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Sobre os Motivos Para Reclamar

Você foi mesmo.
Quando eu menos esperava, tive que me conformar com o fato de te ver indo embora.
Nessa vida tem as coisas que a gente quer viver e as que a gente precisa. Só me coube aceitar.
É ruim de te ver de longe e não poder mais sentir o seu cheiro.
Também é muito complicado pra mim fazer algumas coisas que a gente fazia juntos. Ainda não superei e não adianta fingir o contrário. Pelo menos comecei a entender que eu só ia começar a viver melhor com a sua ausência, no momento que eu me permitisse ser alguém melhor, no momento que eu lembrasse que eu dei melhor, no momento que eu aceitasse que durante o nosso tempo você foi o melhor pra mim.

A gente não pode fugir de nós mesmos.

Ainda bem que eu nunca tentei isso.
Mas ouvi muita coisa de algumas pessoas. Ouvi receitas de como passar por essa sem sofrer demais, dicas de como esquecer algo rapidamente, e etc. Não fiz nada do que me indicaram, porque percebi que em todas essas coisas eu não seria eu mesmo, em todas essas coisas que eu seria o que gostariam que eu fosse. E isso não ia me trazer os sorrisos que me fazem melhor.

É difícil lidar com a saudade quando chove nessa cidade.
Não é tarefa fácil manter o equilíbrio quando o que a gente vê ao redor são centenas de casais felizes com motivos para celebrar os dias de chuva. E aí a gente tem que voltar para casa lidando com o metrô de sempre, com os fones e os refrões de sempre e com a nossa imagem de sempre refletida na janela. Sem ninguém pra conversar.

Só sabe o valor da dor aquele que se permitem senti-la.
Pois fugir dos maus momentos não vai fazer com que os bons cheguem mais rápido.

Eu sei de tudo isso, só estou dizendo que não é fácil.
A gente começa a se perguntar um monte de coisa, né?
É normal a gente começar a falar que ninguém presta, que a vida não é justa e que não nascemos para a felicidade mesmo. Isso são só tentativas de defesa; tentativas de amenizar os efeitos da dor procurando em outro motivo a resposta pelos nossos dias “mais ou menos”.
Só que o problema vai além de uma fase ruim.

Pior do que não ter alguém para fazer feliz é não sermos felizes com nós mesmos.

Eu sei disso também.
Só que é complicado ver o sol quando a gente está no fundo do poço. E cada um tem o seu próprio poço, com a sua própria profundidade. Não cabe espaço para julgamentos.
A luta é contra a saudade.
A saudade é uma lombada que existe na estrada da vida. Não adianta querer passar de pressa, acelerando ainda mais. O negócio é aceitar que é preciso reduzir a velocidade e passar devagar, pois do contrário, os danos serão ainda maiores.
Parece que tem horas que essa merda de saudade não vai me deixar viver nunca mais.

Se eu te visse de novo talvez eu nem ia conseguir falar nada, porque ultimamente tenho me afogado em tudo que eu teria pra te contar; dentro de mim transborda sentimentos demais.

É fácil dizer que as coisas não andam bem, difícil mesmo é reconhecer que já foram piores.

Já tive dias que pensei que não resistiria até a noite.
E isso, por si só, já é um motivo para comemorar, visto que hoje eu já consigo tomar café sem a companhia da sua voz no meu ouvido. E tenho conseguido mais coisas. Já me afeta menos ouvir o nome das bandas que você gostava.

Tenho lido coisas sobre pessoas que se encontram de novo.
São valiosos pontos de vista que não me influenciam, mas me lembram que eu nunca estou com 100% de razão e que sempre existe tempo para aprender um pouco mais.
Acho que eu gostaria de te ver de novo só pra saber se continua a mesma pessoa.
Queria saber se ainda tem as mesmas manias; se ainda dorme com a TV ligada e se ainda deixa a toalha molhada jogada no sofá.

Só que hoje eu não posso fazer nada.
Não fui eu que quis assim.

Lembro da gente conversando sobre o futuro.
A gente falava de como seria legal ter uma casa pra morar, mas que se isso fosse difícil demais de conquistar, já ia nos bastar ter uma nuvem lá no céu.
Pena que não mais nesse mundo, só que mais pessoas ainda precisam conhecer o jeito que você dá risada, agora, aí em cima na nossa futura casinha.
Eu fiquei por aqui com os nossos sonhos e a nossa vontade de fazer alguma coisa pra esse mundo ser melhor, já você, você foi mesmo.

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Sou Eu, Não Repare a Bagunça

Eu já quis as coisas rápido demais.
Já quis ser indubitável, já quis os fins de semana sem aproveitar a minha semana.
Hoje eu só quero a paz de poder dormir sem dor.
Se a gente parar pra pensar, embora não tenhamos ainda todas as coisas que sonhamos, já é vantagem não termos motivos pra reclamar, e mais, já é muita vantagem não aumentarmos os motivos se caso tenhamos.

Não dá pra gente ignorar fatos, mas dá pra gente viver tudo de um jeito diferente, afinal a mudança começa por dentro da gente.

Toda a pressa que eu já tive de viver um monte de coisa nunca me fez viver mais rápido.
Tudo que a nossa vontade menos precisa é de ansiedade.
Pode acreditar quando te dizerem que você é o seu pior inimigo.
De todas as coisas que a gente tem pra acreditar nessa vida, a melhor escolha é sempre nas coisas boas.

Hoje eu quero deixar a saudade no lugar dela: no passado.
Mas assumo ter a fraqueza em não resistir a um sorriso gratuito ou uma palavra inteligente soando como música ao meu ouvido.
Não que eu não tento ser forte, mas a vontade de ter um motivo pra me render é maior que a vontade de policiar.
A gente dificulta e facilita sem saber. O que a gente fez ontem pra facilitar pode ser hoje um motivo pra dificultar, e vice-versa. Isso justifica o que dizem sobre não existir regras pra viver.

É claro que eu queria uma mensagem gentil antes de dormir, mas já está de bom tamanho ter a certeza de que vou conseguir dormir.
Os olhos veem o que o nosso coração deixa ser visto.
Eu voltaria atrás e pediria uma porção de desculpas a mais; também voltaria pra dizer mais vezes o quanto eu gosto; voltaria pra ter mais atitude em situações em que não tive nenhuma. Mas nada voltaria como eu gostaria.

É bom deixar o calendário correr sem querer rasgar as folhas.

Eu também já fui devagar demais.
Eu nunca fui bom em entender sinais e talvez por isso eu acho que perdi algumas oportunidades nessa vida. Quando não foi pior: quando pensei ter entendido um sinal mas na verdade não passava de algo que não precisava ser compreendido. E então a confusão se fez.

A vida é um motor sem freio e sem acelerador,
é bobagem tentar controlar, tentar se apressar ou se forçar viver mais devagar.
Damos a partida a cada piscar de olhos e aí só vamos escolhendo as curvas pela frente.

Acho que eu já fiz gente sofrer demais.
E sem querer.
Nunca cultivei rancor em mim, nunca usei da vingança pra me aliviar.

Tem vezes que é com a melhor das nossas intenções que a gente machuca mais.

Pensando bem, eu também já cobrei demais!
Já exigi umas coisas que eu nem podia oferecer. E é loucura lembrar que eu já discuti por motivos que eu nem fazia questão de entender.

O tempo existe pra gente acompanhar, mas a gente insiste mesmo em comandar.
“Que passe logo!”, “que passa devagar”, mas nunca o “que apenas passe”.
Lá no fundo, no entanto, eu sei que não sou uma má pessoa.
Apesar de já ter feito muita coisa errada sendo que algumas delas sem querer, aqui dentro mora e sempre vai morar um coração.

Gosto de dizer que a saudade me faz companhia.
Gosto de ouvir que a minha companhia se faz saudade.
Gosto de abir a geladeira achando que não tem mais, e lá no fundo encontrar cheio um potinho de manteiga. Gosto de pegar a pasta de dente e ver que me deixaram um finzinho de presente. Gosto de enroscar meus braços em um abraço apertado quase sufocado.

Por isso que eu faço a minha parte sobre a dor.
Deixo de querer que passe rápido demais,
Deixo de querer que permaneça pra eu me vitimar,
Deixo só que ela visite de passagem, o bastante para eu colecionar mais uma lição pra aprender.
Tudo pode parecer confuso demais, mas sou eu, não repare a bagunça.

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Como Eu Me Sinto Quando

Tudo que a gente passa nessa vida tem um motivo para acontecer, uma inspiração pra motivar ou uma lição pra aprender.
É que a gente tem mania de querer tudo fácil demais.
A gente não quer demora pra ser feliz, mas também não temos pressa em espantar a tristeza. Isso significa que muito – se não tudo! – depende da gente.

Mas tem horas, eu sei, que parece surgir uma força fora do normal que puxa a gente pra baixo e nos mantém lá.
Parte dessa força atende por um nome chamado: passado.
O passado segura a gente, nos sequestra dentro das próprias lembranças e parece que quanto mais força a gente faz pra sair, mais presos ficamos. E bem, é isso mesmo, é exatamente isso que acontece.

A vontade de esquecer só deixa a lembrança ainda mais forte.

Pena que nem tudo está em nossas mãos.
Por exemplo, é praticamente impossível agradar a tudo e a todos e deixar tudo e todos no mesmo nível de felicidade. Mas quer saber? Isso não é de todo mal. Ter o controle significa não ter a experiência e a gente vive em busca de novos episódios nessa história que é a nossa vida; a gente vive pra ver coisas diferentes. Se tivéssemos o controle de tudo que queremos, em nada aprenderíamos. No entanto, claro, isso não significa que o descontrole é bem-vindo, mas sim, que o dia a dia é bem-vindo, que a graça está mesmo no momento seguinte, na próxima SMS, na próxima ligação e na próxima espera na catraca do metrô. Se é que me entendem.

A cada noite que deitamos no travesseiro ficamos cada vez mais perto de tudo que merecemos nessa vida, pois a verdade é que mais do que a gente ter tudo o que queremos, teremos tudo o que merecemos, e isso, claro, são coisas diferentes.

Por um mundo com novas formas de ver para então viver de novas formas.

A gente também se culpa demais.
É muito chato se sentir motivo de tristeza pra alguém, como se a nossa vida tivesse total influência em tudo o que acontece na vida das pessoas. Não é bem por aí. É claro que podemos influenciar e com isso construir momentos e palavras que ressoam por anos, mas nem sempre a gente tem culpa, e isso significa que não podemos resolver.

Se age com o coração, age feliz.

Sempre vai ter alguém que vai sorrir menos que o outro no fim.
Só que a gente não tem muito o que fazer pra evitar que isso aconteça, e querer encontrar algum jeito de amenizar o jeito que a vida acontece, nada mais é que uma atitude infantil de querer controlar o ponto mais excitante da vida: o jeito que ela é imprevisível.

A graça em acordar todo dia está justamente em não saber o que vai acontecer. Se vamos sair de camiseta ou de moletom com capuz.
Melhor que tentar planejar o que pode acontecer é celebrar o que está acontecendo.

Então faz assim,
Deixa o passado fazer parte da sua história em silêncio, deixa o presente te mostrar como você pode se surpreender com o lado bom da vida, deixa o futuro ser seu como sempre foi e viva pouco a pouco do jeito que você quiser. Só não deixa que seus medos em não ser compreendido, sua saudade pelo que não existe mais e a sua preocupação em ter feito bem ou não para alguém, em ter dito ou não a coisa certa, em ter feito ou não a escolha certa, enfim, te atrapalhe de viver cada segundo de todos os seus dias. A não ser que você escolha viver pelo que já viveu, o que será uma pena.

Quem te aponta egoísmo por viver por si desejaria viver exatamente igual a você.

E aqui não estamos falando em não se importar com ninguém, com o passado, presente ou futuro, aqui estamos falando em se importar no que vai jantar hoje a noite, no livro que vai começar a ler amanhã, no esforço no trabalho e em ter por perto as pessoas que nos tiram o mais sincero dos sorrisos e que de alguma maneira nos convencem que somos mais especiais do que imaginamos. Viver por si é comprar as roupas preferidas, é cantar os refrões que mais gosta e confessar saudade toda vez que quiser, sem se importar com o que vão falar.

Vamos deixar o mundo girar na velocidade que ele quer.
Vai acontecer muita coisa pra fazer com que ele pare. Muita gente vai tentar te convencer que ele tem girado rápido demais e que isso não é tão legal. Mas a verdade é que a gente que deve acompanhar o ritmo do mundo e não o contrário. Se ele tem girado de um jeito assustador, a saída e correr ainda mais pra não ficar pra trás e viver só do que poderia ter acontecido ou do que já aconteceu.

Não viva pelo que poderia ter acontecido, viva pelo que está acontecendo e pelo que você gostaria de viver.

É mais ou menos assim que a gente deve se sentir quando sentimos falta de motivos pra ser feliz.

Pra Você Ver, Ainda Faço Mais do que Eu Deveria

Eu não escolhi assim.
E a partir disso, tudo o que eu posso fazer é aceitar.
Quando não tem solução, solucionado está.
E olha, eu não gostaria que tivesse sido assim também.
Eu planejei muitas coisas pra gente viver. Cheguei a pesquisar roteiros pra uma viagem no fim do ano, pesquisei hoteis e até as tendências da moda eu procurei saber, tudo pra tentar te surpreender exatamente do jeito que você gosta.

Faz parte ceder além do normal quando a gente gosta além do normal.

Até porque “ser normal” não está com nada, né?
Não que eu me considere uma pessoa do tipo “uhh, levo a vida desenfreadamente”, muito pelo contrário, mas falo a respeito do normal, dos protocolos e do jeito óbvio de se comportar com os sentimentos.

Há quem faça o que tem ser feito, há quem faça muito mais do que poderia ser feito.

E dentro deste cenário existe um montão de pessoas, inclusive eu.
Faço parte do grupo que abre mão da própria felicidade em prol da outra. O que é bom e ruim. Bom porque por mais loucura que pareça, pra mim é tão melhor inspirar um sorriso do que ver alguém se esforçando em inspirar o meu. E ruim porque isso é realmente uma loucura.
Mas se isso for algo pra ser chamado de egoísmo, eu aceito. Só que prefiro ver como algo mais profundo e sentimental, portanto, inexplicável.

Você já se perguntou se é capaz de viver a felicidade que tanto deseja?

Parece uma pergunta meio estúpida, mas faz sentido.
É que eu fico lembrando das nossas conversas. Você sempre falou dos seus sonhos e suas vontades nessa vida, mas você nunca soube valorizar o que já teve um dia, porque você sempre queria mais, mais e mais. Nada nunca era o bastante.
Depois que eu comecei a pensar por esse lado eu entendi melhor.

Por isso eu acho que o fim vai fazer melhor à mim do que à você.

Suas últimas atitudes mostraram o quanto eu estava perdendo tempo com você.
Entenda. Uma das principais premissas da vida é respeitar as pessoas. É claro que tem vezes que a gente chateia alguém sem nem perceber, mas estou falando das atitudes conscientes, de quando a gente faz alguma coisa sabendo que alguém vai sofrer com isso, mas mesmo assim, a gente vai lá e faz.
Bem, partindo do respeito e ao pensar do jeito que acabamos, me começa a fazer sentido aquela história de que o que a gente planta, a gente colhe.
Por favor, não pense que direciono os piores desejos para a sua vida, claro que não, mas quero que aconteça com você tudo o que for justo e merecido. São coisas diferentes. Agora, o que vai acontecer, não tem a ver comigo.

Não é pra mim que você vai confessar saudade, é pro seu coração.

Aquela história de que “a gente só dá valor quando perde” só faz sentido pra gente quando de fato perdermos alguma coisa, e agora, parabéns, você acaba de me perder. Eu vou te deixar como tanto quer e prometo não mais te procurar tentando te convencer de que as coisas não são bem assim. Eu vou te deixar.

Não vai ser nada fácil pra mim, ah não vai mesmo.
Pra começar pelo fato de que pra mim as coisas já são meio complicadas. Tipo, ou eu gosto muito ou eu não gosto nada, e isso me faz ter saudade dos meios termos. Essa vida de extremos ainda me mata.
É que assim, tenho certeza que vou levar um bom tempo para conseguir te guardar em um lugar específico na minha vida, algum lugar que não atrapalhe as minhas experiências recentes nem as minhas histórias do passado, um lugar só seu. E dada a complexidade de tudo isso, eu sei que vai demorar e que não vou viver sorrindo. Mas vai acontecer.

Agora você está livre para viver tudo que não me cabe mais.

Mas antes é bom a gente deixar algumas coisas bem claras.
No momento eu não consigo olhar na sua cara e muito menos fingir que nada aconteceu.
Outra coisa, agora uma dica pela nossa merda nenhuma “amizade”: Não tenta me esquecer, não. É sério, não tenta.
Entenda que quanto mais a gente força o nosso coração em fazer uma coisa, menos ele faz algo de fato. O coração é independente, ele bate as vezes que bem quiser, dói quando quer, sente falta quando quer, sente amor e raiva também quando quer. Não há palavra, não há conselho, não há frase de efeito que consiga mandar no coração. Muita coisa o estimula, mas nenhuma assegura. Só o tempo consegue entender esse danado.
Então, se eu fosse você, tentaria processar toda essa nossa história. É que tão cedo eu não vou sair da sua vida.
Se eu fosse você, nem pensaria na ideia de não mais ir em lugares onde costumávamos ir, muito menos deletaria nossos amigos em comum do Facebook, pois se você fizer alguma coisa nesse sentido, tudo o que vai conseguir é: me deixar ainda mais forte dentro de você.

A força de vontade para esquecer é a mesma para lembrar.

Só que elas se manifestam em momentos diferentes da vida. Ainda bem, né?
Então me deixa com vida na sua vida, me deixa aparecer nas estreias do cinema que você sabe que eu ia adorar assistir, me deixa viver nos shows das bandas que gostamos, me deixa viver nas noites de sábado e nas conchinhas do inverno.

Você não precisa tentar me esquecer, só precisa deixar com que a gente se esqueça.

E você pode me perguntar: “Como tem tanta certeza que se eu tentar, não vou conseguir te esquecer?” E eu já respondo: Pelo simples fato de que tudo o que eu fiz pra você, ninguém nunca na sua vida fará sequer parecido.
Toda essa minha lucidez em um momento como esse só comprova uma coisa: o que eu sinto por você não é normal, logo, preciso ter uma postura fora do normal para justificar.

Nesse sentido, entendo você não entender o fato de eu até te dar dicas sobre como ser feliz, é que pela primeira vez na vida estou fazendo as coisas que digo, além das que eu faço.

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Eu Fico Pensando no que Me Disse

Eu fico pensando em você.
Fico pensando se você pensou no que me disse.
Será que foi assim mesmo tão pensado como você tentou me convencer? Eu não sei.
Me pergunto se você fica aí se arrependendo sem ninguém e morrendo de vergonha de dar o braço a torcer e pedir pra recomeçar. Não é por mal, mas você é assim mesmo.

O seu maior problema é esperar as coisas darem certo demais.

E quando não dão, você se decepciona, falta morrer de dor.
Tudo porque no fundo quanto mais força você tenta demonstrar, mais fraca você comprova ser.

Você pensa que sabe, mas a verdade é que não sabe basicamente nada sobre o bem que faz ter alguém. Você se esconde atrás das experiências que não deram certo ou nos depoimentos de amigos cheios de razão falando que as coisas normalmente não dão certo, aí você desiste sem sequer ter começado. É você quem cria a maioria dos problemas da sua vida.

Quando mais tenta resolver um problema, mais forte você o deixa.

E isso não significa que o certo é jogar tudo pra alto e dane-se, isso significa que o tempo que se perde tentando resolver uma questão poderia ser melhor aproveitado pensando basicamente que: tem coisas que a gente não sabe resolver. Só isso.

Eu gostaria de pensar diferente, mas eu não consigo.
É que não me entra na cabeça a ideia de como você consegue ser tão covarde com o seu futuro. Você se reprime, se controla e se acorrenta em um presente que não te acrescenta nada, e pior, em um monte de minhocas na cabeça que só servem para aumentar o espaço entre o que você quer e o que você realmente merece ter nessa vida. Ao invés de aproximar seus sonhos dos seus fatos, você os torna inimigos.

Fico pensando se tudo aquilo que me disse veio mesmo do coração, se todos os problemas que listou são mesmo problemas reais ou são só desculpas pra tentar me convencer de uma outra verdade qualquer. E fico mal. Fico mal porque se for mentira, se tudo o que você me disse pra fazer com que eu te esquecesse for mentira, lamento informar, mas você conseguiu aumentar ainda mais o tamanho da sua própria cova.

Enquanto você continuar desfilando poses de auto-suficiência e palavras de força que na verdade tem tudo menos força, você vai acabar se afundando ainda mais. Eu não quero ser quem vai te avisar de nada, não quero ser quem vai te ajudar porque tudo o que você menos aparenta querer é a minha ajuda.

Inclusive você deixou claro que a minha distância é o que te fará sorrir de novo.

Até aí tudo bem, só é engraçado lembrar daquele teu discurso batido sobre o medo de me fazer sofrer, quando na verdade, o que você mais sente é medo de não conseguir ser feliz, medo de não conseguir fazer alguém feliz, MEDO DE NÃO SABER O QUE DIABOS É FELICIDADE. Você não sabe o que é isso! Não sabe o que é lutar por isso! Por isso eu falo na sua cara o quanto você é covarde! Você tem medo de se olhar no espelho e repetir: SERÁ QUE É AGORA? E ter medo de possibilidades, pra mim, é covardia.

Você tem a mania horrorosa de colocar qualquer problema diante da menor das soluções. Antes de qualquer pensamento bom, você pensa no ruim; antes de qualquer possibilidade de dar certo, você confia em tudo que pode dar errado. Como a gente pode falar sobre ser feliz com alguém que deixa a felicidade no último lugar na lista de prioridades?

E como você não sabe lidar, você transfere sua culpa pra outra pessoa.

Igual fez comigo.

Eu fico pensando se você faz ideia de tudo o que me falou, porque sinceramente, você não estava em sã consciência.
Vir falar comigo sobre sentimentos sendo você a pior pessoa do mundo pra definir o que sente, pra expressar o que sente, pra refletir sobre o que sente. Se é que sente algo de verdade.

O que eu tentei fazer foi dar a mão que nunca te deram.
Eu tentei te mostrar que se você for pela cobertura não vai se molhar e vai poder aproveitar a beleza da chuva. Tentei te falar que nem sempre a gente consegue resolver, mas que faz muito bem ter alguém para dizer isso.

Só que agora também tanto faz tudo o que eu tentei dizer, pois o problema é que eu fico pensando no que me disse.

Fico pensando que a pessoa que me falou isso não é você; não é a mesma que um dia eu dediquei parte da minha vida.
Hoje eu vou pensar muito pra amanhã esquecer de uma vez só.

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Só Continuo Aqui Por Gostar do Amanhã

Eu já vivi algumas coisas nessa vida.
De todas, muitas eu gostaria de esquecer.
Teve vezes que eu me deixei levar por pensamentos como “Se não agora, nunca!” e acabei me arrependendo depois. Teve outras também em que eu me vi refém de pensamentos do tipo “Calma, espera a hora certa!”. Nessas situações, só pra citar dois exemplos, me vi do jeito que eu me tornaria quem sou hoje: uma perfeita gangorra.

A gente demora pra perceber o que a gente quer de verdade porque todo dia queremos uma coisa diferente.

E isso até que faz parte.
A gente não gosta muito da consciência das coisas. Por isso divertida mesmo é a noite, principalmente se for dentro de uma balada qualquer, com pouca luz e a pouca existente em movimento alucinante, fazendo a gente perder o medo e encontrar a coragem. Só que chega uma hora que a gente começa a ver beleza no sol ardendo as duas da tarde de um sábado de verão, a gente aprende a pensar que gostamos do que nos faz bem e que isso, de fato, não tem hora para acontecer. Então as luzes da madrugada voltam a ser apenas luzes e a gente passa a sair mais vezes durante o dia.

Eu nunca me entendi direito.
Já beijei bocas sem ter um pingo de vontade, já correspondi saudade sem sentir nada nem perto do mesmo, e pior, já respondi “eu também” em alguns dos “eu te amo” pra mim ditos, para evitar semblante de frustração. Não me orgulho em nada disso, mas gosto de voltar a falar sobre pra me lembrar de tudo que eu não posso mais fazer. E aliás, imagina que bom seria se isso fosse rotina nas pessoas?

Imagina que bom seria se as pessoas usassem mais o coração do que a boca pra falar?
Alguns efeitos colaterais existiriam, é bem verdade, mas seria honestamente mais confortável e profundamente mais bonito.

Sabe, eu não posso cobrar muito do meu destino.
Até que eu tenha certeza que sou uma pessoa pronta para fazer outra feliz, eu não posso me cobrar, mas essas coisas a gente só descobre com o tempo e com a tentativa, pelo menos isso aprendi. Por isso faz muito tempo que não recuso mais convites ou ignoro qualquer pequena manifestação de carinho de alguém por mim, e com isso, comecei a gostar mais de viver.

Quando a gente aprende a ver as coisas com o coração a gente vive mais feliz.
E aí o amor e o perdão começam a fazer mais sentido nos nossos dias.

Por isso que, embora me arrependesse depois por outros motivos, eu nunca me importei se a pessoa proprietária da boca que eu beijasse teria visual para caminhar de mãos dadas no shopping a tarde. Procuro fazer companhia para essas normais e solitárias formas de ver com novas formas de aproveitar.

Sempre tem como a gente valorizar um pouco mais quem faz menos pela gente, afinal, o valor não está na quantidade mas na qualidade.

Engraçado que se me perguntarem como eu me vejo daqui a alguns anos, já tenho a reposta na ponta da língua: me vejo alguém feliz fazendo alguém mais feliz ainda.
Apesar de todos os erros que cometi até hoje, no fundo eu sou apenas mais uma pessoa ferrada em busca de um abraço que o relógio não possa controlar, sou apenas mais uma pessoa que chora quando o casal se dá bem no filme, sou apenas mais uma pessoa que tenta fazer alguma coisa, por menor que seja, pra ver o sorriso de quem eu gosto. Então, é justo que eu queira ser feliz e mais justo ainda seria se eu encontrasse alguém que eu pudesse dedicar todo o meu esforço em fazer feliz. Alguém de verdade, não alguém por conveniência, alguém para chorar e rir na frente, pra eu aprender e pra ensinar o pouco que eu sei.

Tem vezes que a vida bate a nossa porta e a gente ignora.

E eventualmente eu penso nisso. Sabe, já perdi tanto tempo me entregando para quem não fazia a diferença em saber se meus dias tiveram sorrisos, dentro de uma certeza cega que só me aliviava momentos depois de eu fechar os olhos olhando pro céu da minha cama. Tive chances de resolver isso, mas preferi continuar na aventura prazerosa da dor.

A vida começa a mudar quando a gente começa a querer que mude.

E faz tempo que venho querendo isso.
Sendo assim, faz sentido eu lutar pra ter alegria nos meus dias.

Mas como eu não posso só “querer” pra sempre,
pouco a pouco eu vou fazendo o hoje se tornar isso que chamam de pra sempre.

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