Eu e o meu dedo podre

É foda, né?
É muito foda, eu sei.
Vamos continuar falando sobre o quanto é foda.
Nós vamos lá, saímos, nos distraímos, conhecemos alguém, nos esforçamos, começamos uma história e: fim. Ela acaba mal tendo começado. É foda, é bem foda.
Mas não desanimamos, a deprê vai embora e: saímos, nos distraímos, conhecemos alguém, nos esforçamos, compramos até presente, começamos uma história e: fim. De novo ela acaba tão rápido que ficamos até em dúvida se dá para chamar de história. Falando nisso, o que é uma história? Se eu falar que namorei 1 mês eu posso chamar de história? Se eu falar que aquele único beijo que dei foi incrível, eu vou poder chamar de história?

Pessoas ansiosas, tipo eu e você, não conseguem controlar a paciência. Esse negócio de acreditar no papo de que “uma hora sua vez chega”, “vai aparecer alguém bacana quando você menos esperar” é o tipo de coisa que entra por um ouvido e sai pelo outro. Apesar de ser verdade.

Eu pensei que seria ela dessa vez.
As risadas dela comigo pareciam reais. Ela parecia gostar quando eu perguntava como foi o dia. Ela parecia gostar dos convites que eu fazia. Ela parecia gostar de quase tudo; ela parecia gostar de mim. Ou ela nunca gostou e seu sempre desejei que gostasse. Era só uma vontade de que ela gostasse de mim.

É foda, né?
Antes fosse esse o único episódio. Teve aquela vez. E aquela outra. Nossa e aquela que eu até tinha comprado presente e nunca entreguei? Teve também aquela daquela viagem, aquela que começou tipo um filme, aquela que meus amigos me apresentaram. Na verdade, perdi a conta de quantas vezes conheci alguém e pronto: mais um alguém com pouca vontade de ser um alguém para mim também. Como é que eu vou dar calma para um coração que passa por isso?

O problema de quando as coisas dão errado é que passamos a acreditar cada vez menos que elas podem dar certo.

E aí tem algo mais profundo. Parando para pensar: o que exatamente significa uma coisa dar certo? Como eu posso dizer que alguém não presta? Será que eu presto? Como é alguém que presta? Foi pensando nessas perguntas que encontrei algumas respostas para me dar paz.

Antes de qualquer coisa preciso admitir: eu também já fui alguém que não prestou para outro alguém. Já machuquei – nem que seja sem querer -, já fiz chorar, já disse não querer mais, uma vez até mesmo mal soube explicar – típico caso que odeio -, ou seja, eu fui e ainda posso ser exatamente do jeito que odeio que sejam comigo. Mas isso não faz de mim alguém pior que alguém. Será que vou gostar de ser lembrado como uma má escolha por quem vivi uma história? E história é aquilo mesmo: um momento vivido para ser lembrado. Isso pode ser trinta anos juntos ou trinta minutos. Não há regra.

É uma bosta quando nos sentimos ótimos em péssimas escolhas.

Mas existe algo a considerar: não somos nós que escolhemos, é o nosso coração. E ele não tem culpa também. É realmente uma pena a minha vontade raramente ter sincronia com a minha vida, mas isso é algo que não tenho como lutar contra.

Esse meu dedo podre também é o mesmo dedo que vai acertar – e que já acertou algumas vezes; é preciso lembrar das vezes em que somos felizes mais do que daquelas que fomos tristes. Este mundo injusto em que não consigo encontrar alguém bacana também é o mundo que um dia vou achar justo por encontrar alguém bacana. Dá para entender a lógica? Dizer que meu dedo é podre é algo divertido para entreter, mas eu não posso exigir mais do que a vida tem a me oferecer. Eu preciso me enxergar e exigir menos dos outros, preciso pensar menos e viver mais, preciso levar paz para a minha cabeça antes de querer amor para o meu coração.

Por isso que eu e o meu dedo podre continuamos aqui, juntos, só que agora escolhendo menos e aproveitando mais; nos importando menos e vivendo mais.

É foda, né?
O mais foda é ter que concordar que uma hora a minha vez chega.

Márcio Rodrigues.

18 Comments

  1. Exatamente isso, é horrível ouvir que “a hora vai chegar quando menos esperar”, pq daí todas as vezes que aparece alguém a gente acha que é a hora que menos esperamos hahahaha.
    Adorei o texto 😉

  2. “Eu preciso me enxergar e exigir menos dos outros, preciso pensar menos e viver mais, preciso levar paz para a minha cabeça antes de querer amor para o meu coração.” Preciso mesmo! :/
    Tá show o texto, Má! :**

  3. Giselle Bontempo

    10 de agosto de 2015 at 0:50

    Perfeito…

  4. Em resumo a fase atual da minha vida: “só que agora escolhendo menos e aproveitando mais; nos importando menos e vivendo mais.”

  5. Uau! Conseguiu acalmar um coração ansioso! Hahahaha
    Mais uma vez vou dizer, que é muito bom ter alguém que consiga expressar o que eu não consigo! Obrigada! 🙂
    (Adicionado aos favoritos com sucesso!)
    Bjs!!! 😉

  6. Acho que você anda bisbilhotando e descrevendo a minha vida Márcio hahaha
    Já disse e não canso de dizer, você é incrível!! ♥

  7. Márcio, primeiramente, quero parabenizá-lo pela alma linda q tens. Pq acredito q pessoas de alma pura conseguem colocar exatamente o q sentem e captam o q os outros sentem p/ fora. Já li diversos textos seus…, chorava, ficava com inveja, pq achava q só eu sentia isso e meu “dedo podre” sempre gostava de apontar p/ exatamente o contrário de Td q sempre busquei. 2 homens, 2 casamentos falidos, 2 filhos lindos, e acredite, sofrimento inimaginável. Por isso quando leio seus textos me ajudam demais. Agora vi seu vídeo. Parabéns… Continue assim…, pessoa iluminada por Deus e ajudando muitas pessoas q, assim como eu, coração partido aos pedaços, mas não perde a esperança de ainda encontrar o verdadeiro amor.

    • Márcio Rodrigues

      15 de agosto de 2015 at 13:45

      Sabe Josi, nós vivemos a mesma vida. É mais igual do que parece.
      Eu que agradeço por ler e comentar.

      Fica calma que tudo fica no lugar.

      beijos

  8. Márcio,

    Li alguns textos que você escreveu e simplesmente me apaixonei!!!
    Vi que foi publicado um livro, onde posso encontrar??? Tenho muito interesse nele.
    Parabéns pelo trabalho, acredito que muitas pessoas já passaram ou passam por algo que está contido em seus textos. Mais uma vez, parabéns!!!

  9. Jung dizia: “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.
    Seus textos refletem o que a gente enxerga dentro de nós mesmo, e que as vezes, não queremos enxergar.
    Texto incrível Márcio!
    Parabéns!

  10. Minha vida está descrita acima! Lindo texto Marcio.

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