Quando estou em casa vendo um filme.
Um dia qualquer.
Durante a semana depois do trabalho, por exemplo.
Na primeira hora da manhã pode ser também.
Um filme rapidinho antes de acabar o fim de semana.
E aí o celular acende no escuro.
Pausa na tv.
É mais uma mensagem sua sobre qualquer assunto.
O assunto, aliás, é o que menos importa.

Na volta pra casa.
Na viagem do meu fone de ouvido no ônibus ou metrô.
Pego o celular para trocar de música.
E aí desce uma notificação com o seu nome.
E aí espero chegar em casa para te responder com calma.

Ou até mesmo no meio do dia.
Um dia de rotina. Nada de novo.
Celular perto do computador no trabalho, em geral ali com carregador ligado.
E rouba a minha atenção uma notificação na tela.
Uma visita sua com uma mensagem.

E a risadinha quando vejo que a mensagem é sua?
E como que fica minha cara?
E eu pensando que ninguém ao meu redor percebe?
Porque já aconteceu de eu responder, guardar o celular, me ver rindo sozinho e ver estranhos olhando a minha cara no metrô.

Hehe.
Que vergonha.
Ninguém entende nada.
Nem eu também, porque eu nem consigo controlar.

Se eu começar a falar das coisas que a gente fala eu passaria horas aqui.
Mas nem é esse o ponto agora.
É que eu me peguei percebendo a risadinha que dou toda vez que vejo que a mensagem é sua.
Muitas vezes a tal mensagem é só um oi.
Ou um meme.
Ou uma figurinha engraçada que agora tá de monte no Whatsapp.
Mas eu gosto de ver que é você mandando alguma coisa.
Me faz bem saber que, em meio a tantas pessoas que você poderia mandar, eu estou ali no topo da sua caixa de mensagem.
E não tô nem aí se também manda para outras pessoas – de repente a mesma coisa que manda pra mim, inclusive.
O meu sentimento diz mais sobre mim do que você.
Eu gosto dessa minha versão.
Gosto de como fico quando vejo que a mensagem é pra mim.
Mas eu seria hipócrita em não assumir que é melhor ainda saber que é sua.
Se vou receber mais vezes é outra história.
Tô preservando o que acontece hoje para valorizar o que pode acontecer amanhã.

Eu acho que todo mundo poderia se permitir sentir mais essas coisas que a gente finge que não percebe, sabe?
Tá tudo bem eu ficar bobo com a sua mensagem e amanhã a gente nem se falar direito.
É triste mas acontece.
Eu já vivi isso antes.
Já fui quem mandava a mensagem e quem recebe – tipo agora de novo.
O que mais importa, no fundo, é como a gente se sente no instante em que as coisas acontecem.
E hoje eu me sinto especial no instante que eu vejo em que a mensagem é sua.
Eu paro tudo para ver.
Isso que eu chamo de chamar a atenção.
Eu dou até uma risadinha.
🙂

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com