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Nem Sempre é Só Passar a Mão

Eu queria saber o que passa na cabeça de vocês que dizem ser fácil se revelar pra alguém. Olha, não que seja O Maior Segredo do Mundo™, mas pra mim, não é nada fácil chegar em alguém que eu não conheço e pedir um beijo. Apesar que eu não sou um parâmetro, né? Quando vou em alguma balada com meus amigos – aliás, fazer o quê, eu não sei – eu sempre me assusto com o jeito que os caras chegam nas meninas. E eu sempre me assusto ainda mais com o jeito que algumas delas acham normal isso. Tipo, é aquele negócio de puxar pelo braço, trocar meia dúzia de palavras e dar um beijo. E eu vejo isso pensando: “Como é fácil!”. Aí todas as vezes que eu tentei algo parecido – aliás, pra quê, eu não sei – eu nunca me dei bem. Teve uma vez que segurei uma garota pelo braço e ela gritou como se eu tivesse batido nela. Oi? Teve uma outra vez que até consegui ir além: me aproximei, toquei no braço dando a entender que eu queria conversar – aliás, aprendi que muito da magia está em ‘dar a entender’, né? – aí ela voltou perto de mim pra ouvir melhor o que eu tinha pra falar. Aí eu já tentei beijá-la e sabe o que ela fez? Isso mesmo: não fez nada. Ela só desviou e foi embora. E claro, como esquecer, teve aquela incrível vez que após conseguir conversar com a garota – aliás, nem lembro como começou – nessa ida e vinda da conversa cheia de assuntos randômicos do tipo: “Ah legal, e você gosta de cachorro?” – Po, não é normal perguntar isso? – Sei lá, mas eu queria saber mais dela. Aí quando perguntei ela respondeu algo que eu não entendi, então tentei me aproximar pra ouvir melhor e acabei derramando bebida na roupa dela.

Ela ficou bem brava. Disso eu lembro.

Mas pra não ser injusto com as baladas, também aconteceram coisas parecidas comigo em outros lugares.
Tinha uma garota do trabalho que eu estava meio ~gostandinho~, sabe? Sabe aquele gostar timidamente, só trocando um olhar aqui e outro ali e uma porção de “bom dia”? Então, tipo isso.

Ela era bem bonita! E como.

Na verdade não como eu fantasiei depois de conhecê-la melhor, mas como eu também não sou nenhum astro do cinema, fica elas por elas.
Então, nessas de se olhar aos poucos um dia a gente saiu juntos do trabalho.
Embarcamos em um lindo e maravilhoso romance depois das 18hs num trem que tinha todo tipo de pessoa, menos as educadas àquela hora, e também, que tinha todo tipo de cheiro, menos algum bom. Até aí beleza né, ela sabia que eu não tinha culpa. Aí durante a viagem, já fazendo baldeação entre uma estação e outra vi que a conversa ia muito bem, obrigado. Vi que ela mexia nos cabelos mais vezes que as mulheres que trabalham comigo costumam mexer, e construí pra mim a tese de que isso é uma demonstração de charme das mulheres. Reparei também que ela não estava muito preocupada em chegar logo em casa, dada a velocidade com que praticamente se arrastava andando até o acesso do metrô.

O único atalho para os sonhos se realizarem mais rápido é a ansiedade.
E isso não significa algo positivo.

Eu tinha praticamente certeza que “ela estava na minha”, aí claro, comecei a jogar um charme. (qual a chance?)
Sei lá, comecei a andar de um jeito mais, digamos, sofisticado, e trouxe para os assuntos várias coisas legais que seria legal fazer na vida. E que eu nunca fiz. Ela pareceu super animada com a ideia de esquiar e a minha sorte é que passei uma baita veracidade porque eu tinha visto um programa sobre esqui um dia antes.
Bem, percebei que eu precisava definir essa situação de alguma maneira, que eu precisava falar com ela e já logo tratar de beijar aquela boca até que:

“Me empresta R$ 3?”

Foi o que ela me perguntou. Naquela hora eu queria tudo, menos ter três reais.
Mas eu tinha.

“É que esqueci de carregar o bilhete do metrô e estou sem dinheiro aqui, só com cartão. Aí fiquei com vergonha de te pedir antes… Viu como eu vim andando devagarzinho? Hihi”.

Então ela queria o meu dinheiro – poxa, quanto hein? – e não EU MESMO.
Emprestei, passamos pela catraca, e como na vida de pobre toda desgraça é pouca, ela beijou um cara logo depois.

“Esse é meu namorado!”.

Bem, acho que eu nem preciso continuar, né?
Pois é, agora me diz, como é que eu posso provar pra uma garota que o quero vai além de passar a mão no bumbum dela? – Não que isso não seja bom e não que eu também não queira isso. Tipo, como eu vou aprender a “dar ideia” numa garota se eu gosto tanto de conversar sobre a vida e todas as coisas malucas que a gente vive? Sem contar dinheiro, como é que eu vou chamar uma garota pra jantar se o dinheiro que eu tenho só é capaz de pagar meia tigela de açaí?

“Ah, mas a garota ideal não liga pra essas coisas, ela se importa com você!”

AH VÁ. Vai contar isso pra qualquer outro, menos pra mim.
Qual a chance de eu tentar qualquer convite, qualquer aproximação se eu não tiver um dinheiro pra pelo menos bancar o “rolê”? É bom esclarecer: não que as garotas sejam interesseiras, mas é uma questão de segurança, de ter ali uma reserva pra poder sugerir coisas divertidas.

Por isso que não me entra na cabeça como as pessoas se beijam assim tão fácil. E transam.

Ou as coisas estão difíceis demais.
Ou as pessoas estão dificultando demais.
Ou eu estou fazendo o que é fácil ficar difícil demais.
Ou todas as coisas.

Mas devo falar, minha vida até aqui não é só de insucessos, HEHE.
Teve uma garota que conheci pela internet =P Aff, que mina! Digo, que garota!
A gente conversava bastante. Eu curtia as fotos dela e ela as minhas. Inclusive antes da gente se conhecer, fui no instagram dela e curti várias fotos antigas.

Para boa entendedora uma curtida basta.

Fui me fazer presente, né?
Aí rolou aquela troca de curtidas, até que nos adicionamos e começamos a conversar.
Depois de dias, finalmente marcamos de nos encontrar no shopping. Guardei dinheiro e fui preparado.
Nos vimos e o abraço foi daqueles bem gostosos, que a gente não quer largar.
Ela sugeriu que a gente fosse pra um banco mais afastado pra conversar melhor. Aceitei.
Chegando lá, sentamos, sem falar nada nos beijamos e ela levou minha mão até o bumbum dela! #sonhorealizado #atitude. Aí entendi o recado e tentei fazer o mesmo, só que aqui no meu, como eu posso chamar… aqui na minha parte mais sensível…(?)

E sabe o que ela fez? Isso mesmo: nada.
É que eu não deixei, segurei a mão dela e continuamos nos beijando.

Eu queria saber o que passa na cabeça de vocês que dizem ser fácil se revelar pra alguém, pois nem sempre a intenção é só em passar a mão.

Tudo isso pra falar que não dá pra saber se a gente vai perder ou ganhar, mas a gente sempre pode tentar e se permitir.

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Um Tapinha Nas Costas Pra Evitar Um Tapa Na Cara

“E quando vai dar certo, afinal?”
É a pergunta que gritamos arrancando os cabelos  quando uma nova história não sai da forma como você imaginava que seria. A vida não tem controle remoto, sabia?
A vida é caprichosa e quando a gente tenta manter o controle das coisas ela vem e nos faz alguma surpresa, de algum tipo de maneira, sempre com um objetivo: fazer a gente crescer.

Por piores que possam ser, as coisas não dão errado só para você, acredite.

É que é tão mais fácil reclamar, né? Claro que é.
É só o mundo sair do eixo que a gente sai esbravejando como se as respostas aparecessem num piscar de olhos, ou então, a gente sai procurando resposta em tudo quanto é coisa. São nesses momentos que o horóscopo no metrô começa a fazer sentido, bem como os refrões que nunca reparamos. Essas coisas acontecem pra lembrarmos não somos os únicos a viver as coisas que vivemos, que tem gente que vive exatamente igual ou pior.

Tem gente que tem muitos mais motivos pra reclamar do que a gente.
E mesmo assim, não reclama.

Você costuma ler os manuais de como usar os produtos que compra? A vida é tipo isso, a gente não gosta de ouvir umas verdades, acha tudo uma chatisse, mas sabemos que no fim faz sentido, há razão. Tipo os manuais de como usar. Eles explicam tudo que a gente faz questão de aprender na teimosia.

Não existe cartilha pra viver, existem experiências que servem para embasar novas formas de viver. Por isso gostamos tanto dos nossos amigos. Eles nos trazem – ou pelo menos deveriam – valiosos e diferentes pontos de vista sobre a chuva que a gente transforma em tempestade. E a gente faz – ou pelo menos deveríamos! – o mesmo quando eles precisam da nossa ajuda.

Ao invés de se torturar ao ver que as coisas não tem dado certo, começa a pensar que isso significa que algo muito melhor está por vir.

As novidades chegam pra gente valorizar cada sorriso e cada lágrima.

Não queira pensar que os últimos beijos que tem dado consolidam algo bom que está por vir. Não necessariamente. Na prática, foram só beijos. Ao mesmo tempo, os beijos que você não tem dado não significam que algo pior está por vir. Na prática, é só a fase que não é boa.

O que pode te ajudar a imaginar o que virá, são as atitudes que você toma em toda a sua vida, no exemplo, a forma que conseguiu aqueles teus melhores beijos. Explicando: Vamos concordar que um beijo já teve muito mais valor que tem hoje, e isso por si só já responde muita coisa.

Logo, mais importante que o resultado é o caminho que você fez até ele.

Você deve semear o amor que deseja colher.

Quando a gente vive tentando prever o futuro, a gente vive menos o presente.
Sabe na escola quando a gente aprende que numa redação tudo tem que ter “Começo, meio e fim?” Então, esta é uma das aulas que mais precisamos prestar atenção, é uma aula que derruba aquela frase que a gente sempre diz: “Eu vou usar isso na vida?” Sim, esta lição você vau usar. Tudo na vida segue essas regras de começo meio e fim, o que muda é a duração. Por isso que namoros que parecem de cinema duram 2 meses e histórias desacreditadas rendem longos casamentos.

Dentro de tudo isso existe o quanto gostamos de nós mesmos.
Gostar de si não significa acumular dívidas torrando o salário para comprar roupas para desfilar na balada ou bens para exibir na internet, significa dar o melhor para ter reconhecimento no trabalho e nos estudos, e aí poder desfrutar do seu esforço, do seu mérito, com coração e alma limpa.

Não que deva ser uma religião pensar que as coisas são interligadas, que uma coisa tem influência com a outra, mas a pessoa mais bonita que você já beijou não apareceu por acaso. E esta é uma linha interessante de raciocínio. O dia daquele beijo foi a recompensa da vida por algo que você fez ou por algum comportamento seu. Sendo assim, dá pra gente acreditar que somos fundamentalmente responsáveis pelas coisas que vivemos.

O nosso problema é que não temos paciência pra dor.

Por isso existe gente que tenta enganar o coração se afundando em goles pelas noites, nas altas velocidades pelas ruas, entre outras coisas. Queremos resolver tudo rápido e pra ontem, queremos chutar a bola pra frente ao invés de deixá-la rolar, queremos rasgar as folhas do calendário, queremos logo o próximo amor, como se o querer fosse poder.

Quanto mais desesperados somos, mais risadas a vida dá da nossa cara.

“E quando vai dar certo, afinal?”
Essa pergunta deve ser substituída por “E quando vai dar certo, de novo?”, afinal, todas as histórias que vivemos, curtas ou longas, são histórias que deram certo. De repente não como esperávamos, mas que deram certo enquanto duraram. E não é vergonha se sentir uma pessoa injustiçada, ainda mais se a maré não é boa. É nesse pensamento de injustiça que está a grandeza e toda a força para virar a página. É dentro do poço que está a força pra sair de lá. É na impaciência do semáforo vermelho que está a beleza da cidade. É no salário que você considera injusto que está a sua motivação por um melhor.

Quando reclamar que as coisas não dão certo, tenta lembrar que ao invés de viver atrás da felicidade igual a você, tem gente que vive atrás de força pra continuar tendo uma vida igual essa que você reclama.

Fica bem,
ocupe o espaço da saudade com frases de efeito em frente ao espelho.

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Afinal, o Que Falta pra Gente?

Já que eu não posso voltar no tempo, fico aqui todo dia usando toda a minha força pra pensar como eu faria diferente se você me ligasse de novo, se você me chamasse pra dar uma volta qualquer, sem motivo especial, só por dar uma volta. De novo.
Me torturo em silêncio e longe de você porque recusei todos os seus convites, dos mais ousados aos mais simples. Em pensar que faz tanto tempo que não vou ao parque… Neguei acreditando que teriam outras oportunidades, que você poderia me esperar e mais, neguei porque eu não queria cancelar meus planos já definidos em todas as vezes que me convidou. O curioso de tudo isso é que se eu parar pra lembrar nas coisas que fiz nas vezes que, sei lá como dizer, te “dispensei”, vou perceber que não fiz nada que realmente fosse especial a ponto de me fazer levar pra vida.
E pode até não parecer, mas eu procuro fazem coisas que me sirvam de algo, não vivo pelas mesmices, tão menos sobrevivo com migalhas. Gosto de coisas inteiras e de histórias capazes de se tornar lembranças pra compartilhar depois. Tudo que faço na minha vida eu vejo dessa maneira. E lembro que exatamente todas as vezes em que não quis sair com você, os “rolês” não me renderam nada mais que novos buracos na minha já esburacada conta bancária.

Só que agora eu me vejo aqui, sem perspectiva de nada interessante para fazer, sem vontade de aceitar os convites que recebo, sem vontade de sair de casa.
Eu só fico pensando nas vezes em que eu te disse “não”.
Acho que você ia estranhar se eu te chamasse no chat pra conversar agora. E mais que isso, tenho medo de você usar da frieza pra falar comigo – justa, eu sei, com seus motivos – mas tenho medo de não conseguir dizer que eu só quero aceitar um convite antigo seu.

Das pessoas que contei sobre os convites que me fez, ouvi dizerem que eu deveria ter aceitado um ou outro e que mesmo depois de recusado, eu poderia ter mandando uma mensagem agradecendo e dizendo que a gente poderia marcar uma próxima vez. Teve gente também que disse que fiz a melhor coisa, afinal, que coisa mais chata passar a tarde de sábado no parque, né?

Mal sabem o quanto eu gosto e o quanto eu sinto saudade de fazer isso, e mais, mal sabem que só não faço isso porque não recebo convites do tipo.

Eu errei e deixei as oportunidades saírem das minhas mãos. Acho que não faz sentido eu pensar nisso agora, você deve estar fazendo alguma coisa legal por aí com alguém igualmente legal, sei lá, e na verdade até quero que esteja, quero que esteja se divertindo.

Eu sou total responsável pelas coisas que não acontecem na minha vida.
Faz parte. Mas…

(…)

Eu tenho todos os motivos pra não dedicar nenhum segundo da minha vida pra você; não mover um dedo, não dedicar um pensamento. Mas tem horas que isso não dá tão certo assim e me vejo querendo falar com você de novo e de novo. Que coisa estranha. Das pessoas que dividi essa minha situação, ouvi dizerem que o problema é que eu me apego demais e muito rápido e que isso além de sufocar as pessoas, sufoca a mim mesmo, então, eu preencho os espaços vazios na minha cabeça com possibilidades que não passam de possibilidades.
Não foi uma nem duas vezes que te chamei pra dar uma volta pela cidade. Se eu tivesse mais dinheiro, certamente o convite seria mais sofisticado e eventualmente irrecusável. Uma famosa peça de teatro e um jantar em um restaurante de pompa seriam opções, só que tudo o que eu tenho a oferecer pra você e para quem quer seja sou eu mesmo.

Às vezes leio o histórico das nossas conversas. Pode parecer meio deprimente, mas me faz bem rever algumas coisas que já disse e todos momentos de risada que já demos pelos motivos mais bobos, eu revivo e rio de tudo de novo como se fosse a primeira vez.

Eu queria me sentir confortável de te convidar mais uma vez pra sair. E essa é uma das coisas que meus amigos não podem saber, porque nas vezes que eu só mencionei essa possibilidade, tive dedos apontados para o meu resto como se eu estivesse falando a pior das coisas. Entendo eles e vendo de fora, provavelmente eu falaria e faria algo parecido. Tem aquele discurso pronto sobre humilhação e de amor próprio, né? Sei como é.

Por isso que algumas coisas que eu vivo procuro guardar pra mim, assumindo todas as consequências de darem certo ou errado, prefiro guardar pra mim.
Se eu me sentisse a vontade de falar com você de novo eu te contaria um segredo: tenho guardado dinheiro pra poder pagar o táxi na sua volta pra casa. Dia desses perguntei para um taxista quando daria de tal shopping até a sua casa, ele me falou mais ou menos e a partir daí resolvi poupar um dinheiro. Melhor seria se eu tivesse um carro, com alguma música agradável, tudo ficaria mais gostoso e divertido, mas infelizmente ainda não é o caso. Então, por enquanto, eu tento me virar como posso e acho que você vai gostar de voltar pra casa de táxi ao invés de metrô e ônibus.

Olha que coisa doida, tenho feito planos pra quando sairmos sem mesmo ter te feito um novo convite. É que eu quero me preparar para a próxima vez, não quero ganhar mais um “não” pra minha coleção.
Depois das vezes em que tentei e não deu certo comecei a pensar em como eu estava fazendo. Notei que eu estava ansioso demais. Notei também que convites para o cinema e passeios pelo parque não são assim tão irresistíveis como em tempos atrás. E ninguém tem culpa disso, as coisas mudaram bastante e eu que fiquei estacionado no tempo.
Por isso tudo e pelo meu medo de errar de novo, estou me organizando para quando eu tiver coragem de te chamar pra sair mais uma vez. Ah, é verdade, enquanto pensava nas vezes em que não deu certo, me veio a mente que você recusava por pensar que em todas elas eu ia tentar algo com você, talvez um beijo roubado ou uma mão a mais. E olha, vou confessar que você é sim absolutamente atraente e vou mentir se eu disser que não sonhei com a possibilidade de acontecer algo, só que antes de qualquer pensamento desses eu sempre imaginei no quanto seria agradável a gente sair pra conversar sobre os pontos de vista que temos das coisas.

Em todas as vezes que você me disse “não”, eu só queria um “sim” pra aprender com você.

Mas tudo bem, é passado, são coisas que não voltam.
Vi no celular que faz um tempinho que não trocamos mensagens, acho que essa é uma boa hora para te mandar um ‘oi’ qualquer, aí, quem sabe, se eu tiver alguma coragem, te convido pra fazer alguma coisa.

Pelo menos a sua volta pra casa estará confortavelmente garantida.
Eu tenho passes de metrô pra mim.

A Fila Corre e Eu Comemoro

Teve uma hora que não tive dúvidas de que esse ano seria o pior da minha vida. Já fazia um tempo que andava meio desmotivado com meu trabalho, mas isso até que dava pra levar. Eu só não contava com o mundo ficando de cabeça pra baixo da noite pro dia. É até meio difícil de lembrar agora como foi… No entanto, fugir do que vivi não vai apagar da minha história, né? Foi assim, eu estava construindo uma história muito especial com uma pessoa, até então, muito especial também. Tudo corria bem e os planos pareciam cada vez mais reais.

Vai ver foi exatamente aí onde nasceu o erro, quando as coisas ficaram sérias demais e ficamos sem tempo pra sonhar. Vai saber.

A gente vivia bem e eu não me importava em gritar pro mundo o quanto eu gostava dessa pessoa. Cheguei ao ponto de colocar uma foto nossa no meu perfil pessoal nas redes sociais. Sabe aquela coisa de gente incontrolavelmente apaixonada? Blergh, “apaixonada” é uma palavra muito estranha, mas enfim, coube aqui.

O tempo foi passando, e mais do que sentimento, dediquei dinheiro em algo que pra mim parecia muito honesto e definitivamente sincero – não vem ao caso explicar no que, mas aí o mundo girou e caprichosamente tudo mudou. Na verdade, você mudou e tudo, absolutamente tudo que estávamos caminhando para construir ruiu. Literalmente ruiu.

Olha, não foi fácil não. E só eu sei tudo o que se passava na minha cabeça toda manhã no metrô indo para o trabalho. Lembro bem de como foi ter que trocar a tal foto do perfil e ter que de uma vez enterrar aquela lembrança. Minha última pá de areia nessa história toda foi algo que está na minha pele e vai ficar comigo pra sempre, algo que representa um sentimento que gritou em mim e que hoje me guia onde quer que eu vá.

Demorou, mas eu renasci e escolhi viver de novo. Eu me permiti ser feliz outra vez.

E no lugar onde eu menos esperava e contava com alguma mudança, você apareceu. Eu nem quero entrar em detalhes de como aconteceu, só quero deixar claro o quanto você me faz bem e também quero dizer que você nunca vai entender o quanto é sério quando digo que apareceu em minha vida no momento em que eu mais precisava de um refúgio pra encarar tudo que estava por vir. Sei que é meio clichê e que no começo é sempre assim “ah, você é incrível”, “ah, que bom que apareceu” e etc. Só que assim, por favor, entenda e acredite, eu não brinco quando digo que você mudou completamente a minha vida.
E hoje eu comemoro nossa volta pra casa depois de um dia longo de trabalho. Hoje te espero na saída pra gente andar de mãos dadas no metrô das 19h.

Você trouxe de volta pra minha vida toda aquela vontade de viver que pensei ter perdido meses atrás. Em pensar que considerei a possibilidade de abrir mão de tudo e fugir sozinho… Só depois consegui entender que se eu sofri em todos aqueles momentos que passei, é por quê eu tinha que me preparar para te encontrar, eu tinha que estar pronto para encontrar uma pessoa pronta pra mim, sobretudo, diante de tanta coisa ruim que me aconteceu, eu tinha que me permitir recomeçar e foi exatamente isso que você me inspirou a fazer. Sem dizer muita coisa, só com o teu jeito que eu sinceramente nunca tinha reparado assim, digamos, de uma forma especial. Você conseguiu chamar a minha atenção sem precisar fazer isso, sabe? Talvez seja aquilo que dizem de “destino escrito”, né? Sei lá, é até engraçado começar a pensar no por quê das coisas terem acontecido, sendo que o que importa de verdade é que aconteceu e que hoje eu posso dizer estou vivendo uma felicidade inédita.

Você está me ajudando a viver diferente. E é tanta coisa boa que temos vivido e que eu tenho pensado pra nós, que olha, eu não consigo me lembrar da vida antes da sua presença.
Hoje eu sou melhor e a tendência, com a sua ajuda, é que eu seja ainda mais. Prometo que se depender de mim você não vai precisar mais procurar um novo motivo pra te inspirar ser feliz. Eu quero ser o seu único para o resto das nossas vidas.

É que teve uma hora que não tive dúvidas de que esse ano seria o pior da minha vida.
Aí você apareceu.
E então comecei a gostar da ideia de me surpreender com essa tal vida.