Nossa agenda já harmoniza.
Nas horas vagas da semana a gente dá um jeito de se encontrar – nem que seja rapidinho na catraca do metrô.
Combinamos na quinta o que vai ser do sábado e domingo.
Planejamos qual vai ser o filme da vez no cinema.
“Sábado a gente vê esse que você quer, mas eu sou o próximo a escolher. Tudo bem?”
Já visitamos exposições que, talvez, não visitaríamos sozinhos.
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

Nossos amigos já se conhecem.
E faz um tempo já.
Aparecemos juntos em aniversários diferentes.
Já até fomos em shows juntos com os meus e seus amigos.
“Ah, então você é a famosa!”
“Ah, nossa, ela não para de falar você”
Em tempo: já fomos constrangidos pelos mesmos amigos.
Tem um emoji de coração ao lado do seu nome no meu Whatsapp.
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

Numa ida ao supermercado a gente já comentou:
“Um dia eu faço esse prato aqui que eu adoro e você vai ver o que é comida boa!”
Este um dia, portanto, pode ser no próximo fim de semana ou pode ser daqui há 20 anos. Juntos.
Na fila do caixa, uma vez eu, outra você, pegamos um chocolatinho que o outro gosta.
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

Quando conversamos com a nossa família, mencionar um e o outro é natural:
“Ah legal, aí eu busco ele e vamos depois, ok?”
“Nossa sim haha, isso é a cara dela!”
Mas, por enquanto, a gente tá só ficando.

A gente tá só ficando mas tá ficando cada vez mais difícil negar que estamos só ficando.
Eu não sei quando isso tudo vai mudar para outro nome, mas eu sei que eu quero. E o primeiro passo para que algo aconteça é a gente querer, né?

Feliz por ter você nos meus dias, não vejo a hora de ter você na minha vida.

Falando em hora, a gente combinou de passar na sua mãe, né? A gente tem que correr para não atrasar para o cinema – a gente sempre se enrola, você sabe.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com