Author: Márcio Rodrigues (page 1 of 60)

E se a gente não desistir da gente?

Nós dois sabemos dos nossos problemas e não quero trazê-los à tona aqui.
Sabemos como as coisas não andam boas.
Eu tenho meus motivos para reclamar assim como você tem os seus.
A paciência parece ter esgotado e não encontramos lugar para renovar nossa disposição.
Não é exatamente o momento para discutir causas ou culpados, o fato é que a gente parece não se encaixar mais direito. É complicado. Queria ter outro assunto para pensar nos meus dias, mas a nossa história tem me feito mal, ou melhor, o jeito que a nossa história está hoje.

É por isso e, principalmente, por tudo o que já vivemos que eu queria saber de você: e se a gente não desistir da gente?

E se a gente conversar sobre maneiras para melhorar?
Eu sei que já conversamos mil vezes, mas e se a gente conversar mais 10mil? Claro, é modo de dizer.
Se você não quiser mais nada eu vou entender. A minha proposta aqui é a gente refletir se ainda podemos insistir na gente.

Eu não tenho resposta de onde isso pode dar, sabe? Realmente não sei.
Mas o que fico pensando todos os dias é: “e se a gente não desistir da gente?” E se a gente pensar com calma em cada um dos momentos, dos ruins aos bons – principalmente os bons. Se a gente colocar tudo na balança para ver o que sentimos no fim?

Não gostaria que isso tudo se transformasse em algo ruim. Não gostaria de ver a nossa história nos machucando. Não gostaria de ver um de nós tendo que fazer algo que não quer. Em outras palavras, não gostaria que a gente tentasse coisas que não acreditamos. O que eu gostaria aqui é de fazer uma proposta: e se a gente não desistir da gente?

Será que não existe mesmo nenhuma força escondida no intervalo entre um momento bom e outro que a gente viveu? Sabe? Será que a gente não vai descobrir uma motivação diferente se a gente pensar de um jeito, sei lá, novo? Se a gente tentar pensar de mais de uma maneira? Será?

Cada um de nós sabemos o bem que fizemos um pelo outro até aqui. E, claro, posso falar mais exatamente por mim. No meio desse caos todo que nossa história se tornou, eu já tenho pensado em tudo o que fizemos e compreendido melhor uma porção dos meus erros. Acho que eu nunca havia parado para pensar assim com calma antes. Estou certo das minhas qualidades e das coisas que aprendi com você, mas tem me doído muito enxergar meus defeitos e as coisas que eu fazia e que não te faziam bem. Este exercício me chocou. E foi nesse momento, isto é, ao reconhecer todas as merdas que eu fiz e todo o meu jeito que te incomodava, que eu parei para pensar se eu poderia mudar alguma coisa em mim para você perceber.

É por isso que fica o meu apelo: será que daria pra gente pensar na gente mais uma vez? Será que daria pra gente reconsiderar todos os problemas e lembrar da parte boa? Não concordo com quem diz que “esse é meu jeito e não vou mudar”, mas eu entendo sim que é difícil demais mudar quem somos. Por outro lado, eu acredito que a gente sempre pode evoluir, a gente sempre pode pensar um pouco, pensar melhor, pensar duas vezes, especialmente se a gente gosta de quem está sofrendo com o jeito que somos. Talvez eu esteja dando muitas voltas aqui para dizer uma coisa que já disse, mas o fato, portanto, é: eu não queria desistir da gente, não agora.  Eu queria te convidar a refletir se a gente consegue um suspiro novo na nossa história.

Eu não queria concordar com o fim sem ter tentado continuar.

É claro, tudo isso envolve um desejo que deve existir em você também. Eu só trouxe o assunto e gostaria de saber sua opinião sobre tudo.

Você ainda tem energia para ver se a gente pode melhorar e continuar?
E se a gente não desistir da gente?
Pelo menos não agora?

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois
@marciorodriguees

Você me fez não querer mais

Não foi um desejo meu.
Se a escolha fosse uma opção, eu preferiria ter tentado um pouco mais, apesar de sentir ter tentado tudo.
Você lembra?
Eu fui embora querendo ficar, mas fui porque pra mim não dava mais.
Cada minuto a mais que eu ficasse, seria um minuto a mais sem me reconhecer mais.
Percebi que comecei a aceitar coisas que eu não concordava só para você vencer as conversas. Porque parecia isso mesmo, você queria porque queria ganhar todas, me esfregar meus erros, destacar meus defeitos e sair por cima de todas as questões que a gente tinha.

Você queria competir enquanto eu não me importava em perder. Vê a diferença?

Você se esforçou muito para eu não querer mais que a gente continuasse.

Eu não quero que isso tudo se transforme em lavagem de roupa suja, eu só quero expor a minha parte da nossa história. Não quero que pareça que estou apontado o dedo para você e me colocando numa posição superior ou algo do tipo. Eu me sinto mal em entender que fui embora porque você não me deu outra alternativa. Não sei onde acabaria isso tudo se a gente continuasse.

O que está claro para mim é o que a minha cabeça conversa com meu coração. E a conclusão disso é que não dava mais para eu continuar e me submeter a lembrar tanto de você que só se esquecia de mim. Seria injusto para mim entrar na estatística que diz “mas a gente se gosta tanto”.

A gente se gosta sim. E muito.
Eu ainda sinto as mesmas coisas.
Eu não te deletei da minha cabeça – e nem quero.

Eu só não conseguia mais me sentir à vontade com a gente. Pelo contrário, muitas vezes eu me senti mal demais. Desde quando você aumentava a voz ou me xingava e depois falava que “perdeu a cabeça”, até você se importar tão pouco comigo e com as minhas coisas. A gente parou de funcionar e eu comecei a estranhar quando deixei de te admirar.

Você me fez não querer mais e a minha saída da sua vida foi uma escolha racional. Eu decidi isso. Fria e calculadamente, entendi que seria melhor eu seguir com meus defeitos e qualidades, mas sem você. Até porque você parecia não se empolgar mais comigo. Minhas vitórias nem tinham tanta graça. Minhas mudanças no visual passavam despercebidas, meus pedidos de opinião tinham recheio de grosseria. Isso não é o tipo de coisa que alguém de fora pode confirmar, isso é algo que eu comecei a observar e sentir com a gente. Demorei um pouco mas entendi que eu não preciso aceitar manter uma história sem um pilar que eu entendo como fundamental. O respeito acabou e depois que percebi eu fui embora – apesar de amar ter ficado por esse tempo.

De novo, isso tudo não é para te deixar mal ou me colocar numa posição melhor, eu só estou contando meus motivos para não querer mais, tendo em vista que entre todos nossos pontos positivos e negativos, foram os pertencentes ao segundo grupo que me fizeram ir embora.

Achei que tentei mais do que eu conseguiria mas você conseguiu me fazer não querer mais.

A gente tem coisas a aprender com isso tudo porque nossa história vai estar marcada nas nossas vidas, mas hoje eu já levo o orgulho de consegui me desvincular a tempo de não abrir minhas feridas e, você, quem sabe vai poder pensar com calma na parte que te cabe sobre manter alguém na sua vida, porque no começo eu queria, mas você me fez não querer mais.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois
@marciorodriguees

Eu te fiz ir embora

Foram vários motivos para o fim, mas a maioria deles são exclusivamente provocados por mim.
O problema é que eu demorei muito para enxergar.
Eu te fiz ir embora.
Abri mão de você logo depois que abriu seu coração para mim.
Me acomodei, sei lá, não soube lidar com nós dois.
Havia me acostumado tanto em te ter que pensei que jamais você partiria.
Eu errei de uma maneira que eu tenho até vergonha de assumir.

No seu lugar eu aguentaria muito menos.
Não ia conseguir te ouvir falar as coisas que te falei.
E não ia conseguir aceitar qualquer desculpas, como tantas minhas que aceitou.

Hoje está muito claro para mim o tamanho do nosso fim.
Comecei a me esbarrar com uma saudade sua nos lugares mais básicos.
Do nada passei a encontrar sua lembrança na fila da padaria, na estreia do cinema no refrão que eu amava.
Aliás, eu passei a odiar refrões que você me ensinou a amar – e a culpa é minha.

Eu que te fiz ir embora.
Você fez o certo em escolher ir.
É claro que eu mereço uma pessoa maravilhosa, jamais diria que não merecia alguém como você, o problema é que eu não consegui te valorizar completamente.

Quando a gente tem uma coisa a gente não se imagina sem ela, né?

Você aguentou demais.
Você me esperou demais. Você tentou demais e me deu tantas chances que eu não conseguia perceber.
Ontem eu reli algumas conversas nossas antigas e nelas eu encontrei uma versão minha que desconhecia.
Encontrei impaciência, encontrei grosseria, encontrei ciúmes que aleguei nunca sentir.
Encontrei em mim as coisas que eu te dizia odiar nas pessoas. Veja só.

É por isso que para mim eu que te fiz ir embora.
Te afastei de mim. Com tanta energia nos defeitos, te fiz esquecer das minhas qualidades.
Eu não sei exatamente o que aconteceu, não houve nada específico, algum motivo exatamente tangível.
Você não me fez especificamente algo que me fizesse descontar tanta coisa.
Te fiz ir embora porque eu não parecia mais gostar de quando você ficava. Olha o tamanho da merda.
Entre tantos erros meus, os piores foram os menores.
Passei a te tratar de um jeito que me arrependo tanto. Como que eu pude falar coisas tão horríveis e de um jeito tão péssimo para alguém que eu respondia “também” ao ouvir que gostava muito de mim?

Eu mereci você mas não soube te administrar e me perdi.
Você foi embora por motivos nos quais concordo completamente.
Incrível ter aguentado tanto tempo.

Queria poder voltar atrás, mas seria muito confortável para mim apagar tudo feito borracha – ao contrário de você. Mas vai saber, quem sabe a gente não se encontra de novo para eu te contar das lições que aprendi depois da sua ida, porque no minuto seguinte que me senti sem você eu percebi a falta que isso me faria.

E ainda faz.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois

@marciorodriguees

Gostar e ser recíproco

 

A gente foca tanto em gostar que esquecemos de como é bom quando gostam de volta.
E vira um grande “tanto faz”; a gente simplesmente não se importa.
Pelo menos no começo enquanto tudo é novo e excitante.
Quando a gente esquece da importância do gostar de volta, a gente alega várias coisas.
A gente pensa algo como “ah, nós somos pessoas diferentes, ué” A gente pensa também em algo como “Poxa, eu não posso cobrar que a pessoa mude o jeito dela, né?”
A verdade, de fato, é que a gente sabe quando não sentimos que estão gostando da gente também.
Ou se não sentimos, a gente deveria começar a perceber melhor.

Gostar e ser recíproco talvez seja a regra número um em uma relação afetiva.
É fundamental que a gente sinta que a outra pessoa goste da gente também. E eu não estou falando que a outra pessoa deva gostar da gente da mesma maneira. Muita gente tem mania de transformar as relações em competições. Eu estou falando que a gente precisa se convencer de que existe um sentimento pela gente vindo da outra pessoa. A gente precisa da segurança dos passos que damos de mãos dadas.

Só que na prática é meio complicado.
O problema é que a gente evita encarar a parte ruim das coisas. A gente tem uma tendência a postergar a solução de problemas e isso só os fazem ficar ainda maiores.
O fato é que, muitas vezes, pra gente tudo bem a pessoa só demonstrar preocupação uma vez ou outra; tudo bem a pessoa só contar o que sente de vez em quando; completamente ok a pessoa esquecer das coisas que a gente diz sobre o que a gente sente; isso quando pra gente não é normal a pessoa ser um freezer de tão fria.
A gente demora para acreditar que estamos gostando de alguém que não gosta da gente.

É por isso que eu gostaria que a gente cuidasse mais disso.
Não é sobre sair exigindo que as pessoas mudem suas formas de se expressar, mas sim, sobre a gente refletir no quanto nutrimos um sentimento por alguém que não se importa muito com ele – por vários motivos. Muitas vezes a pessoa nem sabe o porquê. Pode ser que ela ainda goste de outra pessoa. Pode ser que ela tenha vergonha de se expressar. Pode ser que ela tenha medo de te assustar. Pode ser que ela nem sinta nada mesmo e tenha receio de te fazer ficar triste. Pode ser um monte de coisa, mas o que não pode é a gente permitir cultivar um sentimento em um lugar venenoso, isto é, dedicar carinho e atenção a alguém que é indiferente, a alguém que nos coloca em dúvida e nos faz questionar sobre quem somos – esta, pra mim, é a maior merda. Quando você passa a questionar de todo o seu sentimento bom é porque, talvez, ele não tem sido reconhecido como tal.

Gostar e ser recíproco. A gente precisa perseguir essa lógica para garantir um coração tranquilo.
Não é sobre a pessoas criarem demonstrações mirabolantes, é sobre a pessoa nos convencer e nos lembrar de que ela também sente algo bom pela gente o suficiente para que mantenhamos essa história toda.

Presta atenção na sua história.
E não aceita nada menos do que você merece que é proporcional ao quanto você se dedica.
A gente precisa abrir os olhos dos acomodados porque planta que não se rega morre.
Essa conversa de “esse é meu jeito” não tá com nada.

Eu entendo muitas dúvidas da vida, mas entre as certezas é que a gente precisa saber o que o coração da outra pessoa sente pelo nosso.

Gostar e ser recíproco.
Foca nisso.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Amanhã a gente termina

Ontem estava tudo ok.
Não era bom, nem ruim, era ok.
Algumas implicações que de tanto desgastar já nem doem mais.
Você, como de costume, some.
E quando aparece demora para me responder.
Eu aprendi a me acostumar com seu jeito, mesmo falando o quanto doía em mim.
Você está no piloto automático e já me ignora sem nem perceber.

Os assuntos passaram a ficar doloridos por dias.
Você começou a dizer que eu gosto de brigar.
E eu comecei a perceber que você passou a gostar de continuar brigando.
E entre em uma reclamação ou outra assim, a gente passou a trocar palavras feias.
Elogios não nos visitavam mais.

Alguns planos se tornaram reais mas fazem tanto tempo.
Parece que focamos em parecer e não em ser.
Por quê que a gente se acostumou a desconhecer mesmo?

Hoje a gente vai postar uma foto nossa.
Vamos qualificar a nossa história entre tantas outras. Eu vou dizer que você é a melhor pessoa do mundo e você vai retribuir que outra pessoa igual a mim não existe.

A gente vai contabilizar likes e comentários nas nossas fotos.
“Olha quem curtiu”, “Olha quem comentou!”, “Quantos likes tem na sua?”
Talvez você reclame porque eu vou demorar para postar a foto.
Talvez reclame também pela foto que escolhi.

A gente vai trocar presentes.
Vou me descuidar e confundir o tamanho da roupa.
Você vai esquecer que daquela cor eu nem gosto.
O presente não vai ser celebrado.

Um sorriso amarelo e um beijo de canto na boca de “obrigado”.
Você vai demonstrar que esperava mais.
Eu vou riscar minhas adivinhações sobre o que me daria.
Mas a gente não vai falar disso. Não hoje.

Quando o dia acabar, a gente vai se encontrar e enfrentar alguma fila na cidade.
A gente vai se irritar com a demora. A gente vai reclamar da hora.
Vai ficar tarde e a gente vai escolher fazer o de sempre.
O mesmo sempre que, de tanto sempre, passou a nos fazer mal como nunca.

E aí a gente vai embora.
O relógio vai acelerar. A gente vai se agradecer por mais um dia.
Mas esse dia nem foi tão bom assim, mas pelo menos a gente viveu mais um deles.
Mudamos o filtro da foto de sempre. Um pouco menos de curtidas que o anual.
E a gente nem se curtiu assim no final.
Hoje a gente fez parte do todo e tudo fez a gente pertencer ao normal.
No fundo, a gente sabe que dificilmente seria como foi era no começo.
Mas a gente se acostumou a se esquecer.
Esse hoje logo acaba.
E amanhã a gente termina.

(cuida para comemorar não só o dia mas como a vida).

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Converse com seus amigos

Parece que quanto mais velho a gente fica menos tempo a gente tem.
Mas a verdade é que a gente passa a valorizar as coisas de um jeito diferente.
O tempo de folga em casa depois de um dia de trabalho, por exemplo, se faz raro e indispensável.
Mas nessas de valorizar algumas coisas, a gente passa a desvalorizar outras.
A gente passa a encontrar menos as pessoas que gostamos. E contamos com a conveniência para esses encontros. Encontrar em um show, em um jogo, no shopping. Sempre sem querer, nunca combinado.
Agora, lembra como era na época da escola?
Ainda na aula a gente combinava de encontrar nossos amigos depois.
E depois da gente se encontrar, a gente ainda combinava que horas entraríamos no MSN.
A gente fazia de tudo para ficar o máximo de tempo possível com nossos amigos.
E aí a gente cresce, começa a trabalhar, pagar contas e tudo fica para depois.
A gente faz sem querer, não é por maldade do tipo: “quero que se foda”.
A gente só se prende no gigante “VAMOS MARCAR”.  E nunca marcamos.
Passa um dia. Passa uma semana. Passa um mês e nada de marcar.
E tem aqueles amigos que a gente só vê no dia do aniversário. É bem triste.
A gente poderia tentar mudar isso e começar a ficar mais perto dos nossos amigos de alguma maneira.
Às vezes ficar perto é só mandar uma mensagem no whatsapp e perguntar sobre a vida.
E até disso a gente esquece no meio da rotina toda. A gente esquece muito.
Há quem diga que é sobre priorizar, sobre realmente levar a sério e tomar alguma atitude.
Eu não vou dizer que erra aqueles que pensam assim, mas não é apenas sobre isso.
O que eu proponho aqui é que a gente faça uma reflexão sobre nossos esforços para conversar com nossos amigos.

Será que estamos conversando com eles? Será que estamos tomando alguma iniciativa ou nos escondendo atrás de desculpas? Será que a gente se esconde atrás dos likes que deixamos nas fotos deles? O que será que acontece com a gente que não conseguimos mais ver ou conversar com nossos amigos? Por quê a gente some? Por quê eles somem?

A gente devia tentar conversar mais com nossos amigos. Fazer mais perguntas que eles não esperam que sejam feitas. Procurar entender mais o que eles estão vivendo, se há dúvidas, se há certezas demais e outras coisas do tipo.

A gente poderia chegar em casa e, ao invés de assistir uma série, mandar uma mensagem. E olha que nem falei telefonar. A gente poderia mandar uma mensagem e reservar os próximos minutos para atualizar da vida um do outro. A gente poderia pelo menos tentar.

Nós temos um papel especial na vida daqueles que chamamos de amigos.
A gente brilha os dias e temos o poder de transformar sentimentos, reverter intenções, levar novos sabores para antigos gostos. A gente pode, definitivamente, ressignificar a vida dos nossos amigos. E o mais legal disso tudo é que não precisa de muito porque dá para começar com a nossa atenção. A gente pode começar conversando.

Eu não sou um exemplo perfeito de quem faz isso. Como qualquer pessoa, também me enrolo em compromissos e horas de folga e me esqueço de verdadeiramente conversar com meus amigos, mas tenho tentado mudar. Tudo o que estou escrevendo aqui é para que eu possa pensar também.

Então vamos tentar conversar mais com nossos amigos?
Conversar de verdade?
Qual foi a última vez que você realmente conversou com aquela pessoa que você considera muito?
Rola seu histórico no Whatsapp e veja que merda. Tem pessoas super importantes lá no último lugar na lista de conversas – enquanto a gente perde tempos em grupos aleatórios ou em conversas que só nos machucam.

Olha que droga: a gente não tem tempo para encontrar ou conversar com aqueles que sempre nos fizeram tão bem, mas gastamos MUITO tempo da nossa VIDA com aqueles que nos fazem mal, correndo atrás de quem está CAGANDO pra gente. Tem coisa errada nisso tudo.

Vamos tentar encontrar mais os nossos amigos, tentar ficar um pouco longe do celular quando isso acontecer – isso funcionava tempos atrás. Vamos ouvir mais o que nossos amigos tem a contar.

A gente não vai conseguir mudar o passado, mas se a gente conversar mais com nossos amigos a gente pode mudar o futuro. E eles podem estar precisando de alguma direção que só a gente pode ajudar.

Tudo bem?
Converse com seus amigos. Se tiver muito tempo que não falam vai parecer estranho no começo, mas depois vai fazer bem pra caramba. Pensa um pouco, reserva um tempo, chama para falar. Tenta marcar algo, mas se não der, puxa um assunto pelo celular. Só tenta fazer alguma coisa.

Eu vou tentar por aqui também.
A gente vai ganhar muito com isso.
E, principalmente, não vamos perder.
Nossos amigos.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees

Você erra ao tentar só acertar

Não vai dar para acertar sempre.
É bonito ver sua dedicação em errar o menos possível, mas isso não precisa se tornar mais um boleto pra você, sabe? Você não precisa se cobrar por isso.

Isso não tem a ver com mudar seu jeito, mas sim, com aceitar que nem sempre ele vai agradar como imagina.

Você fazer tudo certinho não significa que tudo vai dar certo.

Por mais doloroso que seja, é normal você ouvir o quanto é uma boa pessoa apesar de quem te falar isso não querer nada além com você. Você vai acertar muitas vezes, mas nem sempre esses seus acertos serão suficientes para quem você quer ao seu lado. E não é sobre essa pessoa querer mais de você, é sobre ela querer isso de outra pessoa.

A gente não precisa ter medo de errar. A gente não precisa ter medo de mostrar nossas fraquezas e quanto não sabemos lidar com tudo. Está tudo bem.

Vai ter gente que vai dizer que você é uma pessoa perfeita, mas do nada não vai responder mais suas mensagens. Essa mesma pessoa vai enumerar suas qualidades só para te lembrar o quanto é uma pessoa incrível, mas ela não vai querer sair de novo com você.  Vai ter quem vai usar você mesmo sem você perceber. É o tipo de pessoa que vai te procurar só por conveniência, isto é, só quando ela quiser. E aí você vai correr atrás, mas não vai chegar a lugar nenhum. Você vai se sentir mal e vai questionar seu jeito. Não vai entender nada e vai querer explodir o mundo, mas isso é mais normal do que parece. E estou falando assim só para você lembrar quando acontecer – apesar de eu torcer para que não aconteça.

Você erra ao tentar só acertar por pensar que seus acertos são certos para outras pessoas.
Tem gente que não dá a mínima para o nosso jeito. Tem gente que quer mesmo é outra coisa. Tem gente que até entende nossas qualidades, mas quer outras em outras pessoas. Tem gente que gosta de saber o quanto você passa segurança, mas quer mesmo é o imprevisível de outros beijos. A vida tem dessas.

Você não precisa se culpar. Não precisa se preocupar em agradar. Não precisa focar em ser alguém que impressione. Você só precisa lembrar de quem você é e cuidar disso. Começa gostando de você.

Cuidar de você e do seu jeito e foda-se se outras pessoas não gostam tanto como você imaginaria que gostariam. As  pessoas tem ritmos diferentes e vivem diferentes fases da vida. Aqueles que te ignoram hoje podem ser quem vão te procurar amanhã. Eu já mencionei que a vida tem dessas?

Fica am paz com a instabilidade da sua vida. Fica em paz com as vezes em que as coisas dão certo e com as outras em que nem tanto. Fica em paz se há quem goste do seu jeito e seja recíproco a você, mas fica em paz também se dessa vez aquela pessoa que você gostava não se importou tanto assim com você. Muda o foco e foque em cuidar de quem é para ser ainda melhor para você, antes de se preocupar em ser melhor para alguém.

Você não vai acertar sempre, não vai agradar todos, nem todas as pessoas que você vai gostar vão gostar do seu jeito. E tudo bem. Tudo bem porque sempre vai ser sobre você gostar de você antes de gostar de alguém.

Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com

Não tenta colocar outra pessoa no lugar

Muitas vezes a gente passa muitos dias da nossa vida tentando esquecer pessoas que passaram por ela.
Mas, em muitos casos, o principal motivo talvez seja: você tenta colocar outra pessoa no lugar. Você tenta substituir em uma nova pessoa aquele velho sentimento – e é nisso que você erra.

Fica complicado quando tenta ressignificar coisas, lugares, músicas e filmes com uma nova pessoa sendo que tudo isso foi vivido com outra pessoa. Talvez você não esteja percebendo, mas são grandes as chances de você não conseguir esquecer porque insiste em preencher um velho lugar com uma nova pessoa.

As pessoas que passam pela nossa vida nunca serão as mesmas – por mais parecidas que sejam.
Cada história que a gente vive constrói um pedacinho de quem somos. Desse modo, é injusto – ainda que sem querer – fazer com que as novas pessoas que entram na nossa vida sejam testadas para aquelas coisas que vivemos com outras pessoas, isto é, é injusto você querer que uma nova pessoa ria das mesmas coisas que outras riram, é injusto você esperar que uma nova pessoa goste dos mesmos filmes, é injusto você depositar responsabilidade em alguém que entra na sua vida para escrever uma história nova, ao invés de continuar uma antiga.

E talvez por isso você não tem conseguido esquecer.
Você insiste em continuar escrevendo em uma página que não cabem mais palavras.
No livro da vida, você insiste em olhar para as páginas que já passaram, ao invés de descobrir as novas.

É claro que não exatamente você tem culpa nisso, porque muitas vezes a gente nem percebe o buraco que nossos pés entram. O problema, porém, é quando você conscientemente mira em uma nova pessoa aqueles mesmos sentimentos que nutriu por uma pessoa que já saiu da sua vida. Veja, é óbvio que no começo a gente até faz umas comparações – e dá para dizer que isso faz parte do que é conhecer alguém – mas essa história começa a ficar séria quando você passa a se questionar o porquê das coisas não darem certo sem questionar o seu papel nisso tudo.

Talvez você nem precise esquecer ninguém.
(tá, tem certas pessoas que a gente bem que precisa esquecer – mas tudo tem hora né, esse é o ponto).
Você não precisa se preocupar em encontrar uma nova pessoa para ocupar o lugar que outra deixou. Você não precisa ter pressa. Trajetórias são percorridas em velocidades diferentes.

Toma cuidado nos esforços que tem feitos e no quanto eles podem estar sendo errados.
Talvez você esteja dedicando tempo e força de uma maneira não muito saudável.
Para para pensar um pouco.
A gente sempre vai querer passar rápido pelas coisas ruins, mas elas nunca passarão da mesma maneira pela gente. Se a gente pudesse escolher a gente pularia a parte que dói, né?

Não tenta colocar outra pessoa no lugar daquela que não está mais na sua vida.
É que às vezes você quer uma pessoa para tampar machucados grandes demais.

Talvez ninguém nunca mais te diga as coisas que já ouviu. Talvez nunca mais ria daquelas mesmas coisas. Talvez não visite os mesmos lugares, não faça as mesmas viagens. Talvez não ouça as mesmas músicas, não assista aos mesmos filmes e não visite mais os mesmos restaurantes que fazia com aquela pessoa. Isso tudo é um monte de talvez, mas se caso alguma coisa assim acontecer, tudo bem. Às vezes é bom não fazer mais o que já foi feito porque mostra que a nossa vida é mais interessante do que já pensamos ter sido. É que  comparar experiências novas com antigas é segurar o ponteiro do relógio.

Se estiver difícil demais esquecer aquele alguém, tenta pelo menos não lembrar tanto.
Você pode não escolher o que sentir, mas pode muito bem escolher no que pensar.
Então tenta pensar em outras coisas, tipo aquelas em que gostaria de viver.
As pessoas ocupam lugares diferentes na nossa vida, tem funções e benefícios diferentes, ensinam lições diferentes e nos dão prazeres diferentes. Num sentido tão amplo e repleto de oportunidades assim, vê como faz pouco sentido depositar TODA A VIDA em uma pessoa que nem mais faz parte dela?

Você pode estar se preocupando tanto em encontrar alguém igual aquele alguém, sendo que nem você é mais igual como era naquela fase.

A vida mudou mas você está tentando não prestar atenção nisso.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com

Quanto tempo leva para a dor passar?

A dor é um sentimento muito presente na nossa vida.
E ela se manifesta de formas diferentes.
Existe a dor física, a dor mental e a dor afetiva, por exemplo.
Esta última, inclusive, talvez seja a menos compreensível de todas, porque parece ser a mais difícil de remediar, afinal não dá para ir a farmácia e comprar um remédio para um coração partido, por exemplo.

A dor afetiva mina a nossa energia aos poucos fazendo a gente não querer levantar da cama. Ela também é responsável por fazer a gente perder fins de semana. Esta mesma dor também faz a gente mandar mensagens que não gostaríamos. Quando o coração dói, portanto, a gente se vê em um desequilíbrio entra razão e emoção. E tudo bem, faz parte. Não é um bicho de sete cabeças – é de 240 aproximadamente.

Agora, o ponto é: quanto tempo leva para a dor passar? E aqui vamos focar na dor afetiva.
Esta é a pergunta que resolveria metade dos problemas da humanidade.
Fica muito difícil estimar este tempo porque cada pessoa vive um tipo de dor, com características individuais e naturezas que variam em cada história da vida. Não dá para a gente prescrever o mesmo remédio para todas as doenças do mundo e o mesmo acontece com a nossa dor afetiva.

Mas dá para fazer algumas coisas.

Se não dá para saber quanto tempo leva para a dor passar, porque a gente não aproveita essa demora toda dela para fazer outras coisas? Não é fazer no sentido mão na massa, mas sim, o fazer no sentido de atitude. Vamos pensar um pouco sobre isso? E eu não estou dizendo que é fácil, estou dizendo que você é a melhor pessoa do mundo para tentar a mudar a sua própria vida.

É que talvez estejamos dedicando tempo e energia demais nas coisas erradas.
A gente procura respostas em lugares onde só moram perguntas. A gente procura carinho em lugares que nos machucam. A gente espera coisas que não vão chegar. A gente acredita em coisas inacreditáveis – e eu não disse impossíveis. Isso tudo é para dizer que talvez a sua dor não esteja passando porque você tem cuidado demais dela. Você pode estar dando mais atenção para a parte ruim do que a boa na sua vida. E quanto a isso, existe aquilo: quanto mais força você dá para o que não gosta, mais isso que você não gosta fica forte. É uma lógica completamente pertinente.

Você já pensou que talvez esteja gastando tempo – e vida – demais com uma energia que não te faz bem? Talvez você esteja esquecendo de olhar as coisas de outra forma. E eu não quero subestimar o tamanho da sua dor, mas eu só quero te lembrar que você é maior que ela – por maior que ela seja.

Nem sempre a gente vai superar do jeito que a gente gostaria.
E quanto mais o tempo passa, mais a gente tem certeza disso.
Mas talvez aí exista uma lição: talvez a gente não tenha exatamente que superar algo, mas sim, saber conviver com isso e deixar guardar. O seu coração, por exemplo, vai se acostumar a entender que gostar daquela pessoa não tem funcionado tanto e você vai encontrar em lugar para guardá-la dentro de você. Não precisa ter pressa para esquecer porque talvez você nem esqueça mesmo. Você já pensou nisso? Já pensou que talvez você nem esqueça essa pessoa que não sai da sua cabeça? Dito isso, que tal pensar que talvez esteja esperando uma dor passar que talvez nem passe, mas do contrário, vai se transformar em uma lembrança?

A dor tem vida própria. Ela quem escolhe a hora que chega e a hora que vai embora.
A dor de querer alguém e não poder, não ter mais alguém que já teve ou qualquer outra dor que nosso coração desenvolver por alguém é totalmente independente do nosso controle. Lutar contra ela é comprar uma briga cara demais – e esperar que ela passe depressa dói ainda mais.

O resumo é que não existe um tempo certo que a dor leva para passar, mas existem atitudes que você pode tomar para não focar sua energia nela. Você pode focar em ocupar seu tempo com uma coisa que te faz e sempre fez bem antes daquela pessoa existir na sua vida. É importante destacar isso porque quando a gente sente uma dor por alguém a gente nem lembra da vida antes daquela pessoa – mas teve vida pra caramba antes.

Então é sobre isso: não afronte a sua dor, deixe ela mostrar a que veio e enquanto ela quiser aparecer, você vai tentando focar em coisas diferentes. Mudar a forma de ver. Olhar para novos lugares. Procurar coisas novas. Trocar as referências. Assistir outro tipo de filme. Ouvir outro tipo de música. Conhecer mais. Ir além do que gosta pode ser incrível porque mais do que agradar a si, você vai descobrir mais de você.

Leva tempo até o tempo levar a dor.
Mas enquanto isso o que a gente faz?
A gente vive os outros sentimentos – principalmente para fazer os boletos pesarem um pouco menos.
Vai chegar um dia que você vai acordar, se olhar no espelho e pensar: “Como que passou e nem percebi?”
A gente só não sabe quando vai ser esse dia.
Mas a gente não sabe várias coisas da vida também, né?
E tudo bem.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

Cuidar do que temos

Hoje nós somos quem a gente precisava.
Nossa história é um encontro.
Tem um monte de coisa em você que eu eu tinha que conhecer.
E outro monte de coisa em você que eu não fazia ideia do quanto me faria bem.
Eu tenho uma porção de coisas nas quais me orgulho para te ajudar também.
(A gente precisa reconhecer mais toda a parte boa que temos.)

A nossa vida seguia caminhos diferentes mas parece que a gente precisava se encontrar em uma parada da longa viagem que é a vida.

Depois que a gente se encontrou, tudo ficou melhor.
Estava tudo bem antes, mas se melhorar é aquilo né? Não estraga, melhora.
Hoje a gente cuida da gente de um jeito nosso.
Um jeito precioso que soa inédito para mim.
Definitivamente eu me sinto uma pessoa diferente depois da gente.
E é isso gente, a partir do momento que todo mundo tem um coração, gostar de alguém sempre vai ser um clichê.
Você tem referências diferentes das minhas.
Você viajou por lugares que nunca fui nem em pensamento.
Seus olhos já viram coisas lindas pelo mundo e hoje eles olham pra mim. Olha que sorte a minha.

Sorte. Está aí, engraçado falar disso.
Eu prefiro dizer que somos sobre permissão.
A gente se permitiu dar um mergulhinho na vida um do outro.
E cada dia novo juntos, foi uma braçada mais afundo.
Quando dei por mim, você estava fazendo uma faxina e puxando minha orelha sobre como meu oceano estava uma bagunça. Acendeu uma lanterna e me sugeriu caminhos.

Era como se falasse: “Dá pra ser assim”
Mas você não falou nada e eu entendi tudo.

A gente tem pensado nisso, né? Nisso de como dá pra ser assim.
A gente conversa muito sobre a gente. A gente foca em melhorar o que já é bom.
As únicas pessoas que podem nos ajudar a ser melhores somos nós mesmos.
Eu não preciso ter medo de te falar que não gostei de algo.
E você não precisa me poupar de reclamar de alguma coisa.
Vai ver por isso a gente nunca teve motivos para ter medo ou reclamar.
Porque a gente conversa e cuida do que temos.
Cuidar do que temos.
A gente gosta muito disso tudo que temos.
E, exatamente por gostar tanto do que temos, que queremos ter mais.
Isso tudo me faz pensar em como a nossa história é racional.
Nós nos escolhemos.
Eu escolhi continuar tendo o que você me dava.
E você me escolheu para continuar tentando te fazer bem.
As pessoas se escolhem.

Acho que tem um pouco disso, né?

A gente pode até não escolher quem entra na nossa vida, mas a gente escolhe quem fica nela. 
E aí a gente se escolheu.

Racionalmente, nossos cérebros entraram num acordo de que essa convivência soava muito boa e que seria desinteligente interromper.

Escolher tentar ser quem somos um para o outro foi o primeiro passo para os nossos corações ser quem eles são.

A gente entendeu que juntos poderia sair coisa boa, mesmo que a gente não saísse de casa. A gente entendeu que isso tudo é bom e melhor ainda seria continuar. E todo esse entendimento faz a gente cuidar mais da gente.

Um pouquinho a mais por dia eu admiro como você consegue sensibilizar ainda mais o meu coração já sensível demais – não  pensei que seria possível.  Um jeitinho de cuidar e fazer questão.

Você entrou na minha vida para me lembrar que existe exceção.
Eu estava acostumado demais em ser o segundo ou em ser o “agora não”.
Já estava ok para mim aceitar o papel da pessoa boa mas não uma boa pessoa para alguém.

E mesmo que isso tudo termine amanhã, você já me mostrou que tentar sempre vai fazer mais bem do que reclamar. Porque reclamar é fácil, difícil mesmo é tentar melhorar. A gente tentou e olha quem somos hoje. Os mesmos de antes, só que melhorados.

Hoje nós somos quem a gente precisava – e quem a gente merecia também.
(A gente precisa reconhecer mais toda a parte boa que temos.)
Hoje nós somos um para o outro quem sempre fomos para os outros.
Hoje somos a nossa melhor parte pra gente, aquela mesma parte que já pisotearam.

Nossa história é uma escolha. Que bom que a gente aconteceu e decidimos continuar acontecendo.
A gente escolheu ter a gente e cuidar do que temos. Só para não interromper o prazer de esfregar o pé no lençol novo na cama ou em passar horas emendado um episódio no outro de uma série qualquer.

Ah, verdade, no meio disso tudo aconteceu um negócio chamado amor também.
Mas a gente quis que fosse assim.
E a gente quer continuar sendo.
Por isso a gente cuida do que temos.

Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com

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