Author: Márcio Rodrigues (page 2 of 56)

Comemorar o quê?

A essa altura, muito provavelmente você já viu milhões de fotos de casais e postou a foto com quem você namora. E isso é tão bonito se você tem motivo para celebrar; se é uma história recheada de respeito, reciprocidade e consideração. Isso é tão bonito que palavras pouco conseguem descrever. Se é o seu caso, que coisa linda e que todos os dias de alegria se repitam na vida de vocês, agora, se não é seu caso, para e pensa um pouco.

Você postou a foto parar comemorar algo que nem sabe mais como chamar.

Você postou uma foto sobre dia dos namorados mas sabe bem que, no fundo, você não quer mais namorar essa pessoa – ou sente que a pessoa não quer mais namorar você. Você postou uma foto sobre dia dos namorados mas sabe bem que, no fundo, esse seu namoro está te fazendo mais mal do que poderia imaginar. Você postou uma foto sobre dia dos namorados mas sabe bem que, no fundo, esse seu relacionamento é abusivo e você nem se reconhece mais, não enxerga suas qualidades, seus amigos te estranham, seus gostos mudaram, você deixou de cuidar de si como tanto gostava; você se perdeu de você.

A gente tende a idealizar histórias que queremos viver e isso nos impede de ver a história que estamos vivendo.

Eu sei que ler tudo isso em pleno dia dos namorados pode parecer desastroso demais, mas eis o grande ponto: do que adianta viver um dia de alegria se todos os outros são tão legais assim? De que adianta aparentar viver uma história bonita se você chora pelos cantos por não entender mais o que fazer para melhorar? De que adianta mandar uma mensagem querida recheada de sentimento bom para ser visualizada e não respondida? Você pensa nisso? Comemorar o quê? Porque inventaram datas pra gente fingir que esse dia deve ser diferente dos outros sendo que todos os dias devem ser diferentes entre si?

Talvez hoje – e sim, justamente hoje – seja uma boa oportunidade para você encarar que a sua história está respirando por aparelhos e que nenhuma mente dorme tranquila sabendo que algo está errado.

Eu não quero te encorajar a tomar atitudes porque apenas você sabe o que é o certo na sua vida e ninguém mais, mas gostaria que refletisse sobre os momentos que tem vivido e o quanto tem te feito bem ou não. Gostaria que ponderasse se o que tem vivido é sobre migalhas ou pratos cheios. Esqueça essa data, esqueça o presente, pense sobre a rotina, pensa em ontem, anteontem e semana passada e o peso dos problemas que só vem com a vida a dois e todas as dificuldades que envolvem manter uma relação.

Poucas coisas são mais especiais nesse mundo do que ter alguém para nos acompanhar e tornar os dias mais leves, mas isso só funciona quando a gente consegue confiar no que está sendo vivido, ao invés de só desejar viver uma coisa especial. Vê a diferença? A gente precisa tomar cuidado para não projetar felicidade em pessoas que não podem nos dar mais.

Eu sei que você entrou na inércia da data, escolheu a foto, o filtro, talvez uma foto mais antiga para ser postada novamente com uma legenda do tipo “só porque amei esse dia” ou “apesar de você não gostar dessa foto”, eu imagino o tamanho do seu esforço para colocar uma estrela nesse dia comemorativo, mas qual o tamanho do esforço que te fazem para colocar estrelas em todos os outros dias? Será que você só não aceita enxergar porque é melhor ter uma história estranha do que história nenhuma?

Será que você não poderia ponderar que talvez nem seja mais sobre a pessoa, mas sim sobre você e as suas mudanças? A gente tem o direito de sonhar, mas a gente deve viver com o pé no chão para não nos machucarmos.

O amor não é alguém, é o que sentimos. O amor é combustível, não improviso. Amor nenhum sustenta relação nenhuma. Amor é nada se não tiver o todo. “Eu te amo” não quer dizer nada se não nos mostram isso.

Coloca a sua vida à frente da sua história para pensar se você tem dedicado mais de si do que pode ter, ou pior, do que tem recebido. Pois amor, fundamentalmente, é reciprocidade. Às vezes ninguém tem culpa, nem você nem a pessoa que está com você, mas o apego é maior do que o sensibilidade de enxergar a vida como ela é.

Este não é um texto necessariamente contra o Dia dos Namorados, é um texto a favor da Vida dos Namorados; são alguns pensamentos sobre a trajetória e não sobre um dia especial. É um texto que inclui contas para pagar, problemas na família e salários baixos, mas é um texto com uma intenção clara: provocar a reflexão de que se há algo para melhorar, que façamos a nossa parte para tal – às vezes não é ainda um ponto final, agora, se não há, que façamos a nossa parte para nos libertar e deixar de sonhar em viver dias bons e começar a viver os dias como são.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

Não faça alguém de idiota

Você não tem a menor obrigação de ter reciprocidade com o sentimento de alguém, mas você tem a obrigação de dizer isso. É que se calar e ignorar quem conversa com você só te mostra como se mostra uma pessoa lixo. Desculpe o tom mas essa é que é a verdade.

De novo, caso não tenha entendido: você não precisa responder o que não quer, mas você tem a obrigação sim de responder alguma coisa. Acontece que a vida não gira em torno de você e das suas vontades. E, como ninguém tem o poder de adivinhar o que passa na cabeça da outra pessoa, em outras palavras, caso seja o seu caso, não venha com aqueles papos do tipo “a vida tá corrida” porque isso é mentira. E mentir é horrível. Ninguém precisa disso. A vida sempre vai estar corrida e, ao mesmo tempo, sempre encontraremos um meio de parar e falar com quem fala com a gente. Essa desculpa é horrorosa. Outras justificativas como “to passando por algumas coisas” podem até ser verdade, mas como alguém que conversa com você pode adivinhar isso se você não falar nada? Aqui temos um ponto sobre enxergar esforços que te fazem sem que você possa receber, mas deve falar sobre isso.

É que talvez que você esteja querendo que o mundo te entenda mas você não entende a pessoa ao lado. Infelizmente ainda não é possível ser invisível e simplesmente escolher não falar com ninguém por dias. É preciso trabalhar, é preciso conviver, é preciso conversar até com quem você eventualmente odeia em casos extremos. Então, se há alguém querendo falar com você ou que já falou alguma coisa boa para você, demonstrou alguma preocupação, algum cuidado e o que seja, por favor, não faça essa pessoa de idiota. Ela não merece e não tem nada a ver com os seus problemas ou com um eventual e oficial péssimo jeito seu de ser.

É muito ruim quando a gente se preocupa com alguém que caga na nossa cabeça. Em um mundo onde são raras as pessoas que tentam legitimamente fazer o bem, fica ainda mais difícil quando parece que atitudes boas fazem algum mal para alguém; fica complicado quando você prioriza o mundo menos alguém que gostaria de falar algumas coisas boas. Você nem sabe o que a pessoa quer falar, mas você escolhe ignorar. Você não tem coragem de falar NADA, você prefere visualizar. A pessoa vira uma direct visualizada no Instagram. A pessoa vira uma DM ignorada no Twitter. A pessoa vira uma inbox preterida no Facebook. A pessoa vira um visualizei mas não respondi no Whatspap. A pessoa, mesmo cheia de vontade boa de falar algo melhor ainda, vira um nada dentro da sua vida – isso porque você nem sabe o que ela queria ser de verdade para você. Vê o quanto isso é péssimo? E essas são atitudes que dizem mais sobre você do que sobre alguém que tenta te fazer o bem.

Não faça alguém de idiota. Não seja quem você odeia. Não seja essa pessoa. Presta atenção para evitar de fazer com alguém todas aquelas coisas que te fazem nas quais você quer explodir de raiva ou chorar de tristeza. Pensa bem, não é difícil, não é preciso muito. Não é unicamente sobre você fazer algo, é sobre você DEIXAR de fazer algumas coisas.

De novo para não esquecer: você não tem a obrigação de sentir nada por alguém, mas tem dever de tratar este alguém de um jeito que você gosta que te tratem.

Não faça alguém de idiota. Não deixe alguém esperando sua resposta. Não faça da cabeça de alguém um ninho de pensamentos horríveis, gatilhos de ansiedades e outras coisas que a sua ignorada pela “vida estar corrida”, entre outras coisas, causou.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

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Quando você chegar

A gente vai combinar como vai ser o nosso fim de semana e confirmar se tem algo com amigos que esquecemos de marcar. Durante a semana, porém, poderemos nos encontrar para ir ao cinema na terça e talvez jantar algo na quinta-feira. Vai depender dos nossos horários.

Quando você chegar a gente vai organizar uma viagem, viu?
Eu ainda nem sei para onde mas a gente tem o mundo inteiro para escolher.
Mas pode ser até mesmo ali na cidade vizinha que a gente mal da atenção.

Eu vou precisar te ouvir falar algumas coisas quando você chegar.
É que vai ser importante para mim te conhecer sempre melhor. Precisarei saber se você prefere camomila ou erva-doce para o chá, se é açúcar, adoçante ou nada no café; se o pão na padaria é branquinho ou queimadinho. Se o chocolate é com mais ou menos cacau. Não é sobre só te conhecer melhor para entender a forma como vê o mundo, mas também as coisas que faz para melhorar o seu dia; coisas nas quais eu posso fazer alguma coisa para ajudar.

Quando você chegar a gente vai combinar coisas do tipo “O tempo vai ficar feio no fim de semana. Vamos ficar assistindo séries?” E eu vou desligar a TV se você dormir no meio. Vou cobrir o pé que escapar no edredom.

Quando você chegar a gente vai poder sentar no sofá da casa que a gente morar e pôr a limpo todos os problemas da vida, os meus, seus e os nossos. Eu acho que vai ser bacana se a gente combinar de conversar muito, conversar sempre para sempre nos mantermos sadios e respeitando um ao outro. Me parece bom.

Quando você chegar eu vou te ligar para contar as notícias primeiro. Vou te falar sobre promoção profissional e promoção daquela marca que você adora. A gente vai conversar bastante pela internet e celular, mas eu vou fazer questão de te ligar algumas vezes para te ouvir falar – mas se você for do tipo que odeia telefone a gente combina outro esquema.

Quando você chegar a gente vai se dar bem. Vê como eu não falei que a gente vai ser feliz todos os dias? É uma promessa muito grande, né? É que se eu nem sei em que dia da minha vida você vai chegar, imagina então imaginar o que vai ser a felicidade pra gente? O que dá para garantir é que, se depender de mim, a gente vai focar sempre em conversar para resolver quando precisar, em cultivar o que sentimos de bom pelo outro e por nós dois e em nos mantermos gostando cada vez mais um do outro um pouquinho mais por dia.

Já é um começo, né?
Chega que eu te conto mais.

por Márcio Rodrigues
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Às vezes a pessoa só não quer a gente mesmo


A gente tem uma clara obsessão em ter respostas das coisas. É uma necessidade para que possamos medir o quanto podemos ser nós mesmos e para quem. Então a gente busca respostas desde o porquê das coisas acontecerem até o porquê delas simplesmente não acontecerem. Lemos textos, fazemos terapias, conversas intermináveis com amigos, tudo para estudar o assunto e encontrar algum alívio que faça nossa mente acalmar diante das dúvidas da vida. Acho que sempre seremos assim, isso faz parte da gente. Só que eu acho também que para alguns casos simplesmente a resposta é a mais simples, justamente aquela que a gente esquece de considerar de tão simples que é.

Por exemplo, a pessoa que você tem interesse, às vezes, simplesmente não tem o mesmo interesse por você também. Cruel e fatalmente assim. A vida real não dá certo todos os dias. Só que antes de chegar nessa conclusão, muito provavelmente você passa a não dormir direito sem entender, o apetite vai embora e, em alguns casos, você começa a procurar defeitos em si mesmo para justificar o desinteresse da pessoa. É como se para você fosse certeza que a pessoa não é recíproca às suas intenções justamente pelas coisas que você não gosta em si – como se ela tivesse percebido tudo isso. Tipo, se você não está tão contente com seu peso atual, você pensa que certeza que é por isso que a pessoa não te quer. Se você é meio tímido(a) e não consegue emendar assuntos, você pensa que certeza que é por isso que a pessoa não te quer. Se você gosta de filmes que a pessoa não demonstrou gostar muito, você pensa que certeza que é por isso que a pessoa não te quer. Essa avaliação é injusta demais e só faz sofrer. Não é por aí. Esses pontos, entre outros, são coisas suas nas quais, provavelmente, ninguém nunca percebeu da mesma forma que você ou nunca deu a mesma importância como você dá.

O problema é você pensar que o fato de uma pessoa não querer nada com você tenha a ver com defeitos seus – ou coisas que não gosta tanto assim mas que não chegam a ser defeitos. Não é por aí. O que pode acontecer, de fato, é a pessoa simplesmente não estar no mesmo momento que o seu, portanto, faça o que fizer, tenha as atitudes mais incríveis que existir, ela não vai retribuir. E isso faz parte.

Vai ver é assim mesmo, já parou para pensar? Vai ver a pessoa te achou incrível em muitas coisas mas ela não consegue retribuir neste momento. E por quê? Porque ela tem atravessado outra fase da vida, tem experiência recentes diferentes das suas e expectativas que não se completam com as suas. Não é sobre seus defeitos – aqueles que você encana que todo mundo percebe -, não é sobre algo que tenha falado, é sobre ela. É o caso clichê horrível porém real do problema ser exatamente da pessoa, não seu.

É claro que isso pode acarretar uma série de desdobramentos para a vida dela, pois, se ela for do tipo que não da abertura para pessoas legais chegarem na vida, quem vai sofrer será essa pessoa, a curto ou médio prazo. Mas isso é outra história.

O que você precisa colocar na cabeça e começar a considerar é que muitas vezes a pessoa infelizmente não quer. Não há nada que você possa fazer para reverter este quadro a não ser continuar sendo a sua melhor versão. Tem gente que demora para perceber que tem gente bem intencionada.

Uma vez que você passar a considerar que muitas coisas da sua vida são simplesmente difíceis de entender por serem assim mesmo, você vai sofrer menos. Muitas coisas da vida não possuem exatamente uma resposta. Muitas definições da vida são rasas mesmo. Se tudo isso te fizer sentido, você vai começar a viver mais leve.

E, uma vez que você considerar a possibilidade da pessoa simplesmente não te querer por nenhum motivo especial negativo sobre você, você vai passar por isso mais rápido. Agora, se o seu sentimento for algo que ultrapassa seu controle, tudo o que te cabe é mostrar para este alguém o quanto você pode ser alguém que faça não precisar mais de ninguém.

Às vezes a pessoa só não quer a gente mesmo.
Às vezes ela se arrepende.
Às vezes é tarde demais.
Às vezes não.
Quem perceber a verdade primeiro sofre menos.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Não desgrace com o sentimento das pessoas

Ninguém tem o direito de ser uma pessoa desgraçada com outra. E, para evitar isso, é bom começar de jeito simples.

É necessário compreender que quando você vive uma história com alguém, você tem total influência nos sentimentos desse alguém e, de quebra, é diretamente responsável no que esse alguém pode sentir, seja isso algo bom ou ruim. Só de lembrar disso já há meio caminho andado.

Outra coisa importante é que você não deve fazer com alguém aquele tipo de coisa que você odiaria que fizessem com você. Olha que liçãozinha mais de quinta série, né? Mas é verdade e parece que repetir mil vezes ainda será pouco.

Não desgrace com o sentimento das pessoas, basicamente porque você não tem o direito disso. Você não tem o direito de pensar que “ninguém vai sentir nada” com o que falar ou fizer com alguém. Você não tem o direito de pensar que “dar um perdido” não pode TRUCIDAR o coração de alguém que não gostaria de ser assim jogado de lado – quem gostaria? Você não tem o direito de pensar que suas atitudes NÃO interferem diretamente na saúde de alguém pois é claro que interferem SIM, afinal, é você quem faz, mas é a outra pessoa que sofre, é a outra pessoa que tem a autoestima jogada no lixo, é a outra pessoa que traumatiza e não consegue mais conhecer outras pessoas, é a outra pessoa que passa a sentir medo até de sentir coisas boas por alguém.

Não desgrace com o sentimento das pessoas.
Não seja alguém para ser esquecido.
Não precisa mentir, porra! Não precisa fingir. Só precisa falar a verdade.
Todo mundo sabe que a vida não é feita só de dias bons.
Por isso, não precisa fingir que está tudo bem se não está.
CONTA QUANDO TUDO ESTÁ UMA BOSTA.
CONTA QUANDO VOCÊ NÃO QUER MAIS.
Não precisa “ter medo de machucar”.
Verdades machucam, mentiras matam. Machucados curam.
De verdade, por favor, não desgrace com os sentimentos das pessoas.

E faça isso pelo seu próprio bem, pois amanhã é você que estará sofrendo pelas mesmas coisas que fez alguém sofrer, afinal, ninguém está imune aos momentos da vida, sejam bons ou ruins. Ninguém está imune! Você sair por cima por uma história não te assegura todas as outras. É fazendo para os outros aquilo que você mais odeia que fizessem com você que os seus dias de dor e sofrimento passam a ser contados para chegar.

Ninguém é brinquedo. Ninguém fica numa prateleira. Ninguém é decoração.

Você não é obrigado a fazer ou sentir nada, você só precisa ter caráter e responsabilidade com a influência que tem na vida de alguém. TODA E QUALQUER HISTÓRIA É UMA TROCA DE INFLUÊNCIAS NA VIDA UM DO OUTRO. Não precisa ter faculdade para aprender o que é respeito e cuidado. Não seja responsável por arruinar com sonhos e esperanças de dias felizes de outra pessoa. Se não for você quem fará feliz, será outra pessoa no seu lugar, mas você não tem o direito de abrir feridas para outros fecharem.

Não desgrace com o sentimento das pessoas.
Não desgrace com o sentimento das pessoas.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Tenta facilitar

Eu lembro do que já falou.
De como é foda recomeçar depois das coisas que passou. Falou e não foi só uma vez. Lembro bem e não há como discordar porque só sabem do tamanho da dor aqueles que já a sentiram.

Eu não sei se vai ajudar, mas eu preciso te dizer que se trancar não vai resolver. Por um lado sim, veja bem, por um lado tem uma questão de se proteger das ameaças que percorrem a nossa vida em forma de pessoas mal-intencionadas, exclusivamente focadas em desgraçar a nossa cabeça. Eu entendo e concordo. O injusto, porém, é submeter a felicidade da própria vida nessas pessoas. É como se abrisse mão da chance de viver coisas boas pelos traumas das coisas ruins.

Onde eu quero chegar: tenta facilitar.
Se não quiser arriscar, se seu momento não é o de meter a cara a fazer alguma coisa para que algo aconteça, se prefere se proteger, se calar e se manter distante do terreno de desconhecido, tudo bem, se quiser ser assim, tudo bem, mas pelo menos não elimine as possibilidades no momento em que elas parecem acontecer; não sabote os esforços de quem parece ser alguém com vontade de fazer bem. E dá para listar alguns motivos para isso. Primeiro porque nunca vai dar para saber que uma pessoa é boa ou ruim até que, de fato, você a deixe mostrar alguma coisa. Segundo que, ao deixar alguém te mostrar quem é, você vai permanecer protegidx e não será necessário expor ferida alguma. Só que você deve colaborar.

Tenta facilitar. Tenta ver até onde esse papo vai dar. Tenta ver o que vai ser se você aceitar sair. Tenta ouvir o que o outro pensa. Tenta aprender com o pouco que o outro falar – a gente nunca sabe de tudo. Tenta deixar alguém te mostrar que pode ser alguém bacana, talvez não para a vida inteira, mas sim, para o agora, que é o momento que a gente mais precisa focar na vida. Tenta dar chance para o acaso. Tenta ver que talvez ter certeza não seja algo tão legal.

Eu vou entender se não conseguir, mas te faria bem tentar, não por ninguém, mas por si.

Tentando facilitar, tentando deixar com que se esforcem, tentando deixar com que tentem tratar suas feridas, tentando ver se alguém realmente vai se mostrar alguém interessante para você. Tentando; que é o que a gente faz a cada dia no trabalho, na família e com amigos. Tentando ser alguém melhor, tentando ser melhor profissional, tentando ser melhor entre entes queridos, tentando ser umx amigx melhor.

Nenhuma experiência ruim pode comprometer todas as possibilidades boas.

Não dá para saber no que vai dar, mas a gente nunca erra ao escolher tentar.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Como puxar assunto com alguém?

“Oi, tudo bem? :)”
“Tudo e você?”
“Tudo :)”
E agora?
O que dizer? Como fazer para que a pessoa tenha vontade de conversar com a gente? Como fazer manter a pessoa interessada em falar mais dela pra gente? E como falarmos de nós? Que dilema.

No fundo, a gente sabe bem que 98% das pessoas do planeta começam uma conversa com “tudo bem?” e, só por sabermos disso, a gente já poderia começar evitando aumentar esse número. É que entre tantas pessoas, a gente não vai conseguir chamar a atenção se fizermos o que praticamente o mundo inteiro faz. E, no exemplo deste cumprimento, vê se concorda, é uma pergunta que resulta numa resposta não tão sincera assim, sabe? Explico: O “Oi, tudo bem?” quase sempre é respondido com “Tudo e você?” e, neste momento, é como se a pessoa que respondeu quisesse logo pular essa parte e aí ela só define “tudo”, como se de fato estivesse tudo bem. Pensa aqui, se esse fosse realmente um modo interessante de começar uma conversa, provavelmente a resposta da pessoa seria mais sincera, algo como: “Olha, bem, bem, não está. Os boletos não param de chegar, o salário não aumenta e ainda me apareceu uma espinha no meio da cara, então não sei dizer mesmo se está TUDO BEM como você perguntou”. Imagina a nossa cara ao ler uma resposta dessa? Não dá nem para imaginar o que responder, mas então por que a gente insiste em começar assim? É óbvio que esta é uma pergunta necessária com o efeito de introduzir o diálogo, mas, talvez ela seja uma pergunta não para começar uma conversa, sabe? Talvez ela funcione no meio, a fim de resgatar o bom tom da conversa, quase que como soasse “Ah, até esqueci, tudo bem com você?”. É importante perguntar sim, até porque há pessoas que podem reagir de maneiras tipo: “Que louco/a, nem perguntou se está tudo bem e já foi falando”. Por isso, esta pergunta deve ser feita, o ponto é em qual momento de uma conversa. Uma vez recebi um e-mail que a pessoa falou assim: “Oi, quero saber como está a sua vida! :)” – e só dela falar diferente eu já dei uma atenção a mais do que se fosse: “Oi, tudo bem?”

Talvez a gente pudesse pensar em provocar alguma reação na pessoa, fazê-la sentir-se intrigada com o jeito que a chamamos para conversar. Talvez a gente pudesse começar sem nem perguntar se está tudo bem, mas encontrar algum assunto que possa interessar à pessoa com quem vamos conversar, afinal, em geral e sobre sentimentos, quando você tem dúvida sobre como puxar um assunto com alguém, já há um interesse especial naquele alguém. Tendo isso em vista, teoricamente você já deveria conhecer um pouco desse alguém que te interessa; as músicas que a pessoa posta, as fotos, os lugares que frequenta, as séries que comenta e mais outras coisas. A gente não percebe, mas os conteúdos que postamos em nossos perfis nas redes sociais são pedaços do que somos, gostamos ou queremos ser; pode ser algo também que almejamos viver, isto é, por este pensamento já é possível compreender que talvez a abordagem resumida no “Ei, tudo bem?” não seja a melhor forma de começar a falar com alguém.

Nos tornamos pessoas preguiçosas. Pouca gente tem vontade de surpreender alguém, ainda mais em uma simples conversa pela internet – que é por onde, atualmente, a maior parte das pessoas conversam. A gente segue padrões. A gente nem pensa que talvez estejamos agindo da mesma forma que todas as pessoas agiram antes de nós e, só por isso, seremos só mais um clamando por atenção. A gente nem pensa e o problema é esse mesmo: nem pensar.

Eu acho que é hora de sermos mais cuidadosos uns com os outros em tudo na vida e, no exemplo da conversa, sobre como puxar o assunto, é necessário termos ainda mais cuidado sobre como queremos ter essa atenção de alguém, uma vez que é preciso poucos segundos até que sejamos esquecidos e nos tornemos só mais uma janela de conversa fechada seguida de um comentário no dia seguinte do tipo “Demoro para responder, mas respondo” – mentira, né? A gente sabe que se a conversa for boa, a pessoa vai dar um jeito de conversar, ou se não puder, vai nos avisar. Sermos cuidadosos nesse caso tem a ver com tentar ser o menos óbvio possível, tentar mostrar um olhar diferente, tentar fazer a pessoa nos perceber – até porque se hoje somos quem tem dúvidas sobre como puxar assunto, amanhã será alguém com a mesma dúvida com relação a gente.

Ninguém vai errar se escolher arriscar. O “tudo bem?” não é arriscar, é um jogo seguro, um procedimento social natural. É algo que nosso cérebro já espera, e a resposta “tudo e você?” já nasce meio que sem perceber que foi digitada.

É claro que este texto é mais sobre puxar o assunto pela internet, agora, na vida real, os processos são mais arquitetados, uma vez que é necessário avaliar a receptividade da pessoa para todo e qualquer assunto para que então a gente possa ganhar atenção. No entanto, a premissa de tentar não ser igual a todo mundo é a mesma.

Portanto, não há exatamente uma forma, receita, tutorial ou coisa que o valha sobre como puxar assunto com alguém, mas sempre vai ser um acerto escolher agir de uma maneira que essa pessoa não espera, ainda que seja sobre assuntos que todo mundo fala, isto é, não há problema em aproveitar a música que a pessoa postou para chamar no chat e falar sobre, só que ao invés de “Oi, tudo bem?”, “Tudo e você?”, “Que bom! Tudo também. Então, essa música que você postou é muito legal!”; poderia ser algo como: “Olha, só vim aqui dizer que não consigo parar de repetir a música que você postou”. Isso é dizer a mesma coisa só que de outra forma. É a mesma intenção de um jeito que provoca uma interação não convencional da pessoa, pois, no primeiro exemplo, ela talvez responderia: “Ahh, legal né? Adoro!”, já no segundo, ela tem chances de responder “Hahahaha sei como é, vicia mesmo! Não paro de ouvir há dias” – e aí a conversa continua. Isso faz sentido para você que está lendo isso? Não é um guia, não é uma certeza, mas acreditemos em uma coisa: só de evitarmos ser como a maior parte das pessoas são, já estaremos sendo de um jeito que todos esperam que sejamos: menos óbvios e mais interessantes.

Se a gente tentar não ser clichê, aumentam as chances de sermos especiais.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

Eu sou para casar

Eu e você.
A gente vivendo junto por um tempo até escolhermos deixar as coisas, digamos, mais oficiais. E aí a gente casa, tá?
Avisamos os familiares e amigos mais próximos. Reunimos quem amamos para testemunhar o que sentimos e então, lá somos nós oficialmente dois vivendo um para o outro. Com algum esforço, a gente encontra uma casa para morar e vamos montando como gostamos. Entre móveis, quadros e potes para guardar temperos, vamos deixando o nosso cantinho cada vez mais nosso. Os começos, meios e fins de semana ganham sentidos diferentes e, mais do que nunca, nos vemos apaixonados pela companhia um do outro e pelas noites de pipoca se perdendo no edredom enquanto assistimos séries.

Eu e você.
Meu dia. Acordo mais cedo, procuro os chinelos, visto uma roupa qualquer e vou até a padaria comprar nosso café da manhã. Quando volto, às vezes você está dormindo ainda e às vezes já levantada com o rosto cheio da marcas dos travesseiros montando a mesa. Um beijo na sua testa de bom dia e sentamos. Talheres coloridos. Você é detalhista. Acessamos as redes sociais. “Te marquei num vídeo, vê depois”.

Eu e você.
Dias difíceis. O trabalho anda complicado e o mundo parece pesar demais. A gente briga. Nos desentendemos e ficamos um tempinho em silêncio – é bom respeitar o espaço. Mas logo voltamos a conversar, nosso foco é sempre em consertar e ficamos bem. Dormir brigado não é uma opção. Você chora ao falar dos seus problemas – eu choro te ouvindo falar e contando os meus. Parece que não vamos aguentar, mas a gente se ajuda. Como se encontrássemos forças onde os olhos não alcançam, nos abraçamos e repetimos que tudo vai dar certo – da mesma maneira que prometemos um ao outro desde o nosso primeiro sim.

Eu e você.
Meses de trabalho e cansaço até encontrarmos espaço para planejarmos as férias, apesar de todo fim de semana ser um descanso particular. A gente curte se curtir. Vamos entendendo o jeito um e do outro. Um mais planejado, outro nem tanto. Acho que essa é a graça, né? A vantagem da diferença é que elas se tornam igualdade quando combinadas.

Eu e você.
Uma loja de bugigangas. A gente ama decorar nossas casa. “Olha essa almofada!”, “Vi um quadro novo em uma loja na rua de trás”, “Vou te mandar o link da oferta daquela poltrona que falamos!”. A gente parcela em mil vezes, não tem problema quando temos um ao outro.

Eu e você.
Sempre que dá, a gente reúne os amigos. A gente gosta de dar risada alta. A gente gosta de lembrar de dias legais. A gente prioriza viver dias legais. A gente gosta de estar perto de quem gosta da gente. A gente concorda que compartilhar alegria é redobrar.

Eu e você.
Conchinha quente no frio do inverno. Meia por cima da calça de moletom. Camiseta velha GG para confortar. Sexta-feira a noite para desligar o despertador. Uma respiração no pescoço. Clarão no celular com notificação da bateria descarregando. Puxa a mão no abraço e coloca em volta do corpo. O braço fica dormente mas tudo bem. Dias de agasalho. Uma caneca gordinha com bebida quente daquelas de embaçar o óculos. Manga da blusa cobrindo as mãos.

Eu e você.
Ventilador no 3 no verão. Calor é foda. Pernas desenroscadas e mal da para encostar um no outro. “Aff, tô morrendo de calor”. Pernilongos. “Ligou o aparelho?”. Dias de Sol. Açaí de 500ml. Andar de bicicleta no parque e assistir TV sentados no chão gelado. “Tá sujo aqui, precisamos limpar depois”, “Precisa comprar VEJA”.

Eu e você.
“Deu positivo”, “Sério mesmo?”, “Espera, senta com cuidado aqui!”, “E se for menino? Ou menina?” Nossos pais sabendo e chorando que serão avós. A gente andando na rua e só encontrando casais grávidos. Na TV, só anúncio de coisa para nenê. “Olha seu e-mail, te mandei vários blogs com dicas legais sobre primeiro filho”. Nasceu. A cabeça vira a chave. Agora somos três – pelo menos por enquanto. A gente pensou que já sentia muito amor e aí descobrimos que tinha mais, sempre tem mais, que sempre dá para sentir mais coisas boas.

Eu e você.
Nossos filhos se casaram – isso, nossos, vieram outros. E voltamos a ser nós dois. Grecin 5 no cabelo. “Vamos conhecer a Itália, benhê?”. Feira no bairro e macarronada no domingo. Programas de receitas na TV. “Como assim seremos avós?”. A vida fica ainda mais divertida. E nós continuamos nós, trocando conchinhas no inverno e picolés no verão.

A vida vai ficando mais colorida um pouquinho por dia quando a gente casa. Não é fácil, mas dá tudo certo. Talvez não tenha exatamente uma receita, mas há um modo de fazer com quem seja mais leve e gostoso: sendo um para o outro aquilo que sempre quisemos que fossem para a gente. Se só essa regrinha for seguida, metade da felicidade está garantida – a outra metade depende de pagar os boletos.

Eu e você ainda nem existimos. Não te conheço e você não faz ideia de quem eu sou. Você ainda não apareceu e não sei quando virá. O que eu sei é que sou para casar e quero ficar com você do dia em diante depois daquele que eu te conhecer, tá?

Tá.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

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Tenta se proteger

Não deixe nunca de ser você.
Não deixe nunca de falar o que pensa e contar o que sente.
Mas tenta se proteger. De alguma maneira, tenta se proteger.
Vamos falar mais.

Você é daquele tipo de pessoa que mergulha nas histórias de olhos fechados, né? E isso é tão incrível, sabia? Mas olha só, ao considerar a possibilidade real das coisas não darem certo, você estará se protegendo.

Só tenta se proteger.
Tenta se proteger a cada vez que se interessar por alguém e a cada vez que viver algo com alguém. É claro que isso não é algo exatamente controlável, não dá para virar a cabeça para o coração e falar: “Ei amigo, toma cuidado, hein?” mas dá para você tentar dar passos com mais tranquilidade e certeza.

Falando assim pode parecer algo contrário da teoria de se entregar e arriscar para ver no que vai dar, mas não é sobre isso. É sobre se entregar com um pé depois do outro, nem se trata de um pé atrás. É só colocar um pé de cada vez, sentir onde está pisando, perceber e se preservar. Ir se questionando se o que está vivendo é real ou só parece real; se a pessoa gosta ou só parece gostar, por exemplo.

Isso em nada também tem a ver com joguinhos, com deixar de viver as coisas. Também não quero entrar naquela papo de desconfiar “quando a esmola é demais”, não tem nada disso. Talvez a definição em uma linha seja: viva, mas viva sempre sabendo que nem sempre pode dar tudo certo. Quando a gente deixa essa interrogação na cabeça, a gente acaba se protegendo um pouco e, em caso de dor, a gente tende a saber lidar um pouco melhor. O problema mais sério de não se proteger é a dedicação e certeza cega de que tudo vai dar 100% certo em tudo o que fizer na vida, principalmente quando houver outra pessoa – mas nem sempre dará, porque isso é viver. E essas frustrações dilaceram o peito, pois é aquilo mesmo: quanto mais alto a gente sonha, maior pode ser o tombo.

Não deixe de ser você.
Não deixe de revelar que gosta.
Não deixe de confessar saudade.
Não deixe de chamar para sair.
Não deixe de aceitar convites para sair.
Não deixe de viver momentos legais com pessoas legais.
Não deixe, nunca, de primeiro tentar para depois ver no que vai dar.
Só não deixe de se proteger, por mais balde de água fria que isso possa parecer.

É muito fácil viver quando tudo vai bem, o negócio começa a ficar difícil quando alguma coisa vai meio mal e, nesse momento, é bom saber se proteger para evitar que a dor se transforme em machucado.

Tá tudo bem, viu?
Continua sendo você, só não se esqueça de cuidar de você.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Estarei lá com você

Um dia você vai voltar para casa triste.
O trabalho vai pesar e você vai se sentir sufocada, frustrada com o salário, querendo desaparecer. Isso pode acontecer e eu estarei lá com você.

Você vai acordar irritada com a vida e o cabelo mau humorado só vai piorar. No mesmo dia vai aparecer uma espinha chata no seu rosto e você vai se atrasar para chegar no trabalho. Isso pode acontecer e eu estarei lá com você.

Quando o frio apertar e você descobrir os pés no meio da madrugada, eu estarei lá para te cobrir e emprestar um pedaço maior da minha parte do edredom. E até vou apertar a conchinha para te proteger.

Quando fizer sol e você ficar brava com o corpo transpirando dentro de casa de tão quente, eu vou comprar um açaí ou um sorvete – o que você preferir – para te refrescar.

Vai ter uma noite que você não vai dormir bem. Eventualmente preocupada ou só por um noite de insônia mesmo. Isso pode acontecer e eu estarei lá para te preparar um chá e te embalar dormir.

Um dia você vai receber uma notícia triste e o seu chão vai ruir. Isso pode acontecer e eu estarei lá com você para segurar sua mão.

Vai ter um fim de semana em que será necessário acordar bem cedo. Você não vai gostar porque não vai conseguir dormir a tarde como gostaria. Mas na volta para casa eu vou te fazer uma massagem para descansar e dormir mais rápido enquanto fico acordado assistindo seriado.

Deixa que eu rego as plantas. Deixa que eu limpo o cocô do cachorro. Deixa que eu peço e pego a pizza. Vou te comprar um docinho além dos pães da manhã de domingo. Tem dias que tudo vai parecer um saco, qualquer uma das menores atividades, mas eu estarei lá.

Eu não quero que pareça que estarei te cercando, te controlando, seguindo seus passos ou qualquer outra coisa que pareça perseguição; eu quero que entenda que eu estarei lá com você em cada um dos momentos em que você precisar de alguém, de uma palavra, de um ouvido ou de uma companhia, afinal, pode acontecer de você querer uma opinião, querer desabafar com alguém e pode acontecer de você só não querer ficar sozinha, em todos esses momentos eu estarei lá para falar, te ouvir e te acompanhar – e pode acontecer de você não querer ver ninguém, não saber de ninguém, não falar com ninguém, mas eu estarei lá: com você, mas em outro cômodo da casa.

Acontece que a vida nem sempre acontece como a gente quer. E, por isso, é necessário aceitar a vinda dos dias ruins. Nem todos serão legais. Nem todo dia que o sol nasce a gente se anima. Nem toda chuva refresca. Nem todo frio é gostoso. Qualquer uma dessas e de outras tantas coisas podem nos colocar para baixo. Mas tudo muda quando a gente olha para o lado e vê alguém para nos colocar para cima – e eu estarei lá com você.

Um dia você vai voltar para casa triste.
E eu estarei te esperando com brigadeiro na panela para comer enquanto assistimos futilidades na TV.

Juntos a gente faz os dias ruins passarem mais rápido.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

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