Acho que te assustei e ainda estou tentando entender.
As coisas pareciam bem.
A meu ver, a gente estava se conhecendo numa velocidade interessante.
As conversas eram boas – ou será que só pra mim?
Eu confiava bastante nos seus “hahaha”.
Você parecia gostar dos nossos assuntos.

A gente trocava muitas recomendações de séries.
Você comentava meus stories.
A gente mandava fotos um para o outro durante o dia.
Fotos dos pratos no restaurante PF mesmo.
E chegamos até a nos marcar em memes.
Sei lá, eu estava acreditando que alguma coisa boa estava aquecendo.
Mas aí a gente esfriou.

Você sumiu.
Passou a demorar para me responder.
Eu até te perguntei se o problema foi algo que eu tinha falado e você fez questão de dizer que não era nada disso. Acreditei mas ficou ainda mais confuso.

Não é muito fácil eu me aproximar de alguém e com você eu senti que estava conseguindo – isso em nada tem a ver com jogar uma responsabilidade em você, é só um recorte pessoal.
Coleciono fissuras na autoestima ao longo de muitos anos. O mundo anda complicado.
Nada muito diferente de muita gente por aí, mas tudo muito profundo para me impedir de me envolver com frequência.

Eu fiquei pensando porque você deu essa esfriada nas nossas conversas e os motivos podem ser diversos.
Vai ver você conheceu uma pessoa nova.
Vai ver você está sem tempo mesmo.
Vai ver você voltou para a pessoa anterior.
Vai ver você ficou de saco cheio.
Vai ver um monte de coisa mas só a gente que não se viu.

E fica muito difícil acreditar que não foi algo que fiz.
Tenho tendência derrotista e eu sei que isso não me faz bem. É que a estatística não colabora. Já faz um tempo que ouço as pessoas reclamarem de pessoas renunciando conversas.
Muito louco pensar em como pode ser rápida a passagem de alguém na nossa vida, né?
É.
Vai ver você mostrou fotos minhas para os seus amigos que não me acharam “nada demais” – já descobri que aconteceu comigo antes.

Eu gostava de quando a gente conversava.
Você parecia gostar de ter alguém se importando com o seu dia.
E minutos antes do meu acabar, só havia a do meu celular com a nossa conversa aberta.
A gente era a última e a primeira coisa que eu fazia.

Talvez seja cedo para afirmar o que pode ter acontecido e você, quando reaparece, não justifica com nada específico.

Nessa incerteza do que a gente se transformou, eu sinto saudade do que a gente parecia ser.
Mas você parou de me responder do nada.

por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com