[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Uwy_8O_3mWk&w=420&h=315]
É isso.
Por mais cruel que seja é exatamente isso.
E é claro que você tem o direito de não se sentir bem com isso. Quem sentiria o contrário?
Mais do que qualquer pessoa, você sabe bem de todos os esforços que fez para se mostrar uma boa pessoa. E tudo é tão legítimo, sabe?
Nada foi em vão, pois em tudo você foi real. E no fim as pessoas reais sempre vencem.
Nós sabemos que você tentou muitas coisas.
Sabemos que quando os assuntos pareciam acabar, você tratava de inventar alguma coisa nem que fosse mostrar uma música que gosta ou algum vídeo engraçado, sei lá, qualquer coisa para entreter e manter a conversa gostosa.
Você foi a melhor pessoa que essa pessoa poderia merecer.
Eram inúmeras as janelas no chat falando com você, mas só aquela importava.
É que você se dedicava em dar atenção. Num mundo onde as pessoas mal dão abraços, dar atenção é algo de extremo valor. Entenda também que a sua preocupação sempre foi muito bonita. É incrível ter alguém que se preocupa com a gente.
Você fazia bem em perguntar como tinha sido o dia.
Muitas vezes são as perguntas mais bobas que a gente precisa.
Se preocupar é o mínimo, se dedicar é o máximo.
O “tudo bem com você?” pode ser tranquilamente substituído por um “tem uma música que me lembrou você.”; o “como você tá?” pode ser tranquilamente substituído por um “estou aqui pra ter certeza de que está bem”.
O valor está no percurso e não na chegada; está no seu jeito de fazer aquilo que todo mundo faz de qualquer jeito.
Você não errou em nada. Você acertou com a pessoa errada.
É que essa pessoa simplesmente não quer sair com você.
E isso é mais uma daquelas terríveis e certeiras coisas da vida que a gente tem que incluir no: Faz parte. Isso faz parte.
Sua cabeça tem o direito de dar um nó também.
Volta a lembrança de tanto e tanto tempo conversando, sobre tantos e tantos assuntos, horas, expedientes inteiros, de pé no metrô, na cama antes de dormir, pouco depois que acorda, e tudo se repetindo de novo, dias, dias e mais dias sem dar em nada.
A melhor parte em se dedicar pra alguém é a certeza que criamos para nós mesmos sobre como conseguimos ser pessoas DO CARALHO pra alguém, sabe? Tipo, você sabe exatamente quão especial se mostrou pra essa pessoa. Você acompanhava as estreias do cinema, as novas exposições na cidade, os shows, os restaurantes, você estava atento à tudo e sempre tentava dar a dica esperando um “vamos combinar um dia”?, mas esse momento nunca chegou.
– nossa, isso é muito legal! =)
– é sim, vamos combinar um dia?
– vamos!
E fim.
Nesse momento milhões de possíveis casais deixam de ser formados, milhões de possíveis famílias deixam de ser constituídas, milhões de incríveis momentos deixam de ser vividos, milhões de infinitas risadas deixam de ser dadas, milhões de deliciosas noites de sexo deixam de ser vividas, milhões de voltas pra casa deixam de ser compartilhadas, milhões de infinitos tudo de bom deixam acontecer. E os motivos são outros milhões que variam de pessoa pra pessoa.
Tem quem goste de ter você nas mãos.
Este tipo de gente é muito perigosa.
Essas pessoas seduzem sendo gentis e miseravelmente atenciosas e então nos vemos lá: entregues à todas as conversas e com 100% da nossa atenção e tempo dedicados. Não passamos de dez segundos de mensagem visualizada sem que possamos interagir de alguma maneira. Somos nós tentando mostrar que somos reais; são eles vivendo o que eles querem, do jeito deles e quando é conveniente.
E então você começa a perceber que seu papel na vida dessa pessoa era só alguém pra falar coisas bonitas e perguntar como foi o dia. Você começa a perceber que essa pessoa não te fala nada bonito e muito menos pergunta do seu dia, mas você AMA quando ela te dá um “Oi” naqueles dias que você está certo de que não vai puxar assunto. Eis você: refém das migalhas. Real, entretanto, mas ainda assim refém.
Tem também o tipo de gente que pega ainda mais pesado.
São as pessoas que falam coisas que você sempre quis, agem de um jeito que sabe que vai te comover, se vendem como alguém muito interessante, te seduzem com pouco, perguntam do seu dia (incrível!), perguntam da sua vida, aparentemente cuidam de você, mas no fim, essas pessoas só querem ter o gostinho de controlar as coisas. Muitas delas estão fazendo as mesmas coisas com outras pessoas no mesmo momento que você.
Essas pessoas buscam completar a agenda. Elas querem te encaixar nos espaços vagos.
Bem, o fato é que essa pessoa não quer sair com você mesmo. É isso e pronto.
Não é adequado pensar que perdeu tanto tempo para nada, é melhor pensar que você tentou, e que não foi uma vez, nem duas. Você deu indiretas, você deu diretas, você deu margem para que ela fizesse a parte dela para pelo menos TENTAR. Mas ela não quis. Essa pessoa que você queria tanto sair pra conversar não quer sair pra conversar com você, com outra pessoa talvez, mas com você não.
Dentro da frustração que pode te invadir, reserve espaço para o seguinte sentimento: o azar é dessa pessoa que não quer sair com você. Por mais que você estivesse cheio de intenções e desejos, nada se confirma sem que exista a possibilidade. Vocês poderiam ter saído e de repente você nem se interessar mais tanto assim, mas por outro lado terem aproveitado uma nova experiência nas conversas de sempre entre vocês; uma experiência real. Ou, sim, você poderiam ter saído e teria sido só a primeira noite de uma nova história entre vocês dois. Mas não é possível beijar uma boca se ter uma para beijar. Isso significa que por mais que você faça a sua parte perfeitamente, se a pessoa não fizer a dela, nada acontece.
O tempo pode mudar muitas coisas e o peso do arrependimento é implacável, mas o fato é que hoje essa pessoa não quer sair com você.
Mas isso tudo não é motivo para você deixar de ser a pessoa que gostaria que saísse com você. Seja essa pessoa.
Márcio Rodrigues. –
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