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A tendência em pensar que o problema somos nós

A pessoa não se interessou.
A pessoa até se envolveu, mas não a ponto de algo mais sério.
A pessoa ainda se abala pela história anterior.
Pode ser tudo isso antes, mas primeiro a gente vai pensar que o problema somos nós.
A gente sempre vai eleger a nós mesmos como responsáveis pelas coisas não saírem como o planejado. Essa é uma tendência para a vida, mas quando o assunto é coração a coisa piora. 

Fica muito difícil alguma coisa dar certo quando a pessoa que menos torce pra gente somos nós mesmos. 

Seria muita pretensão cravar aqui o que deve ser feito, mas dá pra gente pensar em algumas coisas.
Acho que, para começar, você precisa ser fã de você.
Você precisa se apegar a todas as coisas que gosta em você.
E é óbvio que são muitas. Mais de uma já pode ser chamado de muitas.
As pessoas percebem quando estamos bem com nós mesmos, sabe?
É muito louco verdadeiro. Quando você está bem com você, parece que o mundo gira numa velocidade que dá tempo de apreciar a paisagem – e não aquele giro louco que a gente tropeça na rua de graça.
Eu nem me refiro àquele papo todo de se amar, aqui é mais sobre você explorar as coisas que são legais demais e você. Se amar vem no paralelo.

A estatística é uma alavanca para que sejamos pessimistas com nós mesmos. Explico: fica muito difícil acreditar que o problema não somos nós quando nenhuma vez as coisas parecem engrenar, né? Se das últimas, sei lá, cinco experiências, todas deram “”””errado”””” é claro que a gente vai pensar que somos o grande problema do troço – nem que seja por um azar profissional.

Mas será?
Pode até ser sim. 
Vamos falar a verdade, né? 
Afinal, assim como você sabe as coisas legais que tem em si, você também sabe as coisas insuportáveis – mas se não souber identificar seus defeitos, recomendo um médico.

Agora, será mesmo que o problema vai ser a gente assim em tantas vezes como nosso coração nos faz pensar?
Será que a gente precisa mesmo nos colocar a frente de qualquer outra possibilidade?
Será que antes de você se considerar uma pessoa feia, a pessoa que não te quis só não te quis mesmo? Tipo assim: queria, pareceu querer, não quis mais. Por qualquer motivo do mundo e, por último e olhe lá, por culpa da sua beleza?

A gente não precisa acreditar no que não é falado. 
A gente até cria uns fantasmas aqui e ali, mas a gente precisa domesticá-los porque eles não podem aparecer aleatoriamente desgraçando a cabeça. Normalizar e oficializar impressões sobre as coisas é o caminho mais rápido de destruir a si mesmo. Se ninguém especificou que você é o motivo pelo qual não vai rolar mais ou nem vai começar a rolar, você não precisa fantasiar que você é justamente o motivo.
 

Será que é óbvio assim como parece quando a gente lê ou não?
Eu não sei.
Mas não dá para negar o quanto faz sentido.
A tendência em pensar que o problema está na gente vem do quanto gastamos energia tentando mais entender as pessoas do que valorizando quem somos. A gente tem essa tendência porque somos sedentos por respostas, pelo AmaisB das coisas, pelo preto no branco e assim a gente esquece que, quando o assunto é coração, muitas das perguntas possuem uma mesma resposta:

SEI LÁ POR QUE.
As pessoas são assim. Elas não deixam claro as coisas e a gente fica sem entender.
Então, até que alguém te diga: OI, O PROBLEMA É VOCÊ, DO RG NÚMERO TAL E CPF NÚMERO TAL – o problema não é você – é um monte de outras coisas, muitas vezes ao mesmo tempo.

Muita coisa vai ser motivo antes de ser você.

Não assuma uma culpa que não é sua, principalmente se você dorme sempre sabendo tudo o que oferece de legal para alguém.

Troque a tendência em pensar que o problema é você pela certeza de que, pelo menos, não podem alegar que o problema é você.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
 

O que falta para esse rolo virar compromisso?

De cara a resposta pode ser: você querer.
E o pior é que é verdade.
Mas vamos dar um contexto para entender os fatos porque o coração não fala uma língua só.

Antes de qualquer coisa, um clichê: eu já estive na sua posição em outras histórias.
Já fui quem não queria “nada sério”, quem “estava com outros planos” e quem “recentemente terminou uma história” – para citar alguns exemplos. A minha estadia nesse mundo já me rendeu episódios muito parecidos com os seus.

E até até aí tudo bem.
Isso aqui está longe de ser uma competição sobre quem de nós viveu mais as mesmas coisas.

O negócio é que você me confunde e isso está começando e me incomodar.
Eu entendo a indireta sobre pegar leve e irmos devagar, mas quando não são os dias que passam e sim meses, fica complicado encontrar tanta paciência para administrar.

Pensa comigo: há alguns meses que temos preenchido os dias um do outro com mensagens carinhosas ou companhia em tardes de sábado. A gente passou da fase inicial de “se conhecer melhor”. Pelo menos os nossos momentos me fazem pensar isso. Pelo menos as coisas que você diz sobre mim me fazem pensar isso. A gente já conversou e já viveu tanta coisa que talvez muita gente não converse e viva em anos.

A nossa história demanda um tremendo esforço da minha parte.
Eu fico tentando ler os seus sinais, tentando antever seu comportamento para entender o que passa na sua cabeça e, especialmente, para entender como que a minha cabeça vai lidar com isso.

No começo é até divertido, mas depois começa a ficar chato. E eu me incomodo, principalmente, porque eu já passei da fase da vida de brincar de ter alguém; de namoricos passa-tempo ou de festinhas descompromissadas. Histórias passageiras colorem os dias, mas eu prefiro uma pintura emoldurada para inspirar minha vida. Eu só não sei se você precisa também – ou se eu sou essa pessoa e tudo bem eu não ser. Você não me deixa entender.

A pior parte disso tudo é que já pensei que, pior do que ter você de vez em quando, é não te ter mais.
Pensar assim me diminui e eu não quero.

As coisas andam complicadas para mim.
Toda a minha experiência nessa vida e aparente segurança sobre o que é certo caem por terra quando vejo que a mensagem é sua. Você capricha quando quer me envolver.

Mas eu, honestamente, gostaria de entender o que falta para esse rolo evoluir para um compromisso.
Eu entendo que, como disse lá em cima, pode só faltar você querer. Mas percebe quando a gente analisa o contexto o quanto você já deu sinais de querer? Percebe que estamos nessas há meses? Percebe que TODOS os nossos momentos foram bons? Que você não mede palavras para me elogiar quando estamos juntos? Que eu já demonstrei o quanto ter você me faz bem? Comprei a passagem dessa viagem juntos que você me ofereceu mas você parece ter desistido. E como eu fico?

Talvez eu não chegue em grandes conclusões. Acho, porém, que refletir sobre isso tudo já me faz bem para, pelo menos, entender meu lugar nessa história, o quanto estou me transformando coadjuvante dela e como isso é errado. Mas eu quero entender mais. Quero entender melhor você. Quero entender a sua visão sobre a gente e como projeta nossos próximos dias.

Quero entender nossa história para saber se na próxima vez que a gente se encontrar meu beijo vai ser na sua boca ou no rosto. Vê o tamanho do enrosco?

Me deixa saber: O que falta para esse rolo virar compromisso?
Ou, pelo menos, me deixa saber que papel eu tenho na sua vida para que eu possa decidir se quero ter ou não.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Você parou de me responder do nada

Acho que te assustei e ainda estou tentando entender.
As coisas pareciam bem.
A meu ver, a gente estava se conhecendo numa velocidade interessante.
As conversas eram boas – ou será que só pra mim?
Eu confiava bastante nos seus “hahaha”.
Você parecia gostar dos nossos assuntos.

A gente trocava muitas recomendações de séries.
Você comentava meus stories.
A gente mandava fotos um para o outro durante o dia.
Fotos dos pratos no restaurante PF mesmo.
E chegamos até a nos marcar em memes.
Sei lá, eu estava acreditando que alguma coisa boa estava aquecendo.
Mas aí a gente esfriou.

Você sumiu.
Passou a demorar para me responder.
Eu até te perguntei se o problema foi algo que eu tinha falado e você fez questão de dizer que não era nada disso. Acreditei mas ficou ainda mais confuso.

Não é muito fácil eu me aproximar de alguém e com você eu senti que estava conseguindo – isso em nada tem a ver com jogar uma responsabilidade em você, é só um recorte pessoal.
Coleciono fissuras na autoestima ao longo de muitos anos. O mundo anda complicado.
Nada muito diferente de muita gente por aí, mas tudo muito profundo para me impedir de me envolver com frequência.

Eu fiquei pensando porque você deu essa esfriada nas nossas conversas e os motivos podem ser diversos.
Vai ver você conheceu uma pessoa nova.
Vai ver você está sem tempo mesmo.
Vai ver você voltou para a pessoa anterior.
Vai ver você ficou de saco cheio.
Vai ver um monte de coisa mas só a gente que não se viu.

E fica muito difícil acreditar que não foi algo que fiz.
Tenho tendência derrotista e eu sei que isso não me faz bem. É que a estatística não colabora. Já faz um tempo que ouço as pessoas reclamarem de pessoas renunciando conversas.
Muito louco pensar em como pode ser rápida a passagem de alguém na nossa vida, né?
É.
Vai ver você mostrou fotos minhas para os seus amigos que não me acharam “nada demais” – já descobri que aconteceu comigo antes.

Eu gostava de quando a gente conversava.
Você parecia gostar de ter alguém se importando com o seu dia.
E minutos antes do meu acabar, só havia a do meu celular com a nossa conversa aberta.
A gente era a última e a primeira coisa que eu fazia.

Talvez seja cedo para afirmar o que pode ter acontecido e você, quando reaparece, não justifica com nada específico.

Nessa incerteza do que a gente se transformou, eu sinto saudade do que a gente parecia ser.
Mas você parou de me responder do nada.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Comprometidos em fazer dar certo 

Então ok.
Houve um acordo e decidiram que daria para ver no que vai dar.
Agora é oficial.
A conversa vai ficar lá no topo do Whatsapp.
Os planos sozinhos vão ser naturalizados juntos. Coisa boa.
Dorme aqui em casa um dia que eu durmo na sua outro.
Eventos de amigos. Aniversário de fulano sábado que vem.
Um show pra ir e um filme novo no cinema.
Netflix então a 1.000 por hora de uso – fazendo valer a pena.
Começa a marcação em vídeos de cachorros fofos. 

Isso tudo acontece e sempre vai acontecer, mas nada disso é tudo isso assim se as duas pessoas não se engajarem na mesma história. É isso o que muita gente esquece e argumenta que nem percebe. Há quem diga, por exemplo, que “sempre foi assim” quando quer justificar uma diminuição de interesse perto do que já houve um dia.

Existe uma linha muito fininha entre normalizar e mal acostumar. Em geral, a rotina faz a gente normalizar as coisas, ao passo que a gente também pode ser ver mal acostumado e com os mesmos vícios na história – e nem sempre alguém vai levantar a mão e alertar que isso está estranho, por isso a gente precisa ter em mente o valor do comprometimento em funcionar bem para os dois.
Muita gente esquece que a história com alguém é uma história de interesse e reciprocidade.
Não adianta você estar preenchendo as caixinhas de padrões com uma pessoa se você não se posiciona como alguém com vontade de fazer essa história ser realmente de verdade. Isso significa que em nada adianta, por exemplo, postar fotos juntos, fazer comentários bonitos, demonstrar para todo mundo lá fora o quanto gosta se dentro de vocês não existe uma certeza assim.

A gente precisa de comprometimento em fazer dar certo. 
Eu preciso saber que eu realmente posso contar com você ao passo que você não precisa pensar duas vezes para confiar em mim. O comprometimento em fazer dar certo está diretamente relacionado a pilares centrais em uma relação, dentre os quais: 1) confiança; 2) engajamento e 3) reciprocidade e, no assunto aqui, é sobre o engajamento.

Me conte a sua opinião quando eu te pedir – ou me contribua sem que eu fale nada.
Me fale o que você pensa ainda que você imagine que eu vou pensar diferente.
Me deixe dormir sabendo que a gente se acertou e que vou acordar bem para falar qualquer coisa com você.
Me explique as coisas que te incomodam para que eu possa refletir como fazer diferente se é para o nosso bem.

Para o nosso bem. É tudo sobre isso. O comprometimento em fazer dar certo é sobre abrir mão de protagonismo na história para permitir com que ela se fortaleça. A gente não precisa estar certo sempre, a gente não precisa transformar tudo em competição, a gente só precisa convencer a pessoa que está ao nosso lado de que estamos realmente bem-intencionados com que essa história não conheça um ponto final tão cedo. 

É por isso que se acomodar é o perigo, que pensamentos como “eu sou assim mesmo” ou a reatividade do “você quer estar sempre com razão” destroem mais do que constroem. 

Comprometidos em fazer dar certo. Se isso já é unânime entre as duas pessoas, metade da história feliz já foi conquistada. 

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Tudo bem você não querer mais

Esse assunto precisa ser pacificado.
Um dia a gente vai querer alguém.
E vamos querer tanto esse alguém que vamos falar umas coisas bonitas; se bobear até vamos prometer algumas coisas.
E aí o mundo vai acabar se alinhando e a pessoa vai querer a gente também.
Que coisa boa.
Fotos no instagram, dias de sol e sábados de séries e filmes.
Delicinha.
Status de relacionamento.
A história pode ser recente ou já acontecer há um bom tempo.
Mas aí pode ser que você não queira mais.
E  talvez nem exista um outro nome ocupando um lugar na sua mente.
Tipo, não é sobre outra pessoa. É sobre você sendo você diferente.
Não é que pintou alguém, é só que este alguém não colore mais os dias.
Que merda, se desse para escolher não seria assim, mas insistir em funcionar é um erro.
Tem horas que a máquina para.

E você vai se ver naquele lugar que sempre odiou: o lugar de quem quer falar o que a outra pessoa não quer ouvir.
Lembra como aconteceu outras vezes?
Você ouviu tudo e teve que sair fingindo costume. A casa caiu tão pesado que caiu em cima de você.
Dias ruins.
Agora você tá lá, sendo quem não quer mais pelo motivo que for.
Eventual e terrivelmente até mesmo sem motivo. Você assume o papel carrasco de interromper os planos de outra pessoa.
Desde que você não seja uma pessoa idiota com outra, tá tudo bem você não querer mais.
Todo dia tem gente querendo gente e gente não querendo mais. Você pode também.

Tira esse peso da sua cabeça se aquele rolinho recente não tem mais tanta graça.
Sei lá as coisas se descombinam por mil razões.
Harmonizar corações não é tarefa fácil.
Ou se a história de meses parece não te excitar mais – e isso não tem a ver com a pós paixão de começo de história.
Você pode ter sido a maior intensidade da sua vida no começo e depois a coisa passa a esfriar.

A verdade é uma só:

Acontece.

Acho que o problema principal disso tudo é fingir querer.
Porque é uma merda quando alguém percebe que o outro alguém está, digamos, suportando a gente.
A gente dá sinais quando não queremos mais.
Só que a gente acha que não, né?
A gente dá sim.

Olha, tudo bem você não querer mais.
Mas deixa a pessoa saber disso. Não enrola, não ganhe tempo, não cave oportunidades.
Na hora de transar você entendeu como fazer, não dá para relativizar quando a conversa é outra também.
A gente precisa se colocar no lugar das pessoas. Olha que clichê.
As verdades viram clichês porque a gente nunca para de errar em como fazer.
Tudo bem você não querer mais.
Só não use esse sentimento para justificar alguma atitude horrível sua.
Porque as histórias acabam, mas as marcas a gente leva pra sempre.
E o mundo, gente, o mundo dá tanta volta que a gente até se enrosca em algumas delas.
Toma cuidado.
Ok não querer.
Péssimo não esclarecer.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

E a risadinha quando vejo que a mensagem é sua?

Quando estou em casa vendo um filme.
Um dia qualquer.
Durante a semana depois do trabalho, por exemplo.
Na primeira hora da manhã pode ser também.
Um filme rapidinho antes de acabar o fim de semana.
E aí o celular acende no escuro.
Pausa na tv.
É mais uma mensagem sua sobre qualquer assunto.
O assunto, aliás, é o que menos importa.

Na volta pra casa.
Na viagem do meu fone de ouvido no ônibus ou metrô.
Pego o celular para trocar de música.
E aí desce uma notificação com o seu nome.
E aí espero chegar em casa para te responder com calma.

Ou até mesmo no meio do dia.
Um dia de rotina. Nada de novo.
Celular perto do computador no trabalho, em geral ali com carregador ligado.
E rouba a minha atenção uma notificação na tela.
Uma visita sua com uma mensagem.

E a risadinha quando vejo que a mensagem é sua?
E como que fica minha cara?
E eu pensando que ninguém ao meu redor percebe?
Porque já aconteceu de eu responder, guardar o celular, me ver rindo sozinho e ver estranhos olhando a minha cara no metrô.

Hehe.
Que vergonha.
Ninguém entende nada.
Nem eu também, porque eu nem consigo controlar.

Se eu começar a falar das coisas que a gente fala eu passaria horas aqui.
Mas nem é esse o ponto agora.
É que eu me peguei percebendo a risadinha que dou toda vez que vejo que a mensagem é sua.
Muitas vezes a tal mensagem é só um oi.
Ou um meme.
Ou uma figurinha engraçada que agora tá de monte no Whatsapp.
Mas eu gosto de ver que é você mandando alguma coisa.
Me faz bem saber que, em meio a tantas pessoas que você poderia mandar, eu estou ali no topo da sua caixa de mensagem.
E não tô nem aí se também manda para outras pessoas – de repente a mesma coisa que manda pra mim, inclusive.
O meu sentimento diz mais sobre mim do que você.
Eu gosto dessa minha versão.
Gosto de como fico quando vejo que a mensagem é pra mim.
Mas eu seria hipócrita em não assumir que é melhor ainda saber que é sua.
Se vou receber mais vezes é outra história.
Tô preservando o que acontece hoje para valorizar o que pode acontecer amanhã.

Eu acho que todo mundo poderia se permitir sentir mais essas coisas que a gente finge que não percebe, sabe?
Tá tudo bem eu ficar bobo com a sua mensagem e amanhã a gente nem se falar direito.
É triste mas acontece.
Eu já vivi isso antes.
Já fui quem mandava a mensagem e quem recebe – tipo agora de novo.
O que mais importa, no fundo, é como a gente se sente no instante em que as coisas acontecem.
E hoje eu me sinto especial no instante que eu vejo em que a mensagem é sua.
Eu paro tudo para ver.
Isso que eu chamo de chamar a atenção.
Eu dou até uma risadinha.
🙂

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Não acredite no amor romântico

Teve um dia que alguém começou a contar histórias sobre um casal enlouquecidamente apaixonado.
Até aí tudo bem. Tem dias assim.
O problema nasceu quando essas histórias começaram a ser tão repetidas que passaram a se tornar ideal do que é ter uma história com alguém.
As novelas, os filmes, refrões, os livros e, mais recentemente, os textos de internet começaram a se apoiar na ideia de felicidade com alguém por meio de um amor inexplicável, recheado de demonstrações incríveis, pétalas de rosas e juras infinitas.

“Juras de amor”. Puts, quem inventou isso?

A não ser que você seja algum tipo de entidade com autoridade no assunto, a gente não pode afirmar o que é o amor, mas a gente consegue viver experiências que nos mostram como ele não é – e ponto de partida é simples: se te faz mal, não é amor.

Eu obviamente não sou contra o amor, mas eu me preocupo com o impacto da ideia de um amor perfeito e inalcançável na vida das pessoas. É que pensa assim, uma vez que a história com alguém não for parecida como a novela das nove mostra, a sua cabeça vai começar a pensar que a sua história não é tudo isso. E aí você vai começar a se prender mais nas falhas do que nos feitos e os defeitos vão pesar mais que as qualidades.

Isso quer dizer que tudo bem se, por exemplo, a pessoa não souber falar uma palavra bonita ou não fazer alguma demonstração apaixonada de que “vocês são para sempre”, na real, dane-se isso, o que importa e sempre vai importar é se a pessoa se importa com você, se te faz bem e se você sente que ela faz bem a você também.

Amor romântico é uma muleta criada por sei lá quem pra gente se apoiar, mas que, como toda muleta, pode quebrar e te machucar.

O amor tem dias ruins.
Uma história com alguém pode ter um monte de capítulo péssimo e ainda assim ser uma história linda. Você pode conhecer uma pessoa com vários defeitos, mas que ainda assim pode ser a melhor pessoa que já conheceu na vida. A vida real é isso.

O amor romântico não existe porque na rotina de segunda a segunda o buraco é bem mais embaixo do que no refrão da música que fala do amor incrível.
A gente precisa sempre ter clareza de que não é só de notícia boa que a vida é feita, mas que isso não significa que a vida seja ruim.

Estou conseguindo me explicar? Você pode discordar, mas eu gostaria que refletisse um pouco sobre isso comigo.

Andei lendo também alguns textos do tipo: “namore alguém que”.
Eu fico pensando: como alguém pode abrir o computador e escrever como é a pessoa que eu devo namorar?

Gente. Sério. Como assim?
Tá vendo o papo do amor romântico sendo projetado para todos nós? Estímulos como os de textos que disse acima, projetam na nossa cabeça a ideia do que é alguém ideal pra gente.

Namore quem você quer e também te quer.
Ou nem namore.
E tudo bem.

Discordar da ideia do amor romântico não faz de ninguém como alguém insensível. Uma coisa em nada tem a ver com a outra. O ponto principal aqui é não alimentar esse papo de perfeição, declarações românticas, frases lindas, flores infinitas, tatuagens juntos, fotos iguais nos perfis das redes sociais e por aí vai. É perigoso acreditar que são esses os índices que demonstram que uma pessoa gosta da gente.

O amor é muito do caralho. Viver uma história com alguém que te faz bem é uma das coisas mais gostosas desse mundo, mas isso não pode ser de um tamanho maior do que é. Viver com alguém é estar bem com um compromisso de ser a sua melhor versão para outra pessoa; é estar bem em aceitar desculpas e admitir que também erra e erra muito; é harmonizar os prós e contras e acreditar que sempre dá para melhorar. Você pode até discordar, mas no mínimo faz sentido.

O amor pode ser muita coisa, mas só não é esse céu azul infinito limpinho e cheio de passarinhos branquinhos cantando, sei lá, Djavan. Acho especial a gente se inspirar com esses exemplos perfeitos, mas acho completamente responsável a gente entender que dias assim não são o padrão. Setar isso na nossa cabeça é importante pra gente não se machucar e, principalmente, não deixar que nos machuquem.

Tá tudo bem amar alguém, só toma cuidado para não jogar uma responsabilidade nesse amor a ponto de estragar tudo.

Não acredite no amor romântico.
O que existe é uma história com alguém em que entre lápis quebrados e folhas rasgadas, a gente consegue ter sabedoria e sensibilidade para virar a página e continuar escrevendo.

E, é importante frisar, neste exato momento pode existir alguém tentando escrever uma história com você que você não deixa.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

O limite entre insistir e pegar bode

Como que a gente descobre se estamos fazendo certo?
Fazendo mais ou deixando de fazer?
Como que a gente descobre?

Dá para colocar uma régua no meu esforço para entender o momento que ela estará prestes a quebrar?
Será que posso confiar nos sinais que você emite ou escolho confiar no que eu sinto?
Essas respostas se escondem em um lugar escuro demais.

Teve umas poucas vezes em que insisti e a pessoa percebeu que eu realmente gostei dela.
Isso aconteceu tão pouco que eu nem lembro direito.

Mas teve uma outra vez, com outra pessoa, que eu cheguei e falei:
“digitando…”
“Olha,  cansei. Tentei saber mais de você, mas você não pareceu gostar”.

E aí a pessoa se se desculpou dizendo que “a vida estaca corrida” e pediu pra gente marcar algo.
Marcar algo.
A gente nunca marcou esse algo.
A vida, a essa altura, é maratonista de tão corrida.
Eu que marquei um x nessa pessoa para evitar falar o nome dela.
Precisa de dor pra gente conhecer mais do amor?

Nossa, lembrei aqui, teve outra vez que eu simplesmente parei de procurar a pessoa sem falar nada – eu me distanciei.
Parei de curtir as fotos. Parei de checar se via meus stories. Eu fiquei 100% nem aí.
Não interagia mais em lugar nenhum.

Aí a pessoa voltou.
“Muito tempo que a gente não se fala, né? Tá tudo bem?”

“Tá tudo bem?”
Meu, sei lá. Sai daqui.

Eu queria ficar com você mas acabei ficando com preguiça.
E aí eu passei a demorar para responder.

Pronto. Me vi repetindo o que mais odeio; me vi sendo quem eu não gostaria que fossem comigo.
Mas poxa, tá tudo um caco aqui mas ainda é um coração.

Então como que faz? Qual que é o limite entre insistir e pegar bode?
Se eu parar para pensar, a primeira opção vai ser fiel a quem eu sou. Porque eu sou desses. Eu sou quem insiste. Eu não deixo dúvida na pessoa que eu estou a fim. Agora, pegar pode. Puts, pegar pode. Quando esse bode vem eu não consigo largar. Amarro meu celular no pescoço dele só para eu lembrar de não ser trouxa.

Vai ver esse limite seja algo que a gente coloca nas coisas.
Meio óbvio até, mas a gente precisa pensar nisso.
É que é uma merda, porque a gente gosta de se envolver e esse papo de desistir não tá com nada.
O problema, porém, começa ficar gigante quando a gente começa a esquecer da gente de tanto lembrar da pessoa. Aí não dá.
Estou ligando uma lanterna aqui para encontrar respostas nessa escuridão toda. Vai ver é isso. Vai ver o foco deva ser unicamente na gente e nos esforços que a gente quer imprimir nas coisas.

Agora, não me deixa eu perceber que estou insistindo em você e você simplesmente sumir.
Ok por mim a gente acabar não rolando, mas horrível você não me respeitar.
Porque se eu me sentir assim, sei lá, se eu deixar esse bode chegar por mérito seu, eu não vou conseguir disfarçar e aí você vai querer encontrar respostas em mim que eu nem sei se vou querer te dar.

É isso. O limite quem coloca é a gente.
Vou me esforçar e insistir para conquistar até onde eu achar que devo.
Agora vou perceber mais, ficar mais atento.
Se eu sentir que não tem reciprocidade, eu não vou torrar a minha energia com quem não tem para trocar. A preguiça por alguém é tipo sono: não tem muito bem hora para aparecer, só aparece.

Como que a gente descobre se estamos fazendo certo?
Eu não sei.
Mas talvez a gente possa reparar mais se não estamos fazendo certo sozinhos.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

Você não deixa ninguém te conhecer direito

Todo mundo sabe que conhecer alguém cansa.
E cansa, principalmente, se você vem de uma sequência de pessoas que gostaria de apertar o botão de desconhecer. Aquelas pessoas-lixo, né? Apesar que muito provavelmente a gente também já foi uma pessoa lixo para alguém. Vai saber? Mas isso é outra história.

É como você pode ler no texto anterior a este exatamente neste blog: a verdade é que a gente começa a sentir uma preguiça terrível de conhecer alguém de novo por toda a mesmice que vem com isso. Mesmo papo furado. Mesma conversa que é tão óbvia que dá para prever o fim. É uma droga.

Agora, tem outra coisa importante nesse assunto.
Você já parou para pensar na sua parte sobre conhecer alguém de novo?
Já parou para pensar se mais fecha do que abre portas?
Porque a verdade é que, aceite ou não, metade do esforço para um história dar certo depende da gente querer, isto é, se você, por exemplo, colocar muitas barreiras para alguém entrar na sua vida, sempre vai ficar muito difícil alguém ficar nela – e ainda mais preguiça vai dar de conhecer alguém de novo.

Eu já falei sobre isso aqui antes.
É que passa dia, passa mês e ano, mas a gente se vê nas mesmas ciladas da vida: queremos alguém, mas quando aparece alguém que quer a gente, a gente valoriza mais os defeitos do que as qualidades.

Você não tem deixado ninguém entrar na sua vida.
O seu ideal de pessoa não é a pessoa ideal para você.
Você tem colocado tantas regras para a dita “pessoa certa para você” que nem percebeu que ela nem existe.

Acho que falta a gente se enxergar um pouco, sabe?
Vamos fingir que falar “a gente” aqui deixe o recado mais leve do que se fosse “você”, tá?
Porque a verdade mesmo, tipo, a verdade real oficial, é que talvez você não esteja se enxergado direito.

Presta atenção, começa a reparar. Você se distancia ao menor sinal de interesse de alguém por você. E eu entendo se houver traumas recentes ou profundos demais para avançar em novas histórias, mas também não seja uma pessoa injusta com a sua vida reclamando aos quatro cantos que ninguém presta quando você não deixa ninguém prestar para você.

É só aparecer uma pessoa com qualquer mínimo flerte e você já abre a calculadora para equilibrar os prós e contras deste alguém. Você foca demais nas partes ruins das pessoas. Você não deixa ninguém mostrar como é uma pessoa boa, ainda que eventualmente não seja uma boa pessoa para você – e aqui, de novo: a pessoa boa para você existe? Ou será que você não está, há muito tempo, procurado exatamente o mesmo perfil de pessoa mas selecionado só aquelas que te convém? Isso porque eu não quero acreditar que usa um critério de seleção horroroso tipo alguém bonito para o Instagram. “Como serão as nossas fotos juntos?” É que tem gente assim, opa se tem. Juro.

Você não deixa ninguém te conhecer direito. Reclama do jogo que fazem, mas faz praticamente o mesmo quando se interessa por alguém. Reclama de que não te respondem as mensagens, mas tem um monte de DM no Instagram só visualizada por você desde 2015 – e estamos em 2019.

Antes de excluir alguém da sua vida, permita que este alguém demonstre o quanto pode te fazer bem ao fazer parte. Você pode não beijar esta pessoa. Você pode não transar com esta pessoa, muito menos namorar, mas você pode conhecer mais uma pessoa bacana.

Tudo bem? Pensa nisso.
Bom, vai ver seu pensamento esteja certo. Talvez, no fim, ninguém preste mesmo, nem eu, nem você, nem nossa família, nem ninguém. Talvez seja tudo um jogo de ilusão de um monte de gente fingindo ser feliz e casais enganando todo mundo que se dão bem. Vai ver esse papo de comemorar cinquenta anos juntos, por exemplo, seja uma grande piada ou armação da mídia – como tá na moda dizer.

Ou você pode começar a pensar no seu papel para que consiga escrever uma história bonita com alguém.

Tá tudo uma bosta sim, mas você não deixa ninguém te conhecer direito também.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com

Preguiça de conhecer alguém de novo

Parece que não, mas é paciência que a gente precisa ter. 
Me conta tudo o que você gosta. 
Vou contar tudo que eu gosto. 
Será que no fim a gente vai se gostar também? 
Não que eu já gostaria de ter essa resposta no começo, mas a gente já poderia começar diferente. 
E nesse meio tempo, ainda preciso aprender a jogar. 
 
É que eu posso te assustar se eu te contar hoje como gostei de ontem. 
Mais um que sumiu. Mais um igual aos outros. 
E você pode se desinteressar se eu não te contar hoje como eu gostei de ontem. 
Eu pensei que dessa vez seria diferente. 
 
Que saco. Sem paciência para esse looping sem vencedor.  
Ando me escondendo de mim só para me adaptar a frieza das trocas de oi. 
 
Será que a gente estraga tudo justamente porque a gente tenta ser o que não somos? 
 
Vou gastar todo o meu salário aqui numa roupa que você nem vai notar. 
Ou “vou gastar todo o meu salário aqui numa roupa para você pelo menos me notar. 
 
Qualquer atitude vai estar meio errada. 
 
Receio em ter poucos likes nas minhas fotos e você acabar não se interessando pelos meus interesses. Quanto tempo vai levar até que você entenda o que importa para mim? Até chegar essa hora eu vou me enganando para tentar te conquistar. Você também vai aplicando em mim a mesma tática já aplicada antes. Quanto tempo vai levar até que eu sinta que você está sendo você comigo? 
 
Tenho dúvida se quero administrar de novo o frio que dá na minha barriga ao ler um “digitando…”.  
 
“Desculpa, o dia foi corrido.” 
“Fiquei sem sinal.” 
“Nossa,  exausta.” 
 
O que me incomoda é conseguir prever o roteiro das conversas. 
Eu vou acabar me desculpando por correr de você ao menor sinal que você estava exausta. 
E aí e não vai ser bom para ninguém. 
Este não vai ser o eu que gosto de ser. E você não vai me deixar entrar na sua vida por medo de eu também estragá-la como já fizeram antes. 
 
Amanhã eu vou me empolgar, mas é que tá foda. 
Preguiça de conhecer alguém de novo porque ninguém parece alguém novo.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com

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