Vocês combinaram e saíram.
Inclusive saíram daquele papo de “vamos combinar um dia” e realmente combinaram.
Marcaram de fazer algo que os dois gostassem.
Tudo correu bem, tudo foi muito bom.
Uma despedida. “Adorei hoje”, “eu também”. E aí você voltou para casa.
E, no caminho de volta, percebeu que não estava sozinho. Havia uma novidade te acompanhando nessa volta solitária e cheia de pensamentos que não paravam de nascer. E você não percebeu essa novidade intencionalmente, foi algo que te surpreendeu e te deu até algum susto. Havia um cheiro novo em você. Um cheiro que não estava com você na ida mas estava fazendo parte da sua volta. Você puxou um pouco sua roupa e lá estava ele: o perfume da pessoa. E você sorriu meio sem graça. Forçou com a memória para tentar lembrar-se de qual momento em que esse perfume saiu do corpo da pessoa para fazer parte da sua roupa. E não conseguiu lembrar direito. Era uma sensação estranha, boa, mas estranha, sei lá, engraçada. Parecia que a pessoa estava voltando para casa com você. Era como se um pouco dela fosse dormir com você. Era aquele mesmo perfume que te roubou a atenção logo no primeiro oi. Lembra?

Você chegou em casa. Escolheu não tomar banho. Deixou sua roupa na cama e o mais louco aconteceu ao colocar a roupa de dormir: o perfume da pessoa ainda estava muito presente, ainda estava ali completamente e você se deu conta então que aquele perfume não estava só na sua roupa, mas sim na sua pele. O perfume se agarrou ao seu corpo feito abraços no inverno. E perceber isso te levou de volta para aquelas horas atrás, aqueles momentos, todo o passeio e tudo o que houve. O perfume da pessoa te levou até ela novamente.

Não é só um perfume na roupa. É a pessoa toda.
Não é só um perfume. É um resgate de lembranças tão recentes, logo ali de antes do “me avisa quando chegar em casa?”. É voltar para os bons momentos de horas atrás. É vir a mente de novo o jeito que a pessoa dá risada e a opinião dela sobre as coisas, das pequenas às maiores. Não é só um perfume. É imaginar o momento em que essa pessoa fez o perfume beijar a própria pele. É pensar que, pelo menos durante o simples abraço de oi ou de tchau, você foi a pessoa mais perto dessa pessoa no mundo, você e o perfume dela se tornaram uma coisa só entre os braços. É um pouco dessa pessoa ficando na gente também. É a gente ficando bem com esse perfume que ficou. Não é só um perfume. É a escolha do perfume que essa pessoa fez pra encontrar com a gente, por mais que seja o perfume de sempre – por quê não ver o normal também como algo diferente? E aí a gente até pensa: “Será que mando ou não uma mensagem contando que todo esse perfume ficou em mim?”

Quando a gente sorri ao perceber que o perfume da pessoa ficou na nossa roupa, a gente também pode começar a perceber que talvez sejamos nós querendo ficar na vida dessa pessoa.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

Clique aqui e siga a playlist do blog no Spotify.