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Vem Cá, Não Precisa Falar Nada

Deixa a voz falhar.
Encosta a cabeça, sente meu cheiro e suspire devagar.
Aqui a música é do meu coração feliz por encontrar o seu.
Ele aumenta de velocidade quando você diminui a distância de mim.
E é assim comigo todas as vezes desde a primeira vez.

Tem coisas que precisam acontecer.

Tenho um passado que não me traz sorrisos, mas este mesmo passado me trouxe até aqui e tenho certeza que se eu não vivesse o que vivi, jamais saberia o que é esse tal de valor as pequenas coisas.

As coisas que a gente demora pra aprender são as que nunca devemos esquecer.

Faz parte. Ninguém nasce sabendo de tudo, embora desde muito pequenos já aprendemos o que não podemos fazer. O critério sobre o que é certo ou errado, em tese, é o mesmo sobre o que vale dar valor ou não. As lições são as mesmas, as escolas que mudam e na escola da vida, só cabe 1 aluno por unidade.

Aqui eu já sequei minha lágrima, lembra?
Aqui também eu já te segurei pra tentar te fazer parar de chorar. Eu lembro.

É no silêncio do carinho que as boas intenções fazem morada.

Em outras palavas, até aqui e sobre “aqui” estou falando do nosso abraço e em como eu não sou nada sem ele.
É pertinho de você, entre os seus braços com suas mãos indo e voltando pelas minhas costas, junto ao seu cabelo e deitando no seu ombro, é onde eu gosto de ficar.
E tudo é ainda mais verdade quando é o nosso abraço deitado.

Quando a gente deita e eu te vejo de baixo para cima fazendo do meu peito seu travesseiro e meu coração falando coisas diretamente pra dentro do seu ouvido, é que eu celebro o meu passado por me deixar viver isso.
As coisas não mudam muito quando sou eu quem te vê por cima. Deitado sobre você com os cotovelos na cama, cabeça acima dos seus seios, queixos aproximados e a nossa respiração ofegante. Te ouço falar enquanto meço cada centímetro do seu rosto com a ponta dos dedos, aliás, as mesmas com que percorro seus lábios e saio tentando medir a sutileza com que você se expressa ao falar. E tudo isso acontecer devagar, enquanto a gente conversa.

Também é especial quando o sono vem.
De costas para mim, me aproximo e nossos corpos se encaixam como peças de engrenagens. Você se encolhe pelo frio da madrugada e eu te trago ainda mais pra perto como se eu falasse: “Não precisa se preocupar, estou aqui e aqui eu vou ficar”.

Falaria sobre nosso abraço por horas.
E quando eu toco a campainha e você vem abrir o portão? Ali se faz o nosso mais sincero abraço saudade. O primeiro das próximas horas, o mais faminto e talvez o mais longo. Toda vez você reclama que está descabelada e a verdade é que nesses momentos eu nunca reparo no seu cabelo. Abusada, quando faz frio, procura se aquecer colocando uma das mãos por baixo do meu moletom e minha camiseta, ou seja, gelando minhas costas com suas mãos de tão frias.

A gente gosta de transformar as coisas.
E o mais legal é que isso é natural. Sempre – e sem querer – encontramos alguma forma de fazer com o que o próximo abraço seja sempre melhor, apesar de algumas dificuldades. Tipo quando eu te busco de carro, parando em local proibido, te pedindo pra entrar rapidinho. Ali o abraço é adiado até o próximo momento de tranquilidade.
Tem também aquele que a gente dá escolhendo um filme no cinema. Um ao lado do outro, desocupamos uma das mãos para apontar os horários nos televisores ou para um segurar o jornal com a programação, enquanto o outro aponta as sessões.

Meio sem jeito, – lembra? – é quando tentamos também nos abraçar em algum show de uma banda que gostamos. Engraçado, no entanto, que esse absurdo da física de tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo até que faz sentido, porque a gente consegue, sabe lá como, curtir abraçados. É algo sobre viver um momento bom e querer compartilhar cada segundo um com ou outro. A gente não se gruda, mas também não nos policiamos.

Por isso, fica aqui, pode ficar. E se quiser, nem precisa falar nada, deixa a voz falhar. Encosta a cabeça, sente meu cheiro e suspire devagar.
Aqui, do jeito que a gente está, depois de me ouvir tanto falar.
Continua aqui descansando no meu ombro enquanto pego uma porção do seu cabelo e me divirto em colocar e retirar de trás da sua orelha.
Se um dia esse meu abraço não bastar pra você, acredite, ele continuará sendo igual e pra sempre vai saber como se comportar quando que te ver.

Agora, vem cá.
E fica aqui.

(Texto especial pelo Dia do Abraço!♥)
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Essa Bagunça Você Não Precisa Arrumar

Começou a pensar em alguém mais vezes que o normal em meio a toda a correria da rotina, reconheça: as coisas não andam tão normais assim.
Na verdade, as coisas andam bagunçadas; deliciosamente bagunçadas. Pois bagunça boa é aquela que a gente perde a fala, a noção do que fazer e o senso do ridículo. As outras bagunças são dignas que arrumemos.

E como faz bem parecer uma pessoa otária no meio de tanta gente que força ser agradável.
Essa conclusão serve para inúmeros sentidos, pensemos, no entanto, sobre o “se sentir uma pessoa otária” no melhor deles.
Quando você começa a pensar em agradar alguém com o salário que anseia o mês todo para receber, é sinal que a poeira foi sacodida e está liberado comemorar: você finalmente virou a página e pegou a caneta para escrever uma nova.

Sentir a vida do avesso, achar graça em como os cachorros latem, cantar os refrões mais inusitados, não se importar com o trânsito que dilacera, entre outras coisas, são sintomas de movimentação nos próximos dias. Nesta previsão você pode confiar. Ignore horóscopo.

É saudável pensar que tudo pode acontecer com a gente, todas as coisas boas e ruins. Não somos imunes a nada e errar ao pensar que somos nos afasta das coisas boas. Não que o pensamento positivo coloque comida no prato ou assegure casamento, mas em uma situação onde não se tem muito de esperança, mentalizar coisas boas, acredite, já é de grande vantagem.

Se a gente parar pra pensar, a vida é realmente meio doida.
Aplausos para essa colocação genial!

É louco o raciocínio de que quando a bagunça boa começa na nossa vida, a gente acha tudo bom, tudo bem, tudo tem jeito, a paciência fica infinita, não tem problema se molhar na chuva, sol demais também não faz mal, cabelo na comida é acidente, fila no banco faz parte, pneu furado acontece, curtir o próprio post no Facebook é normal… Bem, isso não faz o menor sentido e deve ser evitado em qualquer bagunça da vida. Estamos entendidos?

Brincadeiras à parte, é só esse danadinho de coração começar a correr mais rápido que a gente começa a achar graça em tudo.

E como isso faz bem. Se for pra ser viciado em uma droga, que seja no amor. (Deixando o Wando no chinelo com a breguisse) É mais vantajoso, vejamos: não precisamos comprar pois temos dentro de nós, porém, é mais raro, porque não é todo dia que ele aparece pra gente entrar na brisa louca sair um pouco de si.

Mas quando ela aparece, quando a gente sente um pouquinho dela… *suspira*.

Como não podia ser diferente, nessa bagunça boa as mulheres, em geral, são um pouco mais intensas. Nas outras bagunças, são sempre elas que organizam, deixam tudo no lugar, lindo como elas são. Nessa boa, em geral, também.

Definição do amor: Mulher.
Com todos as facilidades e dificuldades.

E idiota é o homem que pelo menos não TENTA lidar com uma mulher.
Sejamos científicos: a mulher é geneticamente mais fraca que o homem, mais sensível e mais vulnerável. Só que é forte também, em depilar um monte de coisa que homem já sai chorando. Neste sentido, podemos confirmar a tese que mulher é amor.
Em geral, a mulher acompanha os seriados na TV imaginando viver uma história parecida e torcem pelos casais. Para muitas, ursos são ursinhos, um dia bonito é um dia lindo, um trânsito filho da puta é um trânsito lento pra caramba e por aí vai. Mas nisso, repito, em geral, pois não são todas que se enquadram.

O amor na mulher está na forma que ela amarra o cabelo. No jeito que ela corre da chuva, em como lê no metrô, como ri no cinema, com gira o corpo pra ver se a roupa ficou boa no provador da loja no shopping, com assina “Beijos :)” no fim do e-mail, como diz “estou com saudade!” pela SMS.
Homem, em geral, fazendo as mesmas coisas podem ser definidos em uma coisa: homem.

Em tempo: Em absolutamente toda regra, existe exceção. Acreditem em quem está fora do “Em geral”.

São devaneios sobre as mulheres que você pode discordar, mas em uma coisa todos os seres humanos devem concordar: todo homem precisa, gosta, anseia e é dependente da mulher pra fazer uma bagunça boa, só que o vice-versa já fez mais sentido nesse exemplo.

Foi-se o tempo em que a mulher dependia do homem. Para qualquer coisa. E isso é um aviso!
Todo e qualquer homem deste mundo que sonha com uma mulher pra si, vai ter que ralar muito mais neguim. Hoje elas estão no comando! Mandam em empresas, xingam no trânsito (não que seja recomendado para ninguém!), revidam a brincadeira sem-noção, jogam futebol, fazem mais tatuagens, compram carros caros, viajam sozinhas. A exceção, claro, do tipo de mulher que vive em 2013 como se estivesse em 2013, só que a.C (antes de Cristo).
Neste sentido, a lição é que o homem tem que ser muito homem pra ter uma mulher de verdade agora! Se quer uma mulher mãe, mulher esposa, vai ter que ser muito mais do que “masculino”, muito mais que convencer com qualquer lábia, vai ter que conquistar, vai ter que comprovar por a+b+c+d+e+todo+o+alfabeto que merece ter uma mulher de verdade ao seu lado. Se não quiser, ainda tem a opção das mulheres que se fazem de nenéns.

Nesse jogo de ter alguém de verdade, saem ganhando as pessoas que se permitem e não fazem tantas exigências. É que recalque demais impede felicidade. Mimimi por todos os lados, tanto pra homem ou mulher, não leva a lugar nenhum e só deixa mais longe de qualquer rascunho de altar. É importante aceitar convites, sugerir lugares, pensar por dois, se colocar no lugar, revelar amor, confessar saudade e tudo que há de mais gostoso a dois, pelos dois.

Vamos deixar a bagunça boa acontecer, só não deixemos que vire caos e que nos tornemos refém dela.

Frio não, por um mundo com mais inverno na barriga para que as pessoas se sintam mais otárias.

Um Brinde ao que Nem Aconteceu Ainda

Leia ouvindo:

Deixa a lágrima escorrer.
Segurar o choro é só um adiamento do que uma hora ou outra vai acontecer. Chorar faz  bem, só que mais do que fazer bem, faz parte.

Sabe aquelas coisas que todo mundo fala que faz parte da vida? Pois é, se faz parte, a gente precisa viver, a gente precisa ultrapassar.
Concordemos que muitas são as coisas que fazem parte da nossa vida. Se considerarmos que quem nos manda é o coração, e todos temos um, todos passaremos pelas mesmas coisas que ele quiser. Ele é responsável por toda a felicidade e por toda a dor e ele, só ele, especialmente no caso da dor, sabe a hora que podemos abrir a janela para o sol entrar de novo.

Ter que lidar com todos os nossos sentimentos, envolvendo várias pessoas, em várias situações, não é algo que podemos chamar de fácil. É difícil lidar com gente ignorante, com gente que só reclama, com gente que exagera e com mais um monte de tipo de gente. Só que é mais complicado lidar com a gente mesmo, com o que a gente sente.

E entre todas as coisas que a gente sente, uma das mais impiedosas é a saudade.
Reconhecer que não há nada mais que possamos fazer, que a nossa vontade de voltar no tempo, de fazer diferente, de dar mais um abraço, mais um beijo, de pedir desculpas, de dizer que gosta, nos sufoca e nos aperta o peito.

Deixa passar, que uma hora a saudade vira lembrança.

Toda a nossa vontade de reviver algumas coisas, rever algumas pessoas, enfim, matar certas saudades, nos afasta de coisas novas. É difícil eu sei, dentro da saudade não há espaço para novidades, só que a mudança começa por dentro da gente, começa pela vontade de mudar e pelo pensamento que devemos lutar pelo que tanto queremos, sem esquecer de considerar que nós só teremos aquilo que merecemos, isto é:

Não adianta desejar o amor da sua vida se você não é o amor de si mesmo.

As coisas da nossa vida são relacionadas e não acontecem sem querer, acontecem porque precisamos viver aquilo, que de alguma maneira vai influenciar os nossos próximos dias.

Não é pra viver em função do futuro, mas também não é pra viver como se ele não fosse existir.

Se for pra sentir dor, pra chorar e pra querer fazer uma ligação desesperada, que faça, mas que faça só uma vez, que lembre-se da importância em deixar os ciclos se encerrarem e toda a água da cachoeira descer para que novas águas possam aparecer.

Nossas experiências talvez sejam algo que continuará com a gente até depois da nossa morte. Tem como saber se há vida depois dessa? Não, né. São as experiências que nos trazem lições e que mudam nossa visão sobre a vida, valorizando mais as nossas atitudes, as pessoas ao nosso redor e o que sentimos.

Urgentes, somos feitos somente do Agora.

Só não precisa se preocupar se as coisas vão melhorar, porque elas vão, não precisa se preocupar se essa pessoa que você está pensando agora vai lembrar de você pra sempre, porque ela vai e quanto mais ela tentar te esquecer, mais você vai morar dentro dela.

As páginas viram mas continuam escritas.

Sempre lembraremos e pra sempre seremos lembrados. A diferença é que algumas pessoas revelam isso, e outras preferem deixar isso guardado em algum lugar que ela sabe onde está, mas que não precisa visitar sempre.

Não conseguimos lembrar do almoço de ontem mas lembramos da última vez que o nosso coração bateu mais forte.
E somos assim: estranhos, incontroláveis e imprevisíveis.

Deixa o relógio passar, para de ficar querendo que as coisas mudem se você não pode fazer nada, mas queira pelo menos pensar que elas mudem caso incline a pensar em coisas que não te fazem bem.
Deixa o vento bater e levar as experiências; hoje você viveu algumas, amanhã serão outras, e mesmo que forem as mesmas, serão vividas de formas diferentes.

Deixa a saudade voar pra longe como as pássaros fazem ao entardecer do verão. Acredite, eles sabem o que fazem e voam para um lugar seguro, imunes à qualquer ameaça.

Se hoje é saudade, amanhã é lição.

Deixa a saudade ir e você terá pra sempre a lembrança em um lugar que só você conhece.

——
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Queria Te Abraçar, Mas Preferi Outra Coisa

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=BB0DU4DoPP4
Quanto tempo vai demorar pra você perceber que as coisas não vão mudar se você só esperar que mudem?
Será que você está esperando alguém que te prove isso? Ou talvez algo que justifique o marasmo dos dias? Sei lá, qualquer coisa convincente que te faça crer que há um motivo para as coisas estarem como estão, ou vendo diferente, serem como são? Atire a âncora, pare o barco e respire.

Sabe aquelas coisas que conseguem ser ao mesmo tempo boas e ruins? Tipo a chuva, que pode refrescar e alagar? Pois bem, a vida é exatamente igual, recheada de surpresas que fazem nosso coração acelerar de felicidade e acelerar de desespero. Cabe a nós somente respeitá-la e ingênuo é aquele que tenta compreendê-la: “Ah não, faz de tal e tal maneira que dá certo”. Não há receita, não há uma máxima, não há uma verdade. Há a experiência, o passar dos dias, os novos pontos de vistas, as lições e todas as coisas que aprendemos sozinhos com a nossa própria vida.

É bem verdade, não conseguimos viver sozinhos, mas também não podemos ser dependentes. Sós nascemos, sós morreremos. E nesse sentido a importância da autosuficiência sobressai diante de todas as coisas. As pessoas não estarão para sempre ao nosso lado, não teremos pra sempre as mesmas palavras de conforto, os sorrisos não serão eternos, tampouco as lágrimas, nenhum dos momentos.

Sei bem que tem horas que a gente se vê como se fosse a única pessoa do mundo a passar por determinadas coisas. É quando pensamos que nossos problemas são os piores, que os nossos dias são os mais difíceis, que o nosso trânsito sempre demora mais. Pra mim, isso nada mais é do que uma incansável busca por respostas em situações que o que deveria ser feito é aceitar. A gente reclama porque esperamos que resolvam, mas dificilmente percebemos que ninguém vai resolver nada, e nem exatamente por não saberem, mas sim por simplesmente não haver solução.

Faz parte da gente não admitimos a não-solução das coisas.

Pode parecer confuso mas essa a vida que temos e talvez seja confuso justamente porque a gente tenta fazer com que não seja ao invés de aceitarmos que de fato é. São voltas e voltas em que partimos de um lugar e voltamos para o mesmo. E quem disse que isso é ruim?

A mesma mão que te ergueu hoje pode te empurrar amanhã.
Não quero tremular a bandeira do ceticismo, mas é seguro manter um pé atrás diante das pessoas pois elas podem machucar, e muitas vezes até mesmo sem saber. As possibilidades das coisas darem errado nessa vida são enormes basicamente por um motivo: é um mundo repleto de pessoas onde impressionantemente nenhuma é igual a outra, nenhuma é igual à você, apesar de terem pontos em comum, nenhum ser humano é igual ao outro neste mundo. E isso é algo que tem um lado e um ruim (lembra do que já falamos ali em cima?). Nós não aprendemos com quem ainda não aprendeu e sim com quem já passou por algo parecido e pode nos transmitir conhecimento; em geral nos aproximamos daqueles que mais nos identificamos por algum ponto. Eis uma síntese do valor das diferenças entre as pessoas. E indo além sobre as possibilidades das coisas darem errado, posso ousar em definir: dão errado porque não acontecem como o nosso esperado. E aí entra a nossa teimosia, o nosso desejo em controlar as coisas, o nosso até desespero em ter o controle dos dias, como se os céus pudessem controlar a força do vento. As possibilidades das coisas darem certo nessa vida são enormes basicamente por um motivo: por nós mesmos.

A gente esquece que tem horas que precisamos de um furação, já em outras onde uma brisa é o bastante.

Você não se cansa de ser assim?
Quero me colocar no seu lugar e entender como que você consegue deixar a vida correr entre os seus dedos. Em nenhum momento estou dizendo que é fácil, mas eu só queria entender como não há iniciativa. Quanto tempo vai demorar pra você perceber que as coisas não vão mudar se você só esperar que mudem?
As frases de efeito e os seriados na TV não exatamente traduzem o que você está passando, dão uma margem e um ponto de vista bem atrativo, mas não adivinham que você queria o “eu te amo” no fim da mensagem, não adivinham que a sua tristeza é provocada pela falta de iniciativa onde espera que o mundo seja colorido, ao invés de querer colorir você mesmo, com seus lápis e suas cores preferidas.

O seu telefone não vai tocar, não vão mais te chamar pra sair, você não vai mais ouvir elogios, o ônibus não vai passar, um e-mail importante não chegará, do almoço você não vai gostar, a sua roupa não vai servir… Se você não querer o contrário disso tudo. Entenda que não há uma pessoa que possa mudar sua vida e realizar todos os seus sonhos além de você.
Se for o seu caso, reconheça que já tem respostas pelo seu comportamento. Reconhecer não significa concordar e ser passivo diante da conclusão. Se é o teu passado que te afasta do futuro, entenda, só você pode mudar. Se foi uma ferida que não cicatrizou, só você pode curá-la, se foi uma frase que te magoou, entenda, há tantas outras frases esperando que você as ouça. Se você quiser.

Deixa a vida chegar pra você.
Não se preocupe tanto com as coisas que não dão certo e mantenha o foco em tudo que deseja realizar, nos sabores que deseja experimentar, nos filmes que deseja assistir, nos fins de tarde com alguém especial que deseja acompanhar… Traga pra perto os pensamentos que te trazem sorrisos, as lembranças que te aquecem o peito e as palavras que te suspiram.

Que a sua vida seja sua e não de um passado que magoou, de um presente que desespera ou de um futuro que amedronta. Troque o disco, rasgue as páginas, veja diferente e lembre-se que ninguém nunca fará isso por você.

Ninguém nunca saberá o que é melhor pra você além de você mesmo.

Queria te abraçar, mas preferi te lembrar o quão importante você é pra si próprio.

Só não deixa o relógio correr, não dê chance para o “tarde demais”.

A Partir de Agora, Sou Eu

Fiz questão de guardar algumas das fotos que tiramos juntos. Não é nada de especial com relação a você, é que eu gosto de me lembrar das coisas boas que já vivi. Procuro, com muito esforço, transformar qualquer lembrança ruim em algo que me acrescente positivamente.
Desde que ousei em tentar traduzir a dor da saudade em algo que me servisse de lição, comecei a respirar melhor o ar dessa cidade. Muito embora, é bem verdade, vez ou outra me vejo asfixiado diante da sua presença involuntária; vez ou outra sinto a sua mão na minha perna no banco do ônibus. Entendo que tudo isso faz parte do processo de cicatrização, tudo isso faz parte.

Se eu tivesse a oportunidade de te ver de novo, certamente algumas coisas eu não deixaria de falar.
Só que, pensando bem, eu não quero te ver de novo e não é nada contra você, é que simplesmente não preciso. Estou dia após dia seguindo com a minha vida, e ter sua presença de volta de alguma forma só vai me atrapalhar, afinal, eu nunca menti quando disse que não queria que terminássemos, quando chorei na sua frente, quando não, pelo telefone, te pedindo e quase implorando pra pensar direito sobre o que estava fazendo com você, comigo e com a gente. Não foi fácil e palavra nenhuma descreve o que eu passei. O que eu, felizmente, já passei.

A sua lembrança é o suficiente de presença em minha vida.

E é por isso que eu brindo sem ninguém andando pelas ruas por aí. Brindo o amor que sinto por mim mesmo, o quanto eu gosto de mim. Comemoro a maior lição que aprendi com a nossa história: Eu jamais posso gostar de alguém mais do que de mim mesmo. No entanto, é claro que entre uma fala e outra, num auge da sensibilidade, a gente até pode soltar um “gosta mais de você do que de mim mesmo”, isso faz parte, faz parte como o tão esperado dia do “eu te amo”. Há ingredientes que precisam ser colocados na receita de um relacionamento para que ele dê certo, contudo, é preciso lembrar o peso de cada um deles, e eu aprendi muito bem a dosar tudo que eu falo e demonstro. Isso não significa que mudei e me tornei mais calculista, pelo contrário, anseio pelo dia de ter um novo amor confesso, quero dizer que isso faz parte de um amadurecimento, de uma defesa, de uma certeza de quem eu sou. Como diz um escritor que gosto: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem”.

Vivo por uma vida sem excessos, mas respeito a exceção dos excessos de vida.

Olha, foram incontáveis às vezes em que faltou eu clicar no “enviar” para te mandar uma mensagem de saudade. Outras muitas vezes eu dei um toque no telefone só pra ouvir o teu “alô”. Já teve vezes também que tentei forjar um encontro você, já que eu sabia dos teus horários. Era tudo desespero. Eram tentativas pra te fazer entender o tamanho do amor que eu sentia, a força que ele tinha e o valor que eu esperava que desse. Só que foi tudo ao contrário, e novamente, não te culpo por isso. Vivíamos em páginas diferentes de uma mesma história.

Reciclei tudo que ouvi de muita gente, de nichos diferentes, pessoas que você conhece, outras que não, para formar uma opinião oficial sobre o que eu penso do que é o meu amor. Às vezes que me pego infantil lendo o horóscopo procurando algum tipo de refúgio e também, por quê não, alguma previsão de quando o coração vai acelerar novamente, são só vezes em que percebo o quanto de amor tenho a oferecer. Isso se aplica também que me vejo protagonista dos mais melosos refrões. E se eu pensar por esse lado, é absolutamente justo alguém que faça por merecer todo esse meu sentimento. É por isso que eu não beijo outras bocas aos sábados, que não me rendo a encantos recheados de intenções maliciosas. É por isso que estou aqui, seguindo em frente e vivendo a melhor fase da minha vida.

Hoje estou vivendo os dias da forma que eu sempre sonhei. Consigo me planejar, desenho meus sonhos, construo minhas felicidades, divido com quem é capaz de me fazer derramar uma lágrima de sorriso e não por dor. Hoje, eu sou melhor, muito melhor e a tendência, custe o que custar, aconteça o que acontecer, é que eu fique melhor ainda amanhã. Nessas horas me vem a boca um gosto ansioso pelo amanhã que está por vir.

Talvez a gente se encontre de novo em uma livraria qualquer, aí a gente se esbarra com livros nas mãos, deixamos tudo cair, nos abaixamos ao mesmo tempo, nos olhamos e então percebemos quem nos tornamos.

Talvez não.
E eu não vou achar problema.