Esse assunto precisa ser pacificado.
Um dia a gente vai querer alguém.
E vamos querer tanto esse alguém que vamos falar umas coisas bonitas; se bobear até vamos prometer algumas coisas.
E aí o mundo vai acabar se alinhando e a pessoa vai querer a gente também.
Que coisa boa.
Fotos no instagram, dias de sol e sábados de séries e filmes.
Delicinha.
Status de relacionamento.
A história pode ser recente ou já acontecer há um bom tempo.
Mas aí pode ser que você não queira mais.
E  talvez nem exista um outro nome ocupando um lugar na sua mente.
Tipo, não é sobre outra pessoa. É sobre você sendo você diferente.
Não é que pintou alguém, é só que este alguém não colore mais os dias.
Que merda, se desse para escolher não seria assim, mas insistir em funcionar é um erro.
Tem horas que a máquina para.

E você vai se ver naquele lugar que sempre odiou: o lugar de quem quer falar o que a outra pessoa não quer ouvir.
Lembra como aconteceu outras vezes?
Você ouviu tudo e teve que sair fingindo costume. A casa caiu tão pesado que caiu em cima de você.
Dias ruins.
Agora você tá lá, sendo quem não quer mais pelo motivo que for.
Eventual e terrivelmente até mesmo sem motivo. Você assume o papel carrasco de interromper os planos de outra pessoa.
Desde que você não seja uma pessoa idiota com outra, tá tudo bem você não querer mais.
Todo dia tem gente querendo gente e gente não querendo mais. Você pode também.

Tira esse peso da sua cabeça se aquele rolinho recente não tem mais tanta graça.
Sei lá as coisas se descombinam por mil razões.
Harmonizar corações não é tarefa fácil.
Ou se a história de meses parece não te excitar mais – e isso não tem a ver com a pós paixão de começo de história.
Você pode ter sido a maior intensidade da sua vida no começo e depois a coisa passa a esfriar.

A verdade é uma só:

Acontece.

Acho que o problema principal disso tudo é fingir querer.
Porque é uma merda quando alguém percebe que o outro alguém está, digamos, suportando a gente.
A gente dá sinais quando não queremos mais.
Só que a gente acha que não, né?
A gente dá sim.

Olha, tudo bem você não querer mais.
Mas deixa a pessoa saber disso. Não enrola, não ganhe tempo, não cave oportunidades.
Na hora de transar você entendeu como fazer, não dá para relativizar quando a conversa é outra também.
A gente precisa se colocar no lugar das pessoas. Olha que clichê.
As verdades viram clichês porque a gente nunca para de errar em como fazer.
Tudo bem você não querer mais.
Só não use esse sentimento para justificar alguma atitude horrível sua.
Porque as histórias acabam, mas as marcas a gente leva pra sempre.
E o mundo, gente, o mundo dá tanta volta que a gente até se enrosca em algumas delas.
Toma cuidado.
Ok não querer.
Péssimo não esclarecer.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com