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Tenta se proteger

Não deixe nunca de ser você.
Não deixe nunca de falar o que pensa e contar o que sente.
Mas tenta se proteger. De alguma maneira, tenta se proteger.
Vamos falar mais.

Você é daquele tipo de pessoa que mergulha nas histórias de olhos fechados, né? E isso é tão incrível, sabia? Mas olha só, ao considerar a possibilidade real das coisas não darem certo, você estará se protegendo.

Só tenta se proteger.
Tenta se proteger a cada vez que se interessar por alguém e a cada vez que viver algo com alguém. É claro que isso não é algo exatamente controlável, não dá para virar a cabeça para o coração e falar: “Ei amigo, toma cuidado, hein?” mas dá para você tentar dar passos com mais tranquilidade e certeza.

Falando assim pode parecer algo contrário da teoria de se entregar e arriscar para ver no que vai dar, mas não é sobre isso. É sobre se entregar com um pé depois do outro, nem se trata de um pé atrás. É só colocar um pé de cada vez, sentir onde está pisando, perceber e se preservar. Ir se questionando se o que está vivendo é real ou só parece real; se a pessoa gosta ou só parece gostar, por exemplo.

Isso em nada também tem a ver com joguinhos, com deixar de viver as coisas. Também não quero entrar naquela papo de desconfiar “quando a esmola é demais”, não tem nada disso. Talvez a definição em uma linha seja: viva, mas viva sempre sabendo que nem sempre pode dar tudo certo. Quando a gente deixa essa interrogação na cabeça, a gente acaba se protegendo um pouco e, em caso de dor, a gente tende a saber lidar um pouco melhor. O problema mais sério de não se proteger é a dedicação e certeza cega de que tudo vai dar 100% certo em tudo o que fizer na vida, principalmente quando houver outra pessoa – mas nem sempre dará, porque isso é viver. E essas frustrações dilaceram o peito, pois é aquilo mesmo: quanto mais alto a gente sonha, maior pode ser o tombo.

Não deixe de ser você.
Não deixe de revelar que gosta.
Não deixe de confessar saudade.
Não deixe de chamar para sair.
Não deixe de aceitar convites para sair.
Não deixe de viver momentos legais com pessoas legais.
Não deixe, nunca, de primeiro tentar para depois ver no que vai dar.
Só não deixe de se proteger, por mais balde de água fria que isso possa parecer.

É muito fácil viver quando tudo vai bem, o negócio começa a ficar difícil quando alguma coisa vai meio mal e, nesse momento, é bom saber se proteger para evitar que a dor se transforme em machucado.

Tá tudo bem, viu?
Continua sendo você, só não se esqueça de cuidar de você.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Estarei lá com você

Um dia você vai voltar para casa triste.
O trabalho vai pesar e você vai se sentir sufocada, frustrada com o salário, querendo desaparecer. Isso pode acontecer e eu estarei lá com você.

Você vai acordar irritada com a vida e o cabelo mau humorado só vai piorar. No mesmo dia vai aparecer uma espinha chata no seu rosto e você vai se atrasar para chegar no trabalho. Isso pode acontecer e eu estarei lá com você.

Quando o frio apertar e você descobrir os pés no meio da madrugada, eu estarei lá para te cobrir e emprestar um pedaço maior da minha parte do edredom. E até vou apertar a conchinha para te proteger.

Quando fizer sol e você ficar brava com o corpo transpirando dentro de casa de tão quente, eu vou comprar um açaí ou um sorvete – o que você preferir – para te refrescar.

Vai ter uma noite que você não vai dormir bem. Eventualmente preocupada ou só por um noite de insônia mesmo. Isso pode acontecer e eu estarei lá para te preparar um chá e te embalar dormir.

Um dia você vai receber uma notícia triste e o seu chão vai ruir. Isso pode acontecer e eu estarei lá com você para segurar sua mão.

Vai ter um fim de semana em que será necessário acordar bem cedo. Você não vai gostar porque não vai conseguir dormir a tarde como gostaria. Mas na volta para casa eu vou te fazer uma massagem para descansar e dormir mais rápido enquanto fico acordado assistindo seriado.

Deixa que eu rego as plantas. Deixa que eu limpo o cocô do cachorro. Deixa que eu peço e pego a pizza. Vou te comprar um docinho além dos pães da manhã de domingo. Tem dias que tudo vai parecer um saco, qualquer uma das menores atividades, mas eu estarei lá.

Eu não quero que pareça que estarei te cercando, te controlando, seguindo seus passos ou qualquer outra coisa que pareça perseguição; eu quero que entenda que eu estarei lá com você em cada um dos momentos em que você precisar de alguém, de uma palavra, de um ouvido ou de uma companhia, afinal, pode acontecer de você querer uma opinião, querer desabafar com alguém e pode acontecer de você só não querer ficar sozinha, em todos esses momentos eu estarei lá para falar, te ouvir e te acompanhar – e pode acontecer de você não querer ver ninguém, não saber de ninguém, não falar com ninguém, mas eu estarei lá: com você, mas em outro cômodo da casa.

Acontece que a vida nem sempre acontece como a gente quer. E, por isso, é necessário aceitar a vinda dos dias ruins. Nem todos serão legais. Nem todo dia que o sol nasce a gente se anima. Nem toda chuva refresca. Nem todo frio é gostoso. Qualquer uma dessas e de outras tantas coisas podem nos colocar para baixo. Mas tudo muda quando a gente olha para o lado e vê alguém para nos colocar para cima – e eu estarei lá com você.

Um dia você vai voltar para casa triste.
E eu estarei te esperando com brigadeiro na panela para comer enquanto assistimos futilidades na TV.

Juntos a gente faz os dias ruins passarem mais rápido.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Perceba quando só você parece querer

Você já parou para pensar?
Talvez essa seja uma boa hora.
Eu entendo você e toda sua iniciativa em demonstrar interesse por outra pessoa. Inclusive, digo mais, isso é tão raro que só faz ser ainda mais bonito. Você é do tipo de pessoa que não gosta de guardar para si o que sente por alguém. Mas você já parou para pensar que talvez você esteja querendo algo por você e por outra pessoa? Vamos falar sobre.

É que talvez você ainda não tenha ligado os fatos para perceber que essa pessoa que você faz questão, nem liga tanto assim para você. Vai ver o seu envolvimento e toda a sua vontade de ver as coisas dando certo dificultam um pouco mais a sua visão desses fatos. Pode ser. Mas o fato é que é necessário perceber quando só você parece querer.

E, normalmente, quem não quer, da sinais disso. O problema é que, dependendo do nosso interesse, a gente leva mais tempo para perceber. Eu acho, porém, que o tempo vai nos ensinando algumas coisas para a gente evitar passar por outras de novo.

Perceba quando só você parece querer. Perceba o quanto a pessoa não retribui a intensidade que você deposita. Perceba o quanto para você cada detalhe significa muita coisa, mas para a pessoa em questão é só um detalhe. Perceba o quanto você pode estar querendo que alguém goste de você do jeito que você gosta desse alguém. E esse gostar está longe de ter a ver com ter algo sério com alguém, estou falando de um crush mesmo, um paquera, um ficante ou qualquer que seja o nome; o fato é que, apesar de difícil, é importante tentar perceber quando só você parece querer.

É preciso tomar cuidado também para não balizar as atitudes de uma forma injusta. A velocidade com que alguém te responde uma mensagem não exatamente significa interesse ou desinteresse. No caso de demora, às vezes a pessoa simplesmente não pode responder. Faz parte. Agora, excluindo essa possibilidade, o fato é que este pode ser um indício para que perceba que você está remando sozinho numa canoa com duas pessoas. Sabe, isso tem a ver com a pessoa te priorizar, com o quanto ela te destaca. Outro fator é a infinita indisponibilidade da pessoa. É sobre o quanto ela tem agenda para fazer tudo menos para te encaixar nela. Outro ponto importante também para ser analisado, é a reação da pessoa com a sua empolgação. Reciprocidade é o nome que se dá.

Dá para perceber ao mencionar o fim de semana se a pessoa realmente te imagina nos planos dela ou não. Dá para perceber pelo jeito que ela responde se ela gostou da sua proposta. Dá para perceber. Dá para perceber se o que ela alegou parece uma justificativa ou só uma desculpa. Dá para perceber mas dá um trabalhinho também. Por isso que é preciso ter este olhar um pouco mais apurado. Porque o problema é você ir mergulhando cada vez mais fundo num oceano em que a pessoa ficou lá na superfície.

Perceba quando só você parece querer. Perceba a reação, a empolgação e o quanto a pessoa se anima com a conversa de vocês. Perceba já na resposta do “tudo bem?”. Perceba se ela se interessa em saber da sua vida. Observe mais. Será que ela valoriza alguma coisa que você ama fazer? Já percebeu o quanto ela pondera os seus convites?

Isso tudo não é para transformar as relações em investigações de postura e afinidades, mas sim, sobre te provocar a pensar que talvez você queira alguém que não te ter, talvez você queira transar com alguém que não quer transar com você, talvez você queira sair com alguém que não quer sair com você, talvez você queira beijar alguém que não te beijaria. É meio horrível falar isso, mas é necessário. Pensa um pouco.

Perceba quando só você parece querer e experimente dosar o quanto você quer, a fim de se proteger. Isso em nada tem a ver com deixar de ser você, isso tem a ver com você identificar se a pessoa está no mesmo momento que o seu.

A vantagem de perceber quando alguém não quer a gente é que a gente ganha mais tempo para viver e menos para sofrer.

por Márcio Rodrigues
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

 

Vocês não funcionam mais juntos

Antes de encontrar culpado, já parou para pensar que simplesmente não funcionam mais?
Eu sei que a gente fica trocando justificativas para tentar entender e fazer sentido para os dois. A gente tenta. A gente explicar vários contextos quando contamos para as pessoas. A gente desenterra motivos, a gente tenta falar dos meios só para justificar os fins. A gente sempre vai tentar. O que a gente não lembra, porém, é que tem coisas que simplesmente são assim mesmo, por mais raso que isso pareça ser. Explico.

É que vocês só não funcionam mais juntos.
Funcionaram por muito tempo, deu super certo por vários meses – ou anos – e muita coisa legal aconteceu entre vocês, mas hoje as coisas não empolgam mais assim como antes – e faz parte. Claro, com exceção dos casos onde alguém machucou outro alguém na história. Aí tem a ver com alguém interromper algo que parecia bom.

Só que no caso de vocês foi só assim: parou de funcionar.
Imagine uma máquina que só funciona se colocar óleo todos os dias. A partir do dia que você deixa de colocar esse óleo ela vai começar a enguiçar. Se você nunca mais colocar óleo outra vez, ela simplesmente vai parar de funcionar.

Foi isso o que aconteceu com vocês: o óleo acabou para a máquina continuar funcionando.

Leva um tempo até chegar na conclusão de que a história não funciona mais. É um processo de auto convencimento. É como se todos os dias fossem novas chances para avaliar se a história tem ou não mais um capítulo para acontecer. Cada dia novo é quase que um novo teste. Isso faz parte e até tem seu valor porque significa que você não desiste fácil da sua história e quer encontrar maneiras para protegê-la. O que a gente não considera, contudo, é que as pessoas mudam até mesmo dentro de uma relação. Os sonhos e objetivos se transformam e as motivações se alteram.

Histórias felizes não necessariamente possuem final feliz.

Chega uma hora que simplesmente não dá mais. Não dá para fingir que está tudo bem, não dá para se enganar de que vai melhorar, não dá para deixar de ser quem você é só para ver se vai resolver, não dá para achar que a culpa é só sua, não dá para obrigar a outra pessoa a mudar quem ela é, não dá para insistir, não dá para tentar, não dá para continuar. Não funciona mais. Há um desequilíbrio entre as coisas boas e as nem tão boas assim. Não há mais uma unanimidade. As diferenças ficaram grandes demais e os defeitos muito pesados. A sincronia se fragilizou. Vocês não funcionam mais juntos.

É preciso se atentar aos detalhes. Normalmente aparecem pistas quando as coisas começam a desandar. É preciso perceber se você ESTÁ MESMO feliz nos momentos que parecem felizes ou se você QUER ESTAR feliz mas não consegue mais. Vê a diferença? É sobre você querer sentir algo que não consegue sentir. É preciso perceber isso porque muitas vezes você está motivado a gostar de algo na outra pessoa, mas simplesmente não consegue gostar mais. Esses detalhes apurados são importantes para não vender uma ideia errada para a outra pessoa.

É que poucas coisas são piores do que uma história onde um acha que está tudo bem e o outro tudo mal. É tipo dois numa canoa onde só um rema.

É melhor identificar cedo essas fragilidades para não cometer erros que façam a outra pessoa te responsabilizar pelo fim das coisas, ou seja, presta atenção se o óleo acabou mesmo e fale sobre isso. Só não busque em outro alguém o óleo que só funcionaria para vocês dois. Acho que deu para entender. Não faça isso.

Está tudo bem. Ninguém precisa estar mais errado que alguém. Não é uma competição, é uma relação. Está tudo bem. Os dias bons vão viver para sempre e os ruins vão se transformar em lição. Vocês foram uma dupla e tanto. Está tudo bem. É que agora vocês não funcionam mais juntos.

Ps: há outras máquinas no mundo esperando alguém colocar um pouco de óleo para funcionar.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Quando ela prende o cabelo

É um jeito que vocês deveriam ver. Eu juro.
O dia inteiro ela tenta lidar com o cabelo.

É um prende e solta que não tem fim. “Ele tá sujo hoje” ela alega quando prende apressada num rabo de cavalo. “Lavei hoje, né?” ela diz quando teve pique para acordar mais cedo e ter um banho mais demorado.

Quando o cabelo dela está solto, ela costuma tirá-lo do rosto algumas vezes durante o dia; ora repartindo e colocando um pouco atrás da orelha, ora só tirando da frente dos olhos com uma leve passada de dedo. Agora, quando ela prende o cabelo… Ela prende de formas muito variadas. Tem dias que ela prende com o já citado rabo de cavalo. Tem dias que ela usa uma caneta ou o que mais tiver pela frente só para dar um jeito rápido, principalmente se estiver estressada. Nesse caso, meu amigo, ela fica puta da vida e só quer encontrar uma maneira de parar de se irritar com esse cabelo.

Tem dias que ela puxa todo o cabelo para cima e fecha num coque. Aliás, dias assim são sempre incríveis. Mas às vezes esse coque se solta um pouco pela nuca, deixando fios mais longe da cabeça e um pouco da franja perto do rosto. Eu não tenho certeza, mas a impressão é que faz parte do penteado deixar um pouquinho da franja. Ela faz ser natural o que me soa tão especial.

Falando nisso, será que ela sabe como fica quando prende o cabelo?
Será que alguém já falou? É que quando ela prende o cabelo é tão, tão, eu não sei explicar. Mas vou tentar.

O negócio é que o jeito que ela cuida do cabelo é bonito. E não é sobre cosméticos, é sobre o jeito que ela toca no cabelo durante as horas do dia; é sobre como, talvez sem querer, ela consegue ser ainda mais charmosa.

É sobre o bonito se transformar em lindo.

Inquieta, ela está sempre em mudanças: Faz progressiva, deixa natural, pinta de uma cor, de outra, não pinta, repica aqui e acolá, corta muito ou corta pouco. Ela parece estar sempre querendo dar um quê a mais para o cabelo.
Ela sempre diz que  “precisa cortar”, que “tá sem corte”, que “precisa dar um jeito nesse cabelo”, mas quem sou eu para falar o contrário, né? Eu sei que vou gostar de qualquer coisa que ela fizer, porque a beleza não é no cabelo sozinho, é na proprietária dele.

Eu fico pensando no privilégio de todos os shampoos e cremes que ela usa. É que eles beijam aquele cabelo bem na hora do banho. E poucos momentos são mais especiais para beijar alguém quanto no banho.

Não é só “prender o cabelo”: é levantar os braços, encontrar algo para prender, recolher uma parte com uma das mãos, depois a outra metade com a outra, juntar tudo e finalmente prendê-lo. Não é um gesto, é um ritual.

Ela pode ter qualquer corte e qualquer cor, quem faz o cabelo ser bonito é o fato dela ser linda.
E ela ser linda só é uma verdade pelo jeito que ela é. É sobre o jeito dela.

Quando ela prende o cabelo é um jeito que vocês deveriam ver. Eu juro.
Mas esse é o tipo de coisa que a gente não deve ver com os olhos, mas sim com o coração.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Essas são coisas que eu queria te falar

Eu acho que nunca vou conseguir te dizer tudo isso pessoalmente.
É covarde, eu sei, mas eu acho que não vou.
É que eu acho que você se assustaria e já passei por isso antes.
Já aconteceu de eu falar o que sentia por alguém e esse alguém reagir de uma forma não muito boa; agir sei lá, meio que em desespero tentando medir as palavras para não me machucar. Eu fiquei pior. Naquela ocasião eu só contei o que eu sentia e não o que deveria acontecer. Eu não coloquei uma faca no pescoço, eu só disse que gostava dela. É complicado.

Eu queria te falar que tenho pensado muito em você. Vou explicar.
Parece que seu papel na minha vida se transformou um pouco. Meio que do nada, juro para você, passei a te ver com os olhos do coração e não mais só com os da visão. Isso significa que comecei a querer ficar mais perto de você e me deu vontade de te falar coisas que você merece ouvir.

Para começar, eu gostaria de te falar que você é uma pessoa incrível. Que é valioso demais ver o seu esforço para conquistar o que deseja e que você me motiva muito, mesmo sem saber, a conquistar as coisas que eu quero. Você merece ouvir que motiva alguém nesse mundo. Preciso te falar também sobre o quanto te acho uma pessoa linda. Uma pessoa linda por todos os lados, um sorriso que dá vontade de morar nele, um jeito de mexer no cabelo que eu ficaria assistindo mais tempo do que assisto meu seriado preferido e um jeito de ver o mundo que faz com que os problemas não pareçam tão pesados quanto são. Louco, né? Do nada, juro.

É que você não faz ideia do bem que faz.
Agora me diz, como te contar isso tudo pessoalmente sem você se assustar? Impossível. Engraçado que nunca planejei contar coisas ruins, o problema é justamente quem me ouve dizer coisas boas. Pelo menos foi isso que aprendi com outras reações. Quando eu falei para uma garota que eu a amava, ela quis ir embora na hora. Eu sei que a peguei desprevenida, mas ela só poderia dizer que gostou de saber disso, ao invés de tentar fugir com medo de me encarar, sabe? Não foi legal para mim.

As pessoas que contam o que sentem para outras não merecem ser diminuídas ou tratadas com piedade. Contar o que se sente para alguém é um ato de nobreza. Não há como descrever o valor que há em alguém que para algumas horas do próprio dia para dizer a outro alguém que não consegue parar de pensar nos dois.

O mundo anda estranho e eu só queria andar com você.
Eu queria que você visse em mim um pouco mais do que já vê, queria que me visse como alguém que poderia te fazer se sentir bem na vida, na felicidade, na dor, no amor, na cama, na praia, no sonho, no sábado de manhã, no cinema, nas boas e nas más notícias. Eu queria dizer que te entendo. E que mesmo que eu não consiga, que eu vou tentar. E que mesmo que tentando eu ainda não consiga, eu vou estar lá. Pelo menos para te ouvir. Eu queria te dizer que eu não esperava te ver assim também, mas que por algum motivo eu passei a sentir que poderia te ajudar a se equilibrar nesse mundo tão desequilibrado; senti que eu poderia te fazer sentir como sempre quis com um abraço para fugir e um beijo antes de dormir. Eu poderia e eu posso. Eu queria te falar essas e outras tantas coisas.

Você é uma pessoa especial. Sua coleção de dias ruins já está cheia demais. Eu queria te ajudar a organizar tudo, guardar um pouco, esvaziar uma parte e colocar mais dias bons na sua prateleira para você ver e lembrar antes de dormir. Eu queria te mostrar que a decepção não é padrão. Eu queria te falar tudo isso mas, como eu disse, eu não consigo porque tenho medo de você se assustar, entre outras coisas. Então eu escrevi. E estou aqui para te provar tudo o te fiz ler.

Eu estou aqui.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Não sou quem você precisa

Demorou um pouco para eu ter certeza disso. Essas coisas não aparecem na cabeça do nada e seria injusto concluir algo assim por impulso. Mas eu entendi que não sou quem você precisa. E me dói dizer isso.

Me dói porque eu aprendi a gostar de você. Diferente de chegar na conclusão, gostar de você foi rápido. Você cativa todos ao seu redor e não é difícil sorrisos brotarem nas pessoas quando você está por perto. Passei a te ver de um jeito especial e, pouco a pouco, foi fazendo sentido para mim que você era uma pessoa mais interessante do que eu havia pensado naquelas primeiras horas.

Só que eu comecei a perceber também alguns ruídos entre nós.

As coisas passaram a se acertar menos. Vou tentar explicar. Comecei a te sentir inacessível e tudo parecia um empecilho quando a gente combinava algo. Isso quando não era pior: a gente combinar, eu esperar o dia e horas antes você cancelar. Comecei a sentir que na fila de prioridades eu ocupava o último lugar. No começo eu achava que era coisa da minha cabeça, sei lá, que eu estava preocupado demais com algo que era normal, mas na verdade não tinha nada de normal: a gente simplesmente não sincronizava mais.

Eu percebi que a sua vontade era viver coisas nas quais não me cabia. E fiquei preocupado em parecer um problema nos seus desejos. Eu não queria ser um bloqueio na sua agenda e também não queria me sentir encaixado em momentos que você queria viver, tampouco quase que implorar para fazermos algo juntos.

Eu sei que a nossa história nem foi tão longa, mas por isso cheguei nessa conclusão: para eu não sofrer mais e para você se sentir mais livre. Acho que não é o momento de discutir quem está certo ou errado, se a minha sensação era equivocada ou algo do tipo, o fato é que fui me sentindo diferente até concluir que era melhor você seguir seu caminho e eu o meu – apesar de gostar de você.

Nossa fase não é a mesma.
Planejo dias mais calmos pela frente e uma companhia para me ajudar a dividir o peso da rotina e aproveitar os bons momentos, já você, me parece querer se descobrir, aproveitar mais a sua própria vida e aguçar ainda mais o seu espírito aventureiro – algo que admiro, aliás. Em outras palavras, enquanto você parece não saber o que quer, eu tinha certeza que queria você. Por isso eu não sou quem você precisa.

Acho que me distanciar vai ser uma boa saída para nós dois. Pelo menos não vai doer tanto por estar no começo. É nisso que estou me apegando para não me ver apegado ao histórico das nossas conversas.

Não sou quem você precisa e tudo bem. Meu coração tentou me convencer que você é quem eu preciso e ele estava conseguindo; até meu cérebro ponderar e me fazer perceber que eu estava gostando de algo sozinho. A gente decide melhor quando decidimos pelo coração ouvindo o que a cabeça diz.

Está tudo bem, tá? Não há sentimento ruim por aqui. Não vou fazer do tipo que cita lembranças pra gente se comover. O que valeu a pena foi gostar de te mostrar que parte da minha vida, esses tão poucos dias, eu dediquei inteiros para você. De verdade.

Vai ficar tudo bem. Vai sim.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseirparadois@gmail.com

 

Você é muito devagar

Não me leve a mal?
Mas deixa eu te falar como vejo daqui de fora?
É que eu te vejo reclamar muito, mas vejo pouco você assumir a sua parcela de culpa. E uma delas é que você é muito devagar. Desculpa falar assim.

Não há uma pessoa nesse mundo que tem certeza de todas as coisas, ou seja, partimos do mesmo princípio do desconhecido, né? O que diferencia, porém, é o quanto as pessoas metem a cara, arriscam, tentam ver no que vai dar, fazer alguma coisa, pelo menos alguma coisa. É isso que muda.

E o que vejo em você é uma distração com a própria vida; é sobre o quanto tudo te passa por debaixo do seu nariz; é sobre o quanto o que é claro para todos para você é um grande mistério. Eu não quero, porém, que você caia na armadilha dos amigos bem intencionados que dizem: “Amiga, elx tá a fim de você, tá na cara” ou “Mano, para de ser burro, é claro que elx tá a fim de você”. Estes parâmetros são escorregadios. Onde eu quero chegar é no ponto de você, com si mesmo, começar a ponderar que sim, talvez elx esteja a fim de você mesmo, talvez esteja te dando mole, talvez sim de verdade, sim, logo aquela pessoa, sim, que você não imaginava. Pois é.

Mas eu te entendo, esse jeito tem a ver com proteção. De tanto sofrer, você agora se protege de tudo – e isso é ótimo. O problema é quando a proteção vira uma agressão contra nós mesmos, sabe? Vou explicar mais. De tanto se proteger, você acaba se machucando ao perder as oportunidades que a vida te dá. Oportunidades estas que você tanto espera que aconteçam. Não é irônico?

Dificilmente alguém vai chegar em você e falar: “Eu gosto de você, fica comigo?” – acontece, mas esta é uma conversa pouco convencional. A julgar que esse momento da vida acontece feito magia, com olhares velados e algumas indiretas até que alguma atitude seja tomada. O meu ponto é que você só percebe quando a pergunta é feita, do contrário, você nunca percebe.

Falar para tentar ser menos devagar não significa que estou falando para mergulhar em todos os momentos em que sentir que uma indireta foi dada a você. Nada disso. É perigoso. O que eu quero dizer é para você ligar o radar e sensibilizar sua intuição. Arriscar mais. Com isso, veja só, você vai conseguir inclusive usar um pouco mais do seu charme e do seu jeito de fazer bem a alguém – aquele jeito que você sabe tão bem.

Você é muito devagar, mas você pode mudar. Não foi uma, nem duas, nem dez as vezes que oportunidades passaram por você sem que percebesse, mas a boa notícia é que isso pode mudar. E a melhor estratégia para isso é também provocar quando a sua intuição te disser que está sendo provocado. Esta é a parte gostoso do conhecer alguém – ou do se interessar por alguém. É tomar uma iniciativa sem a certeza de reciprocidade. É pagar para ver. É pensar: “Será? Deixa eu fazer alguma coisa também”. O meu desejo é para que você pare de ignorar quando chances aparecerem na sua cara. Não consigo garantir que essa mudança de postura vai representar bons resultados, é impossível afirmar, mas da para dizer que FAZER ALGO É MELHOR QUE NÃO FAZER NADA.

Agora, em outras e diretas palavras, PRESTA ATENÇÃO QUANDO EXISTE ALGUÉM PRESTANDO ATENÇÃO DEMAIS EM VOCÊ; se enxerga que você é sim uma pessoa do caralho e alguém pode estar se interessando por você AGORA, mas você precisa colaborar. Abre esse olho, estimule sua intuição e pare de deixar que o destino seja responsável por tudo na sua vida; saia do modo “a vida sabe a hora” e dê chacoalhões para que essa hora TALVEZ CHEGUE ANTES. Você é quem escreve a sua história.

Tenta. Só tenta. Tenta e se joga, se cair, levanta e tenta de novo. A vida tem dessas e vai ter para sempre. Se está difícil agora, já lembro que não vai facilitar depois de mais velho.

Foque em viver dias bons, deixa o frio chegar na barriga, esfrie a de alguém também, ainda que só para ir descobrindo um ao outro e ver se esse frio vai passar sozinho ou vai passar no quentinho de um abraço. Pelo menos ele passa.

Você é muito devagar, mas você pode mudar isso. Tá? Tá.
Não me leve a mal, mas quando a gente gosta de alguém a gente fala o que a pessoa tem que ouvir e não só o que ela quer.

Ah, esqueci: Eu também sou devagar, mas estou tentando mudar. Todo mundo é um pouco, né? E todo mundo pode mudar sempre.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Amor não precisa doer

Eu não sei de onde tiraram esse papo de que “amor é assim mesmo” para algumas coisas como, por exemplo, sofrer. “Ah, não liga não que isso faz parte” é o que a gente ouve quando revelamos alguma coisa que não deu certo com alguém ou alguma chateação nossa. É como se minimizássemos os problemas com essas respostas na intenção de surtir um efeito de alívio, algo como “então tá, tem razão”. Não, não tem razão. Amor não precisa doer. Nunca vai precisar.

Essa é uma ideia errada e que reforça os momentos que ninguém quer viver em relação nenhuma, menos ainda num relacionamento sério com alguém.

É inconcebível entrar no discurso de que “é assim mesmo” quando se trata de problemas que envolvem duas pessoas. Isso não anula, porém, a necessidade de encarar o fato de que nem todos os dias numa história a dois são bons.

Amor não precisa doer porque não é essa a função dele na nossa vida. Amor não precisa doer e a gente precisa muito reverter este quadro, quebrar estas viciadas formas de pensar. Amor não precisa doer e não precisa ser complicado. É que justamente ao complicar que ele começa a doer mesmo.

A gente não precisa brigar pelas pequenas coisas se a gente fizer com que essas pequenas coisas simplesmente não existam – ou se a gente tentar resolver. A gente não precisa discutir o tom da voz numa conversa se o nosso tom sempre for respeitoso, ainda que para discordar – ou principalmente. A gente não precisa entrar no jogo de “não falar nada para não parecer grude demais” se a gente simplesmente reconhecer que queremos fazer bem a alguém sendo quem somos. A gente não precisa dormir e acordar triste com vontade de voltar para alguém se a gente simplesmente acabar com o nosso orgulho e falar o que sentimos. A gente não precisa empurrar um negócio ruim com a barriga se a gente simplesmente pedir para conversar e tentar entender. Vê como o amor não precisa doer? Vê como essa ideia errada? Vê como não precisa ser difícil?

A gente precisa mudar esse mundo.
Precisamos começar fazendo a nossa parte para fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de agir tão no automático. É que está tão enraizado por gerações essa ideia de que amor dói e é assim mesmo que fica difícil desconstruir esse pensamento. Porém, é preciso. Vai ser foda, mas vamos tentando. É preciso mudar esse pensamento se o que queremos é ter uma vida mais leve, bonita e nem por isso menos real cheia de lombadas para a gente atravessar. A gente precisa começar a falar o que queremos. Precisamos fazer alguém saber quando sentimos saudade desse alguém. Precisamos pedir desculpas para ficar bem ao invés de “esperar a pessoa vir falar alguma coisa”. Precisamos focar em resolver os problemas, não aumentá-los. Precisamos dedicar mais força para bons momentos para que tenhamos força o bastante para superar os maus.

Amor não precisa doer. De verdade. Tira isso da sua cabeça. Esqueça essa ideia de deixar de ser quem você é só para ser conivente com algo que não concorda. Talvez seja por isso que conhecer alguém, dizer que gosta de alguém, querer ver alguém, falar da saudade de alguém ou qualquer outra coisa que envolva alguém, ultimamente, seja algo tão difícil de acontecer. Porque as novelas nos ensinaram que existe padrão para tudo. É o típico caso de saber que o casal que briga no começo vai terminar juntos no fim. Apesar disso realmente ser um retrato da vida, isso não precisa ser encarado como padrão. Às vezes eles não vão ficar juntos mesmo. Essa é a vida real. É que somos nós que podemos romper os padrões! Somos nós a surpresa que queremos ter. Somos nós que podemos descartar o óbvio e fazer do jeito que a gente SENTE. Somos nós. A gente precisa fazer mais o que a gente sente e menos o que dizem para a gente fazer. E precisamos também questionar mais o que raramente foi questionado, tipo esse papo do amor doer.

Eu não sei dizer se vai dar tudo certo sempre, mas você sempre vai poder dormir em paz com a certeza de que fez o que queria, principalmente, se o que sente é amor.

Tenta uma vez e depois me conta como foi?

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

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Quero te fazer bem

Antes de ser amor.
Antes do tempo passar e a gente concordar que tudo isso eventualmente se transformou em amor e antes da preocupação pela hora que isso vai acontecer, eu quero te fazer bem. Eu quero te fazer bem porque quando a gente está junto eu fico bem. É isso. Não tem muito o que palavrear de um jeito difícil de entender.

De todas as dúvidas que tenho nessa vida, fazer bem a alguém nunca foi uma delas. Sempre acreditei e vou acreditar que a escolha certa sempre vai ser valorizar quem me valoriza e dar atenção a quem também me dá. Essa é a escolha certa mas nem sempre a gente escolhe certo.

Às vezes a gente se perde no meio do conflito entre o coração e a razão. Isso acontece naquelas vezes em que aceitamos que abram feridas na nossa vida e não conseguimos dar fim por tudo o que sentimos. São vezes que a gente não precisa ficar lembrando, mas que também não podemos esquecer.

É que só por comer o pão que o diabo amassou, só por alguém ter pisado no que sentimos é que conseguimos valorizar um novo alguém que aparece na nossa vida – e por esse alguém então nascer uma nova vontade de fazer bem.

A dor que já sentimos nunca pode comprometer o amor que protegemos, isto é, nenhum dos dias de bosta que você viveu com alguém pode ser capaz de te desanimar para colocar o sorriso no rosto de outro alguém e ter um no seu também.

Por isso que eu quero te fazer bem.
Porque a gente conversou sobre as quedas que demos nesse mundo, porque a gente conversou sobre as nossas vontades e, pela mais simples delas de viver e mais difícil de acontecer, ser a vontade de ter alguém para conversar amanhã, depois de amanhã e a cada manhã. Quero te fazer bem porque a gente conversa. Porque a gente toca nos assuntos. Quero te fazer bem porque meu dedo gostou de deslizar no seu rosto. Quero te fazer bem porque eu acordei antes de você naquela vez só para ver como é você dormindo. Quero te fazer bem porque o que você tem de diferente no seu jeito é o equilíbrio para melhorar o meu e talvez eu tenha algo para te completar.

Eu só não quero pensar no que vai ser. Carrego comigo as possibilidades da vida e, entre elas, a da gente se esfriar e nos ver cada vez menos, mas eu me apego mesmo é na possibilidade que tenho hoje de te fazer bem a cada vez que a gente se vê, levando toda a minha energia para somar à sua e a segurança de um momento bom para viver enquanto estiver ao meu lado.

Não sou – e ninguém é – quem vai te curar as feridas da vida, mas sou quem pode te evitar aparecer novas e, mesmo se não conseguir, posso ser quem pelo menos vai te ajudar.

Viver pelo coração é bom, mas ter um outro para ajudar a viver é melhor ainda.

É por isso que eu quero te fazer bem.
A cada novo “oi”, a cada nova mensagem recebida, a cada beijo de despedida e a cada noite juntos de conchinha. Quero te fazer bem a cada momento, enquanto a gente continuar com vontade de viver o que sentimos ser o bom da vida para nós dois – entre hambúrgueres, filmes e croissants recheados.

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por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

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