Author: Márcio Rodrigues (page 2 of 58)

Você só não é mais prioridade

Por exemplo: Se a conversa fluía bem e os assuntos avançavam para várias coisas mas, do nada, os intervalos entre estes mesmos assuntos ficaram maiores que as próprias conversas, não tem nenhum problema em você, vai ver você só não é mais prioridade da pessoa.

A gente ainda vai sofrer muito por ficar procurando justificativas para todas as coisas da vida. É que algumas dessas coisas não tem muitas justificativas, às vezes, inclusive, não tem nenhuma mesmo.

Você só não é mais prioridade.

Você ainda é uma pessoa legal, cheia de qualidades, tipo bom humor e um repertório que inclui a novela das nove à política da Rússia mas, por um motivo que não dá exatamente para explicar, você só não é mais prioridade da pessoa mesmo.

E o mais louco sobre isso é que nós também já tratamos alguém assim. Alguém também já mudou de lugar na nossa vida saindo de prioridade para “quando der eu respondo”.

Algumas vezes a gente faz para alguém aquilo que odiamos que façam com a gente. Mesmo que sem querer.

Sobre prioridade, entre tantas coisas que a pessoa tem para fazer e tantas outras pessoas para conversar, ela só não consegue mais tempo para te incluir em alguns minutos das vinte e quatro horas do dia. E aí o laço que parecia se fortalecer vai se afrouxando aos poucos e toda aquela conexão que parecia existir vai se tornando só uma ligação entre duas pessoas legais.

E tudo bem.
Tudo bem porque amanhã será você fazendo a mesma coisa – se já não foi ontem. Todos nós estamos sujeitos. Tudo bem porque isso acontece. Só que aceitar que a vida acontece nem sempre é algo que faz bem, né? A gente sabe.

Não há nada de errado em você, com sua aparência, seus assuntos e toda a sua vida, o que aconteceu é só que a pessoa deixou de te ver assim como a maior importância do dia. Na verdade, inclusive, isso tem muito mais a ver com ela do que você e, por isso, você não deve sofrer essa dor. A pessoa parecia gostar, agora não parece mais. A pessoa gostava de conversar, agora não gosta tanto.

Quando a conversa no Whatsapp vai ficando lá para baixo é o sinal que você não tem sido mais prioridade. Quando começa a acontecer coisas do tipo “vamos combinar sim”, “a gente pode ver um dia”, etc, é sinal que você não tem sido mais prioridade. Quando os seus assuntos não são comentados, quando a resposta começa a demorar dias para chegar, quando não há agenda para aceitar seus convites, quando acontece cosias tipo essas são grandes sinais de que você não é prioridade.

E o que dá para fazer para tentar resolver? Pouca coisa.
Dá para começar não surtando procurando defeito em si. Depois, dá para seguir o que você sente, ou seja, se quiser puxar algum assunto, puxe; desde que tenha consciência de que a resposta pode não vir ou se vir pode não ser como você gostaria. E também dá para aceitar que, infelizmente, tudo esfriou.

Pode ser que um dia a pessoa se dê conta de como era legal quando vocês eram dois, pode ser que um dia a pessoa te procure porque lembrou de você, ou porque sentiu sua falta, pode ser que a pessoa apareça te convidando para fazer coisas na maior naturalidade, pode ser que um dia a pessoa te diga que não estava no mesmo momento que você por isso sumiu, pode ser que um dia a pessoa te diga que estava sem cabeça para perceber que se afastou, pode ser até que pessoa atribua a você o motive da distância – as pessoas são loucas sim; podem acontecer essas e outras coisas, mas até lá o fato é que, segundo os sinais, você não é mais prioridade para essa pessoa.

Ei, mas aí temos um ponto: se você se influencia e estaciona sua vida pelo fato de ser ou não prioridade de alguém, o sinal é que você não consegue mais ser prioridade para a sua própria vida. Faz sentido?

por Márcio Rodrigues
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com
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A gente devia abraçar mais

Um abraço.
Um abraço não é só um abraço. Não só braços entrelaçados. Um abraço é uma autorização que uma pessoa dá para uma outra pessoa chegar o mais perto possível do coração. E corações perto ajudam um ao outro. Corações perto cuidam um do outro. Corações perto aliviam o peso dos passos depois dos abraços. Um abraço é bem mais que só um abraço. Um abraço é o momento de combinar as energias e transformar as duas pessoas em uma só – mesmo que seja rapidinho e tudo bem.

E existem vários tipo de abraço. Tem gente que abraça com os braços por cima dos ombros; tem gente que prefere por baixo. Tem abraço que a gente encosta a cabeça no peito da pessoa. Tem abraço que a gente encosta o nariz na pele. Tem abraço que a gente entra no cabelo da pessoa. Existem vários tipos de abraços para a gente escolher qual delas a gente vai usar mais.

A gente costuma abraçar quando as coisas não vão bem.
A gente abraça como se falássemos que tudo vai melhorar. Falar é legal mas abraçar fala mais. A gente abraça e deita nos ombros sem vontade de desabraçar. E ali a gente quer ficar abraçado só para pegar emprestada uma força para completar a nossa que parece se esgotar. A gente abraça os amigos, a família e alguém especial.

E quando o abraço é em alguém especial, a gente abraça e enrosca nosso corpo no da pessoa. Pressiona com força o peito um ao outro, faz movimentos de vai-e-vem com a ponta dos dedos nas costas de quem está abraçando e fecha os olhos para a visão não distrair o coração. A gente beija delicadamente alguns centímetros do pescoço. Às vezes a gente sorri e no frio a gente suspira pelo quentinho.

Quando o abraço é em alguém que a gente gosta o nosso corpo parece dar risada. O abraço de “oi, que bom te ver”, por exemplo, parece ser tão genérico e corriqueiro, né? Mas é aí que a vida nos ensina novamente: não se trata da duração, mas do coração. Um abraço de “oi” em quem a gente gosta é o momento que o nosso sangue parece correr ainda mais rápido; a pele fica mais sensível, os sentidos mais apurados e conseguimos mergulhar no cheiro que a pessoa tem. O abraço de “tchau” em quem a gente gosta, por sua vez, é um abraço de “quero voltar”. É um abraço que deixamos um pedaço da nossa vida na pessoa e que levamos dela também – ainda que ela não saiba. É um abraço de saudade. Um abraço de querer mais. Um abraço de “conta comigo”. É um abraço que dá vontade de morar nele e que faz a gente chegar em casa com um pouco do cheiro da pessoa.

A gente devia abraçar mais. A gente devia somar mais as energias e acreditar mais no poder que um abraço tem. O poder do consolo, do carinho “vai ficar tudo bem” e da celebração do “que bom é ter você”. A gente devia abraçar mais para deixar que abraços curem as feridas que outras pessoas deixaram na nossa vida. A gente tem muitas feridas, né?

O abraço é melhor curativo que um coração machucado pode ter.

Porque é ali, naqueles rápidos segundos de um abraço simples, que mora a vitalidade que pode ajudar os nossos dias a serem mais leves e terem mais sabor. É naquele abraço rapidinho que a gente recicla os sentimentos chatos dentro da gente para que se tornem em sentimentos novos. É no abraço mais longo de inverno que a gente sente vontade de ficar no quentinho do corpo da outra pessoa. É no abraço curtinho de verão que a gente liga nosso corpo em outra pessoa para preencher a barrinha de energia.

Pense mais no abraço que você dá. Naqueles rotineiros no pessoal do trabalho. Pense mais na frequência com que abraça sua família e seus amigos. Pense em dar o seu melhor abraço em quem te faz se sentir melhor. Pode acontecer da pessoa querer sair do abraço e se constranger por você querer ficar um pouco mais, mas isso não é um problema e ela vai perceber que não há nada que um abraço não possa explicar ainda que não fale nada. É só um abraço porque faz bem para a gente ter outro corpo perto do nosso. Na conchinha da madrugada, no “oi”, no “tchau” e na vida.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Entre tanta gente igual, dá para ser diferente

As coisas andam previsíveis, né?
A história mal começa e já parece ter cheiro de que vai dar bosta.
Antes a gente só considerava o pior, hoje a gente já se acostumou.
Tá foda.
O que todo mundo anda fazendo com todo mundo?
A gente anda desmotivado demais. Tá tudo bem desastroso e a esperança que antes era a última a morrer, parece já ter escolhido o caixão. Tempos difíceis.
Só que, apesar de parecer que não, ainda dá para gente acreditar que tem coisa boa vindo aí. A vida não para na última dor.

Entre tanta gente igual, dá para ser diferente. Sempre dá.
Entre tantos manuais sobre como se comportar e jogos de amor que só dão azar, dá para ser diferente se a gente tiver disposição e lembrar de como faz bem para o coração e para a mente ser especial para alguém; se a gente lembrar que ver alguém feliz por causa da gente faz a gente ser feliz também.

Dá para ser diferente.

Pelo menos dá para ser diferente de nós mesmos de antes. Dá para melhorar no que não somos tão bons assim e aperfeiçoar o que já fazemos bem. E isso não tem a ver com nos cobrar para acertar mais do que errar, mas tem a ver sim com a gente refletir sobre como vivemos e avaliar sobre o quanto podemos mudar tudo – especialmente se esse tudo tiver a ver com alguém.

Fazer bem para alguém é uma negócio muito foda.
Tipo, alguém te dizer: “Ei, você me faz bem demais! Eu gosto muito da gente”. Dá para contar nos dedos quais outras coisas fazem mais bem ao nosso coração do que ouvir uma coisa dessas. Só que para isso voltar a acontecer com a gente, a gente precisa fazer alguma coisa. Afinal, é aquilo, a gente já se acostumou com o pior e precisamos acreditar de novo que o que merecemos na verdade é o melhor.

É quase como a gente começar a aceitar que sim: a nossa hora para ser feliz também chega e, se a gente conseguir fazer alguém feliz também ainda que por um minuto, vai chegar ainda mais rápido.

“Tá, mas como fazer alguém feliz assim? E como dá para ser diferente entre tanta gente igual? Você está falando que a gente tem que inovar?”

Não tem que inovar nada. A gente não tem feito nem o básico, imagina o inovador? Amor, por exemplo, é a coisa mais velha do mundo, só que nem de amor a gente fala mais – ou a gente fala e sente dor, o que não faz sentido. A gente pode começar fazendo alguém feliz demonstrando como esse alguém faz diferença na nossa vida – e todo mundo sabe como fazer isso. Dá para ser diferente entre tanta gente igual se a gente desencanar da ideia de ligar nosso coração na tomada para funcionar só de vez em quando e deixá-lo sempre ligado para organizar a nossa vida. Coração não queima. Não tem problema usar o coração todos os segundos da vida – problema tem em achar que ele vai acertar sempre pois não vai, mas aí é sobre consciência, o que é outro assunto.

Entre tanta gente igual, voltemos a nos esforçar. A gente não tem se esforçado mais. É tudo rápido e tudo automático. A gente tem pressa demais. É tudo para ontem. “Se não quiser, tem quem queira”. E se a pessoa não quiser agora mas daqui a pouco sim? O pavio não é mais curto, ele nem existe mais. Queremos comer o bolo sem colocá-lo para assar. Entre tanta gente igual, voltemos a dizer sim para as ocasiões e os caprichos dos imprevistos. Que delícia é o “eu não esperava nada e, do nada, somos nós”. Volte a encontrar mais pessoalmente. Volte a ouvir mais a voz das pessoas. Entre tanta gente igual, dá para ser diferente sendo aquilo que nunca tínhamos que ter deixado de ser: de verdade.

Somos um vaso de flores com espinhos onde o perfume é maior que a chance de machucar as mãos.

Nenhuma iniciativa vai nos isentar da dor, mas valem todas as alternativas se o objetivo é amor.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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Vamos sim

Vamos pra onde você quiser.  Me chama que vamos. Te chamo e vamos se puder.
Vamos sim! Se tem uma coisa que vamos essa coisa é vamos. E pra qualquer lugar.

Vamos. Me chama que eu vou sim. Onde e que horas te encontro?
E não me importa o lugar, me importa se a gente vai ir juntos.

Vamos sim.
Vamos e vamos mais de uma vez se a gente quiser. Vamos porque pode ser legal e mesmo que for uma bosta, vamos estar juntos – o que sempre é maravilhoso. Vamos porque eu parei com aquela história de falar não e de colocar problemas na frente das soluções. E vamos porque eu senti que você não é desse tipo também.

Vamos porque tem muita coisa na vida que a gente poder perder se a gente não for. Vamos porque é pra frente que se anda sempre. Vamos sim. Se chover a gente pega uma capa de chuva. Se fizer sol a gente passa protetor solar. Se esfriar e a gente não estiver de blusa a gente se abraça. Vamos porque a gente dá um jeito de melhorar se não estiver muito bom.

Vamos porque nas possibilidades ruins da gente ir eu nem me apego tanto assim. Já faz um tempo que parei de ver a parte ruim das coisas.

Vamos porque a gente vai se acompanhar. A gente vai estar perto para fazer qualquer coisa. Vamos sim. Me chama, vou te chamar que também. Que bom que você aceita quando te chamo. Que delícia é quando a gente vive com gente mais do sim do que não. Pode me chamar sempre, não importa pra onde, eu vou dar um jeito de ir e só não vou se realmente eu não puder. Vamos porque eu amo ir com você em lugares que você sugere.

Vamos porque faz bem pra caramba participar da felicidade de alguém.

Vamos sim. Vamos nos ver mais vezes sim.
Vamos fazer algo amanhã sim. Vamos discutir o fim de semana sim. Vamos naquele lugar sim. E se for naquele outro? E se formos nos dois? Vamos.

Vamos fazer nada?
Vamos também. Que série para assistir? Nenhuma?
Vamos ficar deitado no chão da sala esperando a noite cair?
Vamos deixar uma playlist tocando até repetir?
Vamos dormir por aqui só pra ver as primeiras horas do dia? Vamos?
E se a gente sair para um café as 3 da manhã? Vamos?

Vamos! E vamos muito.

Vamos sim. Pode ser hoje. Pode ser mais tarde. Pode ser amanhã também. Depois de amanhã eu tenho compromisso, mas a gente pode se ver depois. A gente se encaixa na programação um do outro.

Eu deixei tanto de ir que hoje eu quero ir sempre e pra sempre eu vou gostar se eu for sempre com você.

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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Dorme bem, boa noite

Mesmo depois que a gente se despede eu ainda penso um pouco na gente.
Engraçado você ser a última pessoa com quem eu converso antes de pegar o sono. A gente se despede e eu deixo o celular apoiado na mesa ao lado da cama. Levo um tempinho para dormir e, neste tempinho, eu penso na gente e dou umas risadas no escuro. Aí eu durmo, acordo, vou checar o celular e o primeiro app é o Whatsapp pra saber se alguém falou algo nos grupos que silenciei. E aí a nossa conversa tá lá no topo com a despedida da noite passada. E isso me faz bem.

Tem dias que eu abro as nossas mídias que enviamos um ao outro.
Tem cada foto, né? E os áudios? E aqueles gigantes às vezes?
A gente manda coisas dos momentinhos que mais rotineiros do nosso dia. É foto do almoço do metrô lotado, do trânsito, da leitura do dia, várias fotos e memes. A gente ama memes. Tem também alguns prints de música com recomendações “escuta essa banda”; alguns prints de conversa com reações de outras pessoas quando falamos sobre a gente, alguns pedacinhos de mim e de você que constróem o nós.

Parece que o dia não termina se eu não ler seu boa noite. Olha que bobagem minha, né? Não que eu te cobre, é só que eu gosto de ler e que faz parte da gente.
Mas não adianta, todo mundo tem um pouco disso numa fase dessa, né? São uns detalhezinhos que compõem uma história. E eu gosto tanto de detalhes. Eu já percebi, por exemplo, quais são seus emojis preferidos. Já confirmei que quando você acha algo engraçado mesmo você digita HAHAHAHAHA mas quando você acha algo só divertido é hahahaha. É sobre o seu jeito.

Gosto de sentir que estamos participando da vida um do outro e não me incomoda saber a parte não legal dos seus dias. Não me incomoda quando conta que acordou de mau humor ou que teve um dia chato no trabalho. Não me incomoda porque a minha sensação de pertencimento é maior; a sensação de você me convidar pra fazer parte da sua rotina é maior.

E me faz falta quando a gente fica um tempo sem se falar por qualquer que seja o motivo. Não é uma tristeza, é uma saudade. Uma saudade boa que se tivesse voz falaria “ah, cadê você?”. E, ao mesmo tempo que essa saudade vem, vem também uma alegria secreta e que ilumina meu rosto quando vejo que a notificação é sua. Eu já me acostumei com o seu nome na tela do celular.

Nossos dias são tão nossos.
Ainda não é hora de falar de futuro, mas sim de celebrar o presente.

Dorme bem, boa noite.
Mesmo depois que a gente se despede eu ainda penso um pouco na gente.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Você estava aqui o tempo todo

 

Leia ouvindo:

Mas eu nunca te vi.
Pelo menos não com olhos novos.
Mas também, pudera, as circunstâncias não eram favoráveis para te ver diferente. A gente vivia voltas completamente diferentes do mesmo mundo e o lugar que poderíamos ocupar na vida um do outro não ultrapassava o limite de trocar algumas verdades sobre dias bosta e dias ruins, especialmente envolvendo pessoas que se envolviam nos nossos sentimentos. Em outras palavras, a gente entendeu que funcionávamos bem ajudando um ao outro a desenroscar os nós da vida.

Todo mundo tem um lugar na vida de alguém.

Eu tinha um lugar muito meu na sua e você um bem seu na minha. Bons lugares. Um quentinho que dava segurança quando algum de nós chamava o outro para alguma atualização da rotina sentimental – e assim seguíamos. Tudo parecia bem. Tudo parecia normal.

Começou a mudar quando comecei a sentir um coisa nova com seu nome aparecendo na notificação Whatsapp no celular. Uma coisa nova bem difícil de explicar. No começo, confesso, preferi me afastar um pouco para confirmar se era mais uma vez um problema meu de tradução com o meu coração ou se, dessa vez, era ele sendo objetivo para me impressionar.

Nosso coração fala sozinho, não adianta querer puxar conversa. Uma hora ele toca no assunto e começa a fazer a gente pensar.

E eu comecei a pensar. Comecei a pensar no quebra-cabeça da sua vida e eu como eu tenho peças para te ajudar a completar. E nessas de começar a pensar veio esse novo olhar meu sobre você. Comecei a te perceber. Você sempre esteve ali, eu sempre estive aqui só que estava difícil da gente se encontrar.

Eu sempre te via, mas nunca te olhava.
E e este olhar é um passear timidamente pelo seu rosto. Esse sorriso, por exemplo, sempre esteve aí mesmo? Você tem certeza? Como que eu não via assim antes? E as pessoas que estavam mais perto dele do que eu? Elas falavam sobre o que ele faz a gente sentir? Deixa eu falar um pouco disso?

É que eu percebi que seu sorriso é o farol do seu coração.
E não é a toa que ele é tão bonito.

É um pedacinho do que há de melhor ainda mais dentro de você. É um feixo de luz tipo aquele de sol de outono que invade o quarto nas tardes pela cortina. Pela primeira vez eu percebi seu sorriso e até revi umas fotos para confirmar. E, de vez em quando, esse seu sorriso aparece sem sorrir, tipo esticam-se os lábios mas sem mostrar os dentes.

Entre aneis, pulseiras e chokers, não foi somente no cuidado com a escolha dos acessórios que comecei a te olhar. Eu percebi como a sua risada emendava a minha e vice-versa. Mas será que sempre foi assim e eu não via? Será que eu já tive sinais assim antes e ignorei todos? É bem estranho tanta coisa fazer algum sentido hoje sendo que antes eu nem dava atenção.

Eu comecei a analisar seu jeito. O jeito de amarrar o cabelo, a combinação da meia calça ora com shorts ora com saia. Comecei a entender os momentos que você coloca um gíria no meio de uma frase – e comecei a ver graça nisso tudo. É que talvez tenha sido eu encontrando em você coisas que eu só enxergava em mim ou, além disso, talvez tenha sido e esteja sendo eu encontrado em você coisas que eu não encontrava em nenhum lugar. Sei lá, tipo o seu cuidado em comentar as coisas que te digo só para não me deixar com a sensação de que falta uma resposta. Isso não é normal. As pessoas não se importam.

Por favor, não se assuste com essas coisas que estou te contando. As pessoas boas precisam saber o quanto elas são. E eu não trouxe nenhum contrato para você assinar, mas trouxe uma visão minha sobre coisas em você que talvez não saiba o quanto são bonitas.

A luta pelo seu sonho começou a fazer sentido pra mim; o espírito de liderança e zelo com sua família parecem sincronizar com o que estou desenvolvendo aqui em casa. Percebi que você mudou. Percebi que você escolheu sofrer menos uma dor e optou por deixar acontecer ou como diz a música gotta let it happen. Parece que a nossa consciência – ou pelo menos a minha – resolveu perguntar: “Vocês já perceberam o quanto buscam as mesmas coisas em pessoas que não conhecem enquanto essas coisas estão em vocês dois?”

Dá um medo, né? Como é que ontem a gente era uma coisa e hoje a gente meio que fala na possibilidade de ser outra? Meu medo só não é maior porque eu tenho confiança de quem você é de como seu coração ainda carrega os mesmos curativos que o meu. A gente sabe o que passou. E essa confiança me faz relaxar para, por exemplo, encaixar uma conchinha em você tipo aquele dia – apesar de tudo meio novo e inesperado, lembra?

Eu confio no que eu conheço de você e me empolgo com tudo o que ainda não sei. É uma empolgação que não é sobre encontrar semelhanças, mas sobre combinar nossas diferenças e temperar nossos dias com um sentimento ao nosso gosto – que eu nem sei o nome que vai ser.

Eu gostei de visitar o seu abraço, mas e se eu quiser morar nos seus braços?
O seu cheiro de futuro bom harmoniza com o meu desejo de proporcionar e dividir felicidade.

Apesar da gente poder passear esse mundo inteiro se a gente quiser, eu não vim a esse mundo a passeio. A verdade é que pra mim felicidade é coisa séria; é a dedicação que eu gosto de ter para fazer alguém verdadeiramente feliz; é cruzar nossos sonhos e planos e encontrar rotas para percorrer acompanhados um pelo outro. E aí eu provoco: e se esse alguém for você que estava aqui o tempo todo? E se o seu alguém agora for eu? E se o nosso nós for a gente?

Você estava aqui o tempo todo.
Mas eu nunca te vi.
E agora não quero parar de te olhar.

 

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Não é amor, é vício por alguém

Isso acontece.
Algumas relações passam da fase do amar alguém e entram para aquela de depender desse alguém. É sobre não enxergar mais defeitos e desgastes – ou fingir não enxergar – e atropelar o amor próprio só pelo amor que sente por outra pessoa.

O amor não existe para ser algo ruim. Amor não é uma meta, é um caminho. É o caminho do compromisso, do carinho, admiração, do gostar de ficar junto mas, sobretudo, do respeito. De novo: O amor não existe para ser algo ruim.

O amor passa a ser vício quando uma pessoa passa a não existir mais sem a outra. É quando elas se tornam indissociáveis uma da outra. E tem mais gente do que a gente imagina vivendo assim.

Ter um vício já é ruim em qualquer circunstância, agora, ter vício por alguém é pior ainda. Vício por alguém é quando você não liga mais para si em prol da outra pessoa. É quando você vê que as coisas não avançam, mas você parece não acreditar e continua empurrando com a barriga. É quando, portanto, a pessoa oficialmente passa a te fazer sofrer mas você não consegue terminar essa relação.

O vício por alguém não se manifesta assim muito claramente justamente porque pode ser confundido com um amor super intenso. A linha é bem fininha, mas dá para enxergar diferente.

O amor é sobre união e gostar de somar as coisas que não se parecem muito numa relação. É construir uma casinha sólida com um tijolinho por dia. Agora, o vício por alguém, é basicamente você encontrar qualquer desculpa para justificar os dias de bosta que tem vivido com uma pessoa. É enganar a si, é fantasiar que é uma fase – apesar dessa fase já durar meses, algumas vezes até anos.

A gente sabe que muitas vezes é automático, mas você não pode ser o plano B da sua própria vida e nenhuma relação é justa quando um dos envolvidos se sente assim. Este é um pequeno indício de que algo não está normal e, se você não consegue avançar para resolver, pode significar que talvez você seja uma pessoa viciada em outra pessoa. E este vício se manifesta naquele sapo gigante que você engole só para não brigar, naquela grosseria que não precisa se submeter, no perdido que a pessoa te dá mas que você sorri antes de encontrar, no jeito de aceitar pedidos abusivos de alguém, em como você se afasta de pessoas que sempre gostou só porque a pessoa que está com você não gosta assim delas. Uma pessoa viciada em outra pessoa é alguém que gosta de dizer que ama profundamente, de um jeito especial e proprietário mas que esquece do próprio amor.

Presta atenção. Tenta refletir se talvez você não consegue, por exemplo, terminar com a pessoa porque você já está viciada nela e nos costumes que criaram juntos, apesar de, lá no fundo, você não sentir mais como sentiu um dia, você não conseguir mais se animar tanto e, quando não é o pior, você passar a sofrer consistentemente a cada dia.

Pode parecer que é, mas o que você sente não é amor, é vício por esse alguém.

E todo vício mata aos pouquinhos enquanto o amor deveria construir.

Lá no fundo, você sabe que ultimamente nada tem sido construído.
Isso acontece.

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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Quando a solução é partir para outra

Demorou mas agora a ficha caiu.
O que está claro para mim hoje é que nunca fui para você nem perto do que eu te considerava para mim. O problema é que quando estamos envolvidos com alguém, completamente mergulhados no que sentimos, fica muito difícil colocar a cabeça para fora e enxergar a vida acontecendo exatamente como é. E, desse modo, a gente tende a enxergar as coisas que queremos viver, ou seja, eu passei muito tempo te enxergando ao meu lado mas isso era mais o meu desejo do que a verdade sendo real.

Eu só consigo perceber agora que por muito tempo fui eu tentando chamar sua atenção enquanto você mal sabia chamar meu nome. Eu só consigo perceber agora que você ignorou exatamente todos os meus convites pra gente fazer algo, só que a minha cabeça mentia para mim dizendo que você parecia realmente estar ocupada.

Ninguém é tão ocupado assim. Eu é que nunca fui relevante assim para você.

E isso explica também todas as vezes que me ignorou e sequer me respondeu uma mensagem. É só abrir o histórico das nossas conversas e você vai ver o quanto era eu puxando assunto com você, e você, ao invés de me esclarecer que não ia acontecer nada, do nada aparecia feito fantasma desgraçando a minha cabeça e me fazendo acreditar em alguma coisa – sendo que essa coisa nunca existiu. Vê a bosta?

Quando a solução é partir para outra.
Quando a solução é partir para outra é quando alguém parte nosso coração. É quando a gente deve recolher os pedaços desse coração e deixar que o tempo os una novamente. O tempo e alguém que aparecer com vontade de ajudar a curar os machucados que os cacos fizeram. O tempo, alguém e nós mesmos, sempre nós mesmos.

A solução é partir para outra quando fica claro que a gente parece remar em uma canoa furada; quando a gente parece querer viver a dois uma história que alguém quer viver sozinho – ou não com a gente; quando a gente vê que dá para escrever uma novela das 9 em todos os papeis de trouxa que fizemos. Em momentos como estes a solução é partir para outra. Seguir em frente. Sair do lugar. Sacodir a poeira. Parar de fazer perguntar, esperar respostas e apontar culpados. Partir para outra.

A solução é partir para outra quando nada do que a gente fizer vai fazer alguém ficar com a gente. Não é sobre a gente. Não é sobre nossos defeitos. É sobre não dar certo. É sobre nem tudo sair como o planejado, nem tudo acontecer como esperamos. A solução é partir para outra quando fica claro para você que já fez tudo o que podia e nem mesmo tudo feito foi o bastante.

E é isso que eu vou fazer.
Vou partir para outra história, começando e terminando em mim e não mais em alguém como cheguei a pensar, não mais em você como cheguei a pensar, não mais em algo que nem existe que eu sozinho quis acreditar. Não mais.


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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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Quando alguém está emocionalmente indisponível

Apesar da delícia da vida ser o jeito surpreendente com que ela se apresenta pra gente, há momentos em que não estamos tão propensos a viver essas surpresas. Isso é estar emocionalmente indisponível.

Estamos sujeitos, por exemplo, a nos apaixonar a qualquer momento. Isso pode acontecer. Só que nem sempre estamos em um momento que privilegia isso acontecer, ou seja, nem sempre estamos facilitando, nem sempre estamos dando abertura e nem sempre conseguimos ser recíprocos. Isso é estar emocionalmente indisponível.

É meio louco porque pode aparecer a pessoa mais perfeita para você na sua frente, mas você não se empolga como pensa que deveria. Você simplesmente não consegue. O seu momento simplesmente é outro e a gente precisa respeitar os momentos da vida.

Quando estamos emocionalmente indisponíveis é quando não estamos conseguindo lidar nem com as nossas emoções imagina então com a de outra pessoa para viver uma história? É meio injusto sim porque tem a ver com a possível entrada de outra pessoa na nossa vida para somar muitas coisas boas, mas, é algo inexplicável. Não dá para reagir aquela mensagem, não dá para confirmar que vamos combinar de fazer algo mesmo, não dá para ser tão profundo como sempre fomos em outra fase.  É injusto também porque isso bate de frente com a ideia de se permitir e tentar algo, mas tem mais a ver que essa indisponibilidade emocional simplesmente bloqueia a pré-disposição, isto é, quando o momento é esse não dá para forçar viver outra coisa. Agora, neste momento, não vai rolar.

Muita gente, porém, é bem covarde nessas horas. É quando essas pessoas acabam começando histórias sabendo que, lá no fundo, elas não estão tão empolgadas assim. Pensando bem, talvez seja exagerado chamar de covardia porque pode ter a ver com a pessoa tentar mudar e isso é bom. O problema começa a aparecer quando a pessoa sabe que está fria, sabe que não está normal, faz aquela cara de bode quando chega mensagem no whatsapp, isso quando não beija sem tanta vontade, mas prende a gente ao lado dela! Isso é covardia! O processo de entender que o momento é emocionalmente indisponível leva um tempo, mas não precisa levar outra pessoa a loucura com tanta estranheza numa história.

Talvez você esteja vivendo algo assim e não se deu conta. A culpa não é do mundo, é que você talvez esteja se forçando a viver coisas que simplesmente não consegue agora. Talvez sim você precise ficar mais em casa na companhia do Netflix do que sair para arranjar outra companhia. Talvez você precise ficar com você agora, não com outra pessoa. Talvez precise cuidar melhor das suas feridas passadas. Talvez precise de mais dias de pijama do que dias de shopping.

Talvez você esteja vivendo algo assim com outra pessoa. Talvez essa pessoa esteja tentando fazer dar certo mas vivendo uma fase confusa; mas você tem apenas a leitura de que ela está estranha, isso quando não começa a pirar procurando culpa em você para as coisas não irem bem. Talvez nem a pessoa mesmo saiba porque está estranha e não consegue lidar bem isso nem ser clara nas respostas das suas perguntas. Talvez a pessoa esteja perdida demais para a vida dela encontrar a sua. Talvez você precise deixá-la ir para que ela possa voltar – se é que ela precise voltar. Talvez você possa se acalmar ao pensar que isso tem mais a ver com ela do que você e que, de certa maneira, é até bom saber disso para que você possa partir para outra história.

Penso que o estado emocionalmente indisponível não é uma escolha, mas uma condição da vida. Difícil demais explicar que você conheceu uma pessoa incrível mas não consegue se entregar para viver algo com ela. Difícil demais saber que você é uma pessoa incrível mas a pessoa não consegue se entregar para viver algo com você. Difícil demais é viver porque o papel que você ocupa hoje, amanhã outra pessoa estará ocupando em um história com você. Mas nunca falaram que a vida era fácil, né?

Vai ficar tudo bem. Da mesma forma que aparece o momento emocionalmente indisponível vai aparecer o ansiosamente disponível. Não dá para dizer se há certo ou errado, o que dá para ter certeza é que a gente precisa respeitar a fase que vivemos ao invés de forçar viver outra coisa.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

 

Deixa a pessoa saber que você sente algo diferente

Você pode pensar:
“Ah tá, vou falar que gosto da pessoa pra ela falar que não gosta de mim”?
E o fato é que sim: vai fazer isso sim. Porque você vai falar que gosta mas não esperando que a pessoa goste também, mas para que ela fique sabendo disso.

Muitas vezes a gente perde oportunidades só com medo do resultado das nossas ações não serem como esperamos. E isso é louco porque, veja só, muitas vezes também é justamente a partir do momento que alguém sabe algo do tipo de você que alguma coisa pode acontecer – ou não, temos que ser honestos.

Não dá para garantir, mas as possibilidades são grandes de alguém virar a chavinha e perceber interesse em você quando você conta que há interesse por esse alguém.

O problema é você guardar isso só para você. Não precisa disso.
Dá para entender que suas experiências anteriores nesse sentido também não colaboram para você se sentir a vontade de revelar que gosta de alguém, afinal, tem gente que fica sabendo disso e começa a se achar a última bolacha do pacote, né? Sem contar as pessoas que ficam sabendo de algo assim e começam a achar a pessoa que revelou alguém “fácil demais” (isso é até meio nojento de pensar, na real). Dá para entender e faz sentido. O ponto é que AS EXPERIÊNCIAS ANTERIORES NÃO PODEM COMPROMETER AS PRÓXIMAS.

Espera a hora, mas conta que você gosta.
Espera a hora porque você precisa pensar com carinho sobre isso. Vai que é só um fogo? Vai que é só um sentimento doido que aparece do nada? Não quero dizer também que tem que esperar para saber se É AMOR, claro que não, mas é só para você ponderar e não falar uma coisa dessas sem pensar. Espera a hora para você se avaliar e não se expor demais e, na pior hipótese, se arrepender depois, sabe? Mas, depois de fazer isso e entender que rola sim um sentimento, digamos, diferente, DEIXA A PESSOA SABER DISSO.

Conta! Arranja uma maneira, mas conta. Toma cuidado para não jogar a expectativa nas alturas e, eventualmente, se frustrar com a resposta, mas conta. Dane-se a reação dela, se vai se assustar, se vai ser recíproco ou não, mas deixa ela saber que você sente uma coisa diferente, uma coisa especial, um algo a mais ou qualquer outro nome que você quiser dar.

O fundamental, porém, é você só se proteger. Conta sabendo que um “infelizmente não sinto o mesmo”, “infelizmente não te vejo assim”, etc, pode vir. Estou insitindo nessa possibilidade porque ela é bem real mesmo. Temos que tomar cuidado para idealizar menos e vivenciar mais. PORÉM, a possibilidade da pessoa passar a te ver diferente também, da pessoa também já sentir algo de antes e se encorajar para te contar, a possibilidade da pessoa perceber que, no fundo, ela também te via de um jeito que não conseguia explicar e só entender depois que você contou, todas essas possibilidades são muito reais também. E como descobrir? Só depois que você contar.

Deixa a pessoa saber que você sente algo diferente.
Se ela não sentir o mesmo, respire e não esquenta, esta certamente não foi a primeira pessoa que você sentiu algo assim e não será a última. Seu coração vai continuar batendo.

Você pode pensar:
“Ah tá, vou falar que gosto da pessoa pra ela falar que não gosta de mim”?

Ou pode pensar:
“Vou contar o que sinto porque é uma coisa boa e coisas boas não podem ser guardadas. Não é sobre o resultado é sobre a iniciativa”.

Faça a sua escolha e faça feliz a si antes de esperar que alguém faça.

por Márcio Rodrigues
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

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