Apesar da delícia da vida ser o jeito surpreendente com que ela se apresenta pra gente, há momentos em que não estamos tão propensos a viver essas surpresas. Isso é estar emocionalmente indisponível.

Estamos sujeitos, por exemplo, a nos apaixonar a qualquer momento. Isso pode acontecer. Só que nem sempre estamos em um momento que privilegia isso acontecer, ou seja, nem sempre estamos facilitando, nem sempre estamos dando abertura e nem sempre conseguimos ser recíprocos. Isso é estar emocionalmente indisponível.

É meio louco porque pode aparecer a pessoa mais perfeita para você na sua frente, mas você não se empolga como pensa que deveria. Você simplesmente não consegue. O seu momento simplesmente é outro e a gente precisa respeitar os momentos da vida.

Quando estamos emocionalmente indisponíveis é quando não estamos conseguindo lidar nem com as nossas emoções imagina então com a de outra pessoa para viver uma história? É meio injusto sim porque tem a ver com a possível entrada de outra pessoa na nossa vida para somar muitas coisas boas, mas, é algo inexplicável. Não dá para reagir aquela mensagem, não dá para confirmar que vamos combinar de fazer algo mesmo, não dá para ser tão profundo como sempre fomos em outra fase.  É injusto também porque isso bate de frente com a ideia de se permitir e tentar algo, mas tem mais a ver que essa indisponibilidade emocional simplesmente bloqueia a pré-disposição, isto é, quando o momento é esse não dá para forçar viver outra coisa. Agora, neste momento, não vai rolar.

Muita gente, porém, é bem covarde nessas horas. É quando essas pessoas acabam começando histórias sabendo que, lá no fundo, elas não estão tão empolgadas assim. Pensando bem, talvez seja exagerado chamar de covardia porque pode ter a ver com a pessoa tentar mudar e isso é bom. O problema começa a aparecer quando a pessoa sabe que está fria, sabe que não está normal, faz aquela cara de bode quando chega mensagem no whatsapp, isso quando não beija sem tanta vontade, mas prende a gente ao lado dela! Isso é covardia! O processo de entender que o momento é emocionalmente indisponível leva um tempo, mas não precisa levar outra pessoa a loucura com tanta estranheza numa história.

Talvez você esteja vivendo algo assim e não se deu conta. A culpa não é do mundo, é que você talvez esteja se forçando a viver coisas que simplesmente não consegue agora. Talvez sim você precise ficar mais em casa na companhia do Netflix do que sair para arranjar outra companhia. Talvez você precise ficar com você agora, não com outra pessoa. Talvez precise cuidar melhor das suas feridas passadas. Talvez precise de mais dias de pijama do que dias de shopping.

Talvez você esteja vivendo algo assim com outra pessoa. Talvez essa pessoa esteja tentando fazer dar certo mas vivendo uma fase confusa; mas você tem apenas a leitura de que ela está estranha, isso quando não começa a pirar procurando culpa em você para as coisas não irem bem. Talvez nem a pessoa mesmo saiba porque está estranha e não consegue lidar bem isso nem ser clara nas respostas das suas perguntas. Talvez a pessoa esteja perdida demais para a vida dela encontrar a sua. Talvez você precise deixá-la ir para que ela possa voltar – se é que ela precise voltar. Talvez você possa se acalmar ao pensar que isso tem mais a ver com ela do que você e que, de certa maneira, é até bom saber disso para que você possa partir para outra história.

Penso que o estado emocionalmente indisponível não é uma escolha, mas uma condição da vida. Difícil demais explicar que você conheceu uma pessoa incrível mas não consegue se entregar para viver algo com ela. Difícil demais saber que você é uma pessoa incrível mas a pessoa não consegue se entregar para viver algo com você. Difícil demais é viver porque o papel que você ocupa hoje, amanhã outra pessoa estará ocupando em um história com você. Mas nunca falaram que a vida era fácil, né?

Vai ficar tudo bem. Da mesma forma que aparece o momento emocionalmente indisponível vai aparecer o ansiosamente disponível. Não dá para dizer se há certo ou errado, o que dá para ter certeza é que a gente precisa respeitar a fase que vivemos ao invés de forçar viver outra coisa.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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