Hoje nós somos quem a gente precisava.
Nossa história é um encontro.
Tem um monte de coisa em você que eu eu tinha que conhecer.
E outro monte de coisa em você que eu não fazia ideia do quanto me faria bem.
Eu tenho uma porção de coisas nas quais me orgulho para te ajudar também.
(A gente precisa reconhecer mais toda a parte boa que temos.)

A nossa vida seguia caminhos diferentes mas parece que a gente precisava se encontrar em uma parada da longa viagem que é a vida.

Depois que a gente se encontrou, tudo ficou melhor.
Estava tudo bem antes, mas se melhorar é aquilo né? Não estraga, melhora.
Hoje a gente cuida da gente de um jeito nosso.
Um jeito precioso que soa inédito para mim.
Definitivamente eu me sinto uma pessoa diferente depois da gente.
E é isso gente, a partir do momento que todo mundo tem um coração, gostar de alguém sempre vai ser um clichê.
Você tem referências diferentes das minhas.
Você viajou por lugares que nunca fui nem em pensamento.
Seus olhos já viram coisas lindas pelo mundo e hoje eles olham pra mim. Olha que sorte a minha.

Sorte. Está aí, engraçado falar disso.
Eu prefiro dizer que somos sobre permissão.
A gente se permitiu dar um mergulhinho na vida um do outro.
E cada dia novo juntos, foi uma braçada mais afundo.
Quando dei por mim, você estava fazendo uma faxina e puxando minha orelha sobre como meu oceano estava uma bagunça. Acendeu uma lanterna e me sugeriu caminhos.

Era como se falasse: “Dá pra ser assim”
Mas você não falou nada e eu entendi tudo.

A gente tem pensado nisso, né? Nisso de como dá pra ser assim.
A gente conversa muito sobre a gente. A gente foca em melhorar o que já é bom.
As únicas pessoas que podem nos ajudar a ser melhores somos nós mesmos.
Eu não preciso ter medo de te falar que não gostei de algo.
E você não precisa me poupar de reclamar de alguma coisa.
Vai ver por isso a gente nunca teve motivos para ter medo ou reclamar.
Porque a gente conversa e cuida do que temos.
Cuidar do que temos.
A gente gosta muito disso tudo que temos.
E, exatamente por gostar tanto do que temos, que queremos ter mais.
Isso tudo me faz pensar em como a nossa história é racional.
Nós nos escolhemos.
Eu escolhi continuar tendo o que você me dava.
E você me escolheu para continuar tentando te fazer bem.
As pessoas se escolhem.

Acho que tem um pouco disso, né?

A gente pode até não escolher quem entra na nossa vida, mas a gente escolhe quem fica nela. 
E aí a gente se escolheu.

Racionalmente, nossos cérebros entraram num acordo de que essa convivência soava muito boa e que seria desinteligente interromper.

Escolher tentar ser quem somos um para o outro foi o primeiro passo para os nossos corações ser quem eles são.

A gente entendeu que juntos poderia sair coisa boa, mesmo que a gente não saísse de casa. A gente entendeu que isso tudo é bom e melhor ainda seria continuar. E todo esse entendimento faz a gente cuidar mais da gente.

Um pouquinho a mais por dia eu admiro como você consegue sensibilizar ainda mais o meu coração já sensível demais – não  pensei que seria possível.  Um jeitinho de cuidar e fazer questão.

Você entrou na minha vida para me lembrar que existe exceção.
Eu estava acostumado demais em ser o segundo ou em ser o “agora não”.
Já estava ok para mim aceitar o papel da pessoa boa mas não uma boa pessoa para alguém.

E mesmo que isso tudo termine amanhã, você já me mostrou que tentar sempre vai fazer mais bem do que reclamar. Porque reclamar é fácil, difícil mesmo é tentar melhorar. A gente tentou e olha quem somos hoje. Os mesmos de antes, só que melhorados.

Hoje nós somos quem a gente precisava – e quem a gente merecia também.
(A gente precisa reconhecer mais toda a parte boa que temos.)
Hoje nós somos um para o outro quem sempre fomos para os outros.
Hoje somos a nossa melhor parte pra gente, aquela mesma parte que já pisotearam.

Nossa história é uma escolha. Que bom que a gente aconteceu e decidimos continuar acontecendo.
A gente escolheu ter a gente e cuidar do que temos. Só para não interromper o prazer de esfregar o pé no lençol novo na cama ou em passar horas emendado um episódio no outro de uma série qualquer.

Ah, verdade, no meio disso tudo aconteceu um negócio chamado amor também.
Mas a gente quis que fosse assim.
E a gente quer continuar sendo.
Por isso a gente cuida do que temos.

Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com