Author: Márcio Rodrigues (page 58 of 70)

Insuportavelmente Atraente

Antes de você chegar tudo que eu fazia era te esperar.
Lembro que eu demorava pra fechar os olhos depois que me deitava. É que eu imaginava como seria o dia que você aparecesse, mesmo sem naquela época saber quem era você. É engraçado lembrar que eu ficava ensaiando frases feitas que eu aprendia nos filmes ou nos livros. E quando eu via um casal na rua, olhava pra minha própria mão imaginando quando seria a minha vez de ter outra junto dela.

Eu sempre tive ansiedade demais e sei que isso é muito normal. Só não sei se a ansiedade que eu tinha de fazer alguém feliz era assim tão normal. É que geralmente as pessoas buscam alguém para trazer felicidade, e é claro que eu também sempre quis assim, só que mais do que alguém que me fizesse feliz, eu sempre esperei alguém pra fazer feliz, sempre esperei o dia de ouvir alguém me falar: “Você me faz bem.” Sou das pessoas que mais do que ganhar presentes, gostam de presentear.

Teve uma vez que pensei em procurar algum especialista que me ajudasse a entender quem eu era ou em quem eu estava me tornando. Parece loucura, mas é verdade. É que cheguei a cansar de me perguntar porque a minha hora demorava tanto pra chegar, sempre questionei a minha vida, a felicidade que eu queria sentir mas não sentia. É horrível mas já me questionei o por quê da felicidade parecer morar tanto em algumas pessoas e em mim ela nunca sequer fazer uma visita. Tanta gente feliz demais enquanto tem gente querendo ter só alguns momentos de alegria. Sempre me questionei muito tudo isso.

Aí eu parei.
Parei porque você apareceu pra me provar que a minha hora tinha chegado, que eu também merecia ser feliz, e mais que isso, você apareceu pra me provar que havia chegado a minha hora de dar toda a felicidade que eu tanto guardei aqui dentro de mim, guardei na solidão dos dias de chuva, guardei nas noites em claro no computador gastando vida.

Você me apareceu com com tantas as qualidades, mas foi na hora dos defeitos que eu percebi que gosto ainda mais de você. Que loucura, não? Gosto de saber que você tem defeitos, que reconhece todos alguns deles, que se esforça pra melhorar, que se dedica pela nossa felicidade. Perfeição é ilusão. Gosto de saber que você sabe que a gente só precisa da felicidade, que a gente sempre pode conversar pra se acertar, apesar dessas conversas durarem horas, passando por telefonemas desligados na cara, saídas em disparada no meio da avenida, vácuo falando com ninguém e etc. Faz parte.
E sabe, toda aquela minha ansiedade de ter alguém a quem dar alegria hoje está totalmente direcionada à você, a nós e a nossa história, dos planos do nosso próximo fim de semana, a viagem que queremos fazer, aos filmes que vamos ver. Os teus defeitos fizeram com que a minha ansiedade diminuísse, pois eu percebi que teria que ter paciência pra conviver com um lado seu que é mais insuportável complicado. Hoje eu tenho menos ansiedade e mais paciência, hoje eu tenho mais felicidade e nenhuma solidão. Troca justa. Eu aceito teus defeitos, aceito o teu jeito, simplesmente porque você aceita os meus e o meu jeito. Então a gente se completa, não há do que reclamar.
Acima de qualquer questionamento de perfeição, o que me importa é que você vai me fazer dar risada quando eu te ligar em qualquer horário, e mesmo que não consiga, pelo menos vai tentar. Nem que tente 300 mil vezes.

Há tentativas que valem mais que realizações.

E aliás, seria interessante se você tentasse reduzir do 17° para o 10° toque na demora pra atender o telefone quando eu te ligasse.

O Que É Seu Está Guardado. No Inferno.

Chega, cansei, não aguento mais.
Acho que alcancei o nível máximo que uma pessoa pode chegar da idiotisse. Ainda bem que essa hora chega! A gente se esforça, corre atrás, diz e prova que gosta, mostra o caminho e tudo o que recebemos no fim é a indiferença? Então que se dane, não me importa mais.

A gente demora pra acordar, mas quando chega a hora, demoramos pra dormir de novo.

É assim, claro que eu queria você comigo e inclusive exijo que reconheça todo o esforço que tem feito pra isso, esforço esse feito não por mim nem por você, mas pela gente, pela nossa história. Quero que reconheça pra lembrar disso na próxima vez que chorar, quero que realmente reconheça pra lembrar que me perdeu de uma vez por todas, que eu não vou mais correr atrás, não vou mais te ligar, nem te mandar mensagem, nem te chamar na internet, em outras palavras, eu simplesmente quero que você se exploda.

Se o amor estiver mesmo ao lado do ódio, estou sentindo o máximo desse ódio por você.

Não que você tenha me ofendido, agredido ou sei lá algo parecido, nada disso, você poderia me dar um soco na cara, contanto que não me tratasse de forma indiferente, de uma forma que não faz o menor efeito o fato de eu ter vida ou estar num leito de hospital. Você me provou que se eu morrer amanhã o teu dia continuará igual. Então, eu não preciso viver em função de alguém que não se importa em nada comigo. E eu também não quero falar o que eu esperava em você ou do que eu espero com alguém. Também não digo nem que estou triste, eu só consigo sentir raiva. Raiva de você.

Pessoas ingratas deveriam morrer.
A gente se dedica, se preocupa, faz além do que podemos e no fim recebemos nada mais do que NADA, nenhum sinal, nenhum gesto, nenhuma gratidão, o que seria o mínimo. E não é questão de fazer esperando algo em troca, é questão de respeito, de consideração, de pensar: “Pô, essa pessoa gosta mesmo de mim, se esforçou tanto por mim, tenho muito respeito por ela!”. Tem gente que precisa sofrer muito, a pior das dores, chorar muito, chorar sangue se for possível, pra aprender que não pode brincar com as pessoas.

E pra você eu só o quero o que é seu por merecimento. Da mesma forma que espero pra mim.
Não te desejo mal, mas você sabe muito bem o que tem feito, especialmente comigo, justamente comigo que já me doei tanto por você, sendo assim, você já pode imaginar o que vai colher lá na frente e eu não quero que se pergunte “Por que está acontecendo isso comigo?” pois a resposta está dentro de você. A resposta está no teu passado no qual eu sou o presente. Eu vou morar na sua lembrança, vou morar nos teus dias pra sempre, você vai se revirar pra dormir, você vai sentir minha falta como jamais sentiu de alguém, vai parar pra pensar e vai se arrepender tanto de tudo que fez, de todas as vezes que me viu chorando e nunca se importou.
Não te desejo nada disso, é só uma previsão de como será sua colheita, cabe a você ver se há tempo para recuperar alguma coisa.

É que pra mim chega, cansei, não aguento mais.
Não sei o que eu quero, mas sei o que eu não quero, e você está no meio disso.

Você Me Fez Não Lembrar Mais De Você

Eu não vou te obrigar a ficar comigo, mas também não peça pra eu ter consideração quando me ver em algum lugar dessa cidade segurando outra mão que não a sua. Eu te avisei e não foi só uma vez. Te falei tanto pra repensar os motivos que a gente brigava, falei tanto que eu não merecia a forma que me tratava.

Quantas foram as vezes que eu te liguei e você nem sequer atendia, nem pra dizer que não queria falar nada. Perdi a conta das vezes que pedi pra gente conversar, pra gente se acertar, sei lá, pra gente pelo menos tentar. Tentar.

Foi você que escreveu a última página da nossa história.

Você sempre me colocou na condição de culpa pelos problemas da tua vida, sempre alegou que as coisas não estavam dando certo pra você porque eu te pressionava demais. E eu fico triste, porque você nunca se colocou no meu lugar, você nunca tentou pensar que o que você chamava de pressão eu chamava de preocupação, de querer ajudar, de querer ser mais, diabos, de querer te fazer mais feliz.

Você nunca considerou o menor dos meus esforços por nós dois.

E agora você me procura.
Só que eu respeitei o tempo e tenho caminhado ao lado do relógio, afinal, só eu sei o que eu passei todas as vezes que voltava pra casa com a maior das frustações pela gente sequer conseguir conversar, não era nem por não conseguir se resolver, eu só queria conversar. Eu só queria que você me ouvisse. Eu só queria te ouvir. E naqueles momentos o relógio se arrastava, mas na verdade eu entendi que eu queria que ele corresse mais rápido que o normal. E isso nunca vai acontecer. Minhas tristezas e alegrias tem data de encerramente, no entanto depende muito de mim pra prolongarem.

Se já passou, a mesma água não volta pra cachoeira.

Eu não consigo reverter tudo que eu chorei por tanto tempo. E cada lembrança que volta me acerta o peito como navalha. E sabe por quê? Porque eu queria você comigo! Pra mim! Eu desejei tanto dias melhores pra nós dois, eu quis tanto não me importar com o teu jeito cheio de estupidez, com a forma displicente com que lidava com o que a gente vivia. Por muito tempo eu considerei até abrir mão da minha felicidade contanto que a gente se resolvesse, mas eu confundi isso com abaixar a cabeça pra você, pelo teu desrespeito e insanidade comigo.

Choveu, virou tempestade mas depois acabou.

Hoje eu vivo outra parte de mim!
A vida me trouxe alguém que senta comigo pra discutir o porque de estarmos brigando, trouxe alguém que mesmo que esteja com a maior das raivas me atende no telefone, me procura pessoalmente, conversa, tudo com o único e exclusivo objetivo de darmos fim pra tanta perca de tempo com brigas e para aproveitarmos todo esse tempo com novos capítulos da nossa história.

E eu quis tanto que você fosse esse alguém. Tanto.

Demorei pra perceber que eu precisava de felicidade real, que já não mais me bastava responder “tá tudo bem sim” quando me perguntavam “e vocês dois, como andam?”.
Quando a felicidade está com a gente, é escandalosamente visível, ninguém precisa perguntar se está tudo bem.

Hoje eu estou feliz, só me faltava conseguir desaguar em palavras tudo isso sobre você que meus olhos jamais suportariam.

Eu não vou te obrigar a ficar comigo.
Simplesmente porque eu não quero mais ficar com você.
E a culpa disso não é minha.

Eu Quero O Teu “Oi” Pra Sempre

É.
Eu acredito em algumas coisas pra sempre. Acredito que posso fazer a minha parte pra tornar algumas coisas eternas, nem que esse eterno more aqui dentro do meu coração, só pra mim.

A gente se preocupa demais com algumas coisas que ocupam o último lugar na fila de importâncias. No fim, nenhuma roupa de marca ou carro descolado vai ir com a gente pro nosso caixão. No fim, é importante termos a nós mesmos da mesma maneira que tivemos quando nascemos. A idade vai chegar, algumas alegrias de quando criança vão partir, mas o engraçado é que a gente vai voltar a ser criança quando mais velhos ficarmos.

E que cena eu vi hoje, QUE CENA. Sou eu, Márcio, escrevendo aqui um relato que vi a poucas horas.
Estava num ponto de ônibus corriqueiro pra mim, sentei e esperava o meu chegar. Observei que tinha um casal de idosos. O vovô parecia mais debilitado que a vovó. Ele requeria mais cuidados e mal conseguia observar as coisas. A vovó – com tanto amor – segurava sua mão de modo que se fossem em palavras seria algo do tipo: “Calma, estou aqui e não vou te deixar!”. Quando vi essa cena comecei a pensar em tudo que a minha vida é. Em como eu reclamo de cada merda, como eu me queixo de cada coisa, e me vendo assim no lugar deles, eu me senti o pior dos lixos.

Eles não se importavam com mais nada além de um pelo outro. Certamente o vovô não se importava se a roupa que a sua esposa usava era nova, não se importava se ela estava cheirosa, se estava com o cabelo escovado ou algo do tipo. Ele só queria a mão dela ali por perto, e não podia ser outra, tinha que ser a dela. E com certeza a vovó também não se importava em nada dele, na calça esportiva com a barra maior que o normal, na camiseta polo preta desgastada com listras cinzas. Possivelmente é ela que o ajuda a se vestir. Todos os dias.

Parei meu mundo, pausei o iPod – quem me conhece mais de perto sabe a importância que a música tem na minha vida, especialmente enquanto companheira – e comecei a pensar nas pessoas que se afundam em dívidas pra ter as roupas mais legais, só pra chamarem mais atenção, irem nas baladas mais caras, ter os aparelhos tecnológicos mais decolados e por aí vai. Mesmo que não se afundem em dívidas, mas que levam o visual e o status acima de tudo. Pensei também nas pessoas que traem. Pessoas que tem coragem de brincar com o sentimento alheio como se não valesse de nada. Pensei também em quem não se esforça pelo amor, em quem abre mão pelo simples fato de abrir a mão, sabe?

Ver aquele casal vovozinho ali me fez ter mais certeza de como quero conduzir minha vida, com esposa e filhos que terei um dia, me fez confirmar a ideia de que não estou errado nesse mundo, de que meus princípios particulares – desenvolvidos com a vida que tenho – são coerentes para vida que quero levar e tenho levado.

Um casal de idosos me fez pensar em tanta coisa, me fez pensar que a minha vida vale muito mais que qualquer dor ou qualquer aparência, especialmente se eu tiver a quem contar comigo. E sempre temos!

Ainda olhando aquela cena, reparei em como a vovó fazia carinho no vovô. Duas mãos tão cansadas pelo tempo, tão ricas em histórias e visivelmente frágeis, esperando um ônibus num domingo qualquer de Outono. Ela deixava claro que estava lá, que ele não precisava se preocupar com nada. Eles não trocaram uma palavra sequer.

O ônibus chegou e fui me posicionar pra entrar. Atrás de mim senti um solavanco e notei que era o vovô – aquele mesmo tão debilitado, eu não sabia que pegariam o mesmo que eu. Abri espaço para que pudesse passar em minha frente. Ele estava com pressa. Quando passou por mim, estava de mão dada com a sua tão amada e dedicada esposa – de possivelmente décadas de companhia – dei um afago na vovó como se eu dissesse: “Por favor, continue!”.
Eles ficaram na parte da frente e eu passei a catraca.

E quando eu falo que quero ter o teu “oi” pra sempre, estou dizendo para cada pessoa que eu gosto, para cada pessoa que gosta de mim, para quem vou gostar, para quem vai gostar de mim. Vocês todos!
Eu só quero fazer a minha parte pra ter o teu e o “oi” de todos. Pra sempre.

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E hoje ainda é 1° de Abril.
Fiz uma brincadeira na fanpage do blog no Facebook falando que eu acabaria com o blog, falando de surpresas da vida. ME PERDOEM! Hoje tive certeza de que não posso parar de escrever e mais ainda que a vida é sim cheia de surpresas. E justo eu tinha que viver isso. Justo hoje. 
O plano era escrever mais tarde sobre como uma mentira dói na gente, sobre como é importante a gente dar valor enquanto temos as coisas, porque depois que elas vão embora – no exemplo o fim do blog -, nenhum valor mais cabe ou impressiona. Essa era a minha ideia!
Mas a vida surpreende.
E hoje resolvi sair de casa por 1 hora e vivi a cena que descrevi acima. Aí a lição evoluiu e estou aqui agora, compartilhando com vocês a cena que eu vi, vivi e o quanto aquilo me tocou, de repente cumprindo a minha missão no mundo através de uma das artes que mais amo, que é a de escrever.

Vou continuar escrevendo sobre as coisas que eu vejo e imagino. A estrada é muito longa e eu não percorri quase nada. Enquanto eu tiver uma resposta positiva de vocês que leem aqui, enquanto eu conseguir tocar o coração de vocês, eu vou escrever. E quer saber? Mesmo que me deixem sozinho, eu vou continuar escrevendo, porque a principal intenção aqui não é agradar vocês, mas sim, a mim mesmo. Já disse e repito que o Um Travesseiro Para Dois é o meu terapeuta pessoal. ps: Não me deixem, rs!
Vou brindar todas as coisas dessa vida, vou tentar, com a maior humildade do mundo, usar todas as simples palavras que uso aqui pra estimular a todos vocês – nós – a verem a vida e todas as coisas dela de uma forma especial, não convencional e menos óbvia.

Tudo é especial se quisermos que seja.
Inclusive um casal de vovozinhos num banco de ônibus.
Obrigado pelo que vivi hoje, Vida. 

Sexta-Feira, Sua Horrível

Sei lá, fico triste por você ter mudado tanto.
Outro dia sem querer me peguei vendo algumas fotos da vida que tem levado. E não foi uma das melhores pra se ver.
Você até que parece estar feliz, é bem verdade, mas eu não conheço mais ninguém do teu círculo de amizade. Vi nas fotos algumas pessoas que posso supor que tenham passado pela sua boca. Sei lá, pode parecer xulo falar uma coisa dessas, mas o fato é que eu realmente não sei de mais nada que passa na sua vida e o que me resta aqui é especular, porque não me cabe te perguntar nada.

Sempre gostei da forma que a gente conversava, era um jeito muito nosso onde eu me sentia particular. Mas é inevitável eu imaginar você falando da nossa maneira com outras pessoas, com outros Eles.
Isso sem contar que eu se parar pra pensar em quem hoje tem o teu sorriso mais vezes que eu, se eu parar pra pensar em quantos abraços você tem dado, eu certamente vou querer morrer simplesmente por não querer imaginar esse cena.

Talvez eu tenha mudado também. Vivi muitas coisas desde então, conheci muita gente e em algumas das minhas fotos aparecem pessoas novas comigo, desconhecidas por você, que de repente você pode pensar o mesmo que eu. No entanto, e você não faz ideia, eu praticamente perco a respiração nas raras vezes que você me chama na internet e diz “oi =)”. Me vem um frio tão grande na barriga que eu não consigo me concentrar mais em nada.

Sinto tanta raiva por me sentir fraco demais.
Em pensar que agora você deve estar planejando sua baladas do fim de semana, onde e com quem ir, com que roupa, planejando tudo enfim, e eu estou aqui pensando em qual filme assistir, qual comida vou experimentar, qual programa de TV vou ver.

E tudo sozinho.
Como tem sido desde que você preferiu viver outro momento.

Faz tempo que perdi a graça sobre os fins de semana. Não consigo sentir um pingo de ansiedade em ter “tempo livre”. A minha sorte é que com o passar do tempo felizmente atingi um nível de auto-suficiência que me deixa particularmente preenchido. Tem tanta coisa que eu fazia com você, ou algumas novas que poderíamos estar fazendo agora, que eu faço tudo sozinho, e então eu me forço a encontrar vantagem nessa vida acompanhado por mim mesmo.

Entenda, não é drama, na minha parte da história, é a realidade.
Tento sair, tento me divertir, mas acho que a ferida ainda não cicatrizou e parece que todas às vezes que eu tento acelerar esse processo, eu só me machuco mais.

Enquanto eu me machuco sozinho você nem faz ideia se estou vivo.

É claro que eu nunca vou te cobrar que se preocupe comigo da mesma maneira que eu faço com você mesmo nós não estando mais juntos, é que tem horas que eu me pergunto: “Será que você pensa em mim alguma vez na semana? Se sim, será que a lembrança que eu tenho sua, a forma como isso me abala, se compara a lembrança que você tem de mim? Será que eu me tornei só mais uma página lida, numa história como outra qualquer, da sua vida?”

Por isso e mais um monte de coisa que eu sumi. E não tem sido fácil.
Quando eu não aguento de saudade, me forço a lembrar de algum momento nosso até rir sozinho, e é uma loucura eu sei, acontece que foi a única a saída que eu encontrei pra poder contornar a falta que você me faz, sem precisar te falar da falta que me faz.

Sei lá, fico triste por você ter mudado tanto.
Fico mais triste ainda por eu não ter mudado nada.
E o amor continuar o mesmo.

Foi Infinito Enquanto Durou

E o momento pode ser eterno.
Nem que morra uma das duas vontades de tornar pra sempre, a que vive sempre vai manter.
O agora é imprevisível e isso faz tão bem.
Faz tão bem rasgar os manuais do que deve ser feito. Essa vida não seria absolutamente nada se não fosse a ansiedade pelo fim da busca da felicidade.

E você estava ali. Eu nem te conhecia. Minha busca tinha acabado.
Era uma noite minha qualquer, mais uma das que ando pela cidade. Tinha muita gente ao redor, mas eu fui forçado a parar e acabei te vendo do outro lado.
A distância era grande mas a gente se olhou muito e em um momento até me vi refletido ali nos teus olhos meio longe. Ou eu estava realmente louco como imaginei. Eu não conseguia identificar as pessoas a minha e nem a sua volta. Mas eu também não queria saber de mais ninguém, essa era a verdade.
Eu só queria ficar ali. E só queria te ver ali também. Parada.
É sério, eu nem queria que você viesse pra perto, porque isso ia significar que tudo ia acabar ali mesmo. E eu não queria isso.

Eu estava muito nervoso, olhei as horas no celular enquanto você tirava o excesso do cabelo do rosto e segurava a alça da bolsa que estava na diagonal em teu peito.
Entre nós eu tinha uma visão turva do que tentava interromper aquele momento.

Parecia que a Lua só iluminava você.
Você se destacava, mais que chamar, você gritava a minha atenção, era impossível eu parar de olhar, eu me sentia incapaz de fazer qualquer coisa, ter qualquer atitude naquele momento. Eu sei que não ia conseguir fazer nada além de te olhar ali. Pela primeira vez na minha vida eu gostei de me sentir covarde. Eu já disse, não queria dar um novo passo em algo que eu já estava sentindo amor por estar vivendo do jeito que eu estava.

Me bastava saber que pelo menos no meu mundo eu estava tendo você ali comigo.

Pena que até mesmo as mais lindas histórias chegam na última página.
A gente teve que caminhar. Distância curta.
Eu abaixei a minha cabeça ao dar o primeiro passo, não queria aquele fim, não daquele jeito, eu só queria voltar os nossos minutos no meu relógio. Eu só queria que você voltasse pro teu lugar e eu pro meu e que eu continuasse te olhando. Só isso. Eu queria continuar te olhando.

A gente se aproximou. A gente se cruzou. Você não ia voltar, eu não ia voltar.
Só deu tempo de olhar teu cadarço desamarrado e até pensei em te avisar. Parei no pensamento.

Levemente.

Levemente foi a forma que nossos ombros se tocaram. As pessoas ao nosso redor nos obrigaram a isso. Mas foi o suficiente pra mim, o suficiente pra levar comigo teu perfume.
Eu então cheguei do outro lado e parei.
Olhei pra trás. Te vi de costas. Do outro lado da rua.
É, havia realmente acabado.

Eu nunca quis tanto que o sinal vermelho de um semáforo fosse pra sempre.

É Importante Eu Ter A Mim Mesmo, Antes De Você

E me invade assim uma alegria simples e meio incontrolável, sabe? Tem horas que eu até acho que sou mais louco do que acho que sou, especialmente nas horas em que me pego rindo sozinho numa viagem de ônibus qualquer nessa cidade, ou quando rio sendo cúmplice presenciando um momento especial de um casal que eu nem conheço.

Vivo todas as alegrias, inclusive as que não são minhas.

E por muitos anos foram incontáveis as vezes que eu não conseguia dormir direito a noite. Fazia minha prece, deitava, enrolava meus pés no edredom e fica observando o teto no escuro, acompanhado por algum feixo de luz da lua entrando janela adentro ou pelo display do relógio. Eu não conseguia dormir porque eu me perguntava muitas coisas. Eram perguntas até meio redundantes mas que eu posso resumir acerca do assunto: “Quando vai chegar a minha vez?”.

Sem sono, eu me forçava imaginar sonhos.

Por mais bonito e grande que possa ser, nenhum quebra-cabeça fica pronto faltando uma peça.
E hoje eu posso dizer que encontrei a minha tão esperada peça. Encontrei a exclamação da minha vida.

É você.
A minha vez chegou.

Engraçado que eu estou aqui pensando nessas coisas justamente na minha cama, enrolado no edredom, acompanhado por alguma luz da lua vindo por entre a janela e pelo display do relógio. As mesmas cenas podem mudar quando há novos pontos de vista.
Seria muito fácil eu te ligar pra gente se ver, pedir pra me ouvir falar um pouco sobre a importância que eu dou ao que temos construído. Capaz que você choraria, capaz que eu também. E aí a gente se beijaria e seria um ótimo roteiro de filme. Mas eu aprendi que preciso pensar em mim antes, sendo assim, preciso agradecer e celebrar sozinho antes, para que eu possa rever tudo que temos vivido de fora, de uma forma mais analítica e menos sentimental. Enxergo erros meus nesse processo. Por isso faço isso aqui na minha cama, na mesma situação em que meses atrás eu chorava só por ansiedade de ter a quem dizer “Estou com saudades…” Eu sempre vou preservar a minha vida. Você pode ir embora amanhã e no fim eu vou voltar pra minha casa, pro mesmo cenário, então, nada mais justo do que também celebrar aqui comigo mesmo. E é estranho falar sobre a possibilidade de você partir – por mais real que seja – é que agora eu não consigo mais imaginar como vai ser a minha vida sem a sua.

Eu só queria ter alguém pra revelar saudades e hoje tenho você, que me rouba um riso quando dá uma volta a mais no cachecol. É mais do que esperei ter um dia.
Nunca pensei sentir tanta felicidade numa ligação surpresa, numa mensagem de bom dia, numa mão no meu cabelo enquanto sou beijado…

Ao me virar um pouco consigo ver daqui da cama alguns dos nossos porta-retratos. É tão especial e me faz tanto querer ser alguém melhor ver seu sorriso ali eternizado; saber  que eu tive parcela de responsabilidade em algum momento seu de felicidade.

Eu não brinquei quando disse depender da tua felicidade pra ter a minha.

Me sinto meio infantil mas deixo a lágrima escorrer aqui inesperadamente. É uma forma de gratidão solitária e silenciosa. Pela vida, talvez por tudo que eu plantei e estou colhendo materializado em você, pelo privilégio de ter você comigo que a uma hora dessas deve estar no sono profundo com um pé pra fora do edredom.

Que noite. Que noite minha.
É mais uma noite sem ninguém. Uma noite diferente sem ninguém, hoje entendo que não preciso ter sempre ao alcance dos olhos pra ter pra sempre na minha vida.

Ventos desse novo Outono beijam minha janela. É uma bênção.
Eu preciso dormir agora pra te encontrar daqui meia hora num sonho qualquer antes do amanhã chegar.

Um Travesseiro Para Dois – 1 ANO!

“Por quê esse nome?”
É que esse nome define bem a ideia de ter ou não alguém, de como é simples e especial poder dividir um travesseiro com alguém. Mão na nuca, cafuné, dormir de conchinha e por aí vai. E pra quem está sozinho, define bem a vontade de ter alguém, ao passo que define como é importante ter A SI MESMO. Explore os pontos de vista!

Neste mês de Março este humilde blog completa 1 ANO DE UM TRAVESSEIRO PARA DOIS! 

Post aqui, minha terapia particular doida, não seria nada se não fosse vocês todos, leitores danadinhos!
Um dia vou agradecer pessoalmente a cada um de vocês que perdem minutos lendo essas histórias que eu INVENTO aqui!

A intenção com o blog, além de me salvar de crises, celebrar alegrias ou coisas do tipo –  e faço isso falando de histórias que não são minhas – é ESTIMULAR as pessoas a verem A VIDA, as PEQUENAS COISAS de outra forma, de uma forma especial e profunda!

Uma nuvem só é APENAS uma nuvem se você quiser.

Ao longo desse um ano eu vivi muitas alegrias aqui com vocês! Teve gente que veio me agradecer por “salvar o dia”, teve gente – E MUITA GENTE – que me perguntou se eu EXISTIA, hahaha! Que perguntou se todos os textos eram realmente escritos por UM HOMEM! E eu sempre respondi a cada pessoa com a maior alegria do mundo, pois pra mim é tudo especial!

E sim gente, EU EXISTO! Me chamo Márcio Rodrigues, Paulistano, 25 anos, filho único de pais separados, canhoto, formado em Propaganda e Marketing e recém Pós-Graduando em Comunicação em Redes Sociais, guitarrista do Dinamite Club (ouçam minha banda!), vegetariano, fã de PRINGLES CREME & CEBOLA e BIS BRANCO, adora cinema mas tem medo de filmes de terror, praticamente de Academia diariamente e atual atrela-amador aos fins de semana no Parque Ibirapuera aqui em São Paulo, altruísta, amigo, bobo, no-sense e infinito.

E infinito.

Nós nunca podemos nos DELIMITAR. Eu sou o infinito! E você também pode ser!

 “Ah, mas a sua namorada deve ter bastante sorte de ter alguém como você!
EU NÃO ESTOU NAMORANDO! (pretendes favor me adicionarem no facebook, hahaha, aqueles) É tão mais fácil falar de amor, de casal, de vida, quando você está feliz, namorando, noivo, casado, enfim. Mas, e falar dessas coisas SOZINHO? Eu entendo que as pessoas se surpreendam com os meus textos, por eu não escrever pra ninguém e mais ainda por eu escrever sobre histórias que não são minhas. Mas gente, eu sou uma prova de que TUDO É ESPECIAL SE QUISERMOS QUE SEJA! Eu paro e penso: “Quero escrever sobre esse sentimento!” E não preciso estar vivendo o melhor dos amores pra conseguir falar de amor, entende? Teve dias que eu já quis morrer de tanta tristeza e foi quando saíram os meus textos mais bonitos sobre amor.

TODOS SOMOS SENSÍVEIS! Tem gente que explora isso, tem gente que não!

“IMPOSSÍVEL ser um homem que escreve isso!”
Sim, é possível! E ele sou eu! Me paga um suco que eu te encontro! =D
Haha, mas sério, TODOS OS HOMENS SÃO SENSÍVEIS E PODEM FALAR DE AMOR E ETC., a diferença está nos que gostam de demonstrar sensibilidade e nos que não.

Não sei se agradeci direito, tô meio nervoso haha, mas enfim!
Eu não sei o que fazer pra agradecer à vocês todos =( É MUITO CARINHO!
Por enquanto vai o meu MUITO OBRIGADO por tudo, SEMPRE!

O melhor está por vir!

Quem Te Fez Pensar Assim?

Um grande problema é que você ouve demais as pessoas. E pior que ouvir, você se deixa influenciar por todas as opiniões. Aí o que acontece, quando a gente discute, você corre pra contar pra alguém que nem faz ideia de como realmente aconteceu – essa pessoa só sabe a sua versão, seu ponto de vista – aí você acaba ouvindo opiniões e receitas “do que fazer” como se fosse o certo pra gente.

Não ligo que divida as coisas com as pessoas, só não gosto que deixem quem influenciem em quem você é. Em quem somos.
Eu gosto e me rendo àquela você que diz “Vamos parar de brigar? Isso não vai chegar a lugar nenhum!” e não daquela você que às vezes desliga na minha cara, não retorna, não me atende, não responde mensagem pra não “parecer fraca e estar se entregando”.

Eu tenho tanta raiva de gente que interfere na nossa vida.
Odeio quando te vejo postar uma frase depressiva ocasionada por alguma briga nossa e vem aquele monte de “médico” que sabem como resolver tudo; “faz isso”, “faz aquilo” e você CURTE os comentários e ainda diz “É né, vocês tem razão!”

Quem tem razão sobre a nossa história?

Eu prefiro ter você comigo do que ter a minha opinião aceita. E isso não é submissão da minha parte. Acontece que eu procuro me esforçar pra gente ficar bem, mesmo que para isso não consigamos chegar numa conclusão em comum sobre o que aconteceu e o que podemos fazer pra resolver. Acho que nós, um com ou outro, somos capazes até demais de resolvermos as nossas discussões e briguinhas, que aliás, é quase sempre pelo menor dos motivos.

E entenda, não estou falando pra não ouvir as pessoas, pra não desabafar e não considerar opiniões, muito menos que eu estou certo, que “eu sei como resolver”, nada disso! Estou pedindo pra que acima de tudo lembre-se do quanto me conhece, do quanto nos gostamos e que com isso não se deixe influenciar por pessoas que podem até ter ~a melhor das intenções~ mas que no fundo não sabem realmente o que aconteceu. Considere as opiniões, mas tenha as suas conclusões.

Tuas amigas, algumas delas você sabe, totalmente invejosas com a nossa história, são daquelas que dizem que “homem nenhum presta, são todos iguais”, como se tivessem se relacionado com 90% dos homens do mundo todo para aí sim ter uma opinião embasada na maioria. Essas suas “””””amigas””””” não passam de umas mulheres que infelizmente ainda não tiveram sorte em relacionamentos até aqui, que acabaram convivendo com os mais perfeitos homens-óbvios (daqueles que mandam flores na tentativa de reatar ao invés de simplesmente chegar e dizer “Eu errei, me desculpa”) que nunca souberam ver beleza na forma com que caminham ou  como fazem um rabo de cavalo. Homens-óbvios que também fazem parte da parcela que  quer “pegar todas” e aumentar um número na lista das “já peguei” e que na hora dos conselhos dizem “Vixi, mano, tem uma monte de mulher no mundo, desencana dessa aí!”. O problema – e é aí onde eu fico realmente chateado – é que elas te dão opiniões como se me conhecessem como homem, como namorado.

As pessoas sentem resistência em aceitar a exceção. Automaticamente e sem argumento que justifique tal opinião, se recusam a aceitar que existe o diferente.
“Ele não é assim!”
“Ah, duvido, todo homem é!”
No fundo, todas as pessoas querem alguém diferente, mas nunca aceitam quando conhecem alguém assim. Pior ainda se esse alguém não apareceu nada vida delas e sim na de outra pessoa.

Essas suas amigas dizem pra você agir de forma x ou y como se tivesse dado certo pra elas. Que estão sozinhas. Tudo embasado em experiências infelizes, e nisso, ninguém tem culpa. Elas me conhecem pelo jeito que você diz que eu sou, mas na hora da raiva, a tua versão sobre mim não é a mais favorável – e isso é muito normal.

Sabe quando eu sei que alguém te deu algum conselho do que fazer ou de como agir? É simples, eu te conheço muito bem, eu amo você e amo a nossa história, nada mais justo do que eu saber todos os seus atalhos, de como você realmente é. E quando você chega com uma opinião que não é sua, teus olhos piscam muito rápido, às vezes você até fica ofegante, aí te pergunto: “Quem te fez pensar assim?!” e você tenta se esquivar. Pergunto porque sei como você fica quando quer resolver uma situação, quando quer reclamar de algo, você é você mesma, do teu jeito e não do jeito que as outras pessoas dizem pra você ser. E olha, não estou dizendo que você é previsível e sim que é minha obrigação te entender, te conhecer, saber como você é, e somar teu jeito ao meu pelo bem da nossa relação. O principal objetivo pra gente tem que ser a felicidade. Acho muito legal você ouvir as opiniões, porque são pontos de vista particulares que podem te fazer encontrar um equilíbrio sobre os teus, só não acho justo que deixe que as pessoas te guiem.

O fato é que eu sei que a gente sempre pode se resolver. A gente sente amor e se isso não for o bastante, com certeza é 95% de tudo que precisamos para mais dias de sorrisos.
Eu não quero você comigo pra gente competir sobre quantas vezes quem tem razão.
Você acha que eu também não ouço um monte de gente vindo me falar o que fazer e como agir? Claro que ouço! E algumas das opiniões são bem pertinentes e até me seduzem, mas nesses momentos eu paro e respiro, considero a opinião, equilibro os pontos de vista mas o amor que eu sinto por você fala mais alto, prevalece, então, eu sempre chego em você e digo: “Amor, eu só quero que a gente se resolva”.

E assim, sobre tudo que falei, contradizendo aquele famoso ditado, o resumo é: não faça o que eu digo, nem o que eu faço.

Fale e faça do teu jeito.
A primeira vez que te vi fazendo isso, foi a primeira que meu coração bateu mais forte por você.

Por Um Mundo Onde Aceitem Dançar Comigo

Eu sei que quanto mais eu me preocupar em resolver todas as coisas da minha vida, mais longe de todas as respostas eu vou ficar. É que a gente sente urgência, a gente quer o amanhã agora! E ao mesmo tempo que isso é tão normal, é também tão desesperado.

Já pensei mais de uma vez que este mundo não é o meu lugar. Não que eu me sinta melhor que alguém, mais especial ou algo do tipo, não não, talvez eu seja sim muito estranho pra um mundo tão normal. Eu penso diferente de muitas pessoas que dizem ter coração. Pra mim, tem abraços que valem mais que muito sexo. E afirmar isso na época em que vivemos é uma loucura. É que eu sou da fase das cartas tímidas de admirações secretas, fase de quando eu encontrava meus amores nos refrões das músicas mais bregas. Hoje o que eu vejo pelas ruas é um monte de gente com sede de sexo. No mundo de hoje falta tempo pro amor. Talvez por isso eu viva sempre tão atrasado.

E é engraçado que isso tudo eu penso agora nesse dia de sol em que resolvi sair de casa. Resolvi sair pra viver a vida por mim. Eu deveria ter vivido por mim a muito tempo. É que quando a gente se envolve, a gente esquece da nossa vez na lista de prioridades e não vemos problemas em ocupar o último lugar.

Ontem eu lembrei dela.
Lembrei que quando eu falava que ela estava bonita sem pentear o cabelo, ela discordava e achava a pior das mentiras. Lembrei que quando eu falava que eu também preferia suco ao invés de refrigerante, ela dizia que eu estava mentindo só pra agradá-la, e que mais, eu estava indiretamente a chamando de gorda.

Semana passada eu lembrei de outra.
Foi uma lembrança estranha. A gente era estranho. Eu não conseguia responder o “eu te amo” que ela me falava, ao mesmo tempo, eu não conseguia ficar longe dela por muito tempo e fazia sim mil planos para os nossos momentos. Os meses foram passando e nada de eu retribuir tanto amor. Eu errei. Lá no fundo, eu até tinha amor pra dar à ela, mas era de outra maneira e não como homem.
Eu queria dedicar todo o meu amor pela felicidade dela. Sem mim.

Dia desses lembrei da vez que eu pensei que ia morrer de chorar.
Foi quando pela primeira vez eu tinha certeza de estar amando alguém. Eu não conseguia pensar em mais nada que não tivesse a presença a dela, eu não conseguia mais viver por mim, só por ela. Eu havia decorado todas as roupas que ela usava, sabia quando ela estava mal pela forma que colocava o agasalho; sabia que estava bem quando esquecia de amarrar o tênis. Eu amava tudo nela, especialmente o fato dela não saber que eu a amava.
Até que ela descobriu.
E nada aconteceu.
Não conversamos a respeito e certa vez quando saí da escola a vi beijando outro garoto.

Tem dias de dor que mais parecem anos.

Andei desesperado pelas ruas do meu bairro, triste pelo que eu tinha visto, por ter perdido alguém que eu nem havia tido. Eu chorei tanto.

Por essas e por outras eu acho que não sou pra esse mundo, ou ao contrário.

Eu poderia enumerar muitos motivos pra desistir dessa vida, dessas pessoas, da forma nojenta como algumas veem o amor, a relação de duas pessoas, o beijo, o sexo, enfim, tudo. Eu poderia dar um fim nisso através da minha própria vida, mas explico, sabe o que me faz acordar todos os dias?

Eu tenho uma esperança extraterrestre que dias melhores virão.

Afinal, acho que eu não sou mesmo desse mundo, de onde eu venho a esperança não é a última a morrer, na verdade ela nunca morre.

Na minha cabeça, o meu mundo é feito de notas musicais que fazem ecoar todos os sons. Lá, a lágrima escorrendo é música; a volta do cachecol também emite som; o sorriso aberto é a dança da música “Eu gosto de você e espero que isso basta”.

Eu durmo pra esperar um dia melhor chegar.
Às vezes eu lembro dela de ontem, daquela da semana passada, daquela que me fez sofrer.
Não tenho motivo pra me preocupar com lembranças quando o que me fez viver é a esperança.

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