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Momento Pra Sempre.

“Oi, tudo bem? Será que eu poderia te ver hoje às 18hs naquele banco de sempre? Queria conversar.”
Peguei minha bicicleta e saí correndo após receber essa mensagem no celular.
Saí desesperado pelas ruas, ignorei todos os semáforos, quase atropelei uma idosa que me atacou um tomate de vingança. Ela tinha razão.
Eu estava com muita pressa de viver o inesperado. Não só borboletas, mas sabiás, curiós e tudo quando é bicho que voa faziam festa em meu estômago.
Vento no rosto, rua por onde já passamos muitas vezes! Eu estava em extremo êxtase! Comecei a cumprimentar pessoas nas ruas que me viam sorrindo. Era uma tentativa de dividir a minha ansiedade com alguém já que eu não podia telefonar.
Tentei pegar um atalho e acabei me perdendo em meio a ladeiras sem fim por lugares desconhecidos, porém, incríveis lugares. Num certo momento cansei de pedalar e fui empurrando a biciclieta.
Me deparei com um sr. sentado numa guia de calçada. Ele parecia triste, mas segui com a bicicleta.
Ok, não consegui e tive que voltar a falar com ele sobre o que tinha acontecido. Não sei porque fiz isso, eu estava com tanta pressa, eu nem o conhecia, poderia até ser um bandido, mas eu parei. Sentei ao seu lado e comecei a interrogá-lo positivamente. Após alguns segundos de silêncio o sr. falou algo:

“Sabe garoto. Te ver assim com essa bicicleta me fez lembrar da minha juventude. Como aproveitei essa fase! Sempre morei aqui no bairro e meus amigos moravam aqui perto. A gente saía pedalando pra descobrir novas árvores frutíferas. Quando descobertas, passávamos horas engordando e nos emporcalhando, haha! E quer saber? Adorávamos! Te ver agora me fez lembrar dessa época! Eu era um garoto igual a você, meio urgente em viver, tudo pra ontem. Mas aprendi a usar os pulmões e a respirar corretamente. Era um desafio domar a minha jovem ansiedade…”

Eu tentei interromper tentando entender o que ele estava falando, mas ele continuou.

“… Aprendi a controlar a ansiedade em ter as coisas comigo. Percebi isso ao encontrar a mulher da minha vida. E faz ideia onde foi? Foi exatamente numa dessas árvores que passávamos a tarde. Ela também fazia isso com as amigas dela. E em um dia qualquer, observando sua dificuldade em pegar as frutas, me prontifiquei pra ajudar, ela se assustou com o pedido mas aceitou. Estamos juntos desde então, isso já faz 43 anos. Eu sei que você deve estar estranhando eu falar esse monte de coisa do nada, você nem ia parar pra falar quando me viu aqui sentado. Me desculpe por não falar logo no início das suas perguntas sobre o que tinha acontecido pra eu estar com aquela cara de tristeza sem fim. Durante suas perguntei fiquei refletindo em como eu era tolo de ficar emburrado por algumas coisas de velho e como eu já tinha vivido coisas maravilhosas, como eu tenho uma incrível família e uma espetacular esposa. Garoto, eu estava triste porque não tive tempo hoje de ir comprar uma bateria nova pro meu carro. Acredita nesse motivo? É  real! Coisas de velho que não tem o que fazer, haha! Mas veja bem, te ver assim desesperado com essa bicicleta me fez ter memórias maravilhosas, valeu muito a pena não ter ido comprar essa maldita bateria! Olha, não quero que fale uma palavra sequer, agora pegue sua bicicleta, arrume este cabelo e vá encontrá-la. Ela está te esperando!”

Absolutamente espantado eu o obedeci e concordei em voltar amanhã. Não faço ideia do porque.
Chegando na praça, te vi de longe dando voltas no cachecol, fazia frio. Antes de eu parar, com toda a razão, já foi comentando do meu horário e eu falei que tinha acontecido uns imprevistos. Então… Correu para perto de mim! A bicicleta caiu.
Me abraçou com uma força que não parecia ser sua, colocou as mãos em meu rosto e não me deixou falar nada. Ficamos em silêncio por alguns segundos…

“Me desculpa por tudo. Eu quero ser feliz, quero ser muito feliz e quero ser feliz com você, somente com você, com você pra ser assim do jeito que é, tendo tudo que eu preciso ter, tudo que busquei em algúem, por favor me desculpa. Olha, peguei aqui nessa árvore, é amora, a gente poderia ficar aqui comendo amoras, o que acha?”.

Lembrei do sr. sentado na guia da calçada. 
Meu mais novo melhor amigo.

Eu e Meus Cartões Postais.

Eu só tenhos dois olhos. Eles foram insuficientes hoje pra te procurar em meio a tanta gente.
Eu estava te esperando chegar com a certeza nula que chegaria.
Com o coração na retina, observei cada pessoa. Mas você não vinha. Os minutos foram passando e fui me convecendo contra a minha vontade e aos poucos de que talvez você nem ia chegar de verdade, sabe, no fundo eu até sabia. Achei estranho toda essa demora, você sempre foi pontual pra chegar na lanchonete. Tem como rotina tomar sua vitamina de frutas e cumprimentar o Seu Osvaldo como sempre fez. Quando tinha tempo, ligava o notebook e aproveita pra ler umas notícias ou “curtir” alguns assuntos.
Lá esperando, desliguei a música.
Já fazia tanto frio aquela hora. Todas as pessoas que passavam por mim estavam devidamente agasalhadas, e eu não me importava, eu queria teu quase inviável “oi” pra me aquecer. 
Eu não sentia fome, não sentia sede, não sentia nada além do frio que me dilareceva como uma navalha em meu peito.
Queria tanto que finalmente chegasse, queria tanto que visse como eu estava ansioso por isso! Já tantos meses que não nos encontramos! 
Notei a lua lá no alto. Tentei em vão observar seus desenhos, pensei ingenuamnete em como seria legal chegar mais perto dela. Que tolice. É que uma voz baixinha do além me dizia que em algum momento você também olharia para aquela lua toda grande. Você adora.
Mas nem isso deu certo. E as horas foram passando. As pessoas foram indo pra casa, a neblina começou a cair.
Me recolhi tentando me autoaquecer, transformei meu corpo numa espécia de bola de tão pequeno. E começou a chover. Eu já estava sentindo dor pelo corpo todo. E você não vinha. Mas ora, nem tinha culpa nisso, afinal, não havíamos combinado nada, eu só acreditei na minha intuição, só acreditei no pouco de ligação que pensei ainda existir entre nós.
Chorei de dor.
Escondido. Com vergonha da minha burrice, de como eu me sentia otário de esperar algo que nunca ia chegar, de esperar o que simplesmente não existe, e mesmo que chegasse, qual seria a chance de ser positivo? Será que você ainda se lembrava de mim? Meu otimismo estava cansado de falhar. Mas eu não sei bem porque, algo me prendia, algo me forçava a ficar ali, eu queria viver aquilo, eu tinha que passar por aquilo, eu tinha que te ver mesmo que você não me visse e mesmo que eu não tivesse certeza que isso ia acontecer. Eu tinha que tentar. Eu queria te ver denovo. Queria ver como seria teu sorriso sem dividí-lo comigo.
Exausto, resolvi ir embora debaixo de chuva mesmo. Meu corpo enxarcado não me ajudou a secar aquele meu rio de lágrimas. E eu nem me importei.
Virei a esquina e segui até o ponto que passaria meu ônibus, lembrei que lá pelo menos era coberto. Parti, mas não pra sempre, estava decido a voltar amanhã, e depois de amanhã, e depois e depois de amanhã, até uma hora que minha intuição acertasse. Até que eu te visse que seja por 15 segundos. Eu queria te falar tanta coisa, tanta coisa que passei nos últimos meses, você ia adorar as experiências que tive, os países que visitei, as pessoas e culturas que conheci, queria dividir com você o pouco que fazia sentido na minha vida depois da tua ausência natural, mas se não desse pra falar com você, eu poderia apenas te ver. E eu vou. Qualquer dia desses eu vou, mas eu não desisto. Só preciso tomar os antibióticos necessários pra que uma possível gripe advinda da chuva que tomei não me dominasse. Eu tinha que estar saudável e relativamente bonito pra te encontrar.
E estarei.

Não Precisa Ter Medo de Viver.

Eu prometo.
Eu te prometo o céu que tudo está só começando.
Não precisa me olhar com ar de receio, não precisa acreditar, vive comigo o aqui e agora. Está apenas começando. Foi só um desentendimento, um a mais, eu não via da mesma forma que você, me desculpa, mas já passou. Eu tenho certeza que seremos melhores a partir de agora. Não posso me dar ao luxo de abrir mão do conforto do teu abraço só porque em alguns momentos a gente não se entende. Não nos entendermos é normal. E quer saber? Gosto disso. É legal saber que você pensa diferente de mim, afinal, se fosse pra ter comigo alguém que fosse igual a mim, bastava eu ficar comigo mesmo, não é mesmo?

Ora, pare com isso, levante esse olhar, vem aqui no meu peito. Gosto tanto de quando me puxa os braços cruzando sobre seu corpo. Você me faz sentir importante. Muitas vezes, no meu dia a dia, me pergunto que valor tenho nesse mundo cheio de injustiças pra mim. Aí eu te encontro, nos brindamos com um beijo de 50segundos e eu volto a entender tudo outra vez. É bom me sentir querido. Obrigado, aliás.
A gente está no outono, percebeu? Lembro de outras fases nossas nessa mesma estação. Temos novas flores pra conhecer pelas praças da cidade. Combinamos a um ano atrás que fotografaríamos todas as nuances do próximo outono, eis a hora. Vamos pegar no guarda-roupa aquelas peças de tons pasteis que guardamos no verão. Se preferir, eu vou com você comprar peças novas, sei que adora isso, e ok, eu também.

Você está me ouvindo?
(…)
Psiu, você dormiu?
Entendo o silêncio como um sim óbvio. E como você adormece lindamente. Estamos sentados aqui já faz um tempo. Até o vento já foi embora. É a noite chegando. Te conheço tão bem, sabia que não ia trazer agasalho e acabei pegando um escondido no seu quarto, coloquei na minha mochila, agora eu faço uso como cobertor.
Pode dormir aqui sobre mim. É seguro. Eu vou continuar falando sozinho olhando pra esse céu aqui que nos vigia. Provavelmente quando despertar estarei rouco de tanto conversar sozinho. Espero que não se importe. Espero que esteja sonhando. Espero que esteja feliz aí com o rosto colado no meu coração.
Vou ficar aqui te esperando.

Come And Go

Eu nunca pensei que me envolveria assim novamente.
Eu já vivi algumas coisas que optei guardar em lugares do meu corpo onde eu nunca vou acessar novamente. Eu esperei tanto tempo pra que alguns ferimentos cicatrizassem, não foi nada fácil pra mim que já me considero estranho demais, aí a vida vem e me deixa de pernas pro ar.
Você veio.
Eu quis fugir, tentei partir pra longe, eu tentei evitar, tentei não achar graça no jeito que diz meu nome, mas eu não consegui. Eu sou fraco, eu não consegui. Apesar que pensando bem, no fundo, eu nem queria ter conseguido.
Eu me deixei ir até você. Deixei que viesse pra mim também, deixei que me banhasse com esse teu perfume que a reage em sua pele de uma forma muito especial. Me rendi outra vez sem porquê.
É muito bom me sentir fora do ar, mas eu vivo com alguns medos que perturbam. O medo de você resolver partir subitamente, assim como já vivi algo parecido outras vezes. Eu não gosto do fim das coisas que gosto.
Mesmo você estando comigo agora, sugerindo viagens para nos aproximarmos ainda mais, eu sinto desespero ao imaginar em minha mente você dizendo adeus. É uma precipitação tola, mas sou eu. Quando vivenciei outras partidas, não tive ninguém pra recorrer, pra pegar o telefone e gritar: “Porquê?” Por isso eu tenho muito medo de viver isso novamente. Mas eu vou parar de pensar.
É importante saber que no Agora eu tenho você aqui, tenho você pra me proibir de pensar no que não é bom. E mais que isso, tenho você pra me ensinar qual curva eu devo fazer.
Mas eu tenho medo.

“Come And Go” – Música do projeto “Beeshoop” de Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno.

Toque Dela

Um dia desses você revelou que não se imaginava caminhando comigo por aí. Revelou que até me achava legal, que minha companhia te fazia bem, mas que jamais passaria disso.
Nessa conversa, você disse também que eu me tornei uma pessoa que não quer ver longe da sua vida, que sabe-se lá como, eu sei como te fazer sorrir de uma forma como nunca ninguém soube. Tudo isso foi você que me disse. E eu guardei.
Chegou a pensar que éramos mais que amigos, éramos irmãos. E isso, confesso, de certa forma, dilacerou meu peito. Enquanto pensava assim, eu já me vislumbrava com a forma que você via esse mundo louco. Naquela época eu não conversava direito com você, eu só ficava de ouvidos atentos aos assuntos que falava. Torcia pra uma oportunidade de alguma observação minha, que nunca aconteceu.
Mas o tempo passou.
E hoje a gente está bem. Eu me vejo diferente em muitas coisas e você também. Aprendemos a dar valor um ao outro, as lições que aprendemos juntos, a relevância dos acontecimentos, aprendemos a ser um só.
E eu aprendi a dar valor as pequenas coisas da forma mais literal possível. Hoje, assumo, não tenho uma noite de paz, se eu não tiver o seu toque em meu resto abençoando meu sono.

*”Toque Dela” nome do novo CD do cantor e compositor brasileiro Marcelo Camelo. 

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Olá pessoal, tudo bem?

Bom, essa á primeira novidade do meu Blog novo! Se atentaram ao título? Trata-se do nome do novo CD do Marcelo Camelo, ex-vocalista do Los Hermanos, e quem eu gosto tanto! Essa é uma das novidades! Caaalma, vou explicar!
A partir de hoje alguns dos meus posts serão tematizados. Além dos já tradicionais textos sobre coisas que eu penso, vivo, e mais ainda sobre coisas que eu vejo no cotidiano do casais por aí, vou também escrever com base em títulos ou trechos de músicas. Usando o exemplo desse post de hoje, eu quis sintetizar a importância de um momento do casal retratado, usando de título o nome do CD novo do Camelo. Vou interpretar da forma que penso algumas frases ou títulos de músicas/Cds! Será que deu pra entender? Se não, com o passar dos posts entenderão!
Essa foi a primeira das novidades que estou preparando, vamos aos poucos mas vamos! rs

Seja bem-vindo!

Beijos!

Oi, tudo bem?

Mudei!
Penso que a gente tem que mudar sempre.
Agora vou postar o mesmo conteúdo do trakinasmeioameio.wordpress aqui no Um Travesseiro Para Dois. Tenho mais novidades para essa nova fase do blog, mas só vou contar com o passar dos dias.
Ah, mudei porque o nome do blog antigo não combinava com os textos, ainda mais com as novas ideias que pretendo colocar em prática aqui daqui pra frente.

O melhor está por vir!

Hello world!

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