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Isso Não Passa de Uma Vontade

Já não sei bem o que é.
Um dia aprendi num filme que se chamava solidão, hoje eu não sei bem que nome dar.
Já me disseram que era carência, já me disseram que era só falta do que pensar.
De todas as coisas que eu ouvi, em nenhuma acreditei. E não foi por falta de vontade, pois bem que eu queria que fosse algo fácil de rotular e assim eu poderia dormir em paz. Só que as coisas, como sabemos, raramente são como queremos.

Se a gente ainda lembra é porque ainda faz diferença.

Outro dia lembrei de alguns sorrisos que ganhei de você.
Lembrei de quando você corria pra me abraçar depois de uma semana sem a gente se ver. Lembrei das horas que passei pelas lojas dessa cidade na dúvida sobre o que te comprar de presente.
Também teve o dia que lembrei de quando a gente chorou juntos pela primeira vez. E com isso, lembrei de novo de tudo que a gente fez pela primeira vez.
E ainda querem me dizer que é falta do que pensar?

Eu não comando um botão no peito que traz e leva as lembranças a hora que eu quero, eu só sinto e do mesmo jeito que elas vão, elas voltam.

Seu sorriso me iluminou mais que o maior sol que já vi no verão.

Aceitar que passou não é lutar contra a nossa vontade, é ser a favor do nosso coração.

Da mesma forma que faz chorar, faz bem aceitar algumas mudanças da vida. É normal doer por a gente não saber o que fazer, afinal, seria tão melhor se o calendário funcionasse como um controle remoto e então a gente pudesse escolher qual dia passaria mais rápido, qual mais devagar e qual a gente viveria outra vez. Só que é bom ver novos filmes na TV, a gente só esquece disso. Os preferidos, no entanto, nós nunca vamos esquecer.

Tipo você.
Não consigo imaginar o que você está fazendo agora e quem está te vendo dormir, quem está te ouvindo por horas no telefone, quem está te mostrando vídeos engraçados na internet, quem está te ajudando a ser mais feliz. E a verdade é que nem gostaria de saber.
Esse tempo longe me fez ter certeza de quem eu sou. E que pior que eu não goste de muitas coisas em mim, eu jamais deixaria de ser exatamente como eu sou.

Se eu não mudei ao te ver partir, não mudaria agora que entendi.

Talvez as coisas que eu sinto aqui dentro tenham valor demais e por isso o tempo tem sido assim tão cruel comigo. Quem sabe, não dá pra afirmar, mas quem sabe não era pra ser como realmente foi? A gente prefere buscar respostas pra tudo a ter que simplesmente aceitar que algumas coisas não precisam de respostas. Exatamente como fiz ao ouvir que você não sentia mais o bastante. Tive que me levantar no outro dia, pegar o mesmo transporte público lotado, chegar no trabalho, ter um dia estressante, e tudo, tudo pra poder pagar minhas contas no fim do mês ou comprar novas roupas pra usar no fim de semana. Aliás, as mesmas roupas que comprávamos nós dois.

Sério, não foi nada fácil ter que acompanhar a lentidão dos dias até aqui, mas se eu não desisti antes, não vai ser agora que vou fraquejar.

Isso são só reações que a saudade através do frio desse outono me faz sentir.

Guardo minhas esperanças em te ter de novo no mesmo lugar onde guardo os sonhos ainda não realizados.

Na falta de um abraço de consolo, nos clichês nós podemos confiar. “Tudo passa!”, “Amanhã vai ser melhor!” e coisas do tipo são só verdades batidas, mas ainda assim, verdades.
Por isso, pouco a pouco, sem ninguém nas últimas sextas-feiras, coloquei na minha cabeça que basicamente tinha que ser assim: você aí e eu aqui, sendo dois sós e não mais dois a sós. Essa mudança na forma de ver a vida me fez repensar meus sonhos, por isso eu digo que te guardei lá perto dos que eu ainda não realizei. É que eu comecei a ver que talvez todos os sonhos que eu quero realizar não sejam sonhos realizáveis, que talvez sejam só grandes vontades, mas nada a ponto de serem grandes sonhos.

Pra mim, hoje você é só uma vontade de voltar no passado. E tenho a impressão que eu tenho muito futuro pra viver, logo, prefiro te deixar sendo só vontade.

Posso não ter certeza do que é hoje,
mas sei exatamente tudo o que já foi um dia.

Me parece que aqui dentro é só um frio que um agasalho sozinho não consegue aquecer,
mas amanhã pode fazer sol, vai saber.
Vou torcer.

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Gente, uma dica.
Essa trilha sonora de hoje faz parte do disco novo do meu grande amigo ERIC MATERN.
Um grande e talentoso artista que merece a atenção de vocês!
Para ouvir todas as músicas e comprar o disco, acessem: www.ericmatern.com

 

Já Vi um Filme Assim

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=EqWLpTKBFcU

Continuo igual.
Assustadoramente igual. Continuo me preocupando com quem não liga se tenho vida, continuo correndo atrás quando o justo seria que corressem por mim. Continuo repetindo os mesmos erros de quando mais jovem, continuo me precipitando, continuo demonstrando demais, continuo sendo EU DEMAIS quando na verdade eu gostaria de ser EU MELHOR.

É uma droga! E quando paro pra pensar nessas coisas, nem eu mesmo me suporto. A última que me aconteceu foi reincidente e esse é um motivo que eu deveria me acostumar, mas não, é incrível, as coisas acontecem da mesma forma, só mudam os protagonistas, e eu tenho as mesmas atitudes, a mesma cabeça baixa, a mesma covardia por mim mesmo, uma covardia que chega a doer, é uma fraqueza que meu deus do céu, ficaria semanas pra falar apenas sobre isso.

Eu não tenho coragem de ser feliz. Não tenho coragem de tentar. Dá pra pensar por esse lado se eu for o extremo do racional. Comigo é assim: Ou meto o pé pelas mãos ou acabo não fazendo nada, absolutamente nada.

E foi isso que me aconteceu recentemente. Eu não fiz nada quando eu precisaria ter feito algo. E a merda é que só de pensar nas opiniões que vou ouvir a quem eu contar eu já fico desesperado. “Por quê você conta para as pessoas então?!” A resposta é: Eu não sei por quê! Só sei que eu sinto tanta coisa, penso em tanta coisa que eu não consigo guardar comigo, não consigo acumular, não consigo processar sozinho, quero compartilhar, quero de alguma maneira algum tipo de ajuda.

Eu tenho vergonha, é isso.
Não é a vergonha do arrependimento ou no sentido de pena, é a vergonha de timidez. Eu não sei lidar comigo, não sei lidar com as coisas que sinto – não que eu penso ser o único no mundo assim -, eu só não sei. Faz sentido se eu pensar que essa timidez toda existe pela minha ansiedade de viver algo sólido, viver algo que dê pra eternizar em fotos, o que também tem a ver com o medo de assustar com a minha sede para que as coisas aconteçam, ou seja, é muita vontade misturada com muitos sonhos, contra a realidade dos fatos e o ponteiro do relógio. Explico. Eu, por mim mesmo, acabo me bloqueando de falar coisas que eu deveria falar, coisas que eu não posso guardar. Aí eu fico pensando que a hora certa vai chegar, mas esqueço que o relógio não para e o tempo é severo nesses momentos. Fico esperando a oportunidade que eu julgo ser perfeita para ter atitude, fico esperando a abertura certa para que eu possa dar um passo a mais, e enquanto espero, o que eu fico fazendo é ser eu mesmo. Fico sendo eu demais! Que merda, que saco!

Meus amigos devem imaginar que é “bobagenzinha”, mas eu não brinco quando posto na internet algo dizendo que eu queria sumir por dias, meses, semanas, que seja! Essa vontade transborda quando me vejo infantil diante de coisas que eu já deveria saber lidar. Talvez eu não tenha crescido ainda o suficiente…

E tudo fica ainda pior quando vejo que praticamente todas as pessoas sabem o que, que horas e como fazer, enquanto eu me vejo suando as mãos diante de qualquer passo que tento dar, de qualquer sinal de aproximação, qualquer tentativa de demonstração de interesse. É tudo aparentemente tão fácil e pra mim aparentemente tão difícil.

Lembro da vez que ouvi um “vou ao banheiro” exatamente no momento em que eu estava certo que tentaria um beijo. Teve o dia do “podemos sim, aí a gente chama um pessoal pra ir junto!” quando fiz o convite para o cinema. Isso sem contar a vez do “Desculpa, me ocupei aqui e esqueci de responder, mas hoje vou sair com um pessoal” depois de eu finalmente ter apertado “enviar mensagem de texto” após ter pensado por minutos no que convidar para fazer. É.

A gente só entende como é viver quando a gente se propõe a viver.
Ninguém nunca vai saber melhor de você do que você mesmo, ninguém nunca vai te entender mais do que você mesmo, ninguém nunca vai gostar mais de você do que você mesmo deve gostar.

E entre uma tentativa e outra, o relógio corre. Os dias, semanas e meses se vão.

Torço muito para que eu esteja engando ao pensar que talvez o amor que as pessoas buscam não seja o mesmo que eu, que a tal da questão de “química” e “hora certa e pessoa certa” não seja tudo uma grande bobagem criada pra casais se gabarem de argumentos que defendam a espontaneidade do amor.

Eu queria conseguir tentar. Penso em exatamente todos os detalhes, desde a hora que eu acordo. Deixo tudo exatamente combinado, coloco minha melhor roupa, pego tudo que me resta de dinheiro para assegurar um pouco de alegria e no momento em que eu mais preciso de mim mesmo, eu fujo.

Esses dias foi mais um pra minha coleção de “Não foi dessa vez.”
Tive que me consolar ouvindo os refrões mais desnecessários na volta pra casa. Isso já não me afeta mais, pois é algo que já vivi tantas vezes que pra mim é bem natural e chega a ser previsível depois do último “tchau” na despedida.
Já teve vezes em que a vontade era virar o rosto e acidentar um beijo, aí eu poderia alegar que foi incontrolável, que foi mais forte do que eu. Será que convenceria? Eu poderia levar um tapa também por tal atitude. Nas duas situações, eu pelo menos haveria tentado.
Pra não ser tão injusto e eventualmente apelativo demais, devo dizer que algumas vezes já deu certo, foram vezes em que não me reconheci e a felicidade foi tanta na mesma volta pra casa que fiz dos refrões desnecessários minhas trilhas sonoras de completa alegria, cortando as ruas dessa cidade, cantando o mais alto que eu podia. Foram noites felizes, histórias pra contar nas quais guardei todos os detalhes. Não por ninguém, por mim mesmo.

O mais louco é que isso pra mim é algo tão pesado de falar e que no fim das contas só significa a vontade de viver a maior das felicidades. É uma infeliz realidade sobre a busca por um momento feliz.

Vai passar.