Nós dois sabemos dos nossos problemas e não quero trazê-los à tona aqui.
Sabemos como as coisas não andam boas.
Eu tenho meus motivos para reclamar assim como você tem os seus.
A paciência parece ter esgotado e não encontramos lugar para renovar nossa disposição.
Não é exatamente o momento para discutir causas ou culpados, o fato é que a gente parece não se encaixar mais direito. É complicado. Queria ter outro assunto para pensar nos meus dias, mas a nossa história tem me feito mal, ou melhor, o jeito que a nossa história está hoje.

É por isso e, principalmente, por tudo o que já vivemos que eu queria saber de você: e se a gente não desistir da gente?

E se a gente conversar sobre maneiras para melhorar?
Eu sei que já conversamos mil vezes, mas e se a gente conversar mais 10mil? Claro, é modo de dizer.
Se você não quiser mais nada eu vou entender. A minha proposta aqui é a gente refletir se ainda podemos insistir na gente.

Eu não tenho resposta de onde isso pode dar, sabe? Realmente não sei.
Mas o que fico pensando todos os dias é: “e se a gente não desistir da gente?” E se a gente pensar com calma em cada um dos momentos, dos ruins aos bons – principalmente os bons. Se a gente colocar tudo na balança para ver o que sentimos no fim?

Não gostaria que isso tudo se transformasse em algo ruim. Não gostaria de ver a nossa história nos machucando. Não gostaria de ver um de nós tendo que fazer algo que não quer. Em outras palavras, não gostaria que a gente tentasse coisas que não acreditamos. O que eu gostaria aqui é de fazer uma proposta: e se a gente não desistir da gente?

Será que não existe mesmo nenhuma força escondida no intervalo entre um momento bom e outro que a gente viveu? Sabe? Será que a gente não vai descobrir uma motivação diferente se a gente pensar de um jeito, sei lá, novo? Se a gente tentar pensar de mais de uma maneira? Será?

Cada um de nós sabemos o bem que fizemos um pelo outro até aqui. E, claro, posso falar mais exatamente por mim. No meio desse caos todo que nossa história se tornou, eu já tenho pensado em tudo o que fizemos e compreendido melhor uma porção dos meus erros. Acho que eu nunca havia parado para pensar assim com calma antes. Estou certo das minhas qualidades e das coisas que aprendi com você, mas tem me doído muito enxergar meus defeitos e as coisas que eu fazia e que não te faziam bem. Este exercício me chocou. E foi nesse momento, isto é, ao reconhecer todas as merdas que eu fiz e todo o meu jeito que te incomodava, que eu parei para pensar se eu poderia mudar alguma coisa em mim para você perceber.

É por isso que fica o meu apelo: será que daria pra gente pensar na gente mais uma vez? Será que daria pra gente reconsiderar todos os problemas e lembrar da parte boa? Não concordo com quem diz que “esse é meu jeito e não vou mudar”, mas eu entendo sim que é difícil demais mudar quem somos. Por outro lado, eu acredito que a gente sempre pode evoluir, a gente sempre pode pensar um pouco, pensar melhor, pensar duas vezes, especialmente se a gente gosta de quem está sofrendo com o jeito que somos. Talvez eu esteja dando muitas voltas aqui para dizer uma coisa que já disse, mas o fato, portanto, é: eu não queria desistir da gente, não agora.  Eu queria te convidar a refletir se a gente consegue um suspiro novo na nossa história.

Eu não queria concordar com o fim sem ter tentado continuar.

É claro, tudo isso envolve um desejo que deve existir em você também. Eu só trouxe o assunto e gostaria de saber sua opinião sobre tudo.

Você ainda tem energia para ver se a gente pode melhorar e continuar?
E se a gente não desistir da gente?
Pelo menos não agora?

por Márcio Rodrigues.
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