Muitas vezes a gente passa muitos dias da nossa vida tentando esquecer pessoas que passaram por ela.
Mas, em muitos casos, o principal motivo talvez seja: você tenta colocar outra pessoa no lugar. Você tenta substituir em uma nova pessoa aquele velho sentimento – e é nisso que você erra.

Fica complicado quando tenta ressignificar coisas, lugares, músicas e filmes com uma nova pessoa sendo que tudo isso foi vivido com outra pessoa. Talvez você não esteja percebendo, mas são grandes as chances de você não conseguir esquecer porque insiste em preencher um velho lugar com uma nova pessoa.

As pessoas que passam pela nossa vida nunca serão as mesmas – por mais parecidas que sejam.
Cada história que a gente vive constrói um pedacinho de quem somos. Desse modo, é injusto – ainda que sem querer – fazer com que as novas pessoas que entram na nossa vida sejam testadas para aquelas coisas que vivemos com outras pessoas, isto é, é injusto você querer que uma nova pessoa ria das mesmas coisas que outras riram, é injusto você esperar que uma nova pessoa goste dos mesmos filmes, é injusto você depositar responsabilidade em alguém que entra na sua vida para escrever uma história nova, ao invés de continuar uma antiga.

E talvez por isso você não tem conseguido esquecer.
Você insiste em continuar escrevendo em uma página que não cabem mais palavras.
No livro da vida, você insiste em olhar para as páginas que já passaram, ao invés de descobrir as novas.

É claro que não exatamente você tem culpa nisso, porque muitas vezes a gente nem percebe o buraco que nossos pés entram. O problema, porém, é quando você conscientemente mira em uma nova pessoa aqueles mesmos sentimentos que nutriu por uma pessoa que já saiu da sua vida. Veja, é óbvio que no começo a gente até faz umas comparações – e dá para dizer que isso faz parte do que é conhecer alguém – mas essa história começa a ficar séria quando você passa a se questionar o porquê das coisas não darem certo sem questionar o seu papel nisso tudo.

Talvez você nem precise esquecer ninguém.
(tá, tem certas pessoas que a gente bem que precisa esquecer – mas tudo tem hora né, esse é o ponto).
Você não precisa se preocupar em encontrar uma nova pessoa para ocupar o lugar que outra deixou. Você não precisa ter pressa. Trajetórias são percorridas em velocidades diferentes.

Toma cuidado nos esforços que tem feitos e no quanto eles podem estar sendo errados.
Talvez você esteja dedicando tempo e força de uma maneira não muito saudável.
Para para pensar um pouco.
A gente sempre vai querer passar rápido pelas coisas ruins, mas elas nunca passarão da mesma maneira pela gente. Se a gente pudesse escolher a gente pularia a parte que dói, né?

Não tenta colocar outra pessoa no lugar daquela que não está mais na sua vida.
É que às vezes você quer uma pessoa para tampar machucados grandes demais.

Talvez ninguém nunca mais te diga as coisas que já ouviu. Talvez nunca mais ria daquelas mesmas coisas. Talvez não visite os mesmos lugares, não faça as mesmas viagens. Talvez não ouça as mesmas músicas, não assista aos mesmos filmes e não visite mais os mesmos restaurantes que fazia com aquela pessoa. Isso tudo é um monte de talvez, mas se caso alguma coisa assim acontecer, tudo bem. Às vezes é bom não fazer mais o que já foi feito porque mostra que a nossa vida é mais interessante do que já pensamos ter sido. É que  comparar experiências novas com antigas é segurar o ponteiro do relógio.

Se estiver difícil demais esquecer aquele alguém, tenta pelo menos não lembrar tanto.
Você pode não escolher o que sentir, mas pode muito bem escolher no que pensar.
Então tenta pensar em outras coisas, tipo aquelas em que gostaria de viver.
As pessoas ocupam lugares diferentes na nossa vida, tem funções e benefícios diferentes, ensinam lições diferentes e nos dão prazeres diferentes. Num sentido tão amplo e repleto de oportunidades assim, vê como faz pouco sentido depositar TODA A VIDA em uma pessoa que nem mais faz parte dela?

Você pode estar se preocupando tanto em encontrar alguém igual aquele alguém, sendo que nem você é mais igual como era naquela fase.

A vida mudou mas você está tentando não prestar atenção nisso.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com