Então ok.
Houve um acordo e decidiram que daria para ver no que vai dar.
Agora é oficial.
A conversa vai ficar lá no topo do Whatsapp.
Os planos sozinhos vão ser naturalizados juntos. Coisa boa.
Dorme aqui em casa um dia que eu durmo na sua outro.
Eventos de amigos. Aniversário de fulano sábado que vem.
Um show pra ir e um filme novo no cinema.
Netflix então a 1.000 por hora de uso – fazendo valer a pena.
Começa a marcação em vídeos de cachorros fofos. 

Isso tudo acontece e sempre vai acontecer, mas nada disso é tudo isso assim se as duas pessoas não se engajarem na mesma história. É isso o que muita gente esquece e argumenta que nem percebe. Há quem diga, por exemplo, que “sempre foi assim” quando quer justificar uma diminuição de interesse perto do que já houve um dia.

Existe uma linha muito fininha entre normalizar e mal acostumar. Em geral, a rotina faz a gente normalizar as coisas, ao passo que a gente também pode ser ver mal acostumado e com os mesmos vícios na história – e nem sempre alguém vai levantar a mão e alertar que isso está estranho, por isso a gente precisa ter em mente o valor do comprometimento em funcionar bem para os dois.
Muita gente esquece que a história com alguém é uma história de interesse e reciprocidade.
Não adianta você estar preenchendo as caixinhas de padrões com uma pessoa se você não se posiciona como alguém com vontade de fazer essa história ser realmente de verdade. Isso significa que em nada adianta, por exemplo, postar fotos juntos, fazer comentários bonitos, demonstrar para todo mundo lá fora o quanto gosta se dentro de vocês não existe uma certeza assim.

A gente precisa de comprometimento em fazer dar certo. 
Eu preciso saber que eu realmente posso contar com você ao passo que você não precisa pensar duas vezes para confiar em mim. O comprometimento em fazer dar certo está diretamente relacionado a pilares centrais em uma relação, dentre os quais: 1) confiança; 2) engajamento e 3) reciprocidade e, no assunto aqui, é sobre o engajamento.

Me conte a sua opinião quando eu te pedir – ou me contribua sem que eu fale nada.
Me fale o que você pensa ainda que você imagine que eu vou pensar diferente.
Me deixe dormir sabendo que a gente se acertou e que vou acordar bem para falar qualquer coisa com você.
Me explique as coisas que te incomodam para que eu possa refletir como fazer diferente se é para o nosso bem.

Para o nosso bem. É tudo sobre isso. O comprometimento em fazer dar certo é sobre abrir mão de protagonismo na história para permitir com que ela se fortaleça. A gente não precisa estar certo sempre, a gente não precisa transformar tudo em competição, a gente só precisa convencer a pessoa que está ao nosso lado de que estamos realmente bem-intencionados com que essa história não conheça um ponto final tão cedo. 

É por isso que se acomodar é o perigo, que pensamentos como “eu sou assim mesmo” ou a reatividade do “você quer estar sempre com razão” destroem mais do que constroem. 

Comprometidos em fazer dar certo. Se isso já é unânime entre as duas pessoas, metade da história feliz já foi conquistada. 

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com