Eu quero falar com vocês que gostam de se entregar, assim como eu.
A gente se entrega muito, né? A gente mergulha nas coisas sem olhar para frente e muito menos para trás.

A gente só vai.
E ir é muito bom.

Isso é muito foda! Se entregar é muito foda. As pessoas tem medo de se entregar hoje em dia, mas também pudera, é tanta gente lixo que desanima tentar acreditar que a próxima pessoa não será uma próxima pessoa-lixo. Fica difícil de acreditar. Então, para quem é assim como nós, que se entrega e foda-se, poxa, isso é muito foda. Não vamos parar nunca de ser assim.

Mas talvez a gente possa mudar um pouco as coisas.
Não é mudar o nosso jeito. Isso nunca.
Mas, pensando em nos proteger, talvez a gente possa realmente dar um passo de cada vez na vida. Talvez a gente possa continuar mergulhando, mas olhando para trás e principalmente para frente. Só para nos protegermos. Só para respirarmos mais a cada braçada.

Seja você, mas seja aos poucos.
Ser aos poucos para não correr o risco de assustar. É foda. O mundo está na fase em que as pessoas se assustam com pessoas bem intencionadas. Não dá para culpa alguém exatamente, o que aconteceu é que as pessoas-lixo desgraçaram a vida de todo mundo e esse vírus se espalhou. Então, é bastante difícil provar uma boa intenção, dizer que gosta, marcar de sair e tudo mais que for bom sobre alguém, é muito difícil fazer qualquer coisa porque sempre alguém que pode se assustar com isso.

E bem, sabendo disso, a gente que poderia mudar então.
A gente pode avaliar melhor se o chão é seguro para caminhar. A gente pode deixar a pessoa saber de versões nossas que poucas pessoas sabem. A gente pode mostrar um lado diferente daquele que sempre temos na manga através daqueles assuntos que gostamos de falar. A gente pode ouvir mais, a gente pode perguntar mais. Tudo isso pode ajudar a gente a continuar sendo quem somos, mas um pouco mais devagar. Ir mostrando tudo o que temos de bom não assim de cara, mas com cuidado e um pouco por vez.

É impossível afirmar que isso é fácil.
Mas é completamente possível afirmar que é viável, que a gente consegue.

Seja você. Continue sendo você e se orgulhando do seu jeito de querer e realmente fazer bem a alguém. Continue com essa vontade de mergulhar na vida de alguém. As pessoas não são rasas, os mergulhos é que não são fundos. Continue. Continue falando coisas boas, continue mentalizando coisas boas. Continue com o foco em colecionar alegrias e, com isso, ter uma vida mais feliz. Continue tudo, mas aos poucos. Para não assustar ninguém de cara, para não meter o pé pelas mãos e, principalmente, para se proteger.

Tenta fazer isso e depois me conta.
Faça o que sente, mas sinta antes de fazer. Pensa duas vezes só para administrar o duelo entre coração e razão. Tá foda, eu não queria falar sobre isso, mas as pessoas andam rejeitando pessoas que gostam delas e por mil motivos, sendo um deles, mergulhos rápidos e fundos demais, assim logo de cara. E aí isso ativa gatilhos ruins e as pessoas se afujentam. Até para entender um pouco, mas só um pouco. Dá para entender que a pessoa pode achar que ela não merece tudo isso que a gente gosta de ser, apesar delas não perceberem que a gente é assim sempre, não é uma exclusivida. É só o nosso jeito. A gente só gosta de provar que estamos gostando, sendo que o que essas pessoas querem é algué que prove a elas o quanto gostam. É irônico, mas é a verdade. Então se não para mudar a cabeça das pessoas, vamos mudar a gente um pouquinho. É triste aceitar que o tempo que a gente vive é sobre assustar uma pessoa sendo uma pessoa boa.

Tenta fazer isso e depois me conta.
Estou tentando daqui também.
A nossa meta é sempre fazer bem, mas até para fazer bem como a gente gosta tem hora.

Vai dar tudo certo.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com
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