Não me leve a mal?
Mas deixa eu te falar como vejo daqui de fora?
É que eu te vejo reclamar muito, mas vejo pouco você assumir a sua parcela de culpa. E uma delas é que você é muito devagar. Desculpa falar assim.

Não há uma pessoa nesse mundo que tem certeza de todas as coisas, ou seja, partimos do mesmo princípio do desconhecido, né? O que diferencia, porém, é o quanto as pessoas metem a cara, arriscam, tentam ver no que vai dar, fazer alguma coisa, pelo menos alguma coisa. É isso que muda.

E o que vejo em você é uma distração com a própria vida; é sobre o quanto tudo te passa por debaixo do seu nariz; é sobre o quanto o que é claro para todos para você é um grande mistério. Eu não quero, porém, que você caia na armadilha dos amigos bem intencionados que dizem: “Amiga, elx tá a fim de você, tá na cara” ou “Mano, para de ser burro, é claro que elx tá a fim de você”. Estes parâmetros são escorregadios. Onde eu quero chegar é no ponto de você, com si mesmo, começar a ponderar que sim, talvez elx esteja a fim de você mesmo, talvez esteja te dando mole, talvez sim de verdade, sim, logo aquela pessoa, sim, que você não imaginava. Pois é.

Mas eu te entendo, esse jeito tem a ver com proteção. De tanto sofrer, você agora se protege de tudo – e isso é ótimo. O problema é quando a proteção vira uma agressão contra nós mesmos, sabe? Vou explicar mais. De tanto se proteger, você acaba se machucando ao perder as oportunidades que a vida te dá. Oportunidades estas que você tanto espera que aconteçam. Não é irônico?

Dificilmente alguém vai chegar em você e falar: “Eu gosto de você, fica comigo?” – acontece, mas esta é uma conversa pouco convencional. A julgar que esse momento da vida acontece feito magia, com olhares velados e algumas indiretas até que alguma atitude seja tomada. O meu ponto é que você só percebe quando a pergunta é feita, do contrário, você nunca percebe.

Falar para tentar ser menos devagar não significa que estou falando para mergulhar em todos os momentos em que sentir que uma indireta foi dada a você. Nada disso. É perigoso. O que eu quero dizer é para você ligar o radar e sensibilizar sua intuição. Arriscar mais. Com isso, veja só, você vai conseguir inclusive usar um pouco mais do seu charme e do seu jeito de fazer bem a alguém – aquele jeito que você sabe tão bem.

Você é muito devagar, mas você pode mudar. Não foi uma, nem duas, nem dez as vezes que oportunidades passaram por você sem que percebesse, mas a boa notícia é que isso pode mudar. E a melhor estratégia para isso é também provocar quando a sua intuição te disser que está sendo provocado. Esta é a parte gostoso do conhecer alguém – ou do se interessar por alguém. É tomar uma iniciativa sem a certeza de reciprocidade. É pagar para ver. É pensar: “Será? Deixa eu fazer alguma coisa também”. O meu desejo é para que você pare de ignorar quando chances aparecerem na sua cara. Não consigo garantir que essa mudança de postura vai representar bons resultados, é impossível afirmar, mas da para dizer que FAZER ALGO É MELHOR QUE NÃO FAZER NADA.

Agora, em outras e diretas palavras, PRESTA ATENÇÃO QUANDO EXISTE ALGUÉM PRESTANDO ATENÇÃO DEMAIS EM VOCÊ; se enxerga que você é sim uma pessoa do caralho e alguém pode estar se interessando por você AGORA, mas você precisa colaborar. Abre esse olho, estimule sua intuição e pare de deixar que o destino seja responsável por tudo na sua vida; saia do modo “a vida sabe a hora” e dê chacoalhões para que essa hora TALVEZ CHEGUE ANTES. Você é quem escreve a sua história.

Tenta. Só tenta. Tenta e se joga, se cair, levanta e tenta de novo. A vida tem dessas e vai ter para sempre. Se está difícil agora, já lembro que não vai facilitar depois de mais velho.

Foque em viver dias bons, deixa o frio chegar na barriga, esfrie a de alguém também, ainda que só para ir descobrindo um ao outro e ver se esse frio vai passar sozinho ou vai passar no quentinho de um abraço. Pelo menos ele passa.

Você é muito devagar, mas você pode mudar isso. Tá? Tá.
Não me leve a mal, mas quando a gente gosta de alguém a gente fala o que a pessoa tem que ouvir e não só o que ela quer.

Ah, esqueci: Eu também sou devagar, mas estou tentando mudar. Todo mundo é um pouco, né? E todo mundo pode mudar sempre.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees
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