Ei, calma um pouco.
Tenta prestar atenção um pouco mais na sua vida e no tamanho da expectativa que você tem colocado nas coisas. Calma um pouco. Pensa.
É que parece que você quer a vida a 1.000km por hora sempre quando, muitas vezes, ela é 20km. E tudo bem.

Qual foi o momento em que “estar tudo bem” começou a ser algo ruim?
A gente não aceita mais o “tudo bem” das coisas.
A gente quer o ótimo sempre. O incrível! A meta é o inexplicável!
Só que a gente não percebe o tamanho do buraco que cavamos ao depositar uma responsabilidade deste tamanho na nossa vida. Olha que merda.

A verdade é que a vida precisa sim de freio de mão.
Você precisa se acalmar. A gente precisa se acalmar.

Não é que o pavio está curto, ele simplesmente não existe mais para algumas coisas.
E fica muito difícil não atribuir isso ao tamanho da expectativa que a gente tem colocado em tudo.
A gente espera, por exemplo, que vamos acordar para ir trabalhar com a mesma alegria que sentimos quando a pessoa que gostamos revela gostar da gente também. A vida não é assim. Toda semana a gente sente uma raiva desgraçada do metrô lotado como se alguma semana ele fosse mudar – meio que a gente escolhe sentir essa raiva. Daí a gente vai trabalhar de carro e reclama do trânsito. Pronto: voltamos para o mesmo lugar. A gente começa uma dieta, entra na academia e tal, show de bola, mas não resistimos a um doce de sobremesa, comemos e ficamos decepcionados depois. O que é isso?  Tem gente, inclusive, que tem enfrentado problemas de aceitação ao fotografar um momento da VIDA, POSTAR num APP DE CELULAR e ter POUCAS PESSOAS CLICANDO NA FOTO PARA DEMONSTRAR QUE GOSTOU DAQUELE MOMENTO, daí a pessoa passa a emoldurar a vida em uma estratégia de fotos para que QUANDO AS PESSOAS ABRIREM SEUS APPS, VEJAM SUA FOTO E CLIQUEM NA TELA DEMONSTRANDO QUE GOSTOU DAQUELE MOMENTO TAMBÉM. As coisas andam estranhas.

Longe de mim querer entrar no mérito das superficialidades, afinal, cada pessoa tem a sua – inclusive eu.
O meu apelo aqui é pra gente pegar mais leve com nós mesmos.
Tem ficado cada vez mais difícil viver esse troço de felicidade pelo significado que a gente tem dado a ela. É estranho até responder o que é ser feliz pra gente, porque a gente pode cair na armadilha de dizer coisas que não seguimos, sabe? É óbvio que a gente falaria que ser feliz é aproveitar as pequenas coisas ou algo do tipo, mas será que a gente tem conseguido aproveitar as pequenas coisas mesmo? Eu não sei.

A gente quer encontrar paixão em tudo.
Tem uma parte nobre nisso que é uma busca pelo retorno do sentimento bom que a gente deposita. Mas isso carrega também um perigo enorme. Não é bem por aí.
Sabe o frio na barriga do primeiro amor?
Aquele sentimento escandaloso que atravessa nosso coração e faz a gente estremecer de ouvir o nome da pessoa? Veja, parece que a gente quer encontrar esse sentimento em basicamente tudo na nossa vida. Quando a gente acorda e o cabelo não está bom, PLAU, já um motivo do dia ser uma bosta. Se alguém demora para responder uma mensagem nossa então, deusmelivre. Se “””””não tem o que vestir hoje””””””””, se o time perde, se o ingresso é caro, se um monte de coisa. O que está acontecendo?

Eu quero te pedir para pegar leve com você.
Não vou me atrever a dizer como a vida deve ser vivida porque ninguém tem essa resposta, mas eu gostaria de pedir para que você tire um pouco o peso das suas próprias costas; quero pedir para que releve um pouco mais você de si mesm@. A gente tem invertido os valores da vida e as coisas andam confusas demais; os gatilhos para ansiedade são cada vez menores e acaba sendo natural a gente ter dias cada vez menos legais.

Toma cuidado com você. Vai ver a sua felicidade tem sido algo nem você mesmo conseguirá alcançar. Já parou para pensar nisso?

De novo e por favor: pega leve com você.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees