Isso acontece.
Algumas relações passam da fase do amar alguém e entram para aquela de depender desse alguém. É sobre não enxergar mais defeitos e desgastes – ou fingir não enxergar – e atropelar o amor próprio só pelo amor que sente por outra pessoa.

O amor não existe para ser algo ruim. Amor não é uma meta, é um caminho. É o caminho do compromisso, do carinho, admiração, do gostar de ficar junto mas, sobretudo, do respeito. De novo: O amor não existe para ser algo ruim.

O amor passa a ser vício quando uma pessoa passa a não existir mais sem a outra. É quando elas se tornam indissociáveis uma da outra. E tem mais gente do que a gente imagina vivendo assim.

Ter um vício já é ruim em qualquer circunstância, agora, ter vício por alguém é pior ainda. Vício por alguém é quando você não liga mais para si em prol da outra pessoa. É quando você vê que as coisas não avançam, mas você parece não acreditar e continua empurrando com a barriga. É quando, portanto, a pessoa oficialmente passa a te fazer sofrer mas você não consegue terminar essa relação.

O vício por alguém não se manifesta assim muito claramente justamente porque pode ser confundido com um amor super intenso. A linha é bem fininha, mas dá para enxergar diferente.

O amor é sobre união e gostar de somar as coisas que não se parecem muito numa relação. É construir uma casinha sólida com um tijolinho por dia. Agora, o vício por alguém, é basicamente você encontrar qualquer desculpa para justificar os dias de bosta que tem vivido com uma pessoa. É enganar a si, é fantasiar que é uma fase – apesar dessa fase já durar meses, algumas vezes até anos.

A gente sabe que muitas vezes é automático, mas você não pode ser o plano B da sua própria vida e nenhuma relação é justa quando um dos envolvidos se sente assim. Este é um pequeno indício de que algo não está normal e, se você não consegue avançar para resolver, pode significar que talvez você seja uma pessoa viciada em outra pessoa. E este vício se manifesta naquele sapo gigante que você engole só para não brigar, naquela grosseria que não precisa se submeter, no perdido que a pessoa te dá mas que você sorri antes de encontrar, no jeito de aceitar pedidos abusivos de alguém, em como você se afasta de pessoas que sempre gostou só porque a pessoa que está com você não gosta assim delas. Uma pessoa viciada em outra pessoa é alguém que gosta de dizer que ama profundamente, de um jeito especial e proprietário mas que esquece do próprio amor.

Presta atenção. Tenta refletir se talvez você não consegue, por exemplo, terminar com a pessoa porque você já está viciada nela e nos costumes que criaram juntos, apesar de, lá no fundo, você não sentir mais como sentiu um dia, você não conseguir mais se animar tanto e, quando não é o pior, você passar a sofrer consistentemente a cada dia.

Pode parecer que é, mas o que você sente não é amor, é vício por esse alguém.

E todo vício mata aos pouquinhos enquanto o amor deveria construir.

Lá no fundo, você sabe que ultimamente nada tem sido construído.
Isso acontece.

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com