Todo mundo sabe que conhecer alguém cansa.
E cansa, principalmente, se você vem de uma sequência de pessoas que gostaria de apertar o botão de desconhecer. Aquelas pessoas-lixo, né? Apesar que muito provavelmente a gente também já foi uma pessoa lixo para alguém. Vai saber? Mas isso é outra história.

É como você pode ler no texto anterior a este exatamente neste blog: a verdade é que a gente começa a sentir uma preguiça terrível de conhecer alguém de novo por toda a mesmice que vem com isso. Mesmo papo furado. Mesma conversa que é tão óbvia que dá para prever o fim. É uma droga.

Agora, tem outra coisa importante nesse assunto.
Você já parou para pensar na sua parte sobre conhecer alguém de novo?
Já parou para pensar se mais fecha do que abre portas?
Porque a verdade é que, aceite ou não, metade do esforço para um história dar certo depende da gente querer, isto é, se você, por exemplo, colocar muitas barreiras para alguém entrar na sua vida, sempre vai ficar muito difícil alguém ficar nela – e ainda mais preguiça vai dar de conhecer alguém de novo.

Eu já falei sobre isso aqui antes.
É que passa dia, passa mês e ano, mas a gente se vê nas mesmas ciladas da vida: queremos alguém, mas quando aparece alguém que quer a gente, a gente valoriza mais os defeitos do que as qualidades.

Você não tem deixado ninguém entrar na sua vida.
O seu ideal de pessoa não é a pessoa ideal para você.
Você tem colocado tantas regras para a dita “pessoa certa para você” que nem percebeu que ela nem existe.

Acho que falta a gente se enxergar um pouco, sabe?
Vamos fingir que falar “a gente” aqui deixe o recado mais leve do que se fosse “você”, tá?
Porque a verdade mesmo, tipo, a verdade real oficial, é que talvez você não esteja se enxergado direito.

Presta atenção, começa a reparar. Você se distancia ao menor sinal de interesse de alguém por você. E eu entendo se houver traumas recentes ou profundos demais para avançar em novas histórias, mas também não seja uma pessoa injusta com a sua vida reclamando aos quatro cantos que ninguém presta quando você não deixa ninguém prestar para você.

É só aparecer uma pessoa com qualquer mínimo flerte e você já abre a calculadora para equilibrar os prós e contras deste alguém. Você foca demais nas partes ruins das pessoas. Você não deixa ninguém mostrar como é uma pessoa boa, ainda que eventualmente não seja uma boa pessoa para você – e aqui, de novo: a pessoa boa para você existe? Ou será que você não está, há muito tempo, procurado exatamente o mesmo perfil de pessoa mas selecionado só aquelas que te convém? Isso porque eu não quero acreditar que usa um critério de seleção horroroso tipo alguém bonito para o Instagram. “Como serão as nossas fotos juntos?” É que tem gente assim, opa se tem. Juro.

Você não deixa ninguém te conhecer direito. Reclama do jogo que fazem, mas faz praticamente o mesmo quando se interessa por alguém. Reclama de que não te respondem as mensagens, mas tem um monte de DM no Instagram só visualizada por você desde 2015 – e estamos em 2019.

Antes de excluir alguém da sua vida, permita que este alguém demonstre o quanto pode te fazer bem ao fazer parte. Você pode não beijar esta pessoa. Você pode não transar com esta pessoa, muito menos namorar, mas você pode conhecer mais uma pessoa bacana.

Tudo bem? Pensa nisso.
Bom, vai ver seu pensamento esteja certo. Talvez, no fim, ninguém preste mesmo, nem eu, nem você, nem nossa família, nem ninguém. Talvez seja tudo um jogo de ilusão de um monte de gente fingindo ser feliz e casais enganando todo mundo que se dão bem. Vai ver esse papo de comemorar cinquenta anos juntos, por exemplo, seja uma grande piada ou armação da mídia – como tá na moda dizer.

Ou você pode começar a pensar no seu papel para que consiga escrever uma história bonita com alguém.

Tá tudo uma bosta sim, mas você não deixa ninguém te conhecer direito também.

por Márcio Rodrigues
umtravesseiroparadois@gmail.com