Segui os passos que constavam nos modernos manuais sobre como chamar a atenção de alguém.
Comentei nas suas fotos, respondi alguns stories puxando alguns assuntos, mas em nenhuma das minhas atitudes a gente conseguiu engatar uma conversa de fato.

haha legal né”
aaah obrigado”

“Haha”?
Enfia no &$%# esse “haha” fdp.
Imagina essa raiva?

Mas falando sério, é que você abrevia o papo que poderia se transformar em conversa.
No começo eu me incomodava bastante. Quem não, né?
A gente se sente bastante idiota num momento desses. A gente começa a reparar em defeitos na gente e, quando não é pior, a gente começa a criar defeitos na gente só porque uma pessoa x não dá muita bola pra gente. E eu passei por essas fases com você.

Passei horas alugando amigos para entender os porquês. Sempre chegava na conclusão de que eu não sou uma pessoa realmente interessante porque, afinal, se nem uma conversa a gente conseguia ter, imagina então uma história?

Realmente você não me nota.
A novidade é que comecei a pensar que talvez isso seja bom.
Que louco como a nossa cabeça pode mudar rápido, né?

É que ao me ver dedicando tanta energia para você sem a menor retribuição sua, comecei a pensar em algumas coisas. Primeiro, começou a me fazer sentido a ideia de que você, simplesmente, não se atrai por mim e isso absolutamente não significa que sou uma pessoa pouco atraente. É injusto eu exigir que você me dê bola se você simplesmente não tem vontade – mas olha, confesso, ainda me incomoda a frieza com que comenta as interações que faço nos seus stories. Por outro lado, fico pensando como seria comigo se eu estivesse no seu lugar. Talvez eu sequer responderia! É, difícil dizer. A segunda coisa que comecei a pensar foi que eu estava dedicando energia nas coisas erradas e nas pessoas [você] erradas.

Percebi que passei a não me atentar pela minha própria vida de tanto tentar chamar sua atenção. Você se tornou uma obsessão. Nutri um carinho e admiração muito grande que evoluíram para um interesse verdadeiro por você, mas até isso tem limite e eu tinha ignorado completamente.

Isso não quer dizer que você é uma má pessoa, mas sim que eu devo focar em ser uma boa pessoa para mim antes de querer uma pessoa boa para mim. E eu me perdi nessa trajetória. A gente se perde. É tão bonito aquele rosto, né?  

Você não me nota e talvez isso seja bom porque se me notasse mesmo talvez eu ia acreditar em um modelo errado sobre ter alguém. Talvez se a gente tivesse acontecido como eu planejava, eu entenderia que para viver uma história com alguém eu teria que dedicar todo aquele esforço – ou mais. Essa ordenação é importante para uma vida mais leve e com espaços para as coisas acontecerem.

É claro que não vou me transformar em estátua e deixar de comentar aquilo que eu acho que devo para dar aquele “oi” pretensioso em quem eu tiver interesse, o que muda agora é que vou tentar dosar mais o meu esforço para isso. Tentar focar no meu tempo e deixar de ser refém de uma interação ou não pelo stories, por exemplo. 

Enquanto eu me dedicar em ser uma pessoa legal para alguém eu nunca estarei sendo uma pessoa legal de verdade para mim.

por Márcio Rodrigues 
umtravesseiroparadois@gmail.com
@umtravesseiroparadois