Author: Márcio Rodrigues (page 1 of 61)

Eu não me entendo

A coisa que eu mais entendi na vida até hoje é que eu preciso começar a me entender.
Preciso que as minhas vontades sejam claras para mim antes de esperar que sejam para alguém.
Esses dias revi minhas histórias e comecei a enxergar melhor o meu papel nelas.
Antes eu mal conseguia entender de que maneira eu colaborava para as coisas que aconteciam comigo, e aí o que acontecia era que eu me apoiava nas pessoas que passavam pela minha vida e as usava como justificava para os fatos. Era sempre culpa delas.

Eu não fui o que posso chamar de uma pessoa justa. E estou começando a entender.
Lembro que questionei alguém por não manifestar saudade, mas quando a pessoa fazia eu sentia que ela estava grude demais. Em outra história, eu pedi mais espaço para as minhas próprias coisas, e aí quando tive eu fiquei mal pela pessoa ter se afastado de mim.

Eu não fazia sentido pra mim.
E como é que eu poderia esperar fazer para alguém?
Não enxergava como usava o argumento de que “esse é meu jeito”  como muleta para justificar o meus defeitos para as pessoas. Era como se eu me recusasse a mudar alguma coisa em mim para ser uma pessoa melhor.

Eu não me entendo. Ainda. Será que alguém se entende?
A pessoa mais difícil de conhecer no mundo somos nós mesmos. Criamos nossas próprias armadilhas e aumentamos o tamanho dos problema – inclusive, em algumas vezes, o problema somos nós.
Ainda me vejo escorregando sem me entender direito.
Me vejo fazendo cara de preguiça quando alguém puxa assunto comigo, a diferença é que hoje eu entro em parafuso por justamente reclamar de não ter uma pessoa, por exemplo. Também reclamo quando alguém que eu saio não me procura no outro dia, mas eu também não procuro ninguém. Tem vezes que sinto vontade de sair de novo com alguém que já saí um dia, mas acabo não falando nada, a pessoa acabando não sabendo de nada e a gente acaba não saindo mais nenhuma vez. Tipo, um dia eu quero, no outro não. Num dia é saudade, no outro é preguiça. Meus amigos falam, e com razão, que eu tenho deixado as pessoas loucas. Sempre discordei mas hoje esse tipo de coisa tem martelado minha cabeça.

Mudar não vai ser simples. Talvez eu nunca me entenda de fato, mas eu tenho me sentido melhor ao conseguir enxergar como eu era e, principalmente, ao conseguir imaginar como eu quero ser.

A gente sempre vai se cobrar. Eu sempre vou querer mais, mas agora, antes de querer alguma coisa eu começo parando para pensar. Pensar mais tem me feito entender melhor. Antes eu era muito oito ou oitenta mas o tempo – e alguns tapas da vida, é bem verdade – me fez ver que eu era quem mais perdia no fim.

A melhora vai ser constante.
Acho que ainda vou decepcionar. Acho que ainda vou me arrepender.
Mas hoje em dia eu tenho pensado nisso, não com a garantia de evitar, mas para refletir sobre a minha responsabilidade nos dias da minha vida, principalmente nos tristes.

Eu não me entendo, mas estou tentando começar.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

O problema não é o fim, mas sim o que sobra pra mim

[ CONVITE IMPORTANTE ANTES DE LER ]

Você de São Paulo, sábado que vem dia 04 de Agosto, que tal a gente se encontrar pessoalmente para conversar sobre os nossos sentimentos?
Acesse e saiba mais: https://www.facebook.com/events/390841801440130/

—– TEXTO NOVO ——

É que ninguém sabe o que sobra pra gente quando tudo termina.
Por isso que o problema não é terminar, porque eu sei que isso vai acontecer muitas vezes. O problema é tudo o que sobra pra mim depois que a pessoa vai embora da minha vida.

Ela volta aos dias normais dela antes de eu aparecer, já eu volto para os meus dias tentando remendar todo o buraco que a pessoa deixou. É um processo de reconstrução lento e doloroso.

O que sobra pra mim é a tentativa diária de tentar te encaixar na minha vida num lugar diferente daquele que ocupava. O que sobra pra mim é deletar as nossas fotos. É deixar de ouvir aquelas músicas que me ensinou a gostar. É evitar os filmes. É odiar o meu encontro com o seu perfume em outro alguém no metrô.

É óbvio que há muita coisa boa nisso tudo, muita coisa que me fez crescer e todo aquele papo, mas aqui eu me refiro a parte ruim e os problemas que vem com ela. Me refiro aqui aos episódios em que pessoas terminam com a gente, não o contrário – mas a reflexão serve para todos os nós.

Parece que não, mas toda essa parte ruim e dolorida que sobra pra mim se transforma em trava para eu começar uma nova história. A gente se vê sem chão.

Eu não sei lidar bem com o que me resta quando alguém vai embora.
Demoro demais para não te procurar mais e não ter a sua visita nos meus pensamentos em horários em que não preciso, afinal, você passa a não me procura mais só no vidro do metrô na volta pra casa, você me procura durante o trabalho, você tira a minha fome do almoço, você me faz dormir mal. A sua lembrança vai sugando minha energia se tornando uma batalha difícil demais de ganhar.

O que sobra pra mim depois do fim é a cilada que me encontro ao reler conversas nossas antigas. O Whatsapp vira uma arma terrível. Eu me vejo lá revendo nossas fotos das rotinas sem filtro, relendo nossas conversas e dá para perceber pelo fim dos envios de emojis quando as coisas mudaram.

Tudo o que sobra pra mim depois do fim é pesado demais para aguentar.
Eu não sei o que seria de mim se não fossem aqueles meus amigos que dizem as coisas que preciso ouvir, não as que eu gostaria. A gente fica cego sobre verdades e dormimos na esperança de acordar e tudo não passar de um mal entendido.

Sair da vida de alguém deixa marcas que talvez nunca saiam também.
E a gente vai sendo obrigado a ter que lidar com cada uma delas. É como se tentássemos parar de olhar tatuagens em lugares aparentes. Não dá. Eu acabo vendo você nas menores coisas das quais até um toque de de celular me faz lembrar como era o seu.

Isso tudo é para a gente ter mais cuidado ao entrar na vida de alguém.
Porque quando a gente entra, a gente não faz ideia do que vamos deixar depois de ir embora.
Muitas vezes, inclusive, a gente vai embora levando coisas que não são nossas.
E isso nunca vai ser bom.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois
@marciorodriguees

Nossa história não vai além do sexo

Passei um tempo pensando no porquê da gente não avançar.
Me questionei muito, afinal, a gente se dá muito bem e isso parece ser um bom componente para, pelo menos, tentar ver até onde a história vai dar. Acabou que eu entendi o porquê.

Nossa história não vai além do sexo.

O nosso sexo é o que nos une – pelo menos para a minha parte. E eu não quero que isso pareça algum tipo de joguinho, tendo em vista que ambos ganham com o sexo. Eu só refleti e cheguei a uma conclusão que fez sentido para mim sobre a gente – e você tem o direito de discordar.

A gente está nessa há tanto tempo porque quando a gente se encontra a gente se conecta. A gente se dá bem, especificamente na cama. Eu não sei o quão estranho parece eu falar isso dessa maneira, o quanto você pode me considerar uma pessoa fria, mas no fundo, a verdade é que a nossa história não vai além do sexo.

Não dá para forçar gostar de alguém. Eu tentei te ver de formas novas para não ser uma pessoa injusta, mas eu não consegui e isso começou a me machucar porque eu não entendia, no fim das contas, porque a gente ainda tinha alguma ligação. Mas tudo isso fez sentido depois que entendi que o nosso forte é o sexo.

Eu não estou dizendo que sexo é algo simples, tampouco reduzo que não o valorizo. O que estou dizendo é que entre todos os pilares que sustentam uma relação, eu só enxergo o sexo entre a gente capaz de dar alguma base. É claro que há respeito, claro que há carinho e afinidade, mas o que mais existe é tesão carnal. A gente conversa muito, só que a conversa fica melhor depois de transar. A gente troca conselhos e pontos de vista sobre vida, mas em geral, depois de transar. É quase como se a gente só funcionasse bem quando tiver sexo envolvido. E eu sei que isso não é uma coisa boa de ouvir, mas me parece uma grande verdade e difícil demais de segurar. Eu não consigo enxergar outra coisa para ainda estarmos “”””juntos”””” além da nossa vocação para transar.

Não quero que pense que isso é objetificação. Ninguém entre nós está usando um ou outro. As pessoas tem mania de relacionar o sexo com “alguém que usa alguém e se beneficia disso” quando nem sempre é assim, afinal, desde que nenhum sentimento além seja conscientemente cultivado sem ser correspondido, trata-se de duas pessoas que gostam de dormir juntas eventualmente. Talvez a gente precisa ser um pouco mais literal na vida para ver se as dores precisam doer tanto assim. Em outras palavras, um pouco de racionalidade é fundamental para saber proteger tudo o que é de emocional dentro da gente.

Então, entre a hipótese de haver amor ou algum outro tipo de atração afetiva, ficou mais clara pra mim a possibilidade da gente se dar bem porque a gente gosta muito do nosso sexo.

Isso não é uma despedida, não estou falando que vou embora ou te pedindo para me deixar, eu só estou dizendo tudo isso para que possamos ter posição sobre o que estamos vivendo, principalmente por estarmos saindo há tanto tempo e nos mesmos moldes: um chama o outro no  Whatsapp, um convite surge e uma noite muito boa acontece. Parece frio demais falando assim, mas eu vejo como algo alinhado e que faz bem para nós.

O mais importante nisso tudo é a gente saber a mesma coisa que ambos sentem e pensam. A gente precisa conversar sempre para entender que nome dar para os sentimentos e ninguém aqui se machucar. É claro que eu não sei exatamente o que você sente com isso tudo, mas estou contando a minha parte que é a outra metade fundamental para algo acontecer entre nós.

Eu não sei o que vai ser da nossa história amanhã, mas hoje eu sei que é sexo. Pelo menos pra mim.

E isso, desde que combinado, não significa algo exatamente ruim.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois
@marciorodriguees

E se a gente não desistir da gente?

Nós dois sabemos dos nossos problemas e não quero trazê-los à tona aqui.
Sabemos como as coisas não andam boas.
Eu tenho meus motivos para reclamar assim como você tem os seus.
A paciência parece ter esgotado e não encontramos lugar para renovar nossa disposição.
Não é exatamente o momento para discutir causas ou culpados, o fato é que a gente parece não se encaixar mais direito. É complicado. Queria ter outro assunto para pensar nos meus dias, mas a nossa história tem me feito mal, ou melhor, o jeito que a nossa história está hoje.

É por isso e, principalmente, por tudo o que já vivemos que eu queria saber de você: e se a gente não desistir da gente?

E se a gente conversar sobre maneiras para melhorar?
Eu sei que já conversamos mil vezes, mas e se a gente conversar mais 10mil? Claro, é modo de dizer.
Se você não quiser mais nada eu vou entender. A minha proposta aqui é a gente refletir se ainda podemos insistir na gente.

Eu não tenho resposta de onde isso pode dar, sabe? Realmente não sei.
Mas o que fico pensando todos os dias é: “e se a gente não desistir da gente?” E se a gente pensar com calma em cada um dos momentos, dos ruins aos bons – principalmente os bons. Se a gente colocar tudo na balança para ver o que sentimos no fim?

Não gostaria que isso tudo se transformasse em algo ruim. Não gostaria de ver a nossa história nos machucando. Não gostaria de ver um de nós tendo que fazer algo que não quer. Em outras palavras, não gostaria que a gente tentasse coisas que não acreditamos. O que eu gostaria aqui é de fazer uma proposta: e se a gente não desistir da gente?

Será que não existe mesmo nenhuma força escondida no intervalo entre um momento bom e outro que a gente viveu? Sabe? Será que a gente não vai descobrir uma motivação diferente se a gente pensar de um jeito, sei lá, novo? Se a gente tentar pensar de mais de uma maneira? Será?

Cada um de nós sabemos o bem que fizemos um pelo outro até aqui. E, claro, posso falar mais exatamente por mim. No meio desse caos todo que nossa história se tornou, eu já tenho pensado em tudo o que fizemos e compreendido melhor uma porção dos meus erros. Acho que eu nunca havia parado para pensar assim com calma antes. Estou certo das minhas qualidades e das coisas que aprendi com você, mas tem me doído muito enxergar meus defeitos e as coisas que eu fazia e que não te faziam bem. Este exercício me chocou. E foi nesse momento, isto é, ao reconhecer todas as merdas que eu fiz e todo o meu jeito que te incomodava, que eu parei para pensar se eu poderia mudar alguma coisa em mim para você perceber.

É por isso que fica o meu apelo: será que daria pra gente pensar na gente mais uma vez? Será que daria pra gente reconsiderar todos os problemas e lembrar da parte boa? Não concordo com quem diz que “esse é meu jeito e não vou mudar”, mas eu entendo sim que é difícil demais mudar quem somos. Por outro lado, eu acredito que a gente sempre pode evoluir, a gente sempre pode pensar um pouco, pensar melhor, pensar duas vezes, especialmente se a gente gosta de quem está sofrendo com o jeito que somos. Talvez eu esteja dando muitas voltas aqui para dizer uma coisa que já disse, mas o fato, portanto, é: eu não queria desistir da gente, não agora.  Eu queria te convidar a refletir se a gente consegue um suspiro novo na nossa história.

Eu não queria concordar com o fim sem ter tentado continuar.

É claro, tudo isso envolve um desejo que deve existir em você também. Eu só trouxe o assunto e gostaria de saber sua opinião sobre tudo.

Você ainda tem energia para ver se a gente pode melhorar e continuar?
E se a gente não desistir da gente?
Pelo menos não agora?

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois
@marciorodriguees

Você me fez não querer mais

Não foi um desejo meu.
Se a escolha fosse uma opção, eu preferiria ter tentado um pouco mais, apesar de sentir ter tentado tudo.
Você lembra?
Eu fui embora querendo ficar, mas fui porque pra mim não dava mais.
Cada minuto a mais que eu ficasse, seria um minuto a mais sem me reconhecer mais.
Percebi que comecei a aceitar coisas que eu não concordava só para você vencer as conversas. Porque parecia isso mesmo, você queria porque queria ganhar todas, me esfregar meus erros, destacar meus defeitos e sair por cima de todas as questões que a gente tinha.

Você queria competir enquanto eu não me importava em perder. Vê a diferença?

Você se esforçou muito para eu não querer mais que a gente continuasse.

Eu não quero que isso tudo se transforme em lavagem de roupa suja, eu só quero expor a minha parte da nossa história. Não quero que pareça que estou apontado o dedo para você e me colocando numa posição superior ou algo do tipo. Eu me sinto mal em entender que fui embora porque você não me deu outra alternativa. Não sei onde acabaria isso tudo se a gente continuasse.

O que está claro para mim é o que a minha cabeça conversa com meu coração. E a conclusão disso é que não dava mais para eu continuar e me submeter a lembrar tanto de você que só se esquecia de mim. Seria injusto para mim entrar na estatística que diz “mas a gente se gosta tanto”.

A gente se gosta sim. E muito.
Eu ainda sinto as mesmas coisas.
Eu não te deletei da minha cabeça – e nem quero.

Eu só não conseguia mais me sentir à vontade com a gente. Pelo contrário, muitas vezes eu me senti mal demais. Desde quando você aumentava a voz ou me xingava e depois falava que “perdeu a cabeça”, até você se importar tão pouco comigo e com as minhas coisas. A gente parou de funcionar e eu comecei a estranhar quando deixei de te admirar.

Você me fez não querer mais e a minha saída da sua vida foi uma escolha racional. Eu decidi isso. Fria e calculadamente, entendi que seria melhor eu seguir com meus defeitos e qualidades, mas sem você. Até porque você parecia não se empolgar mais comigo. Minhas vitórias nem tinham tanta graça. Minhas mudanças no visual passavam despercebidas, meus pedidos de opinião tinham recheio de grosseria. Isso não é o tipo de coisa que alguém de fora pode confirmar, isso é algo que eu comecei a observar e sentir com a gente. Demorei um pouco mas entendi que eu não preciso aceitar manter uma história sem um pilar que eu entendo como fundamental. O respeito acabou e depois que percebi eu fui embora – apesar de amar ter ficado por esse tempo.

De novo, isso tudo não é para te deixar mal ou me colocar numa posição melhor, eu só estou contando meus motivos para não querer mais, tendo em vista que entre todos nossos pontos positivos e negativos, foram os pertencentes ao segundo grupo que me fizeram ir embora.

Achei que tentei mais do que eu conseguiria mas você conseguiu me fazer não querer mais.

A gente tem coisas a aprender com isso tudo porque nossa história vai estar marcada nas nossas vidas, mas hoje eu já levo o orgulho de consegui me desvincular a tempo de não abrir minhas feridas e, você, quem sabe vai poder pensar com calma na parte que te cabe sobre manter alguém na sua vida, porque no começo eu queria, mas você me fez não querer mais.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois
@marciorodriguees

Eu te fiz ir embora

Foram vários motivos para o fim, mas a maioria deles são exclusivamente provocados por mim.
O problema é que eu demorei muito para enxergar.
Eu te fiz ir embora.
Abri mão de você logo depois que abriu seu coração para mim.
Me acomodei, sei lá, não soube lidar com nós dois.
Havia me acostumado tanto em te ter que pensei que jamais você partiria.
Eu errei de uma maneira que eu tenho até vergonha de assumir.

No seu lugar eu aguentaria muito menos.
Não ia conseguir te ouvir falar as coisas que te falei.
E não ia conseguir aceitar qualquer desculpas, como tantas minhas que aceitou.

Hoje está muito claro para mim o tamanho do nosso fim.
Comecei a me esbarrar com uma saudade sua nos lugares mais básicos.
Do nada passei a encontrar sua lembrança na fila da padaria, na estreia do cinema no refrão que eu amava.
Aliás, eu passei a odiar refrões que você me ensinou a amar – e a culpa é minha.

Eu que te fiz ir embora.
Você fez o certo em escolher ir.
É claro que eu mereço uma pessoa maravilhosa, jamais diria que não merecia alguém como você, o problema é que eu não consegui te valorizar completamente.

Quando a gente tem uma coisa a gente não se imagina sem ela, né?

Você aguentou demais.
Você me esperou demais. Você tentou demais e me deu tantas chances que eu não conseguia perceber.
Ontem eu reli algumas conversas nossas antigas e nelas eu encontrei uma versão minha que desconhecia.
Encontrei impaciência, encontrei grosseria, encontrei ciúmes que aleguei nunca sentir.
Encontrei em mim as coisas que eu te dizia odiar nas pessoas. Veja só.

É por isso que para mim eu que te fiz ir embora.
Te afastei de mim. Com tanta energia nos defeitos, te fiz esquecer das minhas qualidades.
Eu não sei exatamente o que aconteceu, não houve nada específico, algum motivo exatamente tangível.
Você não me fez especificamente algo que me fizesse descontar tanta coisa.
Te fiz ir embora porque eu não parecia mais gostar de quando você ficava. Olha o tamanho da merda.
Entre tantos erros meus, os piores foram os menores.
Passei a te tratar de um jeito que me arrependo tanto. Como que eu pude falar coisas tão horríveis e de um jeito tão péssimo para alguém que eu respondia “também” ao ouvir que gostava muito de mim?

Eu mereci você mas não soube te administrar e me perdi.
Você foi embora por motivos nos quais concordo completamente.
Incrível ter aguentado tanto tempo.

Queria poder voltar atrás, mas seria muito confortável para mim apagar tudo feito borracha – ao contrário de você. Mas vai saber, quem sabe a gente não se encontra de novo para eu te contar das lições que aprendi depois da sua ida, porque no minuto seguinte que me senti sem você eu percebi a falta que isso me faria.

E ainda faz.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois

@marciorodriguees

Gostar e ser recíproco

 

A gente foca tanto em gostar que esquecemos de como é bom quando gostam de volta.
E vira um grande “tanto faz”; a gente simplesmente não se importa.
Pelo menos no começo enquanto tudo é novo e excitante.
Quando a gente esquece da importância do gostar de volta, a gente alega várias coisas.
A gente pensa algo como “ah, nós somos pessoas diferentes, ué” A gente pensa também em algo como “Poxa, eu não posso cobrar que a pessoa mude o jeito dela, né?”
A verdade, de fato, é que a gente sabe quando não sentimos que estão gostando da gente também.
Ou se não sentimos, a gente deveria começar a perceber melhor.

Gostar e ser recíproco talvez seja a regra número um em uma relação afetiva.
É fundamental que a gente sinta que a outra pessoa goste da gente também. E eu não estou falando que a outra pessoa deva gostar da gente da mesma maneira. Muita gente tem mania de transformar as relações em competições. Eu estou falando que a gente precisa se convencer de que existe um sentimento pela gente vindo da outra pessoa. A gente precisa da segurança dos passos que damos de mãos dadas.

Só que na prática é meio complicado.
O problema é que a gente evita encarar a parte ruim das coisas. A gente tem uma tendência a postergar a solução de problemas e isso só os fazem ficar ainda maiores.
O fato é que, muitas vezes, pra gente tudo bem a pessoa só demonstrar preocupação uma vez ou outra; tudo bem a pessoa só contar o que sente de vez em quando; completamente ok a pessoa esquecer das coisas que a gente diz sobre o que a gente sente; isso quando pra gente não é normal a pessoa ser um freezer de tão fria.
A gente demora para acreditar que estamos gostando de alguém que não gosta da gente.

É por isso que eu gostaria que a gente cuidasse mais disso.
Não é sobre sair exigindo que as pessoas mudem suas formas de se expressar, mas sim, sobre a gente refletir no quanto nutrimos um sentimento por alguém que não se importa muito com ele – por vários motivos. Muitas vezes a pessoa nem sabe o porquê. Pode ser que ela ainda goste de outra pessoa. Pode ser que ela tenha vergonha de se expressar. Pode ser que ela tenha medo de te assustar. Pode ser que ela nem sinta nada mesmo e tenha receio de te fazer ficar triste. Pode ser um monte de coisa, mas o que não pode é a gente permitir cultivar um sentimento em um lugar venenoso, isto é, dedicar carinho e atenção a alguém que é indiferente, a alguém que nos coloca em dúvida e nos faz questionar sobre quem somos – esta, pra mim, é a maior merda. Quando você passa a questionar de todo o seu sentimento bom é porque, talvez, ele não tem sido reconhecido como tal.

Gostar e ser recíproco. A gente precisa perseguir essa lógica para garantir um coração tranquilo.
Não é sobre a pessoas criarem demonstrações mirabolantes, é sobre a pessoa nos convencer e nos lembrar de que ela também sente algo bom pela gente o suficiente para que mantenhamos essa história toda.

Presta atenção na sua história.
E não aceita nada menos do que você merece que é proporcional ao quanto você se dedica.
A gente precisa abrir os olhos dos acomodados porque planta que não se rega morre.
Essa conversa de “esse é meu jeito” não tá com nada.

Eu entendo muitas dúvidas da vida, mas entre as certezas é que a gente precisa saber o que o coração da outra pessoa sente pelo nosso.

Gostar e ser recíproco.
Foca nisso.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Amanhã a gente termina

Ontem estava tudo ok.
Não era bom, nem ruim, era ok.
Algumas implicações que de tanto desgastar já nem doem mais.
Você, como de costume, some.
E quando aparece demora para me responder.
Eu aprendi a me acostumar com seu jeito, mesmo falando o quanto doía em mim.
Você está no piloto automático e já me ignora sem nem perceber.

Os assuntos passaram a ficar doloridos por dias.
Você começou a dizer que eu gosto de brigar.
E eu comecei a perceber que você passou a gostar de continuar brigando.
E entre em uma reclamação ou outra assim, a gente passou a trocar palavras feias.
Elogios não nos visitavam mais.

Alguns planos se tornaram reais mas fazem tanto tempo.
Parece que focamos em parecer e não em ser.
Por quê que a gente se acostumou a desconhecer mesmo?

Hoje a gente vai postar uma foto nossa.
Vamos qualificar a nossa história entre tantas outras. Eu vou dizer que você é a melhor pessoa do mundo e você vai retribuir que outra pessoa igual a mim não existe.

A gente vai contabilizar likes e comentários nas nossas fotos.
“Olha quem curtiu”, “Olha quem comentou!”, “Quantos likes tem na sua?”
Talvez você reclame porque eu vou demorar para postar a foto.
Talvez reclame também pela foto que escolhi.

A gente vai trocar presentes.
Vou me descuidar e confundir o tamanho da roupa.
Você vai esquecer que daquela cor eu nem gosto.
O presente não vai ser celebrado.

Um sorriso amarelo e um beijo de canto na boca de “obrigado”.
Você vai demonstrar que esperava mais.
Eu vou riscar minhas adivinhações sobre o que me daria.
Mas a gente não vai falar disso. Não hoje.

Quando o dia acabar, a gente vai se encontrar e enfrentar alguma fila na cidade.
A gente vai se irritar com a demora. A gente vai reclamar da hora.
Vai ficar tarde e a gente vai escolher fazer o de sempre.
O mesmo sempre que, de tanto sempre, passou a nos fazer mal como nunca.

E aí a gente vai embora.
O relógio vai acelerar. A gente vai se agradecer por mais um dia.
Mas esse dia nem foi tão bom assim, mas pelo menos a gente viveu mais um deles.
Mudamos o filtro da foto de sempre. Um pouco menos de curtidas que o anual.
E a gente nem se curtiu assim no final.
Hoje a gente fez parte do todo e tudo fez a gente pertencer ao normal.
No fundo, a gente sabe que dificilmente seria como foi era no começo.
Mas a gente se acostumou a se esquecer.
Esse hoje logo acaba.
E amanhã a gente termina.

(cuida para comemorar não só o dia mas como a vida).

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Converse com seus amigos

Parece que quanto mais velho a gente fica menos tempo a gente tem.
Mas a verdade é que a gente passa a valorizar as coisas de um jeito diferente.
O tempo de folga em casa depois de um dia de trabalho, por exemplo, se faz raro e indispensável.
Mas nessas de valorizar algumas coisas, a gente passa a desvalorizar outras.
A gente passa a encontrar menos as pessoas que gostamos. E contamos com a conveniência para esses encontros. Encontrar em um show, em um jogo, no shopping. Sempre sem querer, nunca combinado.
Agora, lembra como era na época da escola?
Ainda na aula a gente combinava de encontrar nossos amigos depois.
E depois da gente se encontrar, a gente ainda combinava que horas entraríamos no MSN.
A gente fazia de tudo para ficar o máximo de tempo possível com nossos amigos.
E aí a gente cresce, começa a trabalhar, pagar contas e tudo fica para depois.
A gente faz sem querer, não é por maldade do tipo: “quero que se foda”.
A gente só se prende no gigante “VAMOS MARCAR”.  E nunca marcamos.
Passa um dia. Passa uma semana. Passa um mês e nada de marcar.
E tem aqueles amigos que a gente só vê no dia do aniversário. É bem triste.
A gente poderia tentar mudar isso e começar a ficar mais perto dos nossos amigos de alguma maneira.
Às vezes ficar perto é só mandar uma mensagem no whatsapp e perguntar sobre a vida.
E até disso a gente esquece no meio da rotina toda. A gente esquece muito.
Há quem diga que é sobre priorizar, sobre realmente levar a sério e tomar alguma atitude.
Eu não vou dizer que erra aqueles que pensam assim, mas não é apenas sobre isso.
O que eu proponho aqui é que a gente faça uma reflexão sobre nossos esforços para conversar com nossos amigos.

Será que estamos conversando com eles? Será que estamos tomando alguma iniciativa ou nos escondendo atrás de desculpas? Será que a gente se esconde atrás dos likes que deixamos nas fotos deles? O que será que acontece com a gente que não conseguimos mais ver ou conversar com nossos amigos? Por quê a gente some? Por quê eles somem?

A gente devia tentar conversar mais com nossos amigos. Fazer mais perguntas que eles não esperam que sejam feitas. Procurar entender mais o que eles estão vivendo, se há dúvidas, se há certezas demais e outras coisas do tipo.

A gente poderia chegar em casa e, ao invés de assistir uma série, mandar uma mensagem. E olha que nem falei telefonar. A gente poderia mandar uma mensagem e reservar os próximos minutos para atualizar da vida um do outro. A gente poderia pelo menos tentar.

Nós temos um papel especial na vida daqueles que chamamos de amigos.
A gente brilha os dias e temos o poder de transformar sentimentos, reverter intenções, levar novos sabores para antigos gostos. A gente pode, definitivamente, ressignificar a vida dos nossos amigos. E o mais legal disso tudo é que não precisa de muito porque dá para começar com a nossa atenção. A gente pode começar conversando.

Eu não sou um exemplo perfeito de quem faz isso. Como qualquer pessoa, também me enrolo em compromissos e horas de folga e me esqueço de verdadeiramente conversar com meus amigos, mas tenho tentado mudar. Tudo o que estou escrevendo aqui é para que eu possa pensar também.

Então vamos tentar conversar mais com nossos amigos?
Conversar de verdade?
Qual foi a última vez que você realmente conversou com aquela pessoa que você considera muito?
Rola seu histórico no Whatsapp e veja que merda. Tem pessoas super importantes lá no último lugar na lista de conversas – enquanto a gente perde tempos em grupos aleatórios ou em conversas que só nos machucam.

Olha que droga: a gente não tem tempo para encontrar ou conversar com aqueles que sempre nos fizeram tão bem, mas gastamos MUITO tempo da nossa VIDA com aqueles que nos fazem mal, correndo atrás de quem está CAGANDO pra gente. Tem coisa errada nisso tudo.

Vamos tentar encontrar mais os nossos amigos, tentar ficar um pouco longe do celular quando isso acontecer – isso funcionava tempos atrás. Vamos ouvir mais o que nossos amigos tem a contar.

A gente não vai conseguir mudar o passado, mas se a gente conversar mais com nossos amigos a gente pode mudar o futuro. E eles podem estar precisando de alguma direção que só a gente pode ajudar.

Tudo bem?
Converse com seus amigos. Se tiver muito tempo que não falam vai parecer estranho no começo, mas depois vai fazer bem pra caramba. Pensa um pouco, reserva um tempo, chama para falar. Tenta marcar algo, mas se não der, puxa um assunto pelo celular. Só tenta fazer alguma coisa.

Eu vou tentar por aqui também.
A gente vai ganhar muito com isso.
E, principalmente, não vamos perder.
Nossos amigos.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Você erra ao tentar só acertar

Não vai dar para acertar sempre.
É bonito ver sua dedicação em errar o menos possível, mas isso não precisa se tornar mais um boleto pra você, sabe? Você não precisa se cobrar por isso.

Isso não tem a ver com mudar seu jeito, mas sim, com aceitar que nem sempre ele vai agradar como imagina.

Você fazer tudo certinho não significa que tudo vai dar certo.

Por mais doloroso que seja, é normal você ouvir o quanto é uma boa pessoa apesar de quem te falar isso não querer nada além com você. Você vai acertar muitas vezes, mas nem sempre esses seus acertos serão suficientes para quem você quer ao seu lado. E não é sobre essa pessoa querer mais de você, é sobre ela querer isso de outra pessoa.

A gente não precisa ter medo de errar. A gente não precisa ter medo de mostrar nossas fraquezas e quanto não sabemos lidar com tudo. Está tudo bem.

Vai ter gente que vai dizer que você é uma pessoa perfeita, mas do nada não vai responder mais suas mensagens. Essa mesma pessoa vai enumerar suas qualidades só para te lembrar o quanto é uma pessoa incrível, mas ela não vai querer sair de novo com você.  Vai ter quem vai usar você mesmo sem você perceber. É o tipo de pessoa que vai te procurar só por conveniência, isto é, só quando ela quiser. E aí você vai correr atrás, mas não vai chegar a lugar nenhum. Você vai se sentir mal e vai questionar seu jeito. Não vai entender nada e vai querer explodir o mundo, mas isso é mais normal do que parece. E estou falando assim só para você lembrar quando acontecer – apesar de eu torcer para que não aconteça.

Você erra ao tentar só acertar por pensar que seus acertos são certos para outras pessoas.
Tem gente que não dá a mínima para o nosso jeito. Tem gente que quer mesmo é outra coisa. Tem gente que até entende nossas qualidades, mas quer outras em outras pessoas. Tem gente que gosta de saber o quanto você passa segurança, mas quer mesmo é o imprevisível de outros beijos. A vida tem dessas.

Você não precisa se culpar. Não precisa se preocupar em agradar. Não precisa focar em ser alguém que impressione. Você só precisa lembrar de quem você é e cuidar disso. Começa gostando de você.

Cuidar de você e do seu jeito e foda-se se outras pessoas não gostam tanto como você imaginaria que gostariam. As  pessoas tem ritmos diferentes e vivem diferentes fases da vida. Aqueles que te ignoram hoje podem ser quem vão te procurar amanhã. Eu já mencionei que a vida tem dessas?

Fica am paz com a instabilidade da sua vida. Fica em paz com as vezes em que as coisas dão certo e com as outras em que nem tanto. Fica em paz se há quem goste do seu jeito e seja recíproco a você, mas fica em paz também se dessa vez aquela pessoa que você gostava não se importou tanto assim com você. Muda o foco e foque em cuidar de quem é para ser ainda melhor para você, antes de se preocupar em ser melhor para alguém.

Você não vai acertar sempre, não vai agradar todos, nem todas as pessoas que você vai gostar vão gostar do seu jeito. E tudo bem. Tudo bem porque sempre vai ser sobre você gostar de você antes de gostar de alguém.

Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com

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