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Quando algumas amizades não ajudam

Eu não quero que me diga que estou certo, mas eu não preciso de mais alguém para me destruir. Você percebe como faz isso?

Você percebe a forma que reage quando te conto as coisas?
Você percebe que adota uma postura professoral e até agressiva para dizer como eu estou errado? Você percebe?

Você diz que eu estou distante, mas não passa pela sua cabeça que talvez você esteja me afastando.

A forma que você conta a sua opinião.
Para para pensar um pouco nisso – eu já te alertei algumas vezes.
Eu realmente não preciso de mais um sermão no seu tom; não preciso que mais alguém, como você, me lembre o quanto eu não faço as coisas direito.

É uma uma merda ouvir repetidamente que a gente não faz as coisas direito – a primeira pessoa a sentir isso sou eu.

Antes de qualquer coisa, eu gostaria de alguém para me ouvir.
Eu quero saber sua opinião, mas você parece querer mais dizer o que é o certo do que me ouvir falar sobre o que sinto.

Daquela vez eu disse que estava com saudade daquela pessoa e lembra o que você disse?

“Nossa, mas assim fica difícil, você não se ajuda”

E eu sei que disse na melhor das intenções, mas talvez eu prefira a mais sensível delas, sabe?

É claro que tento me ajudar, mas talvez meu coração não esteja colaborando para isso. Você chegou a pensar por esse lado? Porque não é o que parece.

Eu não peço para que me diga o que eu quero ouvir, afinal, a vantagem de uma amizade é ouvir as coisas que a gente precisa, mas eu só não sei se preciso ouvir as coisas que tem dito e, principalmente, da forma como tem dito.

Teve também a vez do “Nossa, esquece isso, ainda nessas?”

Falando assim, parece que me obrigo a pensar de novo nas velhas coisas e pessoas. Não ocorre na sua cabeça que talvez o meu tempo seja diferente do seu, das outras pessoas, do mundo? E, para deixar claro, isso não me faz melhor que ninguém, porque eu juro, eu gostaria muito de apertar um botão e esquecer das mensagens que já recebi, de certas bocas que já beijei e de algumas conchinhas que já dividi. Só que eu não consigo. Não agora.

Tenho ficado com receio de te contar minhas coisas porque não sei como você vai reagir a elas e talvez eu fique pior pensando quando for embora.

As coisas não andam fáceis para mim. Você sabe. Na verdade as coisas andam uma merda. Eu não me sinto acertando. Há meses. Me vejo entregue a umas situações que eu não gostaria. Tenho tentado me libertar. Você sabe. Mas eu gostaria de ter você ao meu lado para me ajudar a encontrar a luz no fim do túnel, não para fazê-lo desabar.

Sabe?

Vamos conversar?
Te pergunto sempre como vão as coisas e você sempre me diz que está tudo normal. Será que tem alguma coisa que não consegue me contar?
Vamos conversar?

Eu quero a gente de volta como a gente já foi.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois



Converse com seus amigos

Pergunte aos seus amigos como anda a vida deles. 
Seja paciente ao ouvir e deixe com que te contem nas próprias palavras. 
Vocês se fazem bem. 
 
#setembroamarelo 
por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Quando a gente perde o interesse

Vai ser injusto se eu ouvir que não tentei.
Lembra das vezes que te escrevi?
“E se a gente fizer algo sábado?”
Você respondia que: “vamos ver”

E a gente nunca viu. A gente nunca se viu.
No fundo, os sinais indicam que você nunca quis, mas também não sei porque não me contou isso.
Ou é sério mesmo que você é mais uma dessas pessoas que demonstram porque não tem coragem para falar?

Corri tanto atrás.
Puxava conversa de maneiras diferentes.
Comentava nas suas fotos. Interagia nos seus stories.
E eu só continuava porque você parecia gostar.
Isso, parecia, nessas horas a gente nunca sabe a verdade, a gente só investe. Falando assim alguém pode dizer: “Mas, às vezes, a pessoa só não tinha o mesmo interesse”. E eu entendo, mas não concordo. Quando dá, afinal, pra gente ter certeza se a pessoa tem interesse ou não? Não é meio óbvio que se ela engaja com as minhas interações é, no mínimo, algum sinal de que, pelo menos, ela gosta de falar comigo? Eu não estou dizendo que estava na cara que a pessoa queria algo, estou dizendo que tudo indicava e que até chegamos tentar marcar de sair. Uma. Duas. Três. Cinco vezes. Mas eu só recebia desculpas: “tá corrido”, “tive um imprevisto”, “vamos semana que vem?”, “vou sair tarde” e outras coisas mais que poderiam ter sido abreviadas, sei lá, na minha segunda tentativa. É foda, sabe?

Sabe o que é o pior? Eu já vivi isso outras vezes. Amigos e amigas já viveram isso outras vezes. Nós estamos fazendo isso uns com os outros. E, depois de tantas vezes, a gente cansa e o nosso limite encurta. 

Hoje eu não quero mais.
Você pode argumentar, mas eu não tenho mais energia para demonstrar meu interesse.
Me desconectei de você. Perdi a vontade de te chamar para fazer alguma coisa. 
Vai ver, no fundo, você realmente estava numa fase instável e até queria me ver mas não conseguia, mas eu não consigo conviver com o “pode ser das coisas” enquanto você não diz nada, então, eu escolhi me recolher e parar de procurar você.

E aí deu desço a timeline vendo outras pessoas postando coisas do tipo: “Falta atitude nas pessoas” e eu viro os olhos para cima, dou uma suspirada e sigo para o próximo post.

Estatisticamente, de um modo geral, ode até faltar atitude, mas quando ela existe a gente não aproveita também – nem que seja aproveitar para esclarecer. A gente não sabe lidar. A gente some, quando não é pior, a gente desdenha.

Eu cansei. Perdi a vontade de verdade. Você não é uma pessoa menos interessante, mas o meu interesse não consegue mais ser o mesmo de antes. É que aprendi, com outras histórias tipo essa antes de você, que eu não devo priorizar alguém em detrimento a mim.  

Sempre há uma vida antes de alguém aparecer.
//
por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Fingir que está tudo bem

Acordar amanhã.
Pegar a marmita preparada na noite passada e colocar na mochila.
Colocar os fones.
Ouvir alguns refrões no longo caminho.
Algumas horas até chegar no trabalho.
Chegando lá chega também a síndrome do impostor: “eu nem sou tudo isso.”
Scroll em fotos nas pausas do dia.
Ver o dia acabar.
Voltar para casa.
Trocar o jantar por uma saudade para me alimentar.
E nem sei bem que saudade é essa.
Ou sei e to fazendo tipo. Tem essas.

Dias estranhos.
A rotina faz a gente entrar em mecanismos que a gente discorda.
A risada plastifica. Tipo, eu nem quero rir mas meio que devo. “Ha ha, legal”.
Entrar em assuntos com vontade de sair.
Contratos da vida adulta.

Aí a gente conhece alguém que parece ter vontade de ajudar.
Mas aí a vontade parece acabar.
Alguém assim anima a gente, pega o peso dos dias e diz: “deixa eu dividir com você”.
O problema é que não dá para começar sabendo como vai ter terminar. A gente vai descobrindo a fase desse alguém com o passar dos dias.
E os dias passam e, muitas vezes, passam por cima da gente.
E aquele alguém que estava aqui até ontem, hoje nem lembra meu nome.
“Momentos diferentes”.
Filme repetido. Coisas assim.
Pior que eu entendo. Falei uma dessas já.

Com a falta de ter a quem me apegar, me apego a ideias.
Gosto de pensar que a vida tem ciclos por mais infinitos que pareçam durar.
Nada de novo, né? Mas a gente esquece demais de lembrar do óbvio.
Eu então nem se fala.
Tempos atrás vivi dias tão legais. Ainda que não seja tudo igual, o que aconteceu de bom pode voltar a acontecer.
Mas, e se não?
Puts, e se não?
Se não tudo bem.
Eu invento alguma coisa nova para colocar na marmita.
Vai ser bom experimentar.
Fazer a mudança começar por mim.
Amanhã acordar.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

A primeira impressão não deve ficar

Em geral, a primeira impressão é só uma coincidência quando a pessoa se mostra de um jeito e, com o tempo, confirma que realmente é assim. 
Mas a primeira impressão não deve ficar e dá para pensarmos sobre. 

É bastante injusto você avaliar alguém com uma primeira impressão sobre como esse alguém se mostra. Acontece que essa pessoa pode ter mil e um motivos para ser como foi na primeira vez.

A fase pode ser ruim.
A noite passada foi uma merda.
Um problema pessoal pode estar existindo.
Ou a pessoa pode ser tímida. Ela pode ter receio de que enxerguem mais suas fraquezas do que suas fortalezas.

Por isso, me incomoda muito falar que “a pessoa impressão é a que fica”. Entendo que tem um peso grande, mas acho injusto que este seja o critério para definir como alguém é.

Se a gente leva meses para começar a conhecer alguém em um namoro, imagina cravar que alguém é x ou y por uma primeira impressão?

A primeira impressão pode ser uma merda, mas a segunda pode ser maravilhosa. E esse é o tipo de coisa que você só descobre quando se permite e para de levar a vida como oito ou oitenta. Não tem essa definição quando a gente fala de coração.

Toma cuidado com a sua primeira impressão sobre as pessoas. Priorize não confiar nela. É necessário ter uma recorrência de comportamento para que você perceba como, de fato, a pessoa é. Em uma relação de anos, por exemplo, a gente ainda não conhece alguém inteiramente – ou você nunca ouviu falar em decepção?

Tem gente que parece um nojo na primeira vez. E falo nojo no pior sentido da palavra, não do meme. Tem gente que parece insuportável, parece metida, parece até grossa. Tudo isso a gente fareja com uma primeira impressão por alguém, mas nada disso deve ser decisivo sobre como as pessoas são.

É só imaginar como seria se você com você.
Imagina aquele dia horrível na sua vida. Aquela fase ruim no trabalho, dinheiro faltando, a pele oleosa, roupas velhas e tudo mais que pode comprometer sua autoestima por dentro e por fora. E aí você, num evento qualquer com amigos que trouxeram outros amigos, acaba conhecendo uma pessoa sendo que você não está nos seus melhores dias e, naturalmente, não consegue disfarçar. Mas essa pessoa não sabe, afinal, ela não te conhece. E aí esse alguém comenta depois sem você saber: “Nossa, achei meio mala. Sei lá, a pessoa com cara fechada, total nojo”.

Essa foi a primeira impressão da pessoa por você. E eu tenho certeza que não acha justo.
A gente não precisa perseguir o amor à primeira vista até porque ele é uma exceção romântica, a gente precisa lembrar que a primeira impressão não deve ficar; a gente precisa lembrar que não é sobre escolher uma roupa, é sobre conhecer alguém. E me parece óbvio que isso demanda profundidade e interesse. 

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

imagem: Sergey Sus/Flickr

Essa pessoa está te destruindo

Isso não está bom. 
Você já não é feliz nessa história há muito tempo. 
A soma de fases ruins ultrapassou as boas. 
Dias estranhos. 
 
Como que agora é mais legal quando a pessoa vai embora do que quando ela chega? 

Que sensação estranha quando a notificação é da pessoa no celular.
Muita pergunta aparece na cabeça.  
Você passa a pensar que o problema é você – essa tendência horrível que temos. 
Algumas pessoas trocam o guarda-roupas, deixam de usar aquelas que gosta. Passam a medir as palavras. Com o disfarce em agradar o foco é evitar brigar.
Autoestima que já é mínima fica em migalhas.
E assim você já não é você e nem percebe.  
O foda é isso: não perceber o quanto a gente se perde. 
 
Essa pessoa está te destruindo. 
Aos poucos, mas há muito tempo. 
Pescar na memória um dia bom é quase impossível. 
As suas vontades são abreviadas com um discurso meticulosamente manipulador. 
Não dá mais vontade de opinar em nada porque o sentimento é de medo. 
O tom de voz faz as mãos transpirarem e o choro vem com a noite. 
Raramente existe diálogo. Você se vê coadjuvante da sua vida. 
No entanto, quando te perguntam sobre vocês a resposta decorada é muito mais rápida que a verdadeira: “Tá tudo bem sim! : )” 
Digita : ) querendo escrever : ‘( 
Mas falar que não tá bem para quê?
Nem todo mundo está pronto para ouvir que as coisas não estão bem.
 
Não tá nada bem, mas tudo pode voltar a ficar. 
Vai demandar um esforço e provavelmente um pedido de ajuda de alguém que vai ver de fora.
Alguém com preparo para te ouvir sem apontar o dedo.
Você não precisa saber todas as respostas. Tem gente especialista em analisar histórias como a sua. 
É um processo cuidadoso com um só objetivo: priorizar você.  
Decifrar como os nós foram feitos para saber como desatá-los.  
É também sobre tentar, um pouquinho por dia, olhar para si antes de olhar para qualquer pessoa. 
 
Essa pessoa está te destruindo mas isso não aconteceu ainda.
E muita, mas muita coisa boa foi vivida antes desse alguém aparecer.
É bom lembrar das coisas boas que já vivemos para nunca esquecer de como são possíveis de serem vividas novamente.
Tem gente próxima que diz que é uma questão de querer resolver. 
“No seu lugar, faria isso e aquilo”.  
Muita coisa parece fácil até acontecer com a gente.  
Vão continuar falando. 
Escuta: a notícia boa é que tem saída para isso.  
Toma cuidado em não se culpar. A última coisa que você precisa é atribuir à você a responsabilidade por alguém se transformar. 
 
Isso não está bom. 
Você já não é feliz nessa história há muito tempo.  Você tem clareza disso.
Respire. Procure ajuda. Fique perto de quem confia. 
Tudo vai se resolver e você vai confirmar que, pode até tropeçar, mas é preciso muito mais para te derrubar. 

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

A tendência em pensar que o problema somos nós

A pessoa não se interessou.
A pessoa até se envolveu, mas não a ponto de algo mais sério.
A pessoa ainda se abala pela história anterior.
Pode ser tudo isso antes, mas primeiro a gente vai pensar que o problema somos nós.
A gente sempre vai eleger a nós mesmos como responsáveis pelas coisas não saírem como o planejado. Essa é uma tendência para a vida, mas quando o assunto é coração a coisa piora. 

Fica muito difícil alguma coisa dar certo quando a pessoa que menos torce pra gente somos nós mesmos. 

Seria muita pretensão cravar aqui o que deve ser feito, mas dá pra gente pensar em algumas coisas.
Acho que, para começar, você precisa ser fã de você.
Você precisa se apegar a todas as coisas que gosta em você.
E é óbvio que são muitas. Mais de uma já pode ser chamado de muitas.
As pessoas percebem quando estamos bem com nós mesmos, sabe?
É muito louco verdadeiro. Quando você está bem com você, parece que o mundo gira numa velocidade que dá tempo de apreciar a paisagem – e não aquele giro louco que a gente tropeça na rua de graça.
Eu nem me refiro àquele papo todo de se amar, aqui é mais sobre você explorar as coisas que são legais demais e você. Se amar vem no paralelo.

A estatística é uma alavanca para que sejamos pessimistas com nós mesmos. Explico: fica muito difícil acreditar que o problema não somos nós quando nenhuma vez as coisas parecem engrenar, né? Se das últimas, sei lá, cinco experiências, todas deram “”””errado”””” é claro que a gente vai pensar que somos o grande problema do troço – nem que seja por um azar profissional.

Mas será?
Pode até ser sim. 
Vamos falar a verdade, né? 
Afinal, assim como você sabe as coisas legais que tem em si, você também sabe as coisas insuportáveis – mas se não souber identificar seus defeitos, recomendo um médico.

Agora, será mesmo que o problema vai ser a gente assim em tantas vezes como nosso coração nos faz pensar?
Será que a gente precisa mesmo nos colocar a frente de qualquer outra possibilidade?
Será que antes de você se considerar uma pessoa feia, a pessoa que não te quis só não te quis mesmo? Tipo assim: queria, pareceu querer, não quis mais. Por qualquer motivo do mundo e, por último e olhe lá, por culpa da sua beleza?

A gente não precisa acreditar no que não é falado. 
A gente até cria uns fantasmas aqui e ali, mas a gente precisa domesticá-los porque eles não podem aparecer aleatoriamente desgraçando a cabeça. Normalizar e oficializar impressões sobre as coisas é o caminho mais rápido de destruir a si mesmo. Se ninguém especificou que você é o motivo pelo qual não vai rolar mais ou nem vai começar a rolar, você não precisa fantasiar que você é justamente o motivo.
 

Será que é óbvio assim como parece quando a gente lê ou não?
Eu não sei.
Mas não dá para negar o quanto faz sentido.
A tendência em pensar que o problema está na gente vem do quanto gastamos energia tentando mais entender as pessoas do que valorizando quem somos. A gente tem essa tendência porque somos sedentos por respostas, pelo AmaisB das coisas, pelo preto no branco e assim a gente esquece que, quando o assunto é coração, muitas das perguntas possuem uma mesma resposta:

SEI LÁ POR QUE.
As pessoas são assim. Elas não deixam claro as coisas e a gente fica sem entender.
Então, até que alguém te diga: OI, O PROBLEMA É VOCÊ, DO RG NÚMERO TAL E CPF NÚMERO TAL – o problema não é você – é um monte de outras coisas, muitas vezes ao mesmo tempo.

Muita coisa vai ser motivo antes de ser você.

Não assuma uma culpa que não é sua, principalmente se você dorme sempre sabendo tudo o que oferece de legal para alguém.

Troque a tendência em pensar que o problema é você pela certeza de que, pelo menos, não podem alegar que o problema é você.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
 

O que falta para esse rolo virar compromisso?

De cara a resposta pode ser: você querer.
E o pior é que é verdade.
Mas vamos dar um contexto para entender os fatos porque o coração não fala uma língua só.

Antes de qualquer coisa, um clichê: eu já estive na sua posição em outras histórias.
Já fui quem não queria “nada sério”, quem “estava com outros planos” e quem “recentemente terminou uma história” – para citar alguns exemplos. A minha estadia nesse mundo já me rendeu episódios muito parecidos com os seus.

E até até aí tudo bem.
Isso aqui está longe de ser uma competição sobre quem de nós viveu mais as mesmas coisas.

O negócio é que você me confunde e isso está começando e me incomodar.
Eu entendo a indireta sobre pegar leve e irmos devagar, mas quando não são os dias que passam e sim meses, fica complicado encontrar tanta paciência para administrar.

Pensa comigo: há alguns meses que temos preenchido os dias um do outro com mensagens carinhosas ou companhia em tardes de sábado. A gente passou da fase inicial de “se conhecer melhor”. Pelo menos os nossos momentos me fazem pensar isso. Pelo menos as coisas que você diz sobre mim me fazem pensar isso. A gente já conversou e já viveu tanta coisa que talvez muita gente não converse e viva em anos.

A nossa história demanda um tremendo esforço da minha parte.
Eu fico tentando ler os seus sinais, tentando antever seu comportamento para entender o que passa na sua cabeça e, especialmente, para entender como que a minha cabeça vai lidar com isso.

No começo é até divertido, mas depois começa a ficar chato. E eu me incomodo, principalmente, porque eu já passei da fase da vida de brincar de ter alguém; de namoricos passa-tempo ou de festinhas descompromissadas. Histórias passageiras colorem os dias, mas eu prefiro uma pintura emoldurada para inspirar minha vida. Eu só não sei se você precisa também – ou se eu sou essa pessoa e tudo bem eu não ser. Você não me deixa entender.

A pior parte disso tudo é que já pensei que, pior do que ter você de vez em quando, é não te ter mais.
Pensar assim me diminui e eu não quero.

As coisas andam complicadas para mim.
Toda a minha experiência nessa vida e aparente segurança sobre o que é certo caem por terra quando vejo que a mensagem é sua. Você capricha quando quer me envolver.

Mas eu, honestamente, gostaria de entender o que falta para esse rolo evoluir para um compromisso.
Eu entendo que, como disse lá em cima, pode só faltar você querer. Mas percebe quando a gente analisa o contexto o quanto você já deu sinais de querer? Percebe que estamos nessas há meses? Percebe que TODOS os nossos momentos foram bons? Que você não mede palavras para me elogiar quando estamos juntos? Que eu já demonstrei o quanto ter você me faz bem? Comprei a passagem dessa viagem juntos que você me ofereceu mas você parece ter desistido. E como eu fico?

Talvez eu não chegue em grandes conclusões. Acho, porém, que refletir sobre isso tudo já me faz bem para, pelo menos, entender meu lugar nessa história, o quanto estou me transformando coadjuvante dela e como isso é errado. Mas eu quero entender mais. Quero entender melhor você. Quero entender a sua visão sobre a gente e como projeta nossos próximos dias.

Quero entender nossa história para saber se na próxima vez que a gente se encontrar meu beijo vai ser na sua boca ou no rosto. Vê o tamanho do enrosco?

Me deixa saber: O que falta para esse rolo virar compromisso?
Ou, pelo menos, me deixa saber que papel eu tenho na sua vida para que eu possa decidir se quero ter ou não.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Você parou de me responder do nada

Acho que te assustei e ainda estou tentando entender.
As coisas pareciam bem.
A meu ver, a gente estava se conhecendo numa velocidade interessante.
As conversas eram boas – ou será que só pra mim?
Eu confiava bastante nos seus “hahaha”.
Você parecia gostar dos nossos assuntos.

A gente trocava muitas recomendações de séries.
Você comentava meus stories.
A gente mandava fotos um para o outro durante o dia.
Fotos dos pratos no restaurante PF mesmo.
E chegamos até a nos marcar em memes.
Sei lá, eu estava acreditando que alguma coisa boa estava aquecendo.
Mas aí a gente esfriou.

Você sumiu.
Passou a demorar para me responder.
Eu até te perguntei se o problema foi algo que eu tinha falado e você fez questão de dizer que não era nada disso. Acreditei mas ficou ainda mais confuso.

Não é muito fácil eu me aproximar de alguém e com você eu senti que estava conseguindo – isso em nada tem a ver com jogar uma responsabilidade em você, é só um recorte pessoal.
Coleciono fissuras na autoestima ao longo de muitos anos. O mundo anda complicado.
Nada muito diferente de muita gente por aí, mas tudo muito profundo para me impedir de me envolver com frequência.

Eu fiquei pensando porque você deu essa esfriada nas nossas conversas e os motivos podem ser diversos.
Vai ver você conheceu uma pessoa nova.
Vai ver você está sem tempo mesmo.
Vai ver você voltou para a pessoa anterior.
Vai ver você ficou de saco cheio.
Vai ver um monte de coisa mas só a gente que não se viu.

E fica muito difícil acreditar que não foi algo que fiz.
Tenho tendência derrotista e eu sei que isso não me faz bem. É que a estatística não colabora. Já faz um tempo que ouço as pessoas reclamarem de pessoas renunciando conversas.
Muito louco pensar em como pode ser rápida a passagem de alguém na nossa vida, né?
É.
Vai ver você mostrou fotos minhas para os seus amigos que não me acharam “nada demais” – já descobri que aconteceu comigo antes.

Eu gostava de quando a gente conversava.
Você parecia gostar de ter alguém se importando com o seu dia.
E minutos antes do meu acabar, só havia a do meu celular com a nossa conversa aberta.
A gente era a última e a primeira coisa que eu fazia.

Talvez seja cedo para afirmar o que pode ter acontecido e você, quando reaparece, não justifica com nada específico.

Nessa incerteza do que a gente se transformou, eu sinto saudade do que a gente parecia ser.
Mas você parou de me responder do nada.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Comprometidos em fazer dar certo 

Então ok.
Houve um acordo e decidiram que daria para ver no que vai dar.
Agora é oficial.
A conversa vai ficar lá no topo do Whatsapp.
Os planos sozinhos vão ser naturalizados juntos. Coisa boa.
Dorme aqui em casa um dia que eu durmo na sua outro.
Eventos de amigos. Aniversário de fulano sábado que vem.
Um show pra ir e um filme novo no cinema.
Netflix então a 1.000 por hora de uso – fazendo valer a pena.
Começa a marcação em vídeos de cachorros fofos. 

Isso tudo acontece e sempre vai acontecer, mas nada disso é tudo isso assim se as duas pessoas não se engajarem na mesma história. É isso o que muita gente esquece e argumenta que nem percebe. Há quem diga, por exemplo, que “sempre foi assim” quando quer justificar uma diminuição de interesse perto do que já houve um dia.

Existe uma linha muito fininha entre normalizar e mal acostumar. Em geral, a rotina faz a gente normalizar as coisas, ao passo que a gente também pode ser ver mal acostumado e com os mesmos vícios na história – e nem sempre alguém vai levantar a mão e alertar que isso está estranho, por isso a gente precisa ter em mente o valor do comprometimento em funcionar bem para os dois.
Muita gente esquece que a história com alguém é uma história de interesse e reciprocidade.
Não adianta você estar preenchendo as caixinhas de padrões com uma pessoa se você não se posiciona como alguém com vontade de fazer essa história ser realmente de verdade. Isso significa que em nada adianta, por exemplo, postar fotos juntos, fazer comentários bonitos, demonstrar para todo mundo lá fora o quanto gosta se dentro de vocês não existe uma certeza assim.

A gente precisa de comprometimento em fazer dar certo. 
Eu preciso saber que eu realmente posso contar com você ao passo que você não precisa pensar duas vezes para confiar em mim. O comprometimento em fazer dar certo está diretamente relacionado a pilares centrais em uma relação, dentre os quais: 1) confiança; 2) engajamento e 3) reciprocidade e, no assunto aqui, é sobre o engajamento.

Me conte a sua opinião quando eu te pedir – ou me contribua sem que eu fale nada.
Me fale o que você pensa ainda que você imagine que eu vou pensar diferente.
Me deixe dormir sabendo que a gente se acertou e que vou acordar bem para falar qualquer coisa com você.
Me explique as coisas que te incomodam para que eu possa refletir como fazer diferente se é para o nosso bem.

Para o nosso bem. É tudo sobre isso. O comprometimento em fazer dar certo é sobre abrir mão de protagonismo na história para permitir com que ela se fortaleça. A gente não precisa estar certo sempre, a gente não precisa transformar tudo em competição, a gente só precisa convencer a pessoa que está ao nosso lado de que estamos realmente bem-intencionados com que essa história não conheça um ponto final tão cedo. 

É por isso que se acomodar é o perigo, que pensamentos como “eu sou assim mesmo” ou a reatividade do “você quer estar sempre com razão” destroem mais do que constroem. 

Comprometidos em fazer dar certo. Se isso já é unânime entre as duas pessoas, metade da história feliz já foi conquistada. 

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

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