Mesmo depois que a gente se despede eu ainda penso um pouco na gente.
Engraçado você ser a última pessoa com quem eu converso antes de pegar o sono. A gente se despede e eu deixo o celular apoiado na mesa ao lado da cama. Levo um tempinho para dormir e, neste tempinho, eu penso na gente e dou umas risadas no escuro. Aí eu durmo, acordo, vou checar o celular e o primeiro app é o Whatsapp pra saber se alguém falou algo nos grupos que silenciei. E aí a nossa conversa tá lá no topo com a despedida da noite passada. E isso me faz bem.

Tem dias que eu abro as nossas mídias que enviamos um ao outro.
Tem cada foto, né? E os áudios? E aqueles gigantes às vezes?
A gente manda coisas dos momentinhos que mais rotineiros do nosso dia. É foto do almoço do metrô lotado, do trânsito, da leitura do dia, várias fotos e memes. A gente ama memes. Tem também alguns prints de música com recomendações “escuta essa banda”; alguns prints de conversa com reações de outras pessoas quando falamos sobre a gente, alguns pedacinhos de mim e de você que constróem o nós.

Parece que o dia não termina se eu não ler seu boa noite. Olha que bobagem minha, né? Não que eu te cobre, é só que eu gosto de ler e que faz parte da gente.
Mas não adianta, todo mundo tem um pouco disso numa fase dessa, né? São uns detalhezinhos que compõem uma história. E eu gosto tanto de detalhes. Eu já percebi, por exemplo, quais são seus emojis preferidos. Já confirmei que quando você acha algo engraçado mesmo você digita HAHAHAHAHA mas quando você acha algo só divertido é hahahaha. É sobre o seu jeito.

Gosto de sentir que estamos participando da vida um do outro e não me incomoda saber a parte não legal dos seus dias. Não me incomoda quando conta que acordou de mau humor ou que teve um dia chato no trabalho. Não me incomoda porque a minha sensação de pertencimento é maior; a sensação de você me convidar pra fazer parte da sua rotina é maior.

E me faz falta quando a gente fica um tempo sem se falar por qualquer que seja o motivo. Não é uma tristeza, é uma saudade. Uma saudade boa que se tivesse voz falaria “ah, cadê você?”. E, ao mesmo tempo que essa saudade vem, vem também uma alegria secreta e que ilumina meu rosto quando vejo que a notificação é sua. Eu já me acostumei com o seu nome na tela do celular.

Nossos dias são tão nossos.
Ainda não é hora de falar de futuro, mas sim de celebrar o presente.

Dorme bem, boa noite.
Mesmo depois que a gente se despede eu ainda penso um pouco na gente.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com