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Esse Negócio de Felicidade Não Está Com Nada

E sério que você ainda cai nessa?
Fico até pensando que estou fazendo maldade de verdade quando você não entende minhas brincadeiras. Fica tranquila que quando eu digo que não estou com saudades é quando eu mais estou; quando eu digo que quero um tempo pra mim é quando eu mais quero um tempo pra nós dois.

A gente teve que aprender com a distância que o melhor pra nós dois seria mesmo tentar até que nossos corações parassem de bater. E é assim que temos seguido desde então.
Não foi fácil ter que fazer sozinho as mesmas coisas que a gente fazia juntos. Procurei focar nas minhas coisas e na minha vida, só que eu percebi a influência que você tem nela e em como eu consigo ser uma pessoa um pouco mais, digamos, responsável, com você ao meu lado. Tipo, pra me lembrar que estou gastando um dinheiro que não posso. Brincadeira, eu pensei em muitas outras coisas.

Só não te dou mais amor porque eu não tenho mais pra dar.

Então eu te faço cócegas, o que na prática significa a mesma coisa.

Porque é quando a gente está pertinho, numa noite de frio, sob o edredom quentinho, com um filme na TV é quando eu agradeço à vida pode me dar a oportunidade de viver uma história como a nossa.
Comecei a ver nos seus defeitos as respostas para muitos dos meus. Por exemplo, entendi que até que sou uma pessoa paciente, só não tanto pra te esperar trocar de roupas 300x quando a gente marca de sair; sou uma pessoa muito sensível, só não entendo quando você insiste tanto pra eu falar no diminutivo igual você, quando vê bebês nas ruas. Sei lá, eu gosto de fazer o mesmo, só que com filhotes de cachorros.
Tudo bem que eu não gosto tanto de dobrar as cobertas quando a gente acorda, ou de ter que sorrir para as 9878941 pessoas da sua família nos almoços de domingo, mas acho que são coisas absolutamente toleráveis. Não é algo assim tãããão grande, pra você chamar de defeito e tal, né? Hihi

É na falta que um faz ao outro que a gente vê se estamos fazendo a coisa certa.

Somos deliciosamente diferentes.
Apesar de aparentemente bem parecidos.
Eu que não sou louco de tentar fazer as contas das vezes que já perguntaram se éramos irmãos.
Até entendo as pessoas fazerem essas perguntas, pois não é comum ver um casal que não fica se esfregando na frente de todo mundo, que não fica mostrando a língua para o shopping inteiro e que não fica de mimimi nas escadas rolantes. A gente faz as mesmas coisas, só que do nosso jeito.

A gente prefere ir vivendo de uma forma que nos traga mais sorrisos do que uma vida falsa de felicidade passageira.

A felicidade não é uma conquista, é um estilo de vida.
Tem gente que tem pouquíssimos motivos pra comemorar mas ainda assim tem força pra exibir o melhor dos sorrisos.

E dentro do nosso estilo de vida, cheio de risadas de doer a barriga e comidas gostosas em lugares novos, que a gente vai construindo a nossa história, totalmente passível de ajustes e correções.
Vejo as pessoas falando por aí que o que mais sonham é “encontrar alguém e ser feliz”, como se essa tal de felicidade fosse um objetivo a ser alcançado, e que depois disso, é só relaxar e curtir os privilégios de uma vida feliz. Sei lá, eu pelo menos não concordo muito com isso.

Tento fazer a minha parte pra gente manter uma regularidade de boas fases em nossa relação. Não tem por quê eu não tolerar que a gente discuta sendo que isso é uma coisa normal, mas do contrário, eu não gosto que a gente estenda muito os efeitos das discussões. E nisso, nós concordamos.

Nos momentos de fraqueza em que criei alguma dúvida sobre o nosso futuro, me apeguei em todos os bons momentos que a gente viveu e com base nisso, todos os melhores ainda que a gente pode viver. Daí, usei um pouco desse meu cérebro e percebi que seria bobagem fazer a loucura de abrir mão do seu sorriso de saudade e da sua mensagem de “chega logo”.

Não que você seja uma pessoa perfeita, mas você tem pra mim os mais perfeitos pontos positivos capazes de me fazer uma pessoa melhor.
Por isso eu não me preocupo muito em sair por aí falando que sei o que é felicidade, especialmente que para pode dizer algo do tipo, preciso estar com a vida 100% e assim nunca estamos. Prefiro me esforçar em ser uma pessoa feliz e com isso te fazer uma pessoa mais feliz.
Esse negócio de felicidade existe só pra vender presentes caros.
Não que eu não goste deles, mas isso é outra história.
Felicidade é uma coisa, ser feliz é outra.

Me Dê Motivos Para Não Generalizar

Todas tem seus nomes.
Eu lembro de cada uma das pessoas, do nome de todas, de todas as expressões, de todos os tons de voz. Eu lembro de cada pessoa que fez com que eu derramasse uma lágrima injusta enquanto eu me esforçava para dar o melhor dos meus abraços.

Isso é algo que nunca vou esquecer.
E pensando bem, me faz tão bem arquivar as histórias que vivi ao invés de encontrar alguma maneira de simplesmente deletar da minha vida.

Eu preciso me lembrar que sofri para aproveitar quando eu for feliz.

Só terei a companhia das minhas experiências e de todas as ocasiões que exibi o melhor dos meus sorrisos, elas sim viverão para sempre comigo, agora todas as outras ocasiões contrárias não passam de motivos para me lembrar que eu não devo acreditar tão cegamente em um coração que não seja o meu. E isso não quer ser que eu desconfie do coração alheio. Eu só preciso me priorizar.

As sextas-feiras que alguns comemoram quando chegam, pra mim não passam de um novo dia em que é celebrado algo que eu não tenho, um dia em que eu vou escolher uma poltrona no cinema, ao invés de duas. E a merda é que hoje eu penso assim por causa das pessoas que impiedosamente pisaram nos meus sonhos e em todas as pequenas coisas que eu sempre valorizei.
Ninguém sabe o quanto eu torço para que as pessoas que vivem o privilégio de passear pela avenida de mãos dadas nesses dias tão esperados saibam valorizar isso. Se eu pudesse, ah se eu pudesse… Pararia cada par de pessoas que vejo nas ruas só pra falar: “Não deixem isso morrer, não deixem que agridam o sentimento de vocês! Cultivem pelo outro o que gostaria que cultivassem por você”

Só que eu não passo, então eu escolho um lugar para jantar e esperar as horas correrem.

Aquelas pessoas que mencionei nas quais me fizeram mal, cada uma delas, são responsáveis por eu custar a acreditar em sorrisos amarelos.
Plantaram em mim uma preguiça em acreditar em alguém.
Pode soar bonito quando a gente assiste nos filmes, mas eu posso dizer que não é algo à ser comemorado quando se vive de segunda à segunda.

Só que talvez, no fim das contas, eu tenha me acostumado de um jeito errado.
Inclusive, ultimamente tudo que eu quero é acreditar que as pessoas não são o lixo que algumas se mostraram ser pra mim. Quero acreditar que os sonhos que construí ao longo dos anos ainda podem ser reais e que ninguém é capaz de me fazer fraquejar. Eu juro que eu quero. Por isso eu me dou uma chance todos os dias.

Se eu levanto da cama, é porque eu quero que o dia seja diferente.

E as chances que me dou são as mesmas que dou à todas as pessoas. São as chances que dou aquele que me cumprimenta com um “bom dia” por etiqueta, por aquele que me empurra antes de entrar no transporte público e por aquele que diz que o fato de eu ver as coisas de um jeito meu significa um defeito.

Todos os dias eu pisoteio problemas para manter acesa em mim alguma chama de dias melhores.
E as palavras que me trazem um saudoso sorriso, bem como as melodias que me fazem suspirar, servem de abrigo nos momentos em que eu me vejo na ausência de uma mão estendida.

Eu não quero acreditar que as pessoas são iguais. Eu juro que não quero conhecer uma pessoa e pensar “acho que não vai dar certo”, ou acabar me limitando de ser quem eu sou com um medo de tentar.

Quanto maior o medo de tentar, maior a distância de conseguir.

Se eu não tenho em mãos alguma cartilha com respostas na última página sobre como viver, o que me resta é arriscar e permitir que novos braços se tornem novos abraços.

A felicidade que eu desejo pra mim é melhor aproveitada se for vivida por dois.
Vou seguindo me dando chances e dando chances para me convencer que eu devo voltar a acreditar.

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