Muito cansaço. Muito mesmo.
Corações cansados de tentar e experimentar coisas.
Corações, porém, que amam tentar; que inegavelmente não conseguem fazer outra coisa a não ser seguir tentando. Porque tentar é o primeiro passo para conseguir. E a gente tenta.

Só que tentar cansa.
Cansa ver o mesmo filme com atores diferentes. Cansa não encontrar sentido no que estamos sentindo e não entender o que sentem com a gente. Cansa muito.

Corações cansados de tentar.
Corações escondidos nas mensagens nunca respondidas pelo celular. Coração exausto do monossilabismo – existe essa palavra? – de outros corações, isto é, coração cansado de tentar sozinho e seguir remando para lugar nenhum.

Coração que fica bêbado de tanta decepção, que dorme tarde com a paisagem do teto. Que perde a fome. Que encontra a solidão. Que foge de outro querer, que corre para outro que não quer. Coração enganado e eventualmente idiota quase que de propósito.

De propósito porque mesmo quando a gente sente que vai dar bosta, a gente continua.
E isso é muito do caralho. Ser real é foda. Só que dói também.

Porra, dias que não são legais. Corações cansados demais.
Que horrível vestir meu coração de novo e colocá-lo para sair só para alguém empurrá-lo no meio da rua.
“Eu pensei que a gente pensava igual”

Será que vai ser dessa vez que será a última vez?
Ou será que vai ser mais uma vez em que vou ter que acordar e encontrar um travesseiro vazio ao meu lado?
E quando será a vez que vamos poder encaixar nossas pernas e só acordar com o despertador do celular?

Coração que de tanto bater machuca a gente.

Cansados de tentar mas nunca o bastante para parar.
Nem tão a sós por ser sermos nós apertando nós: corações e nós.
“Ei, espera um pouco: traz aqui mais uma dose de esperança de que vai ser diferente. Deixa eu acreditar em você. Me conta um pouco sobre o seu dia. Deixa eu contar do meu. A gente pode mudar o nosso futuro aprendendo com o nosso passado.”

Que cansaço que dá.
E que saudade que dá.
De quando parecia que ia dar certo.
Exatamente aquele segundo entre o nunca e o quase.
Onde o nunca parece perseverar. Pelo menos na maior parte das vezes.

Corações cansados de tentar acompanhar as batidas que o outro dá.
Eu esperei você dizer que gostou, mas você não disse nada. E eu esperei demais.
Não foi a primeira vez – e tudo bem. Eu espero sempre e sempre vou esperar melhorar.

Eu não posso reclamar por não tentar.
O meu cansaço não é por decepção, mas por correr tanto atrás para conseguir que até perco o ar.

Amanhã eu tento de novo, mas hoje eu quero desabar no meu colchão e presentear algumas horas de alívio para o meu coração.

E chorar.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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