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É a Última Que Morre

Muitos me perguntam porque eu não tenho alguém especial.
Para todos, respondo que eu gostaria de saber o por quê também. Alguns me apontam o dedo dizendo que talvez eu escolho demais, outros que eu não me permito me relacionar, tem também as pessoas que dizem que estou esperando a pessoa perfeita.

Só que não é isso.

As coisas andam bem estranhas no mundo. A gente vive uma realidade onde os amores são por conveniências, e depois que passa a vontade de manter por perto, é só terminar, é só dar tchau. E vai saber, talvez eu seja de uma outra geração, uma geração que aliás eu nunca nem vivi, talvez minha genética seja antiga. Não sei lidar.
A verdade é que as coisas hoje estão bem superficiais. É muito fácil encher a cara numa balada qualquer e sair de lá com uma amor novo. É fácil também encontrar companhia para os desejos de sexo. Não há dificuldade em conseguir 2 ou 3 beijos só pra matar a vontade. Essas coisas, hoje, são “normais”. Só que ter alguém vai além disso.

A tentativa de entrar em um consenso sobre ter alguém, sobre valorizar e sobre o mundo em que vivemos, pode render uns fáceis mil dias de conversa. É bobagem tentar convencer alguém, por isso cada um de nós temos uma vida pra cuidar, mas dá pra dizer que você sabe quando está sentindo algo especial ao sentir vontade de cuidar da própria vida e ajudar outra pessoa a cuidar dela. E aqui falo no sentido amplo de cuidar de alguém, de resolver os problemas, de aguentar as crises, de superar as coisas, juntos. Isso que é meio difícil de encontrar hoje em dia. É difícil mas ainda dá pra encontrar, só que algo que não devemos buscar. Louco, né? Existe algo que nos espera mas nós não podemos procurar! Acontece que a vida prepara as coisas pra gente na hora em que precisamos viver. Viver requer preparo para o movimento, testes com o coração.

E a gente esquece que viver é mais que ter alguém.

Afinal, nós temos muitas pessoas que nos fazem viver bem. É a família, são os amigos, somos nós mesmos, nosso trabalho, estudos e os prazeres que podemos viver para preencher a lacuna de todos os sentimentos que o nosso coração é capaz de agrupar.

A gente vive pelo coração e não pelo amor.

Por mais que a pressão do mundo seja tão forte e nos force a acreditar que só com o amor a gente vive, não, a gente não vive só dele, DELE TAMBÉM claro, mas não SÓ dele! Vivemos da raiva, da saudade, da ansiedade, da lição, da decepção… São inúmeros os sentimentos que nos fazem sentir vivos! E claro, o amor, sendo o mais bonito deles, é quem podemos dizer que rege o coração, no entanto, nunca vou cansar de dizer que ele não é tudo. Até por quê, estou falando do amor midiático, o amor de ter alguém, de que só podemos ter felicidade se termos alguém, o amor que o mundo nos diz ser ideal. O amor é tão completo e maravilhoso que é aplicado em outras situações. Amor à família, amigos, trabalho, hobby, os melhores sentimentos sobre essas coisas nada mais são que novas formas de viver o mesmo amor que temos no coração.

Mas a gente esquece, e nessas horas, ter ou não alguém pesa muito.
É que existem alegrias que só se tornam felicidade se temos alguém para dividir. E para esse papel, os amigos não são tão eficientes, a gente quer alguém pra olhar nos olhos, alguém pra ser a primeira pessoa na lista de quem ligar em todas as horas, alguém para mostrar o que sabemos fazer e o que queremos aprender. Alguém para dar a mão.

Pena que o mundo anda estranho demais que até acreditar num sonho pode ser tachado de bobagem.
Não podemos compartilhar algo de bom que vivemos, que do nada vem gente dizer que somos efusivos demais, vem gente alertar sobre os invejosos – que penso que na verdade ao considerar a possibilidade deles só estamos os atraindo – vem gente dizer que falamos demais. Tem horas que dá pra pensar que as pessoas não estão prontas para serem felizes. A felicidade, por essência, é algo que quanto mais irradiado for mais intenso será, contagia, ilumina, revigora. Mas nem toda felicidade é bem-vinda, sabemos disso e a gente só continua vivo, a gente só continua nesse mundo, por acreditar que as coisas sempre podem mudar. Sempre há esperança.

E tem as pessoas que me perguntam porque eu não tenho alguém especial.
Respondo que não sei, mas que eu gostaria de ter.

Em um Relacionamento Enrolado com o Tempo

Tem gente que fala de um modo como se a escolha fosse sua, né? Eu sei. “Ah, você não arranja ninguém porque você não quer!” Legal, vem aqui viver a minha vida pra ver se eu realmente não quero, né? Acontece que se for pra ter alguém só por ter alguém, é melhor deixar tudo como está. É claro que é possível sair do zero e arranjar alguém pra viver alguma história, mas isso não seria real, sendo assim, será que realmente vale a pena? Será que vale a pena usar do sentimento alheio só pra não se sentir deslocado e mais um no meio de tanta gente sozinha? Não vale.

Mas essas coisas só valem pra quem usa o coração, porque se você é das pessoas que não usa, não tem o menor problema em sair na próxima sexta-feira, distribuir alguns beijos em qualquer pessoa, sem critério, aí acordar no sábado e distribuir novos beijos a noite, acordar no domingo e distribuir mais novos beijos. Todos, sem nome, sem rosto, sem história, sem razão.

Pode perceber, a maioria das pessoas que julga uma pessoa solteira, geralmente, tem alguém. Elas não são autosuficientes, ESTÃO momentaneamente suficientes por ter alguém que preencha. É muito cômodo falar o que se deve ou não fazer enquanto vive uma história bacana com uma pessoa legal. É muito fácil falar “Sai, liga pra alguém, chama alguém pra sair”, sendo que essas pessoas que dizem isso já tem esse alguém e isso não é preocupação, portanto, não tem problema vir com o manual do que se fazer. Essas mesmas pessoas são aquelas que criticam frases de solidão na internet, frases de saudade, frases de arrependimento. Quando se vive um mundo repleto de cor, todo o cinza é motivo pra desdém.

Não é fácil, pra quem pensa que é, não é. Ter que sair pelas ruas e ver um monte de casal, das filas do cinema com as suas estreias de comédias românticas aos pontos de ônibus, não é fácil ter que chegar em casa e ver posts bonitos de “noites de sábado deliciosas” de casais na internet. É na internet onde hoje corações solitários buscam refúgio. E tudo o que você queria ter era uma história parecida pra poder compartilhar.

No entanto, não podemos esquecer, existe o lado da sentença. Se trata daquele tipo de solteiro que parece chegar ao ponto de quase se suicidar por estar vivendo uma fase sem alguém especial. Essas pessoas costumam falar sozinhas na internet, costumam revirar lembranças, compartilham tudo de mais depressivo, forçam memórias, trazem de volta tudo o que deveria ter esquecido e sem perceber, acabam afastando cada vez mais a possibilidade de alguém bacana aparecer. Essas pessoas esquecem que quanto mais se lembra de algo que já foi vivido, mais longe fica algo inédito para acontecer e menos importante vocês se tornam pra quem você confessa saudade.
Entenda que não estou falando que é fácil superar e que a saudade não dói. Só quero dizer que é importante que você dê a volta por cima da mesma forma como deu a volta por baixo, pois ninguém, ninguém vai chegar até você e estender a mão pra te salvar. Você não pode contar com ninguém, não pode esperar que ninguém faça algo pra te fazer melhor, pois muitas dessas pessoas estão vivendo sua felicidade e não possuem tempo pra tristeza alheia, pra solidão do outro, sendo assim, coloca uma coisa na sua cabeça, é você por você mesmo. A tua felicidade chega, mas só quando ela quiser.

Como a fase dos relacionamentos, a “solteirisse” também é só uma fase. Não há simpatia que preveja o fim, não há reza que mude algo, porque só vai mudar quando for a hora certa. Talvez uma saída seja se esforçar para aproveitar esse tempo sem ninguém. E sempre há como aproveitar! “Ah, mas eu estou cansado demais, já estou tanto tempo sem ninguém!” E você já se perguntou se merece alguém pra compartilhar das suas coisas? Você já pensou em tudo que tem feito? Já tentou esquecer aquela pessoa que sente tanta saudade? Já tentou parar de forçar a lembrança? Já tentou mudar o caminho de casa? Já tentou procurar alguma maneira, qualquer uma que seja, de enterrar de uma vez por todas tudo aquilo que já te fez mal? Você já tentou mudar por você? Enquanto você não querer que as coisas mudem, elas não vão mudar! As mudanças só acontecem pra quem quer que elas aconteçam! Existe um mundo inteiro lá fora te esperando, mas enquanto você ficar preso no exercício da dor, na lágrima do “nunca mais” ou do “vamos terminar, não posso mais continuar”, você nunca vai conseguir virar a página do livro da sua vida. Todas as páginas viram, por mais pesadas que possam ser, mas você precisa querer isso!

Pense que talvez esse tempo sem ninguém pode ser o seu melhor momento pra fazer alguém por você! Perceba no “esse tempo”, é só uma fase, que pode durar dias, meses e anos, mas que no fim sempre tem a sua espera compensada, contanto que você não viva em função da ansiedade de ter alguém pra sentar ao seu lado no metrô. A ansiedade é um dos piores inimigos da felicidade! Nenhum recurso que acelere os dias fará com que as coisas boas cheguem pra você ou que as ruins vão embora.

Sei que pode parecer tudo lindo escrito assim e que na prática é bem mais complicado. Mas se você não começar a acreditar nas coisas boas que a sua vida pode te oferecer, não há mais nada a se fazer a não ser esperar o caixão fechar.

Já você aí, você mesmo que está namorando ou casado. Também há uma coisa pra te lembrar. Se você não fizer com que todos os dias da sua relação seja os mais especiais possíveis, não se surpreenda quando se ver ouvindo refrões das piores músicas em busca de respostas para o que acontece. História precisam ser aquecida todos os dias por abraços e beijos sinceros ou pelo menos carinhosas SMS’s! Não existe a fase “Estamos numa fase boa!”, mas sim o “Tivemos um dia bom, mas amanhã será melhor ainda!”. Você precisa fazer essa sua história entrar pra história! Não por quem está com você, mas por você!

O amanhã vai nascer e com ele vai vir uma nova oportunidade pra você fazer a sua parte enquanto a vida faz a dela, seja pra ter alguém ou pra continuar com alguém.
Agora, pra ter alguém de volta, acredite no teu sentimento mas não espere compreensão, afinal, o amor não foi feito pra ser explicado.

Tudo é especial se quisermos que seja.

Tudo Acontece Em Um Piscar de Olhos

Você sempre abaixa o olhar quando o beijo acaba enquanto eu coloco uma porção do seu cabelo atrás de uma de suas orelhas. Tímida, não fala nada, mas dá a deixa de que deseja um novo beijo quando coloca a mão na minha cintura. E aí a gente se abraça por longos segundos, sem falarmos nada. Me afasto de você, seguro seu rosto de modo que a gente se olhe nos olhos um do outro. Meu carinho vai para o seu rosto, abaixo dos seus olhos, com leves toques com o meu dedo polegar. Olho e toco cada célula do seu semblante. Faço desenhos.

Você deixa uma mão cair e vai até uma das minhas. Segura e entrelaça os dedos como se pedisse proteção ou como se afirmasse que ali você se sente segura. Então eu coloco minha outra mão no seu queixo e inclino meu rosto até o seu. Antes de chegar, percebo que já deixa o olhar se render ao momento e lentamente fecha os olhos de modo que eu consigo perceber suas pálpebras vibrando pela sensibilidade do momento. Então nos beijamos com a mesma velocidade que as nuvens passeiam pelo céu. Talvez o encanto esteja no toque dos lábios, nem tanto nos movimentos que eles fazem. É que no  momento em que nos beijamos, no momento que percebo que estamos unidos, meu coração dispara e tudo que eu quero é fazer com que esse momento seja o mais eterno possível.

Aí a gente entrega nossos corpos pra viver essa intensidade permitindo que o agora aconteça. Largamos as mãos e nos abraçamos. Você com seus braços sobre os meus ombros e eu com os meus na sua cintura onde aproveito para fazer leve pressão te trazendo para mais perto de mim, te indicando que preciso de você 100% perto.

Costumamos virar os rostos enquanto nos beijamos. Você pra direita e eu também. Chega a ser divertido porque o encaixe é sempre curioso, mas depois que dá certo é ali que ficamos.
Consigo sentir os instantes em que seu cabelo passeia pelo seu rosto chegando até o meu. Sinto um carinho novo e reconheço que são seus tão bem cuidados fios. Percebo o momento e vagarosamente faço com que uma das minhas mãos suba pelas suas costas até chegar na nuca. Estando lá, procuro movimentar meus dedos de modo que estimule sua circulação sanguínea para te proporcionar maior conforto.

Você gosta de dar micro mordidas. Ignora minha boca e sai visitando minhas bochechas, queixo, pescoço e a região atrás da orelha. Parece que você está marcando território. Tem horas que penso em querer ver sua reação ao fazer isso, mas o prazer é tamanho que prefiro fechar os olhos e aproveitar. São beijos e mordidas delicadas o bastante para me provar que você gosta de estar ali.

E sabe, é tão bom saber que você gosta de estar ali comigo, em um momento tão nosso. Acredito que é na hora que o beijo acontece que a gente entende de fato o que significa um coração acelerar, por isso nunca fui de distribuir meus beijos em baladas ou em situações que o reduzissem a importância de acenar com as mãos. Não minto quando digo que é só o teu beijo que me tranquiliza e me dá uma injeção de vida.

E acho que na verdade você gosta de abaixar a vista depois que nos beijamos. Acho que nem é tanta timidez assim como eu penso. Você é esperta demais pra ter timidez nessas situações.
Tudo bem, gosto desse teu ar de “não vou entregar o jogo fácil”, pois isso só me fascina ainda mais, especialmente por saber que você pode sempre ser mais do que eu já amo do jeito que é.