A dor é um sentimento muito presente na nossa vida.
E ela se manifesta de formas diferentes.
Existe a dor física, a dor mental e a dor afetiva, por exemplo.
Esta última, inclusive, talvez seja a menos compreensível de todas, porque parece ser a mais difícil de remediar, afinal não dá para ir a farmácia e comprar um remédio para um coração partido, por exemplo.

A dor afetiva mina a nossa energia aos poucos fazendo a gente não querer levantar da cama. Ela também é responsável por fazer a gente perder fins de semana. Esta mesma dor também faz a gente mandar mensagens que não gostaríamos. Quando o coração dói, portanto, a gente se vê em um desequilíbrio entra razão e emoção. E tudo bem, faz parte. Não é um bicho de sete cabeças – é de 240 aproximadamente.

Agora, o ponto é: quanto tempo leva para a dor passar? E aqui vamos focar na dor afetiva.
Esta é a pergunta que resolveria metade dos problemas da humanidade.
Fica muito difícil estimar este tempo porque cada pessoa vive um tipo de dor, com características individuais e naturezas que variam em cada história da vida. Não dá para a gente prescrever o mesmo remédio para todas as doenças do mundo e o mesmo acontece com a nossa dor afetiva.

Mas dá para fazer algumas coisas.

Se não dá para saber quanto tempo leva para a dor passar, porque a gente não aproveita essa demora toda dela para fazer outras coisas? Não é fazer no sentido mão na massa, mas sim, o fazer no sentido de atitude. Vamos pensar um pouco sobre isso? E eu não estou dizendo que é fácil, estou dizendo que você é a melhor pessoa do mundo para tentar a mudar a sua própria vida.

É que talvez estejamos dedicando tempo e energia demais nas coisas erradas.
A gente procura respostas em lugares onde só moram perguntas. A gente procura carinho em lugares que nos machucam. A gente espera coisas que não vão chegar. A gente acredita em coisas inacreditáveis – e eu não disse impossíveis. Isso tudo é para dizer que talvez a sua dor não esteja passando porque você tem cuidado demais dela. Você pode estar dando mais atenção para a parte ruim do que a boa na sua vida. E quanto a isso, existe aquilo: quanto mais força você dá para o que não gosta, mais isso que você não gosta fica forte. É uma lógica completamente pertinente.

Você já pensou que talvez esteja gastando tempo – e vida – demais com uma energia que não te faz bem? Talvez você esteja esquecendo de olhar as coisas de outra forma. E eu não quero subestimar o tamanho da sua dor, mas eu só quero te lembrar que você é maior que ela – por maior que ela seja.

Nem sempre a gente vai superar do jeito que a gente gostaria.
E quanto mais o tempo passa, mais a gente tem certeza disso.
Mas talvez aí exista uma lição: talvez a gente não tenha exatamente que superar algo, mas sim, saber conviver com isso e deixar guardar. O seu coração, por exemplo, vai se acostumar a entender que gostar daquela pessoa não tem funcionado tanto e você vai encontrar em lugar para guardá-la dentro de você. Não precisa ter pressa para esquecer porque talvez você nem esqueça mesmo. Você já pensou nisso? Já pensou que talvez você nem esqueça essa pessoa que não sai da sua cabeça? Dito isso, que tal pensar que talvez esteja esperando uma dor passar que talvez nem passe, mas do contrário, vai se transformar em uma lembrança?

A dor tem vida própria. Ela quem escolhe a hora que chega e a hora que vai embora.
A dor de querer alguém e não poder, não ter mais alguém que já teve ou qualquer outra dor que nosso coração desenvolver por alguém é totalmente independente do nosso controle. Lutar contra ela é comprar uma briga cara demais – e esperar que ela passe depressa dói ainda mais.

O resumo é que não existe um tempo certo que a dor leva para passar, mas existem atitudes que você pode tomar para não focar sua energia nela. Você pode focar em ocupar seu tempo com uma coisa que te faz e sempre fez bem antes daquela pessoa existir na sua vida. É importante destacar isso porque quando a gente sente uma dor por alguém a gente nem lembra da vida antes daquela pessoa – mas teve vida pra caramba antes.

Então é sobre isso: não afronte a sua dor, deixe ela mostrar a que veio e enquanto ela quiser aparecer, você vai tentando focar em coisas diferentes. Mudar a forma de ver. Olhar para novos lugares. Procurar coisas novas. Trocar as referências. Assistir outro tipo de filme. Ouvir outro tipo de música. Conhecer mais. Ir além do que gosta pode ser incrível porque mais do que agradar a si, você vai descobrir mais de você.

Leva tempo até o tempo levar a dor.
Mas enquanto isso o que a gente faz?
A gente vive os outros sentimentos – principalmente para fazer os boletos pesarem um pouco menos.
Vai chegar um dia que você vai acordar, se olhar no espelho e pensar: “Como que passou e nem percebi?”
A gente só não sabe quando vai ser esse dia.
Mas a gente não sabe várias coisas da vida também, né?
E tudo bem.

por Márcio Rodrigues.
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