Parece que não, mas é paciência que a gente precisa ter. 
Me conta tudo o que você gosta. 
Vou contar tudo que eu gosto. 
Será que no fim a gente vai se gostar também? 
Não que eu já gostaria de ter essa resposta no começo, mas a gente já poderia começar diferente. 
E nesse meio tempo, ainda preciso aprender a jogar. 
 
É que eu posso te assustar se eu te contar hoje como gostei de ontem. 
Mais um que sumiu. Mais um igual aos outros. 
E você pode se desinteressar se eu não te contar hoje como eu gostei de ontem. 
Eu pensei que dessa vez seria diferente. 
 
Que saco. Sem paciência para esse looping sem vencedor.  
Ando me escondendo de mim só para me adaptar a frieza das trocas de oi. 
 
Será que a gente estraga tudo justamente porque a gente tenta ser o que não somos? 
 
Vou gastar todo o meu salário aqui numa roupa que você nem vai notar. 
Ou “vou gastar todo o meu salário aqui numa roupa para você pelo menos me notar. 
 
Qualquer atitude vai estar meio errada. 
 
Receio em ter poucos likes nas minhas fotos e você acabar não se interessando pelos meus interesses. Quanto tempo vai levar até que você entenda o que importa para mim? Até chegar essa hora eu vou me enganando para tentar te conquistar. Você também vai aplicando em mim a mesma tática já aplicada antes. Quanto tempo vai levar até que eu sinta que você está sendo você comigo? 
 
Tenho dúvida se quero administrar de novo o frio que dá na minha barriga ao ler um “digitando…”.  
 
“Desculpa, o dia foi corrido.” 
“Fiquei sem sinal.” 
“Nossa,  exausta.” 
 
O que me incomoda é conseguir prever o roteiro das conversas. 
Eu vou acabar me desculpando por correr de você ao menor sinal que você estava exausta. 
E aí e não vai ser bom para ninguém. 
Este não vai ser o eu que gosto de ser. E você não vai me deixar entrar na sua vida por medo de eu também estragá-la como já fizeram antes. 
 
Amanhã eu vou me empolgar, mas é que tá foda. 
Preguiça de conhecer alguém de novo porque ninguém parece alguém novo.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com