De cara a resposta pode ser: você querer.
E o pior é que é verdade.
Mas vamos dar um contexto para entender os fatos porque o coração não fala uma língua só.

Antes de qualquer coisa, um clichê: eu já estive na sua posição em outras histórias.
Já fui quem não queria “nada sério”, quem “estava com outros planos” e quem “recentemente terminou uma história” – para citar alguns exemplos. A minha estadia nesse mundo já me rendeu episódios muito parecidos com os seus.

E até até aí tudo bem.
Isso aqui está longe de ser uma competição sobre quem de nós viveu mais as mesmas coisas.

O negócio é que você me confunde e isso está começando e me incomodar.
Eu entendo a indireta sobre pegar leve e irmos devagar, mas quando não são os dias que passam e sim meses, fica complicado encontrar tanta paciência para administrar.

Pensa comigo: há alguns meses que temos preenchido os dias um do outro com mensagens carinhosas ou companhia em tardes de sábado. A gente passou da fase inicial de “se conhecer melhor”. Pelo menos os nossos momentos me fazem pensar isso. Pelo menos as coisas que você diz sobre mim me fazem pensar isso. A gente já conversou e já viveu tanta coisa que talvez muita gente não converse e viva em anos.

A nossa história demanda um tremendo esforço da minha parte.
Eu fico tentando ler os seus sinais, tentando antever seu comportamento para entender o que passa na sua cabeça e, especialmente, para entender como que a minha cabeça vai lidar com isso.

No começo é até divertido, mas depois começa a ficar chato. E eu me incomodo, principalmente, porque eu já passei da fase da vida de brincar de ter alguém; de namoricos passa-tempo ou de festinhas descompromissadas. Histórias passageiras colorem os dias, mas eu prefiro uma pintura emoldurada para inspirar minha vida. Eu só não sei se você precisa também – ou se eu sou essa pessoa e tudo bem eu não ser. Você não me deixa entender.

A pior parte disso tudo é que já pensei que, pior do que ter você de vez em quando, é não te ter mais.
Pensar assim me diminui e eu não quero.

As coisas andam complicadas para mim.
Toda a minha experiência nessa vida e aparente segurança sobre o que é certo caem por terra quando vejo que a mensagem é sua. Você capricha quando quer me envolver.

Mas eu, honestamente, gostaria de entender o que falta para esse rolo evoluir para um compromisso.
Eu entendo que, como disse lá em cima, pode só faltar você querer. Mas percebe quando a gente analisa o contexto o quanto você já deu sinais de querer? Percebe que estamos nessas há meses? Percebe que TODOS os nossos momentos foram bons? Que você não mede palavras para me elogiar quando estamos juntos? Que eu já demonstrei o quanto ter você me faz bem? Comprei a passagem dessa viagem juntos que você me ofereceu mas você parece ter desistido. E como eu fico?

Talvez eu não chegue em grandes conclusões. Acho, porém, que refletir sobre isso tudo já me faz bem para, pelo menos, entender meu lugar nessa história, o quanto estou me transformando coadjuvante dela e como isso é errado. Mas eu quero entender mais. Quero entender melhor você. Quero entender a sua visão sobre a gente e como projeta nossos próximos dias.

Quero entender nossa história para saber se na próxima vez que a gente se encontrar meu beijo vai ser na sua boca ou no rosto. Vê o tamanho do enrosco?

Me deixa saber: O que falta para esse rolo virar compromisso?
Ou, pelo menos, me deixa saber que papel eu tenho na sua vida para que eu possa decidir se quero ter ou não.

por Márcio Rodrigues.
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