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Resultado de um “Vamos Marcar de Sair?” e Finalmente Sair

A gente se via às vezes.
Ou melhor, eu a via às vezes, porque ela nem sabia da minha existência.
Reparei que ela usava camiseta de bandas que eu gosto. E disso, eu gostei ainda mais.
Só que eu sou assim: tenho vergonha até de elogiar. Que negócio estranho. É que sei lá, esse mundo anda tão louco que até o fato de elogiar alguém pode parecer que você possui segundas intenções. Não que eu não tivesse com ela. Mas enfim, rs.

Carência é ver em um elogio alguma outra intenção além de ser elogiado.

Comecei a encontrá-la mais vezes. Nas mesmas e corriqueiras situações de transporte coletivo.
Meio que tinha virado uma rotina, pois era impressionante: quase todo santo dia (não, espera… “santo” não porque ela não é tão religiosa assim), quase todo dia, (agora sim!), a gente se encontrava, e sabe sobre o que conversávamos? R: NA-DA. Ué, eu dentro do meu direito de ser tímido, e ela no direito dela de não fazer nada, afinal, tenho minhas dúvidas se ela sabia que eu existia… Na minha cabeça, aquilo tudo só existia pra mim, tendo em vista que eu nunca reparei se ela olhava pra mim, ou melhor, ela até olhava, mas só quando eu já estava olhando e praticamente “secando”, sabe? Eu não sei lidar com flertes. Que bagunça!

Paciência é a cereja da vida.

Depois de tanto tempo com a gente se encontrando sem querer (pausa: confesso que muitas das vezes que nos encontramos, eu forcei isso hehe, corria pra estar no lugar de sempre na hora de sempre!) finalmente resolvi tomar alguma atitude, porque olha, pelo jeito que as coisas caminhavam, nosso destino seria se conhecer tão bem a ponto de decorar a roupa um do outro, mas, sem nunca falar um “oi”.

Pela falta de tentativa é que não se deve morrer nessa vida.

Esperei a oportunidade ideal e fui conversar com ela. Os assuntos eu nem quero lembrar direito, e pra ser sincero, nem lembro exatamente direito, porque eu fiquei tão nervoso com essa ansiedade de falar com ela, de ouvir a voz, de poder falar um ‘oi’ e talvez ganhar um beijo no rosto de brinde *-*, que eu praticamente congelei no mesmo lugar. Tá, exagerei totalmente um pouco. ÓBVIO que eu lembro de como foi, do jeito que eu falei e de como eu fiquei.
Ela foi muito simpática. Trocamos e-mails e contatos na internet para continuarmos a conversa. Lembro que no dia seguinte eu fiquei desesperado, mal dormi, mal comi meio ansioso para falar com ela de novo. A vida sorriu pra mim, e pela internet, voltamos a conversar. Falávamos de amenidades, nada muito profundo e não dei detalhes das minhas intenções, na verdade eu nem sabia o que falar sobre intenções. Como sempre, sem novidades.
Conversamos algumas vezes durante a semana e eu até que mencionava uns ousados “vamos marcar de sair” tirando coragem sei lá de onde pra falar isso, e ela respondia uns elegantes “vamos, claro!” que óbviamente, como 90% das histórias das pessoas, nunca saíram do papel. Ou do computador.

A gente pode até não ter uma vida surpreendente, mas podemos fazer com que seja uma vida recheada de surpresas.

Depois de mais uma conversa virtual, e as minhas esperanças de qualquer outra coisa indo pelo ralo, fui dar uma dormida. Era umas 19hs de sábado.
Até que a vida (olha ela aí de novo!) sorriu pra mim caprichosamente, foi até minha cama e falou: “HOJE TEM!”, ou em outras palavras, foi quando meu telefone tocou, e adivinha? Era ela: uma moça vendendo cartões de crédito. Sério.
Aí o mundo deu voltas, a  vida =D e o telefone tocou de novo: “Meu, você falou que queria fazer alguma coisa, vamos sair agora?!” Não posso comprovar, mas eu senti que o meu semblante naquele momento foi o mesmo de quando a vi pela primeira vez. Vez ou outra eu penso em tatuar “Vamos sair agora?” tamanha a surpresa e alegria pela atitude dela! Eu achei sensacional o fato dela querer me ver e ir atrás de mim, sem ficar naquela ladainha de “os homens tem que vir atrás”, (até porque se ela esperasse, no meu caso, nos encontraríamos num asilo qualquer um dia!) ela sentiu, quis sair, ME LIGOU e fim. Honestíssima, mais mulher que muitas que eu vejo por aí postando foto na internet pra ganhar like, já que abraço não vai ganhar.
Respondi: “Sim, claro!”, meio sem entender direito, e já fazendo mil planos do que fazer, pra onde sair, a que horas, se eu tinha dinheiro, se eu teríamos como voltar, se eu tinha roupa legal, se meu cabelo estava bom, essas coisas de menina qualquer pessoa ansiosa.

Criativo, sugeri uma passeio surpreendente: irmos ao cinema.
(Por quê????????? Meu cérebro gritava escandalosamente!)
“Jura que é isso que você vai me chamar pra fazer?” tenho 99% de certeza que ela pensou algo do tipo. MAS UÉ, era um sábado a noite, convidar pra ir em um restaurante tailandês é o que eu não faria. Por óbvias questões financeiras.

SAÍMOS! Ela estava bem bonita, eu lembro.
Pra mim aquilo tudo era um sonho doido. Comecei a lembrar das primeiras vezes que nos vimos – ou que eu a vi! – e de todas as outras que eu queria falar com ela sem nunca ter coragem.
Na sala de cinema, nos beijamos! ♥ Olha, pode escrever, foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Depois de tudo isso, a gente resolveu deixar as coisas mais sérias, se é que me entendem.
Mas não durou muito tempo, e como na maioria das vezes da minha vida, ela que quis dar um fim, alegando que éramos muito diferentes e que não ia fazer bem pra gente. Foi algo que eu não entendi direito, afinal, o que a gente busca na vida são pessoas diferentes da gente, pois se for pra encontrar alguém igual, que fiquemos com nós mesmos. Mas o que eu podia fazer? Pedir pra voltar? Pedi. E o que ela poderia fazer? Pensar melhor e dar uma chance pra gente? Não pensou nada e não deu chance coisa nenhuma.

Hoje ela tem outro namorado.
E eu tenho uma história muito especial pra contar, que aliás conto com o maior =D no rosto.

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O Meu Endereço Você Sabe

No fim das contas eu não posso fazer mais nada.
E na verdade, nem que tivesse algo que eu ainda pudesse fazer eu não sei se faria.
Demora, mas a gente encontra o fim da linha.
Pior seria se eu me enganasse que isso é mentira, que não existe fim, que só se dá bem aqueles que continuam a insistir, insistir e insistir como se a insistência garantisse resultados favoráveis.

Então pode ir.
A partir de hoje eu vou te deixar partir pra bem longe daqui.
Como posso te ter se nem a liberdade eu te dou?

Eu vou deixar o tempo passar.
Cansei da luta que nunca me trouxe sorriso no fim. Hoje eu vou deixar você respirar, vou deixar você fazer o que pensa ser certo.

Isso não tem nada a ver com deixar de gostar, eu só estou aproveitando para me desprender de você. Quero que vá, inclusive pra me deixar respirar um novo ar.

Aos olhos de fora, aqueles mesmos olhos que nos rotulavam como “o casal perfeito” pode soar estranho esse meu desprendimento, só que a verdade não é exatamente essa,  é mais uma questão de liberdade, de hoje querer quem me queira, de ser querido, de também querer ser conquistado. Embora eu não me arrependa de nada da história que escrevemos, até porque durante o tempo que senti, dediquei meus esforços pra ver o melhor dos seus sorrisos, pra te ouvir feliz ao telefone, pra te ver feliz sempre que te via, eu preciso sentir isso também, isto é, no fim, isso tudo vai fazer muito bem pra mim.

Eu vou sentir sua falta na hora do jantar com meus pais. Vou sentir saudade da sua ansiedade contagiante para ver as estreias do cinema, mas vou aprender a superar, e apesar de saber que vai demorar, muito mais até do que eu posso imaginar, tenho certeza que por maior que for a dor não será motivo para eu morrer.

Pode ir.
Vou transformar sua lembrança em abraço quando o frio apertar; vou te ver sorrindo quando o sorvete mais gostoso eu experimentar; vou te sentir comigo cantando na mais alta voz quando o refrão tocar. Não mais em primeira pessoa, mas como uma pessoa especial.

E se mudar de ideia pode voltar.
É meio difícil pra mim tentar prever como vai ser minha reação se isso acontecer, mas se quiser, pode voltar.

A gente ama a mesma pessoas várias vezes na vida.

A soma de todos os minutos que senti amor por você permitem a sua volta.
Se temos que conquistar a mesma pessoa todos os dias, é egoísta desperdiçar segunda chances de conquista, logo, antes de ser uma chance pra você caso queira voltar, será uma chance pra mim, pra eu me sentir a vontade em ter de volta.

Sei que a minha clareza de pensamento aterroriza.
O convencional diz que ao te ver partir devo encontrar alguma maneira de te fazer ir ainda mais rápido, só que eu não consigo pensar assim. E não tenho respostas pra isso. Eu só penso que da mesma forma que estou te deixando ir hoje, você pode voltar um dia. Considero as voltas que o mundo dá.
Por outras vozes ouvi que o ideal pra mim seria te sentenciar como uma vez que passou, uma página que virou ou uma chuva que acabou. Eu não gosto dessa tese, mas também não me rendo em súplica pra você. Não me torno refém dos seus caprichos, mas também não vou me fazer de desentendido se o meu coração apertar.

Só a gente sabe o que é bom pra gente.

Quem acredita em qualquer certeza cega além do amor está sujeito a solidão.

Por isso, faço dos pontos de vista que me emprestam, motivos pra eu aprender mais. Junto todos em um só e equilibro do jeito que julgo ser ideal pra mim. Por esse motivo, não queimei suas fotos como me sugeriram, nem cacei bocas virgens de beijos meus noite adentro.

A primeira coisa é deixar você ir.
A segunda é me deixar ir.
A terceira é a gente se encontrar, de alguma maneira, algum dia, em algum lugar.

Então pode ir,
mas se quiser voltar
a gente pode conversar.

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Me Dê Motivos Para Não Generalizar

Todas tem seus nomes.
Eu lembro de cada uma das pessoas, do nome de todas, de todas as expressões, de todos os tons de voz. Eu lembro de cada pessoa que fez com que eu derramasse uma lágrima injusta enquanto eu me esforçava para dar o melhor dos meus abraços.

Isso é algo que nunca vou esquecer.
E pensando bem, me faz tão bem arquivar as histórias que vivi ao invés de encontrar alguma maneira de simplesmente deletar da minha vida.

Eu preciso me lembrar que sofri para aproveitar quando eu for feliz.

Só terei a companhia das minhas experiências e de todas as ocasiões que exibi o melhor dos meus sorrisos, elas sim viverão para sempre comigo, agora todas as outras ocasiões contrárias não passam de motivos para me lembrar que eu não devo acreditar tão cegamente em um coração que não seja o meu. E isso não quer ser que eu desconfie do coração alheio. Eu só preciso me priorizar.

As sextas-feiras que alguns comemoram quando chegam, pra mim não passam de um novo dia em que é celebrado algo que eu não tenho, um dia em que eu vou escolher uma poltrona no cinema, ao invés de duas. E a merda é que hoje eu penso assim por causa das pessoas que impiedosamente pisaram nos meus sonhos e em todas as pequenas coisas que eu sempre valorizei.
Ninguém sabe o quanto eu torço para que as pessoas que vivem o privilégio de passear pela avenida de mãos dadas nesses dias tão esperados saibam valorizar isso. Se eu pudesse, ah se eu pudesse… Pararia cada par de pessoas que vejo nas ruas só pra falar: “Não deixem isso morrer, não deixem que agridam o sentimento de vocês! Cultivem pelo outro o que gostaria que cultivassem por você”

Só que eu não passo, então eu escolho um lugar para jantar e esperar as horas correrem.

Aquelas pessoas que mencionei nas quais me fizeram mal, cada uma delas, são responsáveis por eu custar a acreditar em sorrisos amarelos.
Plantaram em mim uma preguiça em acreditar em alguém.
Pode soar bonito quando a gente assiste nos filmes, mas eu posso dizer que não é algo à ser comemorado quando se vive de segunda à segunda.

Só que talvez, no fim das contas, eu tenha me acostumado de um jeito errado.
Inclusive, ultimamente tudo que eu quero é acreditar que as pessoas não são o lixo que algumas se mostraram ser pra mim. Quero acreditar que os sonhos que construí ao longo dos anos ainda podem ser reais e que ninguém é capaz de me fazer fraquejar. Eu juro que eu quero. Por isso eu me dou uma chance todos os dias.

Se eu levanto da cama, é porque eu quero que o dia seja diferente.

E as chances que me dou são as mesmas que dou à todas as pessoas. São as chances que dou aquele que me cumprimenta com um “bom dia” por etiqueta, por aquele que me empurra antes de entrar no transporte público e por aquele que diz que o fato de eu ver as coisas de um jeito meu significa um defeito.

Todos os dias eu pisoteio problemas para manter acesa em mim alguma chama de dias melhores.
E as palavras que me trazem um saudoso sorriso, bem como as melodias que me fazem suspirar, servem de abrigo nos momentos em que eu me vejo na ausência de uma mão estendida.

Eu não quero acreditar que as pessoas são iguais. Eu juro que não quero conhecer uma pessoa e pensar “acho que não vai dar certo”, ou acabar me limitando de ser quem eu sou com um medo de tentar.

Quanto maior o medo de tentar, maior a distância de conseguir.

Se eu não tenho em mãos alguma cartilha com respostas na última página sobre como viver, o que me resta é arriscar e permitir que novos braços se tornem novos abraços.

A felicidade que eu desejo pra mim é melhor aproveitada se for vivida por dois.
Vou seguindo me dando chances e dando chances para me convencer que eu devo voltar a acreditar.

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Um Recado Para As Pessoas Ridículas

Leia ouvindo:

É uma receita simples: Não precisa querer ajudar, não falar nada já está ajudando. Continua vivendo a sua vida.
Eu só não quero mais saber de gente na minha vida falando das coisas que eu vivo como se soubesse o que fazer, como se fosse com elas elas saberiam o que fazer, ah por favor, pra cima de mim não. No entanto, devo reconhecer que a culpa também é minha, porque eu me exponho demais e acabo hora ou outra virando motivo pra chacota quando o que eu quero é ter motivos para não pensar nas coisas que não me fazem bem.

Nós e a mania de prejudicarmos a nós mesmos.
É uma pena, mas faz parte.

Isolando essa parte de ser assim, não aguento mais gente que esfrega a felicidade na cara das pessoas. E olha, isso em hipótese alguma significa dor de cotovelo ou algo do tipo, pelo contrário, até acho bonito e acho mais que tem que mostrar pro mundo como está feliz e como as coisas tem dado certo. Só acho errado vir falar com opinião de quem soubesse o que é dor, e não, não sabe. Só viveu algo que por mais parecido que tenha sido, foi apenas parecido e nunca a mesma coisa.

Um mesmo filme desperta diferentes reações nas pessoas.

Sabe aquelas pessoas que se fazem de amigas mas que no fundo falam com a gente como se a intenção fosse mesmo dizer: “Olha aqui, eu fiz isso e isso e isso, estou feliz com meu amor, enquanto você, ah, você continua aí vendo os dias passarem embaixo do teu nariz.” Por quê não vão a merda?

Felicidade existe para ser compartilhada e não exibida.

Quando você compartilha, você quer contar para as pessoas que gosta como tem vivido uma fase feliz e como isso tem te feito bem, agora, quando você exibe, você só quer falar das coisas que tem feito, dos presentes que ganhou, dos lugares que visitou, dos filmes que assistiu. Que inferno!

Estou aqui seguindo a minha vida do jeito que ela tem se mostrado pra mim. Tem hora que acerto, outra que erro, mas continuo acima de tudo sempre tentando, sempre me permitindo e me deixando disponível para vida especialmente para as surpresas dela. E não estou nem um pouco a fim de ser espelho para as realizações alheias. Compartilhe comigo, me diga como tem sido pra você, mas não jogue na minha cara o fato de eu não ter as mesmas notícias pra te dar. E vocês sabes quando estão fazendo isso.

Não existe reincidente para o “não reparei que estava fazendo isso”.
Existe maldade.

Já não basta ter que viver dia após dia sonhando com um recomeço, com um motivo pra sorrir a cada manhã, com um novo número de telefone pra mandar mensagens de saudade, com novos abraços e beijos em uma noite de inverno, já não basta, e ainda tenho a obrigação de ouvir sobre o quanto a sua vida é boa? Obrigado, não preciso.

Essa situação é facilmente confundida com inveja, mas tem uma explicação pra isso. Quando a gente gosta de alguém, em geral, perdemos um pouco do senso do exagero. As fotos nas redes sociais e as declarações de amor nunca são “demais”. Estamos cegos – por causa do amor? -, queremos contar as novidades, queremos gritar até pro papa como tem sido tudo muito legal e especial. Só que existem maneiras de se fazer isso e aí se justifica o por quê de não ser inveja as reações como as que tenho tido.

Primeiro que é importante respeitar a fase das pessoas que conversamos. Se o seu amigo está desempregado, não tem por quê falar todo dia que comprou uma coisa nova, muito menos falar sobre as viagens que fará em breve. Acho que ficou claro com o exemplo. Segundo que é importante ter sensibilidade e ser mais útil. Ao invés de falar das realizações que o dinheiro tem comprado, convide esse amigo para comer uma coisa que há tempos ele não come por motivos óbvios, ou simplesmente, fale de coisas que tenha certeza que ele vai gostar de falar. Isso é se colocar no lugar.

Não precisamos ser lembrados das coisas que queremos mas ainda não temos.

Ninguém mais além de quem passa por uma fase difícil sabe o quanto é difícil e ninguém que está vivendo uma fase dessas vai explicar todo o dia sobre o que gosta e quer conversar.

Às vezes a gente só quer conversar.

O respeito também entra na questão de criar situações desagradáveis. Entenda, se você e todos os seus amigos estão namorando, como você quer que aquele amigo ou amiga solteiro queira sair com vocês? Não é óbvio que em algum momento vão distribuir beijos carinhosos, vão relembrar situações do namoro, vão se chamar apelidando e etc? Qual a graça de comer algo gostoso sem ter alguém pra também colocar carinhosamente na boca? Qual a vantagem de ir ao cinema sem alguém pra dividir a pipoca, rir, chorar ou ficar com medo junto, em meio a um monte de gente que está fazendo isso?

Quem namora, sabe muito bem quando está sendo desnecessário.
A não ser que tenha menos de 10 anos e namore alguém com idade igual, neste caso, faz sentido, teu senso ainda está sendo formado.

No fim, todos queremos ser ridículos; deliciosa e apaixonadamente ridículos.
Gostar de alguém é ser ridículo, ou vai me dizer que só a sua voz não fica de neném quando quer fazer mimo? Pois é.

Só respeita quem ainda não pode celebrar a delícia em ser ridículo.

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Afinal, o Que Falta pra Gente?

Já que eu não posso voltar no tempo, fico aqui todo dia usando toda a minha força pra pensar como eu faria diferente se você me ligasse de novo, se você me chamasse pra dar uma volta qualquer, sem motivo especial, só por dar uma volta. De novo.
Me torturo em silêncio e longe de você porque recusei todos os seus convites, dos mais ousados aos mais simples. Em pensar que faz tanto tempo que não vou ao parque… Neguei acreditando que teriam outras oportunidades, que você poderia me esperar e mais, neguei porque eu não queria cancelar meus planos já definidos em todas as vezes que me convidou. O curioso de tudo isso é que se eu parar pra lembrar nas coisas que fiz nas vezes que, sei lá como dizer, te “dispensei”, vou perceber que não fiz nada que realmente fosse especial a ponto de me fazer levar pra vida.
E pode até não parecer, mas eu procuro fazem coisas que me sirvam de algo, não vivo pelas mesmices, tão menos sobrevivo com migalhas. Gosto de coisas inteiras e de histórias capazes de se tornar lembranças pra compartilhar depois. Tudo que faço na minha vida eu vejo dessa maneira. E lembro que exatamente todas as vezes em que não quis sair com você, os “rolês” não me renderam nada mais que novos buracos na minha já esburacada conta bancária.

Só que agora eu me vejo aqui, sem perspectiva de nada interessante para fazer, sem vontade de aceitar os convites que recebo, sem vontade de sair de casa.
Eu só fico pensando nas vezes em que eu te disse “não”.
Acho que você ia estranhar se eu te chamasse no chat pra conversar agora. E mais que isso, tenho medo de você usar da frieza pra falar comigo – justa, eu sei, com seus motivos – mas tenho medo de não conseguir dizer que eu só quero aceitar um convite antigo seu.

Das pessoas que contei sobre os convites que me fez, ouvi dizerem que eu deveria ter aceitado um ou outro e que mesmo depois de recusado, eu poderia ter mandando uma mensagem agradecendo e dizendo que a gente poderia marcar uma próxima vez. Teve gente também que disse que fiz a melhor coisa, afinal, que coisa mais chata passar a tarde de sábado no parque, né?

Mal sabem o quanto eu gosto e o quanto eu sinto saudade de fazer isso, e mais, mal sabem que só não faço isso porque não recebo convites do tipo.

Eu errei e deixei as oportunidades saírem das minhas mãos. Acho que não faz sentido eu pensar nisso agora, você deve estar fazendo alguma coisa legal por aí com alguém igualmente legal, sei lá, e na verdade até quero que esteja, quero que esteja se divertindo.

Eu sou total responsável pelas coisas que não acontecem na minha vida.
Faz parte. Mas…

(…)

Eu tenho todos os motivos pra não dedicar nenhum segundo da minha vida pra você; não mover um dedo, não dedicar um pensamento. Mas tem horas que isso não dá tão certo assim e me vejo querendo falar com você de novo e de novo. Que coisa estranha. Das pessoas que dividi essa minha situação, ouvi dizerem que o problema é que eu me apego demais e muito rápido e que isso além de sufocar as pessoas, sufoca a mim mesmo, então, eu preencho os espaços vazios na minha cabeça com possibilidades que não passam de possibilidades.
Não foi uma nem duas vezes que te chamei pra dar uma volta pela cidade. Se eu tivesse mais dinheiro, certamente o convite seria mais sofisticado e eventualmente irrecusável. Uma famosa peça de teatro e um jantar em um restaurante de pompa seriam opções, só que tudo o que eu tenho a oferecer pra você e para quem quer seja sou eu mesmo.

Às vezes leio o histórico das nossas conversas. Pode parecer meio deprimente, mas me faz bem rever algumas coisas que já disse e todos momentos de risada que já demos pelos motivos mais bobos, eu revivo e rio de tudo de novo como se fosse a primeira vez.

Eu queria me sentir confortável de te convidar mais uma vez pra sair. E essa é uma das coisas que meus amigos não podem saber, porque nas vezes que eu só mencionei essa possibilidade, tive dedos apontados para o meu resto como se eu estivesse falando a pior das coisas. Entendo eles e vendo de fora, provavelmente eu falaria e faria algo parecido. Tem aquele discurso pronto sobre humilhação e de amor próprio, né? Sei como é.

Por isso que algumas coisas que eu vivo procuro guardar pra mim, assumindo todas as consequências de darem certo ou errado, prefiro guardar pra mim.
Se eu me sentisse a vontade de falar com você de novo eu te contaria um segredo: tenho guardado dinheiro pra poder pagar o táxi na sua volta pra casa. Dia desses perguntei para um taxista quando daria de tal shopping até a sua casa, ele me falou mais ou menos e a partir daí resolvi poupar um dinheiro. Melhor seria se eu tivesse um carro, com alguma música agradável, tudo ficaria mais gostoso e divertido, mas infelizmente ainda não é o caso. Então, por enquanto, eu tento me virar como posso e acho que você vai gostar de voltar pra casa de táxi ao invés de metrô e ônibus.

Olha que coisa doida, tenho feito planos pra quando sairmos sem mesmo ter te feito um novo convite. É que eu quero me preparar para a próxima vez, não quero ganhar mais um “não” pra minha coleção.
Depois das vezes em que tentei e não deu certo comecei a pensar em como eu estava fazendo. Notei que eu estava ansioso demais. Notei também que convites para o cinema e passeios pelo parque não são assim tão irresistíveis como em tempos atrás. E ninguém tem culpa disso, as coisas mudaram bastante e eu que fiquei estacionado no tempo.
Por isso tudo e pelo meu medo de errar de novo, estou me organizando para quando eu tiver coragem de te chamar pra sair mais uma vez. Ah, é verdade, enquanto pensava nas vezes em que não deu certo, me veio a mente que você recusava por pensar que em todas elas eu ia tentar algo com você, talvez um beijo roubado ou uma mão a mais. E olha, vou confessar que você é sim absolutamente atraente e vou mentir se eu disser que não sonhei com a possibilidade de acontecer algo, só que antes de qualquer pensamento desses eu sempre imaginei no quanto seria agradável a gente sair pra conversar sobre os pontos de vista que temos das coisas.

Em todas as vezes que você me disse “não”, eu só queria um “sim” pra aprender com você.

Mas tudo bem, é passado, são coisas que não voltam.
Vi no celular que faz um tempinho que não trocamos mensagens, acho que essa é uma boa hora para te mandar um ‘oi’ qualquer, aí, quem sabe, se eu tiver alguma coragem, te convido pra fazer alguma coisa.

Pelo menos a sua volta pra casa estará confortavelmente garantida.
Eu tenho passes de metrô pra mim.