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Agora Vamos Falar de Coisa Boa?

Olha, devo te dizer que pensei que seria difícil, mas não tanto quanto realmente foi.
Esse negócio de ter que virar a página não é o que a gente pode chamar de algo fácil. E tudo fica ainda pior quando aparece um monte de gente falando o que a gente deve ou não fazer, tipo, um monte de gente se achando dono da verdade. É, não é mole não.

É exatamente na dificuldade que a gente encontra a possibilidade.

Explico.
Pra quem, como eu, chegou a pensar que a saída seria mudar de casa, de país, de planeta, sei lá, pra saber se ia conseguir ter de volta bons dias de paz, até que consegui superar com certa velocidade.

É na dor que a gente sente que mora a força da superação.

Então dá pra pensar que: sofrer faz bem.
Que loucura, né? É. É mesmo.
É que a dor rima com amor, que por isso, se faz justo que façamos da dor alguma lição pra fazer a gente sentir amor de novo. Para pra pensar: até que faz sentido.

Por isso eu te larguei.
É, eu te deixei, de uma vez por todas.
E o quanto eu venho tentando fazer isso…
Essa vida de ser refém da saudade não tá com nada e nunca me trouxe nada mais que um monte de lembrança que eu quero esquecer.

Depois que comecei a pensar assim, comecei a entender melhor.
Vou te falar que até sinto uma raiva de mim, sabe?
É que eu me dediquei igual idiota muito pensando nessas de “quem sabe agora”, “vou fazer melhor”, “vou fazer os gostos” e etc, sem perceber que eu até poderia fazer bem pra você, mas no fim das contas jamais estaria fazendo bem a mim mesmo.

Se o tapa não arder a lição não foi aprendida.

Eu nunca ouvi falar de alguém que tenha superado sorrindo.
Eu tive que comer o tal do pão que o diabo amassou pra poder chegar aqui e ter grandeza pra te dizer: quero que se exploda.
Entenda, eu realmente não te desejo mal, não desejo mal pra ninguém nesse mundo, só que aconteça o que acontecer com você eu realmente não quero estar perto pra presenciar.

E quer saber? Eu não me arrependo, na verdade, nem chego perto de pensar nisso.
Vou te dizer a diferença entre nós dois: eu nunca menti ao te dizer o que eu sentia, já você, você sempre fez questão de tudo, menos de me dar alguma segurança sobre o que a gente vivia. E do contrário, pensava que uma noite de sexo me compraria.

Agora deu.
Pra quem vê de fora pode até parecer um exagero me ver falando desse jeito, mas sabe o que eu penso dessas pessoas? Que elas se explodam juntinho de você <3, pois ninguém estava no meu lugar pra sentir o que só eu sei que senti com o jeito que você me tratava, com as coisas que me falava e em como vinha com discurso de “confia em mim” que eu sempre acreditei. Então, eu estou me lixando para o que pensam sobre mim.

Não precisa fazer esforço pra me esquecer, pois quem não consegue lembrar de você sou eu.

É uma pena, sério, uma pena.
Fico triste em ter um sentimento bom transformado em algo absolutamente ridículo. Em outras palavras, fico mal por um dia ter te falado tudo o que te falei e hoje sentir nojo do que você se tornou. Ou do que você sempre foi, vai saber.

As coisas não andam tão bem assim pra mim ainda.
Eu ainda demoro um pouco pra dormir e acordo num horário que eu não gostaria; vez ou outra te encontro nos perfumes de alguém no metrô e nos refrões de algumas músicas, só que isso tudo faz parte, né?

Você vai me ver em todos os lugares que tentar me esconder.

Estarei exatamente lá: no beijo que te fará lembrar de mim e na risada gostosa de se ouvir.

Deixa eu te falar uma coisa.
Tem um negócio nessa nossa vida que se chama: reciprocidade. Essa palavra bonita significa algo do tipo: fazer aqui, receber ali. E isso é aplicado em tudo. Vai ver ninguém tenha te apresentado essa palavra ainda, – e aliás, pelo menos comigo você raramente entendeu – mas funciona assim: o destino também é recíproco com a gente. Apesar da gente não ter controle sobre ele, nós somos responsáveis pelas escolhas que fazemos para viver este destino. Parando de filosofar, o que eu quero dizer é que você vai receber c-a-d-a segundo que me faz passar, dos bons até os, digamos, horrorosos.

Não é questão de fazer algo pensando em algo em troca, mas sim, de fazer algo exatamente do jeito que gostariam que fizessem com a gente.

Eu não quero estar ao seu lado pra ver nada.
Eu não quero saber de nada sobre a sua vida. Sobre a sua família, eu desejo o bem.

Pode acontecer que tudo mude, é verdade.
Você pode aparecer amanhã com um monte de argumento pra tentar me convencer que a gente pode tentar de novo, você pode aparecer com a roupa que eu mais gosto, pode aparecer com os convites mais irrecusáveis, mas entenda, eu já não consigo nem ouvir seu nome.
Você pode querer voltar.
O tempo vai passar e com ele você “pensar melhor” e finalmente rever todas as merdas que me disse e o quanto isso me fez mal, mas sabe o quanto isso vai adiantar? DE NADA.

Entenda que não sou extremista a ponto de dizer que dessa água nunca beberei, mas estamos falando aqui sobre amor-próprio, sobre ter alguém que realmente mereça o que a gente sente, sobre como é bom poder dizer que há sinceridade e comprometimento.

Em tudo isso aqui, desde o começo, estamos falando sobre coisa boa, não sobre você.

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Isso Significa Muito Mais do que Imagina

Trilha sonora:

Sabe,
É louco pensar em nós.
Em nós como dois, não mais nós como um só.
Nós que já fomos um, hoje somos mais, também pudera, depois de sermos um, quebrado, é justo sermos um por inteiro.
Em outras palavras, não lembro mais de quem eu já fui.
Dia desses me esforcei pra lembrar dos motivos que já me fizeram pensar em não tentar mais, em não tentar nunca mais, mas eu não consegui.

Chega uma hora na vida,
Que a gente muda a forma de ver as coisas todas elas. Não dá para prever quando essa hora vai chegar, mas ela vai. Por isso eu não julgo aqueles que vivem dos beijos da noite, até porque não me cabe julgar, mas a hora vai chegar pra eles, assim como você fez chegar pra mim.

Deita aqui, coloquei a almofada, deixa eu te explicar melhor.
Algumas vezes eu saí a noite por essa cidade na aparente procura de diversão desenfreada e desregrada, mas na verdade, confesso, gostaria de encontrar alguém que pudesse ouvir alguns dos versos que escrevo. Procurava no lugar errado. Só que aquela era minha fase e não me envergonho. Só faz parte.

Teve vezes também que eu me escondi atrás de um gole do que eu nem lembro bem o que era. Me fazia feliz – pelo menos eu achava – acordar no dia seguinte e postar na internet “Bom dia, ressaca”. Era legal porque demonstrava que eu tive uma noite e tanto, que eu tinha me divertido pra caramba e tinha novas histórias para colecionar, e se meus amigos comentavam nesse post ficava tudo ainda mais divertido. Só que nunca foi bem assim. Na volta, com o sol quase nascendo, sem ninguém no metrô minha cabeça já ardia de dor e eu me arrependia. “Não aguento mais isso, nem sei mais o que estou fazendo”, era o tipo de coisa que vagava na minha cabeça. Meus posts de “bom dia” eram pelo celular, ainda na cama, de onde eu não queria ter que levantar pra ter que pensar em algo pra fazer.
E aí se fazia a solidão.

Mas a gente tenta.
E é tentando que a gente acerta.

Respeito os dias que a vida me traz.
Minhas experiências não me fazem aventureiro, não saio experimentando de tudo para provar – pra quem? – que eu tenho força e o quanto minha ousadia é ilimitada. Também não julgo quem o faz, só que a vida não é um seriado da TV. De histórias forçadas pra contar é o que a gente menos precisa.
Pouco a pouco fui deixando as experiências chegarem pra mim e fui aceitando os sinais que a vida mostrava.

Encontrei num domingo sozinho no parque uma felicidade que nunca tinha vivido. Era uma felicidade honesta, de mim por mim mesmo, com as coisas que estão lá agora e estarão lá amanhã, com o cenário natural construído pela chuva, pelo sol, pelo frio, pelo calor, por todas as coisas. Lembro que sentei embaixo de uma árvore e fiquei vendo as pessoas vivendo. A partir de então, coloquei na cabeça que as coisas tinham que mudar e só mudaria se eu fizesse algo para tal.

Eu precisava encontrar um pouco mais de mim pra poder te encontrar depois.

Foram várias as vezes que eu sofri o “Julgamento na Melhor das Intenções” que por mais saudável que fosse, nunca me trouxe sorriso. Me vi cercado de gente que queria me ajudar, mas só de segunda a sexta, porque de fim de semana tinham outras coisas pra fazer. Isso é sobre a tal da amizade de conveniência: gente que te ajuda só quando tem tempo, que só te vê se puder levar o “amor” junto, que cobra a sua presença mas não move um dedo para ser presente. Engraçado que o tempo que eu tenho livre é o mesmo das pessoas que dizem gostar de mim, a diferença é que o meu lugar na fila de prioridade é lá onde o céu encontra o mar.

Posso continuar fazendo carinho no seu cabelo? Gosto tanto! Estou acabando de falar.
As coisas foram mais ou menos assim durante muito tempo e pra mim é importante traçar um paralelo do que eu vivi e do que tenho vivido, especialmente de quem me fez bem, quem não me fez e quem me faz hoje.

E eu não sei bem como vai ser amanhã quando eu acordar, não sei nem como vai ser depois que você se levantar aqui, mas se a vida acabasse aqui eu já estaria feliz. Só de saber que eu estava errado quando achei ter vivido a melhor da felicidade, e aí te encontro e você me mostra que tem mais, que tem a mesma de outro sabor, que eu posso melhorar, que eu posso sim terminar de ler os livros que enrolo tanto, que eu posso arrumar minha cama antes de sair, que eu posso cuidar mais da minha família, que podemos economizar e assistir filme em casa para que eu tenha dinheiro para comprar roupas necessárias, que eu posso ser um profissional melhor no trabalho, posso ser mais produtivo, posso comer melhor durante o dia, posso ficar bem, comigo e com você.

É isso.

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