A gente foca tanto em gostar que esquecemos de como é bom quando gostam de volta.
E vira um grande “tanto faz”; a gente simplesmente não se importa.
Pelo menos no começo enquanto tudo é novo e excitante.
Quando a gente esquece da importância do gostar de volta, a gente alega várias coisas.
A gente pensa algo como “ah, nós somos pessoas diferentes, ué” A gente pensa também em algo como “Poxa, eu não posso cobrar que a pessoa mude o jeito dela, né?”
A verdade, de fato, é que a gente sabe quando não sentimos que estão gostando da gente também.
Ou se não sentimos, a gente deveria começar a perceber melhor.

Gostar e ser recíproco talvez seja a regra número um em uma relação afetiva.
É fundamental que a gente sinta que a outra pessoa goste da gente também. E eu não estou falando que a outra pessoa deva gostar da gente da mesma maneira. Muita gente tem mania de transformar as relações em competições. Eu estou falando que a gente precisa se convencer de que existe um sentimento pela gente vindo da outra pessoa. A gente precisa da segurança dos passos que damos de mãos dadas.

Só que na prática é meio complicado.
O problema é que a gente evita encarar a parte ruim das coisas. A gente tem uma tendência a postergar a solução de problemas e isso só os fazem ficar ainda maiores.
O fato é que, muitas vezes, pra gente tudo bem a pessoa só demonstrar preocupação uma vez ou outra; tudo bem a pessoa só contar o que sente de vez em quando; completamente ok a pessoa esquecer das coisas que a gente diz sobre o que a gente sente; isso quando pra gente não é normal a pessoa ser um freezer de tão fria.
A gente demora para acreditar que estamos gostando de alguém que não gosta da gente.

É por isso que eu gostaria que a gente cuidasse mais disso.
Não é sobre sair exigindo que as pessoas mudem suas formas de se expressar, mas sim, sobre a gente refletir no quanto nutrimos um sentimento por alguém que não se importa muito com ele – por vários motivos. Muitas vezes a pessoa nem sabe o porquê. Pode ser que ela ainda goste de outra pessoa. Pode ser que ela tenha vergonha de se expressar. Pode ser que ela tenha medo de te assustar. Pode ser que ela nem sinta nada mesmo e tenha receio de te fazer ficar triste. Pode ser um monte de coisa, mas o que não pode é a gente permitir cultivar um sentimento em um lugar venenoso, isto é, dedicar carinho e atenção a alguém que é indiferente, a alguém que nos coloca em dúvida e nos faz questionar sobre quem somos – esta, pra mim, é a maior merda. Quando você passa a questionar de todo o seu sentimento bom é porque, talvez, ele não tem sido reconhecido como tal.

Gostar e ser recíproco. A gente precisa perseguir essa lógica para garantir um coração tranquilo.
Não é sobre a pessoas criarem demonstrações mirabolantes, é sobre a pessoa nos convencer e nos lembrar de que ela também sente algo bom pela gente o suficiente para que mantenhamos essa história toda.

Presta atenção na sua história.
E não aceita nada menos do que você merece que é proporcional ao quanto você se dedica.
A gente precisa abrir os olhos dos acomodados porque planta que não se rega morre.
Essa conversa de “esse é meu jeito” não tá com nada.

Eu entendo muitas dúvidas da vida, mas entre as certezas é que a gente precisa saber o que o coração da outra pessoa sente pelo nosso.

Gostar e ser recíproco.
Foca nisso.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees