É por isso que eu reluto.
Me assusta a ideia de te deixar saber mais de mim.
E até coloco um limite no tamanho do sorriso que eu exibo.
Tento me proteger.
Te conto teasers sobre grandes momentos da minha vida porque me apavora a ideia de te convidar para o meu mundo.
Abrevio a saudade respondendo “eu também”.
Reajo com um coração na sua mensagem que diz ter vontade de me ver. Demoro para te responder para não demonstrar demais.
Aumento motivos pequenos para desmarcar uma noite de sexta.
Minto que não gosto tanto dos filmes que você ama.
Respondo que nem acho tão bons assim os discos que amo.
Precisei encontrar um jeito de amortecer a decepção já que não dá para evitá-la.
São mecanismos para me defender e, ao mesmo tempo, alimento dúvidas sobre o quanto posso te afastar.
É que em muitas das vezes em que me envolvi, não quiseram ficar.
Então sempre meço meu empenho ao conhecer alguém.
Ignoro a ingenuidade de não conseguir controlar.
Fico pensando o que vai acontecer se eu me abrir pra você.
Você vai querer ficar?
Ou vai começar a me alertar que as pessoas têm ritmos diferentes?
Vai dizer que não pode nesse sábado, mas que daqui há 2 consegue a gente pode tentar.
Vai protelar um combinado por algum motivo impossível.
Vai me contar de parentes que nunca mencionou.
Dizer que sente medo de ir rápido.
Que vem de uma história inacabada e que ainda te dá insegurança.
Que sou uma pessoa ótima.
Vai demorar pra me responder e, quando o fizer, vai ser com vontade de parar.
É por isso que eu reluto.
Porque eu tenho medo.
Porque talvez eu não dê conta se acontecer de novo.
Pelo menos eu acho que não.
Você não precisa assinar nenhum contrato emocional.
Mas também não posso me entregar sem pensar.
Não agora.
Porque se eu me abrir e você se fechar, eu preciso saber voltar.
Voltar pra mim.
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por Márcio Rodrigues
@umtravesseiroparadois
umtravesseiroparadois@gmail.com

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