Alguns sinais a gente não consegue perceber.
Depois que inventaram o termo “vida corrida” a gente passou a se esconder de muita coisa.
Mas o pior é que a vida fica corrida mesmo.
Quanto mais o tempo passa, menos tempo a gente tem – ou a nossa percepção de tempo que muda, né? Porque o relógio não começa a andar mais rápido, a gente é que parece desaprender a aproveitar o tempo. Que merda.

Bem, nesse cenário, a gente começa a postergar coisas.
Estudar coisas novas nem pensar, cuidar da saúde quando der e por aí vai.
O problema começa quando a gente começa a postergar pessoas.
De novo, chega uma fase da vida, em geral depois que você que teve o privilégio de cursar uma faculdade se forma, que o tempo parece ficar escasso mesmo.

O ponto é aqui é a primeira frase deste texto: alguns sinais a gente não consegue perceber – e aí, sem a menor maldade existente, a gente passa a esquecer de pessoas.
Mergulhados nas prioridades da nossa vida, a gente esquece de dar atenção a outras vidas que também importam pra gente. São nesses momentos que a gente vai se distanciando aos poucos.

A gente fica tão desligado que não percebe coisas que não precisam ser ditas para serem entendidas. Tem a ver sim com a organização de prioridade da nossa vida e o tempo que dedicamos a elas. A gente se enrola e esquecemos de dedicar energia a coisas que já dedicamos um dia, entre elas, por exemplo, nossos amigos.

Dificilmente alguém vai te dizer: “Você pode conversar comigo?” Esse, por exemplo, é o tipo de coisa que nem sempre precisa ser dita para ser compreendida. Dá para identificar alguma estranheza de comportamento antecipadamente e tentar reaver o tempo que passou. Dá, mas só se a gente quiser.

Vai ser muito difícil alguém verbalizar que precisa de ajuda. No mundo de aparências que a gente vive, demonstrar fraqueza é se expor – e ninguém gosta de expor seu lado mais frágil. Falar sobre problemas demanda muito de quem fala, mas mais ainda de quem ouve. E é esse ponto que eu quero destacar:

Não é sempre que pessoas vão dizer pra gente que precisam da nossa ajuda.
Não é sempre que pessoas vão dizer pra gente que precisam da nossa ajuda.
Não é sempre que pessoas vão dizer pra gente que precisam da nossa ajuda.

Não é sempre. E ninguém tem exatamente uma culpa. Bem complicada, inclusive, essa lógica de ter que apontar um responsável, afinal, nenhuma relação é uma competição. O esforço é necessário de todas as partes envolvidas em uma relação. É preciso sublinhar este ponto para que justiça seja feita.
Aquela pessoa que não fala o que está passando tem seus motivos, muitas vezes a legítima preocupação em não atrapalhar a vida das pessoas que gosta com problemas pessoais. Por outro lado, aquela pessoa que não percebe e não ouve, se enrola na sua própria vida e a organização do tempo que acaba deixando as coisas passarem despercebidas.

Tá tudo bem. A gente não vai acertar sempre.
Mas será que dá pra gente tentar perceber mais as coisas? Será que dá, por exemplo, pra gente puxar assunto com as pessoas que gostamos uma vez ou outra? Dar uma sondada para saber como anda a vida? Mesmo que um encontro não seja possível de marcar? Será que dá? Será que não vale pensar um pouquinho nisso? E isso tem a ver com amigos, família ou qualquer outra pessoa próxima da gente.

Tem pessoas perto da gente com problemas tão pesados que a nossa ajuda poderia aliviar. A nossa companhia, a nossa conversa, o nosso tempo.

A notícia boa é que não é necessário aprender nada novo, tampouco se considerar incapaz. O fundamental é apenas uma coisa: demonstrar interesse.

Interesse sobre a vida, sobre a saúde, sobre a família. E mostrar, sobretudo, que estamos lá sempre que alguma pessoa precisar de algo que possamos ajudar.

A gente pode até não curar a dor a de alguém, mas a gente pode ajudar a encontrar um atalho.

#setembroamarelo.

Um beijo,
Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com