Aquele dia foi bom.
E é por isso que gostaria de sair mais vezes.
Quero viver outras coisas juntos.
Sem pressa para acabar.

Você contou o tipo de filme que gosta. Você viu que vai estrear um novo?
Vai ter um show daquela banda que eu te falei. Você topa ir comigo?

Eu não estou brincando com você, até porque não tenho tempo para jogos.
O ponto é que eu tenho medo.
Medo de mergulhar fundo demais e perder o ar.
Aconteceu tantas e tantas vezes antes que agora queria fazer diferente.
Queria experimentar nós dois.
Antes da gente ser amanhã, queria sentir mais do hoje.
Aprendi do pior jeito a falta que a calma faz.

Veja bem: não é nada contra você, é a favor de nós.
Eu, basicamente, quero que a gente se conheça antes de qualquer depois.
Acho que é um jeito cuidadoso nosso de viver nossa história.
Eu estou bem. As coisas estão funcionando. Gosto dessa rotina que já criamos. Parece que a minha vida tem cor agora. De novo: tá tudo bem – e é por isso que eu gostaria que a gente se conhecesse cada vez mais antes de um passo novo ser decidido.

Você, no entanto, obviamente tem a opção de recusar. Estou explicando um jeito que eu acho seguro da gente escrever a nossa história, mas se você tiver outro me avisa.

Em outras palavras: nada vai exatamente mudar, mas a gente vai poder ter tempo e autonomia para observar melhor.

A gente pode cultivar o sentimento bom dos dias para vermos se vamos colher saudade. E eu não quero matematizar as batidas que um coração pode dar; eu quero planejar um espaço bom e fértil para que ele possa florescer sem se preocupar.

A verdade é que eu quero ter mais certeza sobre a gente; se o que sinto é real, se o que sente também, se o que somos aquece meu peito ou é só adrenalina e, sobretudo, se conseguimos ser nós mesmos juntos sem medo de sermos alguém tentando impressionar alguém. A gente não vai se conhecer por inteiro assim, mas eu quero conhecer mais pedaços seus e te mostrar mais meus.

Não quero parecer alguém que freia o ritmo das coisas, mas prefiro que a gente estabeleça esse ritmo antes que algum de nós comece a remar a canoa sozinho – eu já fiz isso.

Eu quero o nosso futuro mas e se a gente conhecer primeiro?

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com