Author: Márcio Rodrigues (page 1 of 64)

Gosta de mim mas não para algo sério, né?

A gente funciona.
Ou a gente parece funcionar.
Uns gostos diferentes, mas todos os parecidos pesam mais.
Os mesmos planos individuais sobre o futuro, filmes preferidos e aqueles nem tão bons assim.
A noite parece terminar rápido demais.
Corpo selado de suór. Roupa no chão. Tantas vezes.
Dormir e acordar bem no encaixe da conchinha.

Tudo muito bem.
Mas.
Para algo mais sério, não.

Sem motivo aparente mas a minha insegurança imagina que seja a minha aparência. Esse mundo desequilibrado faz a gente se apegar a coisas pequenas demais – e a culpa não é minha.

A gente passa dias conversando.
Combinamos de sair na sexta.
Comer alguma coisa.
Ir para a casa de um de nós.
Se dar conta que o tempo passou e domingo chegou.
Fins de semana diferentes de roteiros iguais.

Mas.
Para algo mais sério, não.

Você nunca exatamente me disse que não.
Mas você não reage ao meu sinal de sim.
Inevitavelmente me vejo como um passa-tempo para te ocupar.
Eu existo até que alguém passe a existir.
Eu sou por enquanto enquanto você busca alguém para sempre.

Acredito na ideia de que conversar é sempre a melhor a saída, mas eu não sei o quanto puxar esse assunto com você só vai me expor a algo que eu já tenho percebido há muito tempo. E aí me vejo numa emboscada: gosto tanto que não quero correr o risco de acabar, mas não sei se quero continuar gostando só do jeito que eu gosto.

E o problema aumenta nas vezes que você diz gostar de mim.
Quando você me chama por apelidos.
Quando você me convida para ir a alguns lugares.
Quando me faz sentir ter um papel de verdade na sua vida.

Porque só eu sei o que sinto quando você manda mensagem dizendo estar com saudade. Eu só não faço ideia do que você sente ao escrever.

No final das contas, o que fica é a conclusão de que gosta de mim, mas não para algo mais sério. É só eu me aproximar de um assunto parecido, mencionar algum casal de amigos ou coisa do tipo que você se afasta; você parece ter encontrado um lugar para eu morar na sua vida mas esqueceu de perguntar se eu gostaria dessa ideia.

E aí, em uma das tantas noites que passamos juntos, eu me vejo te vendo dormir e pensando: “qual é o problema comigo?” Pior que nem sei se é comigo, pode ser só com você e nem você tem exatamente culpa, mas como que a gente administra essas fantasmas?

E nem sei direito se quero saber.
No fundo, eu quero. No fundo, eu preciso. Preciso saber o que pensa para eu saber se penso igual. Porque o tempo que gastamos juntos eu poderia estar aproveitando com quem quer como eu.

Acho que você me convenceu que te faço bem, mas você precisa ver sua cara quando eu falo que gostaria de fazer mais.

Você gosta de mim mas não o bastante para algo mais sério.
Né?
Repito isso pra mim a cada sim que respondo para um novo convite seu sobre fazer algo.


por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com







Você teria a mesma coragem pessoalmente?

Hoje ficou mais fácil.
Eu te mando uma mensagem, você responde. E o contrário igual.
A gente passa dias assim.
A gente vive profundas histórias assim.
Hoje é bem mais simples conversar.

O jeito de se comunicar mudou, mas as coisas que sentimos não.
Do ponto de vista sobre os comandos do nosso coração, tudo continua igual: a gente gosta do mesmo jeito que antes. A gente deixa de gostar do mesmo jeito que antes. A gente começa a sentir e deixamos de sentir.

O problema é que o que deveria ser uma solução, muitas vezes, é um disfarce. Essa facilidade em conversar desperta covardia em nós.

Será que a gente teria a mesma coragem de falar pessoalmente todas as coisas que a gente escreve e manda para alguém? Especialmente as coisas ruins?
É cada vez mais comum conhecer alguém que teve uma história terminada por Whatsapp.

“E vocês lá, como andam?”
“Não anda, terminamos”
“Como assim?”
“Assim: vou te mostrar a mensagem que recebi”



É um teclado na mão, emoji e bênção.

Esse fato acontece também sobre discussões entre família ou amigos.
E aí me vi pensando: você conseguiria falar tudo o que escreve também pessoalmente?

Alguma coisa me diz que seria 100% mais difícil e explico.
Acho que a gente não pensa no que escreve. A gente só escreve. E o teste para isso é contar para alguém o que você está sentindo antes de escrever e mandar para quem, na sua cabeça, precisa receber. Muito provavelmente, por ser uma conversa pessoalmente, você usaria uma estrutura de argumentação diferente daquela usada na escrita; haveria o ingrediente da reação instantânea da pessoa e, por isso, a chance de você refletir e concluir que seu “nem é tudo isso”, por exemplo, é gigante.

Ao meu ver isso acontece porque a gente foge de diálogos.
A gente foge de expor nossa fraqueza. A gente foge de ter um defeito ou erro nosso elucidado. A gente teme sermos vistos como inferiores em qualquer tópico na nossa vida. Quando falamos sobre relacionamentos, inclusive, o buraco fica mais embaixo porque tem uma pessoa que vai ouvir o que queremos dizer e ter que lidar com um sentimento. Não há quem gosta de expor as próprias fraquezas, mas a gente não precisa transformá-las em demônios.

Hoje ficou mais fácil.
Eu te mando uma mensagem, você responde.
Você me manda uma mensagem, eu respondo.
Mas será que se fosse um assunto mais difícil, eu falaria as mesmas coisas que escreveria para você?

O que fica no meio disso é um lembrete: quem vai ler o que você tem para escrever é uma pessoa igual a você, com fraquezas e fortalezas.

Então, por favor, pensa bem antes de acreditar que, em determinados assuntos, uma mensagem é o bastante. Pensa bem como você se sentira ao ler o que você planeja escrever.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com












E se a gente se conhecer primeiro?

Aquele dia foi bom.
E é por isso que gostaria de sair mais vezes.
Quero viver outras coisas juntos.
Sem pressa para acabar.

Você contou o tipo de filme que gosta. Você viu que vai estrear um novo?
Vai ter um show daquela banda que eu te falei. Você topa ir comigo?

Eu não estou brincando com você, até porque não tenho tempo para jogos.
O ponto é que eu tenho medo.
Medo de mergulhar fundo demais e perder o ar.
Aconteceu tantas e tantas vezes antes que agora queria fazer diferente.
Queria experimentar nós dois.
Antes da gente ser amanhã, queria sentir mais do hoje.
Aprendi do pior jeito a falta que a calma faz.

Veja bem: não é nada contra você, é a favor de nós.
Eu, basicamente, quero que a gente se conheça antes de qualquer depois.
Acho que é um jeito cuidadoso nosso de viver nossa história.
Eu estou bem. As coisas estão funcionando. Gosto dessa rotina que já criamos. Parece que a minha vida tem cor agora. De novo: tá tudo bem – e é por isso que eu gostaria que a gente se conhecesse cada vez mais antes de um passo novo ser decidido.

Você, no entanto, obviamente tem a opção de recusar. Estou explicando um jeito que eu acho seguro da gente escrever a nossa história, mas se você tiver outro me avisa.

Em outras palavras: nada vai exatamente mudar, mas a gente vai poder ter tempo e autonomia para observar melhor.

A gente pode cultivar o sentimento bom dos dias para vermos se vamos colher saudade. E eu não quero matematizar as batidas que um coração pode dar; eu quero planejar um espaço bom e fértil para que ele possa florescer sem se preocupar.

A verdade é que eu quero ter mais certeza sobre a gente; se o que sinto é real, se o que sente também, se o que somos aquece meu peito ou é só adrenalina e, sobretudo, se conseguimos ser nós mesmos juntos sem medo de sermos alguém tentando impressionar alguém. A gente não vai se conhecer por inteiro assim, mas eu quero conhecer mais pedaços seus e te mostrar mais meus.

Não quero parecer alguém que freia o ritmo das coisas, mas prefiro que a gente estabeleça esse ritmo antes que algum de nós comece a remar a canoa sozinho – eu já fiz isso.

Eu quero o nosso futuro mas e se a gente conhecer primeiro?

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Queria dar certo com você

Você chegou.
Estou tão feliz.
Como é bom pode matar saudades que matam a gente.
Planejar o fim de semana.
Programar filmes.
Entrar um pouquinho por dia na vida um do outro.
Coisas simples.
Estou tão feliz.

A última pessoa que passou pela minha vida tinha tudo para ter sido a última mesmo, mas ela acabou sendo só mais uma. Fiquei mal. E acho que fiquei pior por pensar que talvez tenha sido, de novo, a minha intensidade metendo os pés pelas mãos e assustando alguém – ou a pessoa só não queria mesmo, ou só não era pra rolar mesmo. Ou esse monte de coisa ao mesmo tempo, mas a gente sempre acha que o problema somos nós, né? Mania besta.

A verdade é que, agora que você apareceu, gostaria muito que a gente desse certo. Um certo que tipo não precisássemos mais procurar um novo alguém de novo – mas eu não quero te prender na minha vida e é importante deixar isso claro, eu só quero dar motivos para que não precise sair dela.

Queria dar certo com você.
Que a gente conseguisse combinar nossos gostos. Que eu pudesse descobrir um eu diferente e que eu pudesse te ajudar nisso.

Eu nem vivi tantas histórias assim antes da nossa, mas acho que bom senso não demanda experiência. As coisas que eu gosto de sentir são as mesmas que eu tentaria fazer você sentir também. Este é o meu ponto de partida, mas a gente poderia fazer de um jeito nosso – o que, naturalmente, vai acontecer.

Queria dar certo com você porque não queria procurar outro alguém.
A gente se cansa dessa jornada.
Se interessar. Conhecer. Conhecer melhor. Acontecer. Terminar.

É que você chegou, sabe?
Queria dar certo com você.
Entender mais do que você gosta, me empenhar em fazer dos nossos momentos algo que seja bom. Te fazer perguntas. Ser a melhor parte de mim e não esconder a pior. Fazer a gente funcionar. Queria dar certo com você.

Enquanto somos nós, queria dar certo com você.
Contar que não sei muita coisa da vida mas que comigo você pode contar.
Você chegou e eu não queria te ver embora. Queria outro caminho para a nossa história. E esse tanto de “queria” só existe porque o medo alicerça o meu querer; medo de querer sozinho. Isso é algo que preciso melhorar.

Mas é isso.
Você chegou.
Estou tão feliz.
Você também parece gostar da ideia de eu fazer parte dos seus dias.
Queria dar certo com você e transformar meu medo pelo fim em motivação para começar.
O primeiro passo eu já tenho: você chegou.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
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beijo.

A gente aconteceu

Você poderia ter fugido.
Poderia ter dito que seria só aquele dia.
Só aquela vez.
Eu poderia ter feito o mesmo.
Poderia ter dito que estava vivendo outras coisas.
Ou que não me sentia preparado para uma nova história.
Essas coisas.
A gente poderia ter sido abreviação, mas a gente escolheu ser parágrafo e travessão.
E aí gente aconteceu.
Você do seu e eu do meu jeito. A gente aconteceu.
Eu falando sem parar, você parando para ouvir.

A gente aconteceu feito a surpresa do dia de sol depois de semanas de chuva.
Encontrei um espacinho na sua risada para encaixar a minha.
E você gostou da ideia de comer naqueles lugares estranhos que eu gosto.
Dentro de um abraço preguiçoso com massagem lenta e cabeça deitada no ombro, a gente morou por muitos minutos enquanto a gente acontecia.

E eis o ponto: a gente ainda acontece.
A gente acontece quando desejamos um bom dia um para o outro; quando perguntamos como foi o dito dia, quando desejamos juntos o próximo fim de semana, quando planejamos shows, filmes e eventos para ir; quando nos marcamos em memes e, a gente acontece quando, do nosso jeito, vamos escrevendo um presente bom para colorir no futuro.

A rotina da vida adulta pode levar a minha energia mas não o que sinto de bom ao ver, toda vez, que a notificação no celular é de uma mensagem sua. É a paz que a certeza traz de ser você dizendo qualquer coisa de uma forma delicada e preocupada que eu possa compreender.

Eu é que não te conto sempre, mas fico observando seu jeito para melhorar o meu. Anoto as lições que me dá em lugares em que só eu posso acessar, do jeito mais leve de conduzir o stress que eu coloco nas coisas, até o seu pragmatismo em esclarecer o que é fato ou fantasia na minha cabeça.

Que bom ter você aqui. Que bom que a gente acontece.
Que privilégio eu tenho de poder melhorar quem eu sou para estar aqui toda vez que precisar de alguém para equilibrar a gangorra da vida.

A gente aconteceu e cuidamos para acontecer um pouquinho mais por dia.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

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Por favor, quem quiser, comente com o seu e-mail para eu cadastrar.


Por enquanto a gente tá só ficando

Nossa agenda já harmoniza.
Nas horas vagas da semana a gente dá um jeito de se encontrar – nem que seja rapidinho na catraca do metrô.
Combinamos na quinta o que vai ser do sábado e domingo.
Planejamos qual vai ser o filme da vez no cinema.
“Sábado a gente vê esse que você quer, mas eu sou o próximo a escolher. Tudo bem?”
Já visitamos exposições que, talvez, não visitaríamos sozinhos.
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

Nossos amigos já se conhecem.
E faz um tempo já.
Aparecemos juntos em aniversários diferentes.
Já até fomos em shows juntos com os meus e seus amigos.
“Ah, então você é a famosa!”
“Ah, nossa, ela não para de falar você”
Em tempo: já fomos constrangidos pelos mesmos amigos.
Tem um emoji de coração ao lado do seu nome no meu Whatsapp.
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

Numa ida ao supermercado a gente já comentou:
“Um dia eu faço esse prato aqui que eu adoro e você vai ver o que é comida boa!”
Este um dia, portanto, pode ser no próximo fim de semana ou pode ser daqui há 20 anos. Juntos.
Na fila do caixa, uma vez eu, outra você, pegamos um chocolatinho que o outro gosta.
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

Quando conversamos com a nossa família, mencionar um e o outro é natural:
“Ah legal, aí eu busco ele e vamos depois, ok?”
“Nossa sim haha, isso é a cara dela!”
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

A gente tá só ficando mas tá ficando cada vez mais difícil negar que estamos só ficando.
Eu não sei quando isso tudo vai mudar para outro nome, mas eu sei que eu quero. E o primeiro passo para que algo aconteça é a gente querer, né?

Feliz por ter você nos meus dias, não vejo a hora de ter você na minha vida.

Falando em hora, a gente combinou de passar na sua mãe, né? A gente tem que correr para não atrasar para o cinema – a gente sempre se enrola, você sabe.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com


Quando algumas amizades não ajudam

Eu não quero que me diga que estou certo, mas eu não preciso de mais alguém para me destruir. Você percebe como faz isso?

Você percebe a forma que reage quando te conto as coisas?
Você percebe que adota uma postura professoral e até agressiva para dizer como eu estou errado? Você percebe?

Você diz que eu estou distante, mas não passa pela sua cabeça que talvez você esteja me afastando.

A forma que você conta a sua opinião.
Para para pensar um pouco nisso – eu já te alertei algumas vezes.
Eu realmente não preciso de mais um sermão no seu tom; não preciso que mais alguém, como você, me lembre o quanto eu não faço as coisas direito.

É uma uma merda ouvir repetidamente que a gente não faz as coisas direito – a primeira pessoa a sentir isso sou eu.

Antes de qualquer coisa, eu gostaria de alguém para me ouvir.
Eu quero saber sua opinião, mas você parece querer mais dizer o que é o certo do que me ouvir falar sobre o que sinto.

Daquela vez eu disse que estava com saudade daquela pessoa e lembra o que você disse?

“Nossa, mas assim fica difícil, você não se ajuda”

E eu sei que disse na melhor das intenções, mas talvez eu prefira a mais sensível delas, sabe?

É claro que tento me ajudar, mas talvez meu coração não esteja colaborando para isso. Você chegou a pensar por esse lado? Porque não é o que parece.

Eu não peço para que me diga o que eu quero ouvir, afinal, a vantagem de uma amizade é ouvir as coisas que a gente precisa, mas eu só não sei se preciso ouvir as coisas que tem dito e, principalmente, da forma como tem dito.

Teve também a vez do “Nossa, esquece isso, ainda nessas?”

Falando assim, parece que me obrigo a pensar de novo nas velhas coisas e pessoas. Não ocorre na sua cabeça que talvez o meu tempo seja diferente do seu, das outras pessoas, do mundo? E, para deixar claro, isso não me faz melhor que ninguém, porque eu juro, eu gostaria muito de apertar um botão e esquecer das mensagens que já recebi, de certas bocas que já beijei e de algumas conchinhas que já dividi. Só que eu não consigo. Não agora.

Tenho ficado com receio de te contar minhas coisas porque não sei como você vai reagir a elas e talvez eu fique pior pensando quando for embora.

As coisas não andam fáceis para mim. Você sabe. Na verdade as coisas andam uma merda. Eu não me sinto acertando. Há meses. Me vejo entregue a umas situações que eu não gostaria. Tenho tentado me libertar. Você sabe. Mas eu gostaria de ter você ao meu lado para me ajudar a encontrar a luz no fim do túnel, não para fazê-lo desabar.

Sabe?

Vamos conversar?
Te pergunto sempre como vão as coisas e você sempre me diz que está tudo normal. Será que tem alguma coisa que não consegue me contar?
Vamos conversar?

Eu quero a gente de volta como a gente já foi.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois



Converse com seus amigos

Pergunte aos seus amigos como anda a vida deles. 
Seja paciente ao ouvir e deixe com que te contem nas próprias palavras. 
Vocês se fazem bem. 
 
#setembroamarelo 
por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Quando a gente perde o interesse

Vai ser injusto se eu ouvir que não tentei.
Lembra das vezes que te escrevi?
“E se a gente fizer algo sábado?”
Você respondia que: “vamos ver”

E a gente nunca viu. A gente nunca se viu.
No fundo, os sinais indicam que você nunca quis, mas também não sei porque não me contou isso.
Ou é sério mesmo que você é mais uma dessas pessoas que demonstram porque não tem coragem para falar?

Corri tanto atrás.
Puxava conversa de maneiras diferentes.
Comentava nas suas fotos. Interagia nos seus stories.
E eu só continuava porque você parecia gostar.
Isso, parecia, nessas horas a gente nunca sabe a verdade, a gente só investe. Falando assim alguém pode dizer: “Mas, às vezes, a pessoa só não tinha o mesmo interesse”. E eu entendo, mas não concordo. Quando dá, afinal, pra gente ter certeza se a pessoa tem interesse ou não? Não é meio óbvio que se ela engaja com as minhas interações é, no mínimo, algum sinal de que, pelo menos, ela gosta de falar comigo? Eu não estou dizendo que estava na cara que a pessoa queria algo, estou dizendo que tudo indicava e que até chegamos tentar marcar de sair. Uma. Duas. Três. Cinco vezes. Mas eu só recebia desculpas: “tá corrido”, “tive um imprevisto”, “vamos semana que vem?”, “vou sair tarde” e outras coisas mais que poderiam ter sido abreviadas, sei lá, na minha segunda tentativa. É foda, sabe?

Sabe o que é o pior? Eu já vivi isso outras vezes. Amigos e amigas já viveram isso outras vezes. Nós estamos fazendo isso uns com os outros. E, depois de tantas vezes, a gente cansa e o nosso limite encurta. 

Hoje eu não quero mais.
Você pode argumentar, mas eu não tenho mais energia para demonstrar meu interesse.
Me desconectei de você. Perdi a vontade de te chamar para fazer alguma coisa. 
Vai ver, no fundo, você realmente estava numa fase instável e até queria me ver mas não conseguia, mas eu não consigo conviver com o “pode ser das coisas” enquanto você não diz nada, então, eu escolhi me recolher e parar de procurar você.

E aí deu desço a timeline vendo outras pessoas postando coisas do tipo: “Falta atitude nas pessoas” e eu viro os olhos para cima, dou uma suspirada e sigo para o próximo post.

Estatisticamente, de um modo geral, ode até faltar atitude, mas quando ela existe a gente não aproveita também – nem que seja aproveitar para esclarecer. A gente não sabe lidar. A gente some, quando não é pior, a gente desdenha.

Eu cansei. Perdi a vontade de verdade. Você não é uma pessoa menos interessante, mas o meu interesse não consegue mais ser o mesmo de antes. É que aprendi, com outras histórias tipo essa antes de você, que eu não devo priorizar alguém em detrimento a mim.  

Sempre há uma vida antes de alguém aparecer.
//
por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Fingir que está tudo bem

Acordar amanhã.
Pegar a marmita preparada na noite passada e colocar na mochila.
Colocar os fones.
Ouvir alguns refrões no longo caminho.
Algumas horas até chegar no trabalho.
Chegando lá chega também a síndrome do impostor: “eu nem sou tudo isso.”
Scroll em fotos nas pausas do dia.
Ver o dia acabar.
Voltar para casa.
Trocar o jantar por uma saudade para me alimentar.
E nem sei bem que saudade é essa.
Ou sei e to fazendo tipo. Tem essas.

Dias estranhos.
A rotina faz a gente entrar em mecanismos que a gente discorda.
A risada plastifica. Tipo, eu nem quero rir mas meio que devo. “Ha ha, legal”.
Entrar em assuntos com vontade de sair.
Contratos da vida adulta.

Aí a gente conhece alguém que parece ter vontade de ajudar.
Mas aí a vontade parece acabar.
Alguém assim anima a gente, pega o peso dos dias e diz: “deixa eu dividir com você”.
O problema é que não dá para começar sabendo como vai ter terminar. A gente vai descobrindo a fase desse alguém com o passar dos dias.
E os dias passam e, muitas vezes, passam por cima da gente.
E aquele alguém que estava aqui até ontem, hoje nem lembra meu nome.
“Momentos diferentes”.
Filme repetido. Coisas assim.
Pior que eu entendo. Falei uma dessas já.

Com a falta de ter a quem me apegar, me apego a ideias.
Gosto de pensar que a vida tem ciclos por mais infinitos que pareçam durar.
Nada de novo, né? Mas a gente esquece demais de lembrar do óbvio.
Eu então nem se fala.
Tempos atrás vivi dias tão legais. Ainda que não seja tudo igual, o que aconteceu de bom pode voltar a acontecer.
Mas, e se não?
Puts, e se não?
Se não tudo bem.
Eu invento alguma coisa nova para colocar na marmita.
Vai ser bom experimentar.
Fazer a mudança começar por mim.
Amanhã acordar.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

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