras. Começa a ficar complicado abrir o celular e não ter exatamente aquela pessoa para falar qualquer coisa, mandar qualquer foto e qualquer áudio. Parece que falta algo.

Está tudo bem.
Não é sobre reclamar de nada. Não é sobre mudar os planos. Não é nada sobre essas coisas. É sobre refletir como é louco quando mesmo quando está tudo bem, ainda parece que falta algo. E, ainda mais importante que faltar algo, é sobre a clareza que esse algo que falta é alguém. Não tem problema a gente admitir quando falta alguém. Não tem problema a gente aceitar que a carência bateu a porta e nos lembrou de um jeito não muito legal o quão estranho é estar sozinho às vezes.

Mas também não tem receita para resolver.
O que tem a fazer é continuar vivendo com paixão e proteção. Paixão pelas pequenas alegrias e motivos quem preenchem o peito. Proteção do coração para diminuir as chances de entrar pessoas que são mais confusão que solução. Afinal, é isso, parece que falta algo e esse algo é alguém, mas se esse alguém aparecer para levar o que já temos, é melhor continuar tudo assim mesmo, pois: tá tudo bem.

por Márcio Rodrigues.
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Lembrar de você me ajuda a te esquecer

É isso.
Lembrar de você me ajuda a te esquecer e vou contar como isso funciona. Acontece que fica difícil se desapegar a alguém, esquecer alguém, quando a gente só tem na cabeça as lembranças boas e os bons momentos. Nesses casos, o que acontece é que aumenta ainda mais a saudade e a vontade de viver aquilo tudo de novo, principalmente com aquela pessoalmente. Tudo muda, porém, quando a gente começa a lembrar das coisas que não era tão boas e que faziam tudo funcionar cada vez menos. É por isso que eu lembro de você; lembro para ter certeza das coisas que eu não quero viver nunca mais.

Parei de brigar contra o meu coração e as memórias que eles traziam de você para a minha vida e passei a administrar essas lembranças. É claro que vivemos momentos bons juntos e fomos felizes enquanto tudo dava certo, mas os motivos e a forma que terminamos é o que me ajuda a te esquecer um pouco mais a cada dia.

Tem dias que não são fáceis e, num impulso, quase te ligo. Aí eu preciso respirar e pensar no que estou prestes a fazer. Aprendi que a primeira coisa para esquecer é aceitar que vai ser difícil e que não é sobre deletar alguém da cabeça, mas guardar essa pessoa num lugar de difícil acesso no coração. Enquanto eu tentava te deletar ou, quando não pior, enquanto eu tentava encontrar uma pessoa para me ajudar a te esquecer, eu mal percebia o quanto sofria cada vez mais. Eu dedicava um tempo valioso para encontrar uma maneira de te colocar para fora da minha vida. Eu sofria quase que intencionalmente, mas só percebi depois.

Eu aceitei que sempre teremos uma história nossa e que seria loucura eu lutar diariamente para te apagar um pouco mais da minha memória. Agora, o que eu faço é lembrar do que eu não quero viver mais e que a gente viveu juntos. Isso me distancia das coisas que a gente vivia e que me faziam mal, isso me distancia dos momentos que eu não gostava de viver, isso me distancia das noites que eu não dormia direito porque fazíamos de toda briga um vendaval – e nem quero entrar no mérito de quem errou mais que alguém. Eu só lembro de você para te esquecer aos poucos. Lembro daqueles dias de bosta e em como foi horrível ve as coisas ruindo.

Vou lembrar de você várias vezes na minha vida, mas agora é para eu lembrar das coisas que eu não quero viver nunca mais na minha vida; agora é para lembrar dos erros que eu também cometi e que devo cuidar para não repetir; agora é para lembrar de que eu não posso aceitar mais com ninguém todas os dias ruins que aceitei com você.

Em outras palavras, a cada vez que eu lembrar de um momento nosso que não foi bom, você vai se desfazendo aos poucos da minha cabeça. Por outro lado e para deixar claro, eu não dedico tanta energia a ficar processando o que houve com a gente, até porque gastar saúde pensando em coisa ruim não deixa ninguém feliz; eu deixo a vida seguir. Eu só entendi que para te esquecer eu preciso aceitar que vou lembrar de você, e que, quando isso acontecer eu preciso lembrar do que eu nunca mais quero viver. Então, esses pensamentos acontecem só para eu não sofrer tanto pelo fim ao lembrar do quanto eu sofri no meio.

por Márcio Rodrigues.
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Pense antes de falar

Dá para falar as mesmas coisas de formas diferentes. Sempre dá.
É só uma questão de se preocupar em usar palavras diferentes para expressar as coisas que sente, sejam quais forem.

Pense antes de falar para não falar coisas horríveis para ninguém. Pensa porque se você for do tipo que nem liga para o que pensam sobre você, é bom você começar a ligar. Por um lado, é claro que ser assim é bom. Isso significa não se importar com a opinião alheia sobre a sua vida a fim de te controlar. Faz sentido. Agora, o problema está no outro lado dessa mesma história. Você precisa sim pensar antes de falar porque ninguém é obrigado a aceitar seus excessos e porque você pode machucar pessoas sem perceber.

“Mas esse é meu jeito, me conheceu assim e agora não tem como mudar”

Mas é claro que tem. Sempre tem como mudar. Sempre tem como melhorar. Se melhorar, melhora. Saia dessa ideia de que você é alguém que não pode melhorar, especialmente no que diz respeito a defeitos. Você tem que entender que ninguém é obrigado a ouvir grosserias, excessos e palavras mal escolhidas, indo direto ao ponto: ninguém é obrigado a te ouvir falar bosta. Então pense bem antes de falar.

Pense porque o que você acredita ser normal pode ser uma grande ofensa para alguém – ou, no mínimo, pode fazer mal a esse alguém. Pense antes de falar porque você não é a única pessoa que vive nesse mundo e as pessoas que vivem nele com você não são obrigadas a engolir seu jeito. Pense, mas pense mesmo.

Pense antes de explodir, antes de falar especialmente o que não gosta, o que te faz mal. Pense porque palavras erradas causam desfechos ainda piores. E isso em nada tem a ver com ser bom com as palavras, isso tem a ver com empatia para se colocar no lugar de outra pessoa e refletir: “Será que eu ia gostar se falassem assim comigo?” Então, sempre dá para se acalmar e respirar antes de jogar tudo para fora.

Pense antes de revelar um sentimento, antes de falar alguma coisa para alguém. Pense porque, às vezes, a pessoa não vai entender a coisa boa do jeito que você gostaria e o resultado vai ser uma decepção. Ruído na comunicação é uma merda. Então, pense com calma e diga o que você sente, o importante é você colocar para fora exatamente o que você sente de um jeito que a pessoa entenda corretamente.

Dá para falar as mesmas coisas de formas diferentes. Dá para ser uma conversa mais fácil e mais leve. A gente tem brigado demais e muitas vezes isso tem a ver com o jeito com falamos sobre as coisas. A gente combate, não resolve. A gente confronta, não conversa. O que a gente esquece é que nem todo mundo tem paciência e, no fim, podemos acabar cheios de ninguém ao nosso redor justamente porque não tentamos melhorar nosso jeito.

A gente sempre pode falar de um jeito melhor principalmente porque não é o mundo que tem que aceitar nosso jeito, é a gente que tem que ver que o mundo é diferente para cada pessoa.

por Márcio Rodrigues.
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Mais que amigos, friendzone

Considere duas pessoas: a pessoa A e a pessoa B.
Essas duas pessoas tem uma amizade muito boa. Daí a pessoa A começa a ver a pessoa B de um jeito, digamos, mais especial. Só que a pessoa B não vê a pessoa A de uma maneira diferente além de amizade. E aí temos um jeito de conceituar a friendzone.

E ninguém tem culpa nessa história.
A gente não gosta de alguém porque a gente quer, tipo: “bom, vou começar a gostar daquela pessoa ali”. A gente só se vê gostando da pessoa. É isso. E não há problema nisso. Por outro lado, a gente não consegue gostar de alguém só porque esse alguém gosta da gente. Não dá para obrigar nosso coração a sentir coisas que ele não tem vontade. E, de novo: não há problema nisso. Isso acontece. Faz parte.

E tem até uma lógica que ajuda a contribuir para o interesse entre amigos.

A amizade entre duas pessoas é a soma das melhores energias boas. Assim como em uma relação afetiva, numa amizade há os pilares de admiração, de respeito e confiança e quanto mais fortes são esses sentimentos, mais forte é a amizade. E, de tão forte essa amizade, mais chances ela tem de parecer ser algo a mais que amizade para alguma das duas pessoas. Acontece. É que você passa a ver naquela sua amizade a pessoa que você gostaria de ter ao seu lado. Você passa a identificar que todas as qualidades são coisas que te inspiram e te fazem bem, ao passo que todos os defeitos são coisas contornáveis. Em uma amizade você conhece tanto da pessoa que já sabe lidar com os dias bons e ruins dela, ou seja, imagina como seria se isso se tornasse uma relação afetiva?

Só que nem sempre é tão certinho assim.
Como não dá para controlar o que sentir ou quando sentir, em geral, alguém sofre com a famigerada friendzone que, em outras palavras, é uma relação afetiva não correspondida e que tem desdobramentos diversos. A friendzone acontece também quando você está claramente interessado na pessoa e a pessoa está claramente interessada na sua amizade. Apenas. Quando você dá a entender algo a mais e a pessoa dá a entender aquilo de sempre mesmo. Quando você convida para sair, sei lá, compra uma roupa, escolhe um lugar e planeja todos os passos e a pessoa, bom, a pessoa foi com você mas conversa com outrx em paralelo no Whatsapp. De novo, não há exatamente um culpado na friendzone do ponto de vista de não ter controle no que sentir e no que retribuir. Não se deve culpar alguém por não retribuir o que sente, nem você deve sofrer por sentir alguma coisa.

Tem relações que realmente não funcionam muito bem se evoluírem para outra coisa. Tem amizades que podem deixar de ser amizades se em algum momento alguém tentar algo a mais. E aí temos duas coisas: o valor de quem fala o que sente e a sensibilidade de quem ouve. Talvez o que fazer para evitar estragos disso seja considerar que as coisas podem não dar certo, considerar que a pessoa pode não te ver como você gostaria só porque você já a vê de um jeito diferente e porque nutrem uma amizade. E aí a conclusão pode ser que a escolha vai ser ter a pessoa na sua vida em forma de amizade ou não ter de forma nenhuma.

Por outro lado – e sempre há outro lado – uma amizade tranquilamente pode evoluir para algo mais especial. Assim que constatado um sentimento diferente, é possível que floresça em ambos um interesse que jamais imaginavam ter antes e que, justamente por serem amigos, pode contribuir para uma relação com respeito, admiração e confiança. É a grande história de que se melhorar, melhora. Você que é mais céticx quanto a essa ideia pode se surpreender com a possibilidade de encontrar em quem sempre esteve ao seu lado, alguém que você tanto procurou em outros lugares.

Não dá para prever como vai ser. Nunca dará. O que dá é para confiar que falar o que se sente sempre será a melhor opção. Amizades podem ser para sempre boas amizades, mas podem ser para sempre boas surpresas.

A friendzone é quando alguém só te vê como amigx, quando alguém não consegue te ver de um jeito que você gostaria – e não consegue nem tentar ou nem quer tentar. E felicidade é quando você consegue conviver com a possibilidade de tudo na sua vida acontecer ou não como você gostaria.

por Márcio Rodrigues.
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Você deixa eu me dedicar pela gente?

Eu sei que tá foda.
Sei que parece que não dá mais para confiar em ninguém.
Sei que todo mundo se diz boa pessoa mas, sem demorar muito, se mostram pessoas horríveis.
Eu sei que tá foda.
Eu sei que tem sido difícil se entregar, que as pessoas andam brincando demais com os sentimentos. Eu sei disso e só sei disso porque sinto a mesma coisa e tenho as memas opiniões. Eu entendo você.

Eu sei que antes de mim já te disseram que gostariam de se dedicar por você, ou pelo menos algo parecido.
Sei que antes de mim você se permitiu viver coisas com pessoas que demonstravam querer cuidar de você, querer cuidar de vocês, mas que se mostraram pessoas mais dispostas a fazer sofrer e, assim, nada responsáveis com o que você sentia. Eu sei. Eu sei que até que eu consiga provar ser alguém legal, serei só mais mais um alguém em potencial para te machucar. A realidade é bastante cruel. O mundo mudou e hoje a gente coleciona mais histórias ruins do que boas, conhecemos mais pessoas para esquecer do que inesquecíveis. Eu sei. As coisas nunca foram fáceis mas agora se tornaram quase impossíveis.

Mas, se você quiser e deixar, eu gostaria de me dedicar pela gente. Eu entendo seus receios porque imagino que as coisas que estou te dizendo soam familiares de tempos antes de mim. Mas, assim como aqueles tempos são outros, eu não me sinto alguém igual aos outros. E isso não me faz alguém melhor que todos, pelo contrário, mas me motiva a te mostrar ainda mais quem eu sou.

Eu não consigo, porém, te provar que eu sou alguém diferente sem te fazer nada. Eu só vou ficar aqui falando e falando, mas eu não quero ser essa pessoa. Eu quero te mostrar. O único ponto para isso acontecer é que eu preciso de um voto de confiança seu. Eu quero me dedicar pela gente mas isso só vai funcionar se você quiser também, se você se permitir – mesmo com tantas feridas abertas antes de me conhecer -, se você avaliar como possível confiar na minha vontade de trocar seus dias ruins da vida por alguns bons. O que eu quero te mostrar é que grande parte das suas dores eu já sofri também. Que eu já mergulhei em histórias que me afogaram, que eu já acreditei em verdades que sempre foram mentiras, que eu basicamente vivi grande parte das bostas que você viveu mas que eu acho que isso sempre me preparou para fazer bem a alguém, tipo pela gente agora.

Eu não quero te assustar, tampouco te pressionar.
Eu só quero te mostrar que da mesma forma que você deixou de confiar nas pessoas – e com razão -, também pode ser bom quando a gente abre uma exceção. Mas eu só quero isso se você estiver bem. Hoje, por enquanto, eu sou só alguém com vontade de fazer bem a você, a mim e a nós, mas amanhã eu quero acordar ao seu lado e comprar pão enquanto você dorme mais um pouco. Eu quero me dedicar pela gente. Eu quero ver como a gente vai conseguir colorir os dias que pintaram de cinza. Eu quero ver como a gente vai rir do nosso passado e como vamos celebrar as chances que damos a nós mesmos para a vida melhorar um pouco.

Eu sei que tá foda, mas vai que juntos a gente não vê se fica um pouco menos?

por Márcio Rodrigues.
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Você se tornou minha prioridade

É que assim: eu ignoro muita gente no whatsapp e não é por mal, eu só me enrolo e isso inclui até minha família, mas não consigo te deixar sem resposta. Para mim, isso é um sinal de algo diferente; é um sinal de que você saiu da posição de uma conversa como outra qualquer para uma prioridade entre as atividades do meu dia. Nossa conversa fica sempre lá no alto entre as três primeiras que, em geral, são conversas onde falo de você. E eu estou gostando disso.

Eu não estou dizendo que Júlia e Pedro podem ser os nomes dos nossos filhos – mas se você quiser eu quero rs -, eu só estou dizendo que a vida ganhou uma cor diferente depois que a gente começou a conversar.

É engraçado porque eu já acordo com um frio na barriga para saber se você mandou uma mensagem na madrugada – tipo, qual a chance, né? Mas sei lá, eu penso nisso às vezes. E eu acordo feliz para caramba quando a gente já conversa nas primeiras horas do dia. Parece que a minha rotina nem pesa tanto. Por outro lado, estou ficando meio sem noção com o celular porque eu acabo o checando entre uma tarefa e outra, tipo, entre escovar os dentes e me vestir, só para ver se você continuou o assunto que começamos. Isso é meio doido e eu preciso me controlar porque isso pode parar de ser gostoso para começar a ser vício. Tem essas também.

Normalmente, você tem sido a primeira @ que eu marco nas coisas que gosto pela internet. Em vídeos de cachorros engraçados a receitas que eu nunca vou fazer mas que são gostosas de ver. Acho que é uma maneira da gente participar um pouco mais da vida um do outro.

Eu sinto que você se tornou prioridade quando eu começo a visualizar a sua companhia nos planos para o fim de semana, independente de quais sejam. Eu quero ir naquela exposição e ficaria feliz se você fosse comigo. Eu quero ir naquele show e ficaria feliz se você fosse comigo. Eu quero ir naquele café e ficaria feliz se você fosse comigo. Eu quero andar no parque e ficaria feliz se você fosse comigo. Ao mesmo tempo, eu dou risada para a tela do celular quando é você que me convida para fazer coisas com você e, de novo, independente de quais sejam.

Você se tornou minha prioridade porque a referência que eu tenho de momentos nossos é sempre boa. Quando a gente conversa é certeza de que alguma coisa boa eu vou sentir mesmo que o assunto não seja tão bom assim. Quando eu falo de um assunto aleatório é certeza de que com algum ponto de vista você vai contribuir. A gente entende o espaço um do outro e o ritmo que temos e isso faz com que, um pouco por dia, saibamos mais valorizar o que temos de diferente além de celebrar nossas semelhanças.

Você se tornou minha prioridade mas isso não significa que é minha exclusividade. Frequentemente eu pondero sobre a gente para que eu não esqueça de mim lembrando só de você. Eu já fui assim. Houve uma época em que eu colocava toda pessoa que me fazia bem a frente do bem que eu mesmo me fazia e, no fim, isso tudo me fez muito mal. Então, quando falo que você se tornou minha prioridade é mais sobre o prazer que hoje sinto em guardar um espaço para você nos meus pensamentos entre outros que já tenho.

Eu gosto de como a gente gosta da gente mesmo que você e eu nem sejamos nós ainda – se é que vamos ser um dia. Você ganhou um espaço no meu dia que parecia nem existir numa rotina tão corrida. Vai ver essa é a prova daquilo que falam que quem quer sempre dá um jeito – e a gente tem dado um jeito de fazer com que uma vida normal seja uma vida mais especial. Mesmo sem saber até quando. E tudo bem.

por Márcio Rodrigues.
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Você só não é mais prioridade

Por exemplo: Se a conversa fluía bem e os assuntos avançavam para várias coisas mas, do nada, os intervalos entre estes mesmos assuntos ficaram maiores que as próprias conversas, não tem nenhum problema em você, vai ver você só não é mais prioridade da pessoa.

A gente ainda vai sofrer muito por ficar procurando justificativas para todas as coisas da vida. É que algumas dessas coisas não tem muitas justificativas, às vezes, inclusive, não tem nenhuma mesmo.

Você só não é mais prioridade.

Você ainda é uma pessoa legal, cheia de qualidades, tipo bom humor e um repertório que inclui a novela das nove à política da Rússia mas, por um motivo que não dá exatamente para explicar, você só não é mais prioridade da pessoa mesmo.

E o mais louco sobre isso é que nós também já tratamos alguém assim. Alguém também já mudou de lugar na nossa vida saindo de prioridade para “quando der eu respondo”.

Algumas vezes a gente faz para alguém aquilo que odiamos que façam com a gente. Mesmo que sem querer.

Sobre prioridade, entre tantas coisas que a pessoa tem para fazer e tantas outras pessoas para conversar, ela só não consegue mais tempo para te incluir em alguns minutos das vinte e quatro horas do dia. E aí o laço que parecia se fortalecer vai se afrouxando aos poucos e toda aquela conexão que parecia existir vai se tornando só uma ligação entre duas pessoas legais.

E tudo bem.
Tudo bem porque amanhã será você fazendo a mesma coisa – se já não foi ontem. Todos nós estamos sujeitos. Tudo bem porque isso acontece. Só que aceitar que a vida acontece nem sempre é algo que faz bem, né? A gente sabe.

Não há nada de errado em você, com sua aparência, seus assuntos e toda a sua vida, o que aconteceu é só que a pessoa deixou de te ver assim como a maior importância do dia. Na verdade, inclusive, isso tem muito mais a ver com ela do que você e, por isso, você não deve sofrer essa dor. A pessoa parecia gostar, agora não parece mais. A pessoa gostava de conversar, agora não gosta tanto.

Quando a conversa no Whatsapp vai ficando lá para baixo é o sinal que você não tem sido mais prioridade. Quando começa a acontecer coisas do tipo “vamos combinar sim”, “a gente pode ver um dia”, etc, é sinal que você não tem sido mais prioridade. Quando os seus assuntos não são comentados, quando a resposta começa a demorar dias para chegar, quando não há agenda para aceitar seus convites, quando acontece cosias tipo essas são grandes sinais de que você não é prioridade.

E o que dá para fazer para tentar resolver? Pouca coisa.
Dá para começar não surtando procurando defeito em si. Depois, dá para seguir o que você sente, ou seja, se quiser puxar algum assunto, puxe; desde que tenha consciência de que a resposta pode não vir ou se vir pode não ser como você gostaria. E também dá para aceitar que, infelizmente, tudo esfriou.

Pode ser que um dia a pessoa se dê conta de como era legal quando vocês eram dois, pode ser que um dia a pessoa te procure porque lembrou de você, ou porque sentiu sua falta, pode ser que a pessoa apareça te convidando para fazer coisas na maior naturalidade, pode ser que um dia a pessoa te diga que não estava no mesmo momento que você por isso sumiu, pode ser que um dia a pessoa te diga que estava sem cabeça para perceber que se afastou, pode ser até que pessoa atribua a você o motive da distância – as pessoas são loucas sim; podem acontecer essas e outras coisas, mas até lá o fato é que, segundo os sinais, você não é mais prioridade para essa pessoa.

Ei, mas aí temos um ponto: se você se influencia e estaciona sua vida pelo fato de ser ou não prioridade de alguém, o sinal é que você não consegue mais ser prioridade para a sua própria vida. Faz sentido?

por Márcio Rodrigues
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A gente devia abraçar mais

Um abraço.
Um abraço não é só um abraço. Não só braços entrelaçados. Um abraço é uma autorização que uma pessoa dá para uma outra pessoa chegar o mais perto possível do coração. E corações perto ajudam um ao outro. Corações perto cuidam um do outro. Corações perto aliviam o peso dos passos depois dos abraços. Um abraço é bem mais que só um abraço. Um abraço é o momento de combinar as energias e transformar as duas pessoas em uma só – mesmo que seja rapidinho e tudo bem.

E existem vários tipo de abraço. Tem gente que abraça com os braços por cima dos ombros; tem gente que prefere por baixo. Tem abraço que a gente encosta a cabeça no peito da pessoa. Tem abraço que a gente encosta o nariz na pele. Tem abraço que a gente entra no cabelo da pessoa. Existem vários tipos de abraços para a gente escolher qual delas a gente vai usar mais.

A gente costuma abraçar quando as coisas não vão bem.
A gente abraça como se falássemos que tudo vai melhorar. Falar é legal mas abraçar fala mais. A gente abraça e deita nos ombros sem vontade de desabraçar. E ali a gente quer ficar abraçado só para pegar emprestada uma força para completar a nossa que parece se esgotar. A gente abraça os amigos, a família e alguém especial.

E quando o abraço é em alguém especial, a gente abraça e enrosca nosso corpo no da pessoa. Pressiona com força o peito um ao outro, faz movimentos de vai-e-vem com a ponta dos dedos nas costas de quem está abraçando e fecha os olhos para a visão não distrair o coração. A gente beija delicadamente alguns centímetros do pescoço. Às vezes a gente sorri e no frio a gente suspira pelo quentinho.

Quando o abraço é em alguém que a gente gosta o nosso corpo parece dar risada. O abraço de “oi, que bom te ver”, por exemplo, parece ser tão genérico e corriqueiro, né? Mas é aí que a vida nos ensina novamente: não se trata da duração, mas do coração. Um abraço de “oi” em quem a gente gosta é o momento que o nosso sangue parece correr ainda mais rápido; a pele fica mais sensível, os sentidos mais apurados e conseguimos mergulhar no cheiro que a pessoa tem. O abraço de “tchau” em quem a gente gosta, por sua vez, é um abraço de “quero voltar”. É um abraço que deixamos um pedaço da nossa vida na pessoa e que levamos dela também – ainda que ela não saiba. É um abraço de saudade. Um abraço de querer mais. Um abraço de “conta comigo”. É um abraço que dá vontade de morar nele e que faz a gente chegar em casa com um pouco do cheiro da pessoa.

A gente devia abraçar mais. A gente devia somar mais as energias e acreditar mais no poder que um abraço tem. O poder do consolo, do carinho “vai ficar tudo bem” e da celebração do “que bom é ter você”. A gente devia abraçar mais para deixar que abraços curem as feridas que outras pessoas deixaram na nossa vida. A gente tem muitas feridas, né?

O abraço é melhor curativo que um coração machucado pode ter.

Porque é ali, naqueles rápidos segundos de um abraço simples, que mora a vitalidade que pode ajudar os nossos dias a serem mais leves e terem mais sabor. É naquele abraço rapidinho que a gente recicla os sentimentos chatos dentro da gente para que se tornem em sentimentos novos. É no abraço mais longo de inverno que a gente sente vontade de ficar no quentinho do corpo da outra pessoa. É no abraço curtinho de verão que a gente liga nosso corpo em outra pessoa para preencher a barrinha de energia.

Pense mais no abraço que você dá. Naqueles rotineiros no pessoal do trabalho. Pense mais na frequência com que abraça sua família e seus amigos. Pense em dar o seu melhor abraço em quem te faz se sentir melhor. Pode acontecer da pessoa querer sair do abraço e se constranger por você querer ficar um pouco mais, mas isso não é um problema e ela vai perceber que não há nada que um abraço não possa explicar ainda que não fale nada. É só um abraço porque faz bem para a gente ter outro corpo perto do nosso. Na conchinha da madrugada, no “oi”, no “tchau” e na vida.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Entre tanta gente igual, dá para ser diferente

As coisas andam previsíveis, né?
A história mal começa e já parece ter cheiro de que vai dar bosta.
Antes a gente só considerava o pior, hoje a gente já se acostumou.
Tá foda.
O que todo mundo anda fazendo com todo mundo?
A gente anda desmotivado demais. Tá tudo bem desastroso e a esperança que antes era a última a morrer, parece já ter escolhido o caixão. Tempos difíceis.
Só que, apesar de parecer que não, ainda dá para gente acreditar que tem coisa boa vindo aí. A vida não para na última dor.

Entre tanta gente igual, dá para ser diferente. Sempre dá.
Entre tantos manuais sobre como se comportar e jogos de amor que só dão azar, dá para ser diferente se a gente tiver disposição e lembrar de como faz bem para o coração e para a mente ser especial para alguém; se a gente lembrar que ver alguém feliz por causa da gente faz a gente ser feliz também.

Dá para ser diferente.

Pelo menos dá para ser diferente de nós mesmos de antes. Dá para melhorar no que não somos tão bons assim e aperfeiçoar o que já fazemos bem. E isso não tem a ver com nos cobrar para acertar mais do que errar, mas tem a ver sim com a gente refletir sobre como vivemos e avaliar sobre o quanto podemos mudar tudo – especialmente se esse tudo tiver a ver com alguém.

Fazer bem para alguém é uma negócio muito foda.
Tipo, alguém te dizer: “Ei, você me faz bem demais! Eu gosto muito da gente”. Dá para contar nos dedos quais outras coisas fazem mais bem ao nosso coração do que ouvir uma coisa dessas. Só que para isso voltar a acontecer com a gente, a gente precisa fazer alguma coisa. Afinal, é aquilo, a gente já se acostumou com o pior e precisamos acreditar de novo que o que merecemos na verdade é o melhor.

É quase como a gente começar a aceitar que sim: a nossa hora para ser feliz também chega e, se a gente conseguir fazer alguém feliz também ainda que por um minuto, vai chegar ainda mais rápido.

“Tá, mas como fazer alguém feliz assim? E como dá para ser diferente entre tanta gente igual? Você está falando que a gente tem que inovar?”

Não tem que inovar nada. A gente não tem feito nem o básico, imagina o inovador? Amor, por exemplo, é a coisa mais velha do mundo, só que nem de amor a gente fala mais – ou a gente fala e sente dor, o que não faz sentido. A gente pode começar fazendo alguém feliz demonstrando como esse alguém faz diferença na nossa vida – e todo mundo sabe como fazer isso. Dá para ser diferente entre tanta gente igual se a gente desencanar da ideia de ligar nosso coração na tomada para funcionar só de vez em quando e deixá-lo sempre ligado para organizar a nossa vida. Coração não queima. Não tem problema usar o coração todos os segundos da vida – problema tem em achar que ele vai acertar sempre pois não vai, mas aí é sobre consciência, o que é outro assunto.

Entre tanta gente igual, voltemos a nos esforçar. A gente não tem se esforçado mais. É tudo rápido e tudo automático. A gente tem pressa demais. É tudo para ontem. “Se não quiser, tem quem queira”. E se a pessoa não quiser agora mas daqui a pouco sim? O pavio não é mais curto, ele nem existe mais. Queremos comer o bolo sem colocá-lo para assar. Entre tanta gente igual, voltemos a dizer sim para as ocasiões e os caprichos dos imprevistos. Que delícia é o “eu não esperava nada e, do nada, somos nós”. Volte a encontrar mais pessoalmente. Volte a ouvir mais a voz das pessoas. Entre tanta gente igual, dá para ser diferente sendo aquilo que nunca tínhamos que ter deixado de ser: de verdade.

Somos um vaso de flores com espinhos onde o perfume é maior que a chance de machucar as mãos.

Nenhuma iniciativa vai nos isentar da dor, mas valem todas as alternativas se o objetivo é amor.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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Clique aqui e ouça playlist que ouço para escrever os textos. 🙂

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