[ CONVITE IMPORTANTE ANTES DE LER ]

Você de São Paulo, sábado que vem dia 04 de Agosto, que tal a gente se encontrar pessoalmente para conversar sobre os nossos sentimentos?
Acesse e saiba mais: https://www.facebook.com/events/390841801440130/

—– TEXTO NOVO ——

É que ninguém sabe o que sobra pra gente quando tudo termina.
Por isso que o problema não é terminar, porque eu sei que isso vai acontecer muitas vezes. O problema é tudo o que sobra pra mim depois que a pessoa vai embora da minha vida.

Ela volta aos dias normais dela antes de eu aparecer, já eu volto para os meus dias tentando remendar todo o buraco que a pessoa deixou. É um processo de reconstrução lento e doloroso.

O que sobra pra mim é a tentativa diária de tentar te encaixar na minha vida num lugar diferente daquele que ocupava. O que sobra pra mim é deletar as nossas fotos. É deixar de ouvir aquelas músicas que me ensinou a gostar. É evitar os filmes. É odiar o meu encontro com o seu perfume em outro alguém no metrô.

É óbvio que há muita coisa boa nisso tudo, muita coisa que me fez crescer e todo aquele papo, mas aqui eu me refiro a parte ruim e os problemas que vem com ela. Me refiro aqui aos episódios em que pessoas terminam com a gente, não o contrário – mas a reflexão serve para todos os nós.

Parece que não, mas toda essa parte ruim e dolorida que sobra pra mim se transforma em trava para eu começar uma nova história. A gente se vê sem chão.

Eu não sei lidar bem com o que me resta quando alguém vai embora.
Demoro demais para não te procurar mais e não ter a sua visita nos meus pensamentos em horários em que não preciso, afinal, você passa a não me procura mais só no vidro do metrô na volta pra casa, você me procura durante o trabalho, você tira a minha fome do almoço, você me faz dormir mal. A sua lembrança vai sugando minha energia se tornando uma batalha difícil demais de ganhar.

O que sobra pra mim depois do fim é a cilada que me encontro ao reler conversas nossas antigas. O Whatsapp vira uma arma terrível. Eu me vejo lá revendo nossas fotos das rotinas sem filtro, relendo nossas conversas e dá para perceber pelo fim dos envios de emojis quando as coisas mudaram.

Tudo o que sobra pra mim depois do fim é pesado demais para aguentar.
Eu não sei o que seria de mim se não fossem aqueles meus amigos que dizem as coisas que preciso ouvir, não as que eu gostaria. A gente fica cego sobre verdades e dormimos na esperança de acordar e tudo não passar de um mal entendido.

Sair da vida de alguém deixa marcas que talvez nunca saiam também.
E a gente vai sendo obrigado a ter que lidar com cada uma delas. É como se tentássemos parar de olhar tatuagens em lugares aparentes. Não dá. Eu acabo vendo você nas menores coisas das quais até um toque de de celular me faz lembrar como era o seu.

Isso tudo é para a gente ter mais cuidado ao entrar na vida de alguém.
Porque quando a gente entra, a gente não faz ideia do que vamos deixar depois de ir embora.
Muitas vezes, inclusive, a gente vai embora levando coisas que não são nossas.
E isso nunca vai ser bom.

por Márcio Rodrigues
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