A gente sabe bem como levamos a vida.
Algumas vezes até podemos não saber o que fazer, mas sempre sabemos o que não fazer. Tolice é negar que não sabe quando está fazendo uma coisa que não gostaria que fizessem com você.
É engraçado pensar que a certeza que hoje você pode ostentar pode se fazer contra você amanhã. Ou seja, a pessoa que corre atrás de você hoje e que você insiste em ignorar é exatamente você amanhã correndo atrás de outro alguém que vai insistir em te ignorar.
Por outro lado, não é pra fingir sentir uma coisa quando na verdade sente outra.
É só pra se colocar no lugar.
O lugar mais difícil do mundo de estar é no lugar do outro.
Você sabe quando tem alguém se interessando por você.
Dá pra perceber os sinais, dá pra contar na quantidade de exclamações no fim das frases ou na inclusão de um <3 em ou outro momento da conversa ou até mesmo na sua inserção nos planos de fim de semana desse alguém. E disso pra um apelido carinhoso é um pulo. Você sabe. E outra coisa, você sabe quando está dando abertura para que sejam assim com você, pois como sabemos: pode até não saber o que quer, mas sabe bem o que não ser, então, você sabe o que fazer para cortar esperanças ao invés de cultivar ainda mais.
Talvez não seja tão definitivo dizer que a velocidade da resposta prova o quanto você gosta. Você pode realmente ser uma pessoa desligada e que se perde nos contatos e no que estão te dizendo ou talvez você simplesmente se ocupa muito que não dá tempo de responder depressa. Mas é interessante refletir sobre: 1) como você se comporta quando te respondem rápido 2) como você se comporta quando está esperando uma resposta.
E nós sabemos que quando somos nós quem espera os pesos parecem ser diferentes.
Em pensar que já achamos gentil que puxassem a cadeira ou que fizessem questão de pagar a conta, hoje a comemoração é com a resposta depois do “visualizada”. E o louco é que as pessoas continuaram as mesmas, sentindo as mesmas coisas, só que com as novas ferramentas, elas meio que se confundiram no modo de ser e se expressar.
Presta atenção na velocidade com que te respondem.
Presta atenção na velocidade com que gostaria que te respondessem.
É naquela conversa despretensiosa que existe um jogo que não tem vencedor. Nem tudo é pela vitória. Há tentativas que são mais prazerosas que realizações. Não tem o que competir, não tem o que calcular, é preciso respeitar a música que diz da importância saber viver. É preciso pagar pra ver no que vai dar, é preciso tentar antes de lamentar. “Mas eu tenho preguiça, eu cansei” – então você pode escolher qual cemitério dormir à partir de amanhã já que se dá assim por vencido, já que a sua vida não tem mais motivo. Muitas vezes você se vê reclamando que ninguém te dá atenção mas você não reconhece quem te dá. Não se trata, porém, de facilitar para quem demonstra que gosta de você. Essas coisas não funcionam assim. Mas é para você enxergar em quem tem tentado te fazer bem um jeito de você fazer o mesmo quando estiver sentindo algo parecido. Você não precisa ficar com quem quer ficar com você, mas seria bonito se você soubesse respeitar. Hoje em dia, nós sabemos, é tão difícil identificar quando a intenção é boa, mas isso não pode afastar as boas pessoas.
Eu sei que já encontru em alguém do passado algumas coisas que sempre sonhou viver. E que muitas dessas coisas te parecem repetitivas para reviver com um novo alguém, mas quem pode te garantir isso? Sabemos como chocolate é bom e qual sensação proporciona mas nunca paramos de comer o mesmo chocolate. Esse negócio de planejar o calendário é tão pessimista. Ter a pretensão de querer saber como lidar quando o coração bater é como se quiséssemos escolher o jeito que o dia vai nascer, esquecendo que, tem vezes que a gente gosta de dias de sol, tem vezes que a chuva é que faz bem.
Não é pelo sexo, não é pelo tesão, é por algo muito antes disso e talvez até mais valioso: é por atenção. A velocidade da resposta prova o quanto alguém quer saber da sua opinião; prova o quanto alguém está se esforçando em se fazer interessante pra você; prova o quanto alguém abre mão de outros momentos da vida, de outras respostas respondidas, para ter aquela só pra você; prova que pra esse alguém você é quem mais importa e merece saber. Dá pra ver por essa ótica? Dá pra pelo menos tentar? Dá pra parar de julgar como esse câncer chamado grude? Dá pra reconhecer que você no lugar desse alguém faz exatamente as mesmas coisas? E vale repitir: não se trata de você ceder e tentar por tentar, se trata de você fazer sua parte pra ver no que vai dar, e ainda que não renda beijos, pode te render outros bons momentos. Não é só de amor que se vive. É da conversa de “Tá melhor que ontem?” de alguém preocupado com você. É da conversa de “Pensei em te chamar pra jantar!” de alguém interessado em ter sua companhia. É da conversa de “Qual o seu maior sonho?” de alguém curioso em saber mais sobre coisas que você sempre quis falar.