Esperava outra reação sua

Vou mentir se eu falar que, pra mim, foi tudo bem o jeito que reagiu depois de tudo que te contei. Vou mentir se eu falar que sou compreensivo e entendo você. Minha cabeça até pode tentar explicar, mas meu coração não consegue entender. E este é o problema.

As teorias dizem coisas que o coração contradiz.

A todo momento era eu ponderando sentimentos na tentativa de me proteger. Metade do meu cérebro falava que era melhor eu reduzir minhas expectativas, a outra metade, porém, falava que era melhor eu continuar como sou: aquele eterno otimista, aquele que prioritariamente enxerga o lado bom. É uma lógica muito efetiva para decorar.

Só que a vida real nem sempre tem os finais felizes dos filmes.

Me preparei para descrever o melhor dos sentimentos por você. Me preparei para abrir meu peito e te convidar para entrar. Me preparei para te revelar que eu não te via só como uma amiga. Me preparei tanto.

É que às vezes o segredo está justamente em não se preparar, mas sim em só confessar sem medo de errar.

Você entendeu diferente. Ou entendeu certo e agiu diferente. Ou agiu de forma correta mas diferente do que eu esperava. E bingo, temos: eu esperei tanto uma reação sua através dos sinais que me dava, mas esperei por algo que não chegaria.

Tentei roteirizar uma história que tem o coração como diretor.

Você disse estar vivendo outra coisa. Outra fase.
E sua honestidade flechou meu peito e cada uma das minhas esperanças. Dormi tentando te culpar para me evitar sofrer, sem perceber que não havia errados nisso tudo, não era eu e nem você.

Te contar meu sentimento foi só um pedágio na estrada da sua vida, algo para parar e prestar atenção, mas superar e seguir viagem. Você viu como fim o que eu via como começo.

E a minha raiva é não poder apontar culpados. Fico furioso ao ser obrigado a admitir que: as coisas simplesmente podem ser assim, isto é, raramente alguém vai reagir do jeito que a gente espera. Esta é uma das rotinas da vida.

E tudo isso em nada tem a ver com idade, imaturidade ou coisa que o valha. É muito mais sobre as rasteiras que a vida dá na gente sem que percebamos. E sobre como é importante levarmos essa mesma vida como uma trilha na floresta: cheia de obstáculos até que possamos ter uma vista boa do que há de mais bonito.

Ainda bem que nós, os otimistas, nunca cansamos de caminhar, né? É.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Diga tudo o que sente para esse alguém

Não é sobre ser fácil, é sobre ser necessário.
Diga logo tudo o que sente para esse alguém que não sai da sua cabeça.
Resolva a parte da vida que depende de você. Não espere que o universo conspire a favor e favoreça com que cada peça se encaixe. Não espere nada do universo nem de ninguém. Apenas: não espere.

Dizer o que sente sempre será a melhor alternativa.

Provavelmente o seu receio seja o de ouvir o que não deseja. Esta chance é real. Mas ninguém sabe se o filme é bom mesmo se não assistir até o final.

Você tem acumulado tanta coisa dentro do peito. Só você sabe de tudo que já planejou, dos sonhos que já teve e de como já viu essa pessoa pelas ruas sem perceber que, na verdade, acontece que ela mora em cada um dos seus pensamentos.

As pessoas precisam saber quando alguém gosta delas.

Não exatamente para que percebam e sejam obrigatoriamente recíprocas, mas para que valorizem a coragem de se assumir o que sente, pois este é o fato: dizer a alguém o quanto gostamos desse alguém é um verdadeiro ato de coragem. Mas as pessoas precisam saber mais disso para que se torne comum e menos tenebroso de se conversar, afinal, é um assunto bom, o que não significa ser um assunto com desfecho justo. E o principal: quem hoje diz gostar de alguém, amanhã ouvirá o mesmo de outro alguém.

Diga o que sente não esperando que esse alguém diga sentir o mesmo, diga porque este já é um sentimento tão grande que não cabe mais no coração.

É preciso dividir um sentimento quando ele faz parte da vida de outra pessoa.

Diga sem artifícios, sem tentativas de sentimentalizar ou com chantagens de emoção, diga só porque é real. Diga da maneira que sente, da intensidade que sabe que tem sentido.

Digo tudo agora. Chame no Whatsapp. Chame no chat. Mande uma mensagem. Pegue um metrô e vá até a casa desse alguém. Combine de se encontrar no próximo momento livre dos dois. Nessa semana. Dê um jeito. Faça algo, só não faça nada. Não admita conviver com algo tão bom por alguém sem esse alguém saber. Diga para que os dias voltem a ser leves e para que os passos possam ser, de novo, mais confiantes. Diga para sair dessa vida instável em que um refrão beija os seus ouvidos desenhando uma história que está longe de ser real. Isso tudo te faz sentido?

Diga tudo o que sente para esse alguém. Diga que não explicar – não é preciso saber. Diga que não entende quando começou. Diga que sabe que isso pode assustar. Diga que não quer constranger. Só diga.

Até o melhor dos sentimentos apodrece quando é guardado demais. Isto é, tudo isso que é bonito vai começar a te fazer mal simplesmente porque você não conseguiu jogar para fora.

Eu sei que dá medo, mas vai te dar mais alívio, isso sim. Pode ter certeza.
O melhor final feliz que pode existir quando a gente conta para alguém o quanto gostamos desse é alguém, é o fim da angústia em nossos dias.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

Nossa intensidade está me assustando

Vou te falar que sinto um pouco de medo.
Sei lá, medo de como as coisas tem ido com a gente.
Como assim até ontem eu estava sem ninguém e hoje já tenho planos com você? É razoável que eu sinta medo, né?

Não que eu não confie em você ou algo do tipo, não é isso.
Mas coração nenhum está pronto para mudar de rota da noite para o dia por mais natural que isso seja. Sempre será um choque.

Vou mentir, porém, se eu disser que não estou gostando.
É tudo bastante novo, mas já tem sabor para mim.
Eu gosto de ver que você quer dividir seus dias comigo.

Vou te explicar o que acontece: já passei por isso antes. Era tudo bastante parecido. Eu não esperava, mas quando me dei conta tinha acontecido. Só que eu mergulhei tanto – eu sempre mergulho. Me entreguei e me vi caindo em algo sem saber o que era, afinal, é assim que funciona, né? Mas aí eu do mesmo jeito que mergulhei eu fui tirado lá debaixo, ou seja, eu conheci alguém que transformou meus dias para bom e para péssimo. Foi muito louco e traumatizante.

Não saber até onde a gente vai dar é o que me desespera. Não que eu queira as respostas, que eu queira as dicas ou qualquer coisa do tipo, é só estranho pra mim caminhar sem saber para onde estou indo. E é bom ao mesmo tempo. Que inferno!

No fundo, eu estou gostando disso tudo, principalmente do fato de eu me sentir gostado. Acho que essas coisas tem disso, né? O jeito que temos sido é muito assustador mas muito bom também. Me sinto em paz e empolgado, sem deixar de sentir pavor. É uma grande e teórica cilada. Parte da minha cabeça diz para a gente ir mais devagar, para eu me distanciar, mas outra parte diz para eu aproveitar enquanto estiver existindo. É complicado.

Será que amanhã você vai simplesmente parar de me responder? Como fizeram antes?
Será que vou te entediar? Ou será que vai ver que não somos aquilo que estava imaginando? E eu? Será que vou preferir sumir da sua vida para me proteger? Ou será que vou te deixar entrar sem pedir licença mesmo?

Às vezes a gente esquece como é bom quando gostam da gente.
E aí meio que tentamos nos proteger fugindo de bons momentos. É como se tudo fosse ruir e fazer mal pra gente.

É que só quem tem teve uma ferida difícil demais para fechar sabe quanto medo da que abra de novo.

Talvez eu esteja ansioso demais. Pode ser.
Talvez meu preciosismo esteja exagerado. Ou talvez eu esteja com toda a razão do mundo.
Não sei dizer. É muito louco. Preciso repetir que é muito louco.
Vai ver era exatamente disso que eu precisava na minha vida depois de algum tempo. Vai ver com você o roteiro pode ser igual mas o fim diferente. Ou, vai ver você realmente não vale nada e estou aqui de novo me entregando cegamente.

Sobre o que fazer: não tenho resposta.
Sobre você: tenho sentimento.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Você é do caralho

Você precisa acordar amanhã sabendo disso, pois é a maior roubada esperar que te digam. Você é do caralho. Seus amigos te acham do caralho. Sua família se orgulha de você ser uma pessoa do caralho. Mas não é desse jeito que a gente fica sabendo disso, né? É.

Ao mesmo tempo que temos uma tendência a piorar as coisas ruins – ou problematizar dias tristes -, também existe uma certa dificuldade nossa em aceitar o melhor que somos. É só alguém te elogiar que lá vai você rejeitar inventando uma saída. “Que camiseta legal!”, “Ah, é velha e tal, comprei na loja x”. NÃO CARA, ACEITA QUE SUA CAMISETA É LEGAL. A gente estranha elogios, a gente estranha quando alguém olha a gente de um jeito bom.

Só que isso não diminui o fato de você ser uma pessoa do caralho.
Vou te contar que amor nenhum vai te dar essa certeza. Saia dessa furada de acreditar que para se sentir bem é preciso ter outro alguém. Para se sentir bem é preciso apenas que tenha a si mesmo – se um dia rolar de alguém aparecer, show! Se não, show também! – A vida vai seguir. É preciso que lembre do bem que já fez e do que ainda pode fazer.

É bobagem também você se diminuir no trabalho.
Dificilmente algum chefe vai te chamar e dizer: “Viu, só te chamei para te lembrar que você é um profissional do caralho! Obrigado por tudo!”. Não entre nessas. Não é para esperar que as pessoas reconheçam quem você é, é para que faça o que gosta de fazer de modo que todo mundo vai ser obrigado a perceber como você faz bem, isto é, como você é do caralho. Sua viagem sonhada não chegar pelo correio, é preciso muito perrengue de segunda a sexta para justificar.

Queria dizer algo do tipo: “Você é legal”, “Você é especial” ou coisa que o valha, mas nada teria efeito melhor que “Você é do caralho”. É tipo aquele exemplo: “o amor é importante” que é legal de legal de ler, mas “o amor é importante, porra!” é mil vezes mais legal.

Entendo você. A gente esquece de lembrar que gostamos da gente. Volta naquela tendência em nos diminuirmos – uma bobagem sem tamanho. É sim para você colocar uma roupa que gosta amanhã e esbanjar o seu melhor por onde andar. Aceite os dias ruins, mas acredite nos dias bons.

Uma pessoa confiante é uma pessoa invencível.

E confiança se passa pelo sorriso, pelo caminhar, pelo pedido de desculpas, pelo desejo de amor e pela esforço por sucesso. Confiança é acreditar que a sorte é resultado do seu esforço e que a sorte é sua por acordar com você mesmo todos os dias, e que se um dia aparecer alguém para dividir a cama, sorte desse alguém também. Mas que se esse alguém for embora, você vai continuar sabendo que é uma pessoa do bem, confiante e dedicada. Ou melhor: uma pessoa do caralho. Você sempre será sua melhor companhia.

Mas deixa eu falar, cuida dessa sua vida, viu?
Quando você acha que fez de tudo para ser feliz lembre-se que não fez nada do que pode fazer ainda. Horóscopo sempre, mas livro que é bom você raramente lê, né? É preciso enriquecer a alma para sentir melhor o sabor da felicidade e da completude espiritual. Que papo good vibes, né? O ponto aqui é um só: se você não cuidar do seu corpo e da sua alma, ninguém fará isso no seu lugar.

E a gente não precisa ser feliz para esperar alguém chegar e completar, a gente precisa ser feliz para nós mesmos por completo.
Da manteiga na fatia do pão, até a noite de tesão, lembre-se todo dia e se preciso for escreva no espelho: você é uma pessoa do caralho.

Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

 

 

 

Deixa eu te fazer bem?

Esqueça.
Esqueça tudo o que passou. Guarde para aprender, mas esqueça para viver.
Esqueça porque só assim eu vou conseguir te mostrar quem posso ser para você. Só se você me deixar eu vou conseguir te mostrar como é possível ser feliz sem sofrer.

Esqueça tudo o que passou porque cheguei para te mostrar que o lado bom da vida nem começou.
Sei que falando assim posso parecer alguém confiante demais, alguém que beira até uma certa arrogância como se eu soubesse exatamente qual é a receita da felicidade, mas não tem nada disso não. Falo isso só por ter certeza que sou quem pode te fazer bem, te fazendo esquecer toda a dor para aproveitar todo o amor dessa vida. Todo o amor que guardo dentro de mim.

Eu estou pronto para você.
Vou gostar de ser quem você precisa para te acompanhar. Vou gostar de ser quem você quer para dividir os dias bons e aqueles nem tão bons assim. Vou gostar de derramar a minha vida um pouco na sua e levar um pouco de paz e bons motivos para dar risada.

A minha impressão é que sempre te esperei.
O tempo caprichou e me fez até engordar de tanto comer o pão que o diabo amassou, porque olha, passei por cada uma que nem sei como estou aqui para contar história. Mas o legal é que tudo isso me ajudou a ficar pronto para você, tudo isso me ajudou a ter clareza do que sou e do que posso ser para alguém.

Eu também não sabia que a gente daria nisso, mas tem coisas que não dão para saber onde vai dar. E justamente essa que é a graça.
De ser alguém para distrair, passei a ser alguém para te completar. Pelo menos é como me sinto e como gostaria de ser para você.

Deixa eu te fazer bem?
Deixa eu te ligar sem o medo de te atrapalhar? Deixa eu te chamar para conversar sem pensar que estou te pressionando? Deixa eu te convidar para fazer alguma coisa na sexta a noite? Deixa eu te fazer bem só te ouvindo falar?

Deixa eu te mostrar que o passado tem valor para aprender, mas é no futuro que mora o amor para viver?

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

Não consigo ser mais do que isso

Tudo de bom que sou e que tenho, você já conhece e te dei.
Nunca faltou carinho, porque todo o que eu tinha na vida dei para você. Nunca faltou atenção, porque você sempre foi a prioridade dos meus olhos e do meu coração. Nunca faltou companhia, porque eu sempre falei que poderia contar comigo, mesmo que fosse para fazer nada. Quando a gente reconhece que temos uma pessoa inteira com a gente, a busca pela felicidade com alguém termina e começa o prazer em aproveitar.

Para mim, sempre foi você.
A gente sabe como é tarefa difícil saber conviver com alguém e todas as instabilidades que vem com outra pessoa na nossa vida. A gente sabe. Mas tudo fica tão mais fácil quando a gente dorme com a certeza de que temos alguém do bem ao nosso lado, e não só alguém para chegar, aproveitar e ir embora. E eu sempre fui esse alguém para você. Quem te via dormir e quem estava ao seu lado quando acordava. Quem te elogiava nas terças-feiras normais e quem te apoiava nas segundas-feiras estressantes. Eu sempre fui.

A gente só não conta com o inesperado da vida, né?
Eu não esperava te cansar, até porque, pra mim, era combinado que quando uma coisa não estivesse tão legal entre nós, a gente conversaria. Só que a gente não conversou direito e, pouco a pouco, fui te vendo se entediar com a minha presença na sua vida. Mesmo sendo inteiro como falei, mesmo estando presente como sempre estive, mesmo te lembrando da sua importância para mim com gestos e palavras, acabei me desfazendo diante dos seus dias. Virei paisagem. Parece que fui de “a pessoa certa” para “uma certa pessoa”. Aconteceu. Este é o fato.

Não consigo ser mais do que sou, até porque nunca fui nem metade com outro alguém. Falo isso porque a impressão que eu tenho é que você gosta de mim, mas gostaria mais se eu fosse de um outro jeito que você gosta – um jeito que não sou. Acho que isso tem a ver com aquele momento em que alguém passa a não ser tão fundamental assim na nossa vida. O fim de semana que a gente se via, passa a ser o fim de semana que talvez a gente se vê; aquele filme no cinema que a gente não perdia, passa a ser um filme para qualquer dia.

Acho que nem você percebeu ainda, mas eu percebi pela gente, correndo o risco de estar enganado – é preciso me alertar – , mas certo de que só juntei alguns dos fatos. E isso também me deixa triste: você pode alegar que estou enganado, mas você nunca mostrou outra coisa. Devo acreditar mais no que demonstra ou no que argumenta?

Não consigo ser mais que isso.
Sempre fui um apaixonado em ser para você o que nunca fui para alguém, e isso inclui cada um dos nossos pequenos momentos, das quebras de rotina, das surpresas sem pra quê e dos bilhetes inesperados.
Eu queria lembrar do dia que você me viu como alguém que seria o seu único alguém. De repente eu poderia fazer a mesma coisa de novo para você me olhar assim outra vez.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

 

 

 

Fiquei com preguiça de você

Eu pensei que isso não ia acontecer comigo. Sempre achei esse negócio de ter preguiça de alguém meio estranho. É que na minha coleção de histórias ou eu gostava muito de alguém ou só não gostava, não havia outro sentimento. Mas como essa vida capricha até demais, isto é, quando você acha que sabe de tudo e que nada é novidade, lá vem ela e te joga na cara o quanto você não sabe de nada.

Fiquei com preguiça de você.
Só que diferente de muitos outros sentimentos que a gente não consegue explicar, nesse caso eu consigo identificar quando tudo começou.

Lá no começo, quando a gente saía e vivia alguma história, eu não pensava assim. Era tudo muito legal pra mim. Gostava de te ter na minha rotina e sempre lembrava de você por onde eu passava. Eu estava realmente gostando de você. Esta é a verdade.

E parte de mim acreditava que você gostava também, afinal, você sempre topava fazer coisas comigo. A gente não tem bola de cristal para adivinhar quando alguém gosta ou não da gente, né? Mas dá para gente perceber alguma coisa. Havia uma certa reciprocidade, ou se não havia, você enganava muito bem.

As coisas continuaram assim até começar a te ver sumir dos meus dias. Até começar a não ter mais minhas mensagens respondidas, até começar a não ter mais meus convites aceitos, do contrário, muitas desculpas novas. Comecei a perceber que você estava saindo da minha vida aos poucos, mas até aí tudo bem. Pessoas entram e saem das nossas vidas todos os dias. Nada muito diferente do que já vivi. O que passou a me incomodar, porém, foi que você reaparecia quando queria. Ou seja, sabe-se lá o que vivia, mas havia dias que você me chamava para fazer algo. E eu ficava em dúvida se aceitaria ou não, mas como no jogo do amor eu sou um péssimo jogador, eu sempre aceitava. Só não era mais igual como já foi um dia. A gente não se empolgava mais.

E, finalmente, entendi que fiquei com preguiça de você. Que isso não era raiva, mas era algo como “’sério que é você, de novo, falando comigo?”, eu pensava; algo como “lá vem aquele papo de ‘desculpa sumir, a vida tá corrida’”. A gente sabe quando sente preguiça de alguém quando preferimos passar a noite abraçado com um controle remoto mas não com esse alguém. Isso é preguiça. É quando a gente passa a não ter ânimo pra falar com alguém. E você fez nascer isso em mim. Não queria te responder mais.

Cansei de ver seus posts. Cansei de ver suas fotos. Cansei de ver seus snaps. Cansei de ver a vida que você atualizava. Parei de te acompanhar. Cansei de tudo isso porque cansei de você e perdi as forças para estender uma conversa depois do “tudo bem e com você?” que, eventualmente, te respondia ao me chamar no chat. Fiquei com preguiça de você. Não tenho saco. Não tenho tempo. Não tenho vontade. Não tenho raiva, porém. Não tenho ódio, nem muito menos te desejo mal. É que você deixou de serr tudo para ser tanto faz. Você deixou de ser prioridade para ser opção. Deixou de ser especial para ser normal. Deixou de ser você para ser um contato. Fiquei com preguiça de você. E o mais louco, acho que é irreversível. Raiva passa, preguiça fica.

Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Por quê a gente parou de se falar mesmo?

Quando foi que a gente percebeu que não ia funcionar mais?

A gente se falava tanto. Depois de tanto tempo sem alguma novidade para aquecer meus dias, eu gostei de te ver fazendo parte da minha rotina. Sempre gostei de receber seu “bom dia” com alguma puxada de assunto, nem que seja daquelas mais óbvias. Eu sempre gostei.

A gente se falava tanto, não é fácil desacostumar.
Quando não dava para te responder, eu te avisava. E o mesmo fazia você. Quando não dava para digitar, eu te enviava áudio. Quando não dava para enviar áudio, eu te escrevia. Funcionava assim e funcionava bem.

Passavam os dias e noites, os fins de semana. Te contava das séries que assistia e a gente perdia horas discordando sobre qual era a melhor e por quê. Eu gostava disso! Era engraçado, era divertido, era tão nosso.

Por quê a gente parou de se falar mesmo?
Será que te assustei com alguma coisa que falei? Será que você entendeu errado alguma coisa que eu pensei ter dito do jeito certo? Será que o problema sou eu? Ou você que simplesmente cansou e preferiu interromper? Será que você falava também com outras pessoas com a mesma intensidade que falava comigo? Será que você me via como eu comecei a te ver? São tantas dúvidas. E dói tanto ter dentro de mim a incerteza se eu que contribuí para este fim mesmo sem ter começado.

Há mensagens suas que releio.
É como se pudessem me levar de volta para aqueles dias, aqueles bons momentos que a gente vivia.

É difícil se derramar dentro de alguém e ver que o que era para completar acabou alagando. Por mais que eu tente pensar nos porquês, acaba pesando mais em mim a sensação da culpa ter sido minha.

Por quê a gente parou de se falar mesmo?
Isso é normal ou eu que esperava mais?
Será que você se pergunta a mesma coisa? Ou fomos só mais uma distração e um grande tanto faz? Complicado, né.

É difícil porque nem sei como tocar no assunto. Te vejo online e não sei muito bem se me cabe de perguntar o que houve. Parte de mim quer, parte de mim se pergunta se é mesmo necessário ou se a meia palavra já basta mesmo.

Seria a gente mais uma dessas relações de plástico que existem hoje em dia? Em que filmes são vividos em um dia e é ingenuidade esperar uma mensagem no dia seguinte? Isso me faz pensar em uma coisa: eu nunca fui assim. Eu nunca serei assim! Não gosto me entregar a quem não quer me receber. Vou pensar sobre isso, pensar sobre a gente.

Todo mundo merece um ponto final para aliviar o peso das vírgulas.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

contato: umtravesseiroparadois@gmail.com

Você pensa demais

Já parou para pensar que o tempo que perde pensando você poderia ganhar fazendo? Eu acho que você pensa demais. Essa coisa toda de dar passos só com certeza, de entender as regras para poder jogar, de esperar as horas certas, tudo isso te fazer perder um tempo que não vai voltar.

Entenda que isso não significa que você não deve pensar. Pensar bem é diferente de pensar demais. Eu só acho que você parar para pensar se tem parado para pensar demais.

Por exemplo, você poderia dizer mais que o que sente por alguém. E daí que “faz tão pouco tempo”? A gente tem que dizer o que sente não pela reação de alguém, mas pela sensação que a gente tem. Certas coisas não respeitam hora marcada.

Você poderia pedir mais desculpas.
Você sabe das cagadas que faz e fala. Todo mundo sabe. E por quê você não pode só pedir desculpas? Só dar o braço a torcer e tentar resolver? Por quê você não pode querer só ficar bem? Pensar se vai se humilhar, se vai parecer fraco ou coisa do tipo, só te torna mais enrugado e com dias mais desanimados.

Confesse que quer voltar.
Pense se é certeza e diga. Não pense tanto. O problema de pensar demais é que a gente acaba confundindo o que sentimos transformando em dúvida o que sempre foi verdade.

Se o seu medo for o de errar, não se preocupe. É melhor errar tentando do que só pensando em tentar, né? É sim. Sério, é sim.

Coragem para bater é o que falta para muitos corações.

Você não precisa ter que acertar sempre, mas você precisa tentar sempre. Tentar ver se vai dar certo mesmo, tentar dizer o que sente, tentar dizer o que não consegue explicar – sem palavras bonitas, com palavras sinceras.

Se foi bom e acabou, tudo bem. Continue vivendo. Passou. Chorou, parou. Sem pensar tanto, sem sofrer tanto.

Você pensa demais em agradar, em ser correspondido, em dizer a coisa certa, em ter medo de assustar, em sufocar de tanto gostar, em errar ao se proteger, você pensa demais, pensa tanto que esquece de pensar em você. Em ficar em paz com a sua vida. Reclama de quem já te fez sofrer mas não percebe que quem mais machuca seu coração é você.

Escreva o que estou te dizendo: um passo a mais que você dá para o que quer viver é um passo mais longe do que não quer viver mais. Te parece bom?

Márcio Rodrigues.
por @marciorodriguees

 

 

Feliz Domingo

Hoje é só mais um dia, sabe?
Parecido com o que foi ontem.
Bastante semelhante com o que será amanhã. É só mais um dia.
De diferente, é só que hoje é um dia que tem um rótulo. E rótulos, como sabemos, não são legais. Rótulos dividem as pessoas entre as que são assim e os que são assado. Só que no fim nós somos iguais.

É que hoje é um dia que só parte das pessoas podem viver diferente. Sempre foi 12 de Junho e quatro vezes por mês é domingo, até o rotularem de Dia dos Namorados e, este ano, cair num domingo. É o dia que as pessoas-que-não-namoram praticamente não podem viver, pelas regras da sociedade. A programação da TV não colabora para entreter. Tudo é meticulosamente pensado para que só aqueles que namoram possam sentir um sabor especial do dia hoje. Você que não tem ninguém no momento, não. Você não pode.
Mas hoje é só mais um dia. Logo ele vai acabar. Assim como todos os outros.

Um dia criado para aquecer o comércio não consegue aquecer coração nenhum.
Um dia de alegria não tem o valor de uma vida de felicidade.

Você não precisa se preocupar, muito menos ficar ansioso para a sua vez chegar.

Alguns outros dias como esse vão chegar e, talvez, até o próximo, você nem esteja aqui neste mundo para viver, por isso é preciso lembrar: datas comemorativas só são diferentes no calendário, isto é, de absolutamente nada adianta ser a melhor das pessoas e viver o melhor dos momentos em uma data, sendo que todos os outros dias – ou grande parte deles – são de bosta. Mas o mundo cobra, né? É preciso chegar na loja e pedir: “embrulha para presente?”. É preciso. Se você não presentear, você não será uma boa pessoa. Se você então não tiver a quem presentear, certamente você é uma pessoa infeliz. É disso que a nossa sociedade é feita; de padrões que deixam a vida chata e regrada, um pouco menos real e sensível por dia e cada vez mais programada e fria.

Este não é um manifesto contra as datas comemorativas, este é um manifesto a favor de tornar todos os dias uma data comemorativa. De grande merda vale a pena gastar rios de dinheiro só para que poucos dias do ano sejam especiais para quem te faz se sentir especial todos os dias. Não parece lógico?

Presentes são trocados no dia 12, mas quais serão no dia 11? E no dia 13? O que é um presente? Ah, é um “presente caro pela data”? E o que é um presente barato? Casais se presenteiam com presentes baratos? Presente tem preço ou valor? Ou bastam as selfies para provar que o namoro x é incrível e que o namoro y é perfeito?

Hoje é só mais um dia, sabe?
Só mais um dia para se fazer mais uma dívida, se o seu caso for presentear. Só mais um dia para fazer tudo o que gosta para todos os outros casos. Um dia desenhado para a felicidade de poucos, mas que pode ser aproveitado por todos. Um dia. Hoje é só um dia. Nada de diferente dos outros. O sol vai nascer e se pôr. O macarrão pode cair na roupa. O dedo mindinho pode bater na quina. Um dia qualquer.

Mas o que então a gente pode fazer pelos outros dias? Muita coisa.
A gente pode fazer com que todos os dias tenham motivos para comemorar, pois comemorar é plantar um sorriso no rosto de alguém e colher no nosso; comemorar é demonstrar dos menores jeitos o quanto alguém é especial. Comemorar é mais do que presente, bem mais do que fortunas gastas, bem mais do que o celular da moda ou da caixa de chocolate, comemorar é agradecer e ser melhor por você e por quem você é.

Hoje é só um dia, sabe?
Dá para fazer as coisas que fez ontem. Dá para fazer as coisas que faria amanhã.

Quem tem um coração quente não precisa de um dia para destacar. Quem se aquece num abraço não precisa do calor de um presente. Quem gosta no presente, não se importa com presentes.
Feliz Domingo.
E bom dia amanhã.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

 

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