Como que a gente descobre se estamos fazendo certo?
Fazendo mais ou deixando de fazer?
Como que a gente descobre?

Dá para colocar uma régua no meu esforço para entender o momento que ela estará prestes a quebrar?
Será que posso confiar nos sinais que você emite ou escolho confiar no que eu sinto?
Essas respostas se escondem em um lugar escuro demais.

Teve umas poucas vezes em que insisti e a pessoa percebeu que eu realmente gostei dela.
Isso aconteceu tão pouco que eu nem lembro direito.

Mas teve uma outra vez, com outra pessoa, que eu cheguei e falei:
“digitando…”
“Olha,  cansei. Tentei saber mais de você, mas você não pareceu gostar”.

E aí a pessoa se se desculpou dizendo que “a vida estaca corrida” e pediu pra gente marcar algo.
Marcar algo.
A gente nunca marcou esse algo.
A vida, a essa altura, é maratonista de tão corrida.
Eu que marquei um x nessa pessoa para evitar falar o nome dela.
Precisa de dor pra gente conhecer mais do amor?

Nossa, lembrei aqui, teve outra vez que eu simplesmente parei de procurar a pessoa sem falar nada – eu me distanciei.
Parei de curtir as fotos. Parei de checar se via meus stories. Eu fiquei 100% nem aí.
Não interagia mais em lugar nenhum.

Aí a pessoa voltou.
“Muito tempo que a gente não se fala, né? Tá tudo bem?”

“Tá tudo bem?”
Meu, sei lá. Sai daqui.

Eu queria ficar com você mas acabei ficando com preguiça.
E aí eu passei a demorar para responder.

Pronto. Me vi repetindo o que mais odeio; me vi sendo quem eu não gostaria que fossem comigo.
Mas poxa, tá tudo um caco aqui mas ainda é um coração.

Então como que faz? Qual que é o limite entre insistir e pegar bode?
Se eu parar para pensar, a primeira opção vai ser fiel a quem eu sou. Porque eu sou desses. Eu sou quem insiste. Eu não deixo dúvida na pessoa que eu estou a fim. Agora, pegar pode. Puts, pegar pode. Quando esse bode vem eu não consigo largar. Amarro meu celular no pescoço dele só para eu lembrar de não ser trouxa.

Vai ver esse limite seja algo que a gente coloca nas coisas.
Meio óbvio até, mas a gente precisa pensar nisso.
É que é uma merda, porque a gente gosta de se envolver e esse papo de desistir não tá com nada.
O problema, porém, começa ficar gigante quando a gente começa a esquecer da gente de tanto lembrar da pessoa. Aí não dá.
Estou ligando uma lanterna aqui para encontrar respostas nessa escuridão toda. Vai ver é isso. Vai ver o foco deva ser unicamente na gente e nos esforços que a gente quer imprimir nas coisas.

Agora, não me deixa eu perceber que estou insistindo em você e você simplesmente sumir.
Ok por mim a gente acabar não rolando, mas horrível você não me respeitar.
Porque se eu me sentir assim, sei lá, se eu deixar esse bode chegar por mérito seu, eu não vou conseguir disfarçar e aí você vai querer encontrar respostas em mim que eu nem sei se vou querer te dar.

É isso. O limite quem coloca é a gente.
Vou me esforçar e insistir para conquistar até onde eu achar que devo.
Agora vou perceber mais, ficar mais atento.
Se eu sentir que não tem reciprocidade, eu não vou torrar a minha energia com quem não tem para trocar. A preguiça por alguém é tipo sono: não tem muito bem hora para aparecer, só aparece.

Como que a gente descobre se estamos fazendo certo?
Eu não sei.
Mas talvez a gente possa reparar mais se não estamos fazendo certo sozinhos.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com