A pessoa não se interessou.
A pessoa até se envolveu, mas não a ponto de algo mais sério.
A pessoa ainda se abala pela história anterior.
Pode ser tudo isso antes, mas primeiro a gente vai pensar que o problema somos nós.
A gente sempre vai eleger a nós mesmos como responsáveis pelas coisas não saírem como o planejado. Essa é uma tendência para a vida, mas quando o assunto é coração a coisa piora. 

Fica muito difícil alguma coisa dar certo quando a pessoa que menos torce pra gente somos nós mesmos. 

Seria muita pretensão cravar aqui o que deve ser feito, mas dá pra gente pensar em algumas coisas.
Acho que, para começar, você precisa ser fã de você.
Você precisa se apegar a todas as coisas que gosta em você.
E é óbvio que são muitas. Mais de uma já pode ser chamado de muitas.
As pessoas percebem quando estamos bem com nós mesmos, sabe?
É muito louco verdadeiro. Quando você está bem com você, parece que o mundo gira numa velocidade que dá tempo de apreciar a paisagem – e não aquele giro louco que a gente tropeça na rua de graça.
Eu nem me refiro àquele papo todo de se amar, aqui é mais sobre você explorar as coisas que são legais demais e você. Se amar vem no paralelo.

A estatística é uma alavanca para que sejamos pessimistas com nós mesmos. Explico: fica muito difícil acreditar que o problema não somos nós quando nenhuma vez as coisas parecem engrenar, né? Se das últimas, sei lá, cinco experiências, todas deram “”””errado”””” é claro que a gente vai pensar que somos o grande problema do troço – nem que seja por um azar profissional.

Mas será?
Pode até ser sim. 
Vamos falar a verdade, né? 
Afinal, assim como você sabe as coisas legais que tem em si, você também sabe as coisas insuportáveis – mas se não souber identificar seus defeitos, recomendo um médico.

Agora, será mesmo que o problema vai ser a gente assim em tantas vezes como nosso coração nos faz pensar?
Será que a gente precisa mesmo nos colocar a frente de qualquer outra possibilidade?
Será que antes de você se considerar uma pessoa feia, a pessoa que não te quis só não te quis mesmo? Tipo assim: queria, pareceu querer, não quis mais. Por qualquer motivo do mundo e, por último e olhe lá, por culpa da sua beleza?

A gente não precisa acreditar no que não é falado. 
A gente até cria uns fantasmas aqui e ali, mas a gente precisa domesticá-los porque eles não podem aparecer aleatoriamente desgraçando a cabeça. Normalizar e oficializar impressões sobre as coisas é o caminho mais rápido de destruir a si mesmo. Se ninguém especificou que você é o motivo pelo qual não vai rolar mais ou nem vai começar a rolar, você não precisa fantasiar que você é justamente o motivo.
 

Será que é óbvio assim como parece quando a gente lê ou não?
Eu não sei.
Mas não dá para negar o quanto faz sentido.
A tendência em pensar que o problema está na gente vem do quanto gastamos energia tentando mais entender as pessoas do que valorizando quem somos. A gente tem essa tendência porque somos sedentos por respostas, pelo AmaisB das coisas, pelo preto no branco e assim a gente esquece que, quando o assunto é coração, muitas das perguntas possuem uma mesma resposta:

SEI LÁ POR QUE.
As pessoas são assim. Elas não deixam claro as coisas e a gente fica sem entender.
Então, até que alguém te diga: OI, O PROBLEMA É VOCÊ, DO RG NÚMERO TAL E CPF NÚMERO TAL – o problema não é você – é um monte de outras coisas, muitas vezes ao mesmo tempo.

Muita coisa vai ser motivo antes de ser você.

Não assuma uma culpa que não é sua, principalmente se você dorme sempre sabendo tudo o que oferece de legal para alguém.

Troque a tendência em pensar que o problema é você pela certeza de que, pelo menos, não podem alegar que o problema é você.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com