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Penso, Logo Vejo Como Me Faz Bem

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Hoje fez frio.
Rapidinho e sem querer, lembrei do frio que eu senti quando a gente se conheceu. Lembrei também do frio que passo quando eu perco minha meia dormindo e nossos pés se encostam. É o tipo de coisa que me solta o riso só de lembrar.
Até hoje eu fico com um frio diferente momentos antes da gente se ver. Por exemplo quando estou na catraca do metrô te esperando, ou quando toca a campainha da minha casa e sei que é você e a gente se abraça um pouco no portão sem falar nada.

Meus motivos são só meus pra eu achar beleza no que eu acho.

Engraçado que todas as coisas que eu faço eu automaticamente encontro uma maneira de te colocar no meio. Talvez isso explique o que dizem sobre o quão especial é uma pessoa completar a outra. É que eu gosto da sua companhia pra tudo na minha vida. Não é uma dependência, mas é algo que eu faço questão.

Gostar é compartilhar e vice-versa.

Eu não preciso te ver todos os dias tão menos preciso ouvir o seu “eu te amo” todos os dias pra ter certeza do que a gente sente um pelo outro. Inclusive parei de me importar com frases de efeito depois que me decepcionei com as dicas de paquera que eu lia nas embalagens das balas na época de escola. Desde então, felizmente, eu só me preocupo com o que o meu coração diz e com o meu frio na barriga.

Sabe, às vezes eu penso também como vai ser pra mim se a nossa história terminar mais rápido do que eu imagino. Pra algumas pessoas isso pode parecer pessimismo, mas eu tento ver diferente. É que eu já vivi a dor do rompimento outras vezes e são situações que eu gostaria de esquecer, apesar de terem me feito melhor. Quando eu penso nisso sobre nós, procuro me equilibrar e me rever sobre tudo que eu posso melhorar. Tento pensar que eu posso ter um pouco mais de paciência com você. Não vai me custar nada contar até 10 e aceitar assistir os reality shows que você gosta e que eu não vejo graça; também não vai ter problema se eu arranjar uma maneira de me ocupar enquanto você leva horas pra se arrumar pra gente ir na padaria da esquina sair.

Quando a gente é melhor pra alguém, somos melhores pra nós mesmos também.

Hoje eu prefiro valorizar enquanto ainda me aquece o peito, pois não me adianta nada ignorar os esforços que eu posso fazer pela gente depois que não existir mais “a gente”. No momento eu não quero entrar no mérito do que você pode fazer por nós, eu só estou pensando no que eu posso fazer.

Acho que eu posso ser mais flexível também. Talvez se eu ouvir sua dica e tomar o remédio pra dor de cabeça quando eu começar e me queixar, eu vou me curar mais rápido do que quando respondo “já já passa”. Também acho que vai me fazer bem se eu concordar com você que a minha relação com a minha família deve ser a melhor possível por nós. E que eu posso sempre respirar um pouco mais fundo e não perder tanto a paciência.

Tá, agora sim, seria legal também se você pensasse em algumas coisas. Gostaria que não ficasse mal quando eu insisto que você precisa gastar menos – afinal, você quer ou não casar, ter nossa casa, filhos e cachorrinhos? -, também ia ser bacana se você encontrasse uma outra maneira de me explicar que não é certo deixar a toalha molhada em cima da cama, ao invés de gritar comigo.

O efeito das palavras está diretamente relacionado ao modo que elas são ditas.

Por isso você deu risada quando eu te xinguei pela primeira vez. Eu não consegui ser rude como a ocasião me pedia, até por quê, instantaneamente me veio a cabeça a verdade de que seu te xingasse, abrira oportunidade para você fazer o mesmo comigo, e isso não ia ser nada bom pra gente.

Hoje eu controlo e sorrio pra saudade, pois sei que quanto maior ela for, melhor a gente vai poder aproveitar o tempo quando nos vermos de novo. Eu só não posso deixar que ela vire doença, a ponto de sei lá, ficar te controlando e impedindo que você viva a sua vida. Eu gosto de quando você chega com um monte de novidade pra contar! Gosto de quando a gente passa horas falando sobre todas as pequenas coisas que vivemos nos últimos dias, desde a pessoa dormindo engraçado no ônibus ao desconto no preço do biscoito recheado no supermercado.

Se são as pequenas coisas que fazem a diferença,
faz sentido eu pensar tudo isso só porque hoje fez frio.

 

Um Recado Para As Pessoas Ridículas

Leia ouvindo:

É uma receita simples: Não precisa querer ajudar, não falar nada já está ajudando. Continua vivendo a sua vida.
Eu só não quero mais saber de gente na minha vida falando das coisas que eu vivo como se soubesse o que fazer, como se fosse com elas elas saberiam o que fazer, ah por favor, pra cima de mim não. No entanto, devo reconhecer que a culpa também é minha, porque eu me exponho demais e acabo hora ou outra virando motivo pra chacota quando o que eu quero é ter motivos para não pensar nas coisas que não me fazem bem.

Nós e a mania de prejudicarmos a nós mesmos.
É uma pena, mas faz parte.

Isolando essa parte de ser assim, não aguento mais gente que esfrega a felicidade na cara das pessoas. E olha, isso em hipótese alguma significa dor de cotovelo ou algo do tipo, pelo contrário, até acho bonito e acho mais que tem que mostrar pro mundo como está feliz e como as coisas tem dado certo. Só acho errado vir falar com opinião de quem soubesse o que é dor, e não, não sabe. Só viveu algo que por mais parecido que tenha sido, foi apenas parecido e nunca a mesma coisa.

Um mesmo filme desperta diferentes reações nas pessoas.

Sabe aquelas pessoas que se fazem de amigas mas que no fundo falam com a gente como se a intenção fosse mesmo dizer: “Olha aqui, eu fiz isso e isso e isso, estou feliz com meu amor, enquanto você, ah, você continua aí vendo os dias passarem embaixo do teu nariz.” Por quê não vão a merda?

Felicidade existe para ser compartilhada e não exibida.

Quando você compartilha, você quer contar para as pessoas que gosta como tem vivido uma fase feliz e como isso tem te feito bem, agora, quando você exibe, você só quer falar das coisas que tem feito, dos presentes que ganhou, dos lugares que visitou, dos filmes que assistiu. Que inferno!

Estou aqui seguindo a minha vida do jeito que ela tem se mostrado pra mim. Tem hora que acerto, outra que erro, mas continuo acima de tudo sempre tentando, sempre me permitindo e me deixando disponível para vida especialmente para as surpresas dela. E não estou nem um pouco a fim de ser espelho para as realizações alheias. Compartilhe comigo, me diga como tem sido pra você, mas não jogue na minha cara o fato de eu não ter as mesmas notícias pra te dar. E vocês sabes quando estão fazendo isso.

Não existe reincidente para o “não reparei que estava fazendo isso”.
Existe maldade.

Já não basta ter que viver dia após dia sonhando com um recomeço, com um motivo pra sorrir a cada manhã, com um novo número de telefone pra mandar mensagens de saudade, com novos abraços e beijos em uma noite de inverno, já não basta, e ainda tenho a obrigação de ouvir sobre o quanto a sua vida é boa? Obrigado, não preciso.

Essa situação é facilmente confundida com inveja, mas tem uma explicação pra isso. Quando a gente gosta de alguém, em geral, perdemos um pouco do senso do exagero. As fotos nas redes sociais e as declarações de amor nunca são “demais”. Estamos cegos – por causa do amor? -, queremos contar as novidades, queremos gritar até pro papa como tem sido tudo muito legal e especial. Só que existem maneiras de se fazer isso e aí se justifica o por quê de não ser inveja as reações como as que tenho tido.

Primeiro que é importante respeitar a fase das pessoas que conversamos. Se o seu amigo está desempregado, não tem por quê falar todo dia que comprou uma coisa nova, muito menos falar sobre as viagens que fará em breve. Acho que ficou claro com o exemplo. Segundo que é importante ter sensibilidade e ser mais útil. Ao invés de falar das realizações que o dinheiro tem comprado, convide esse amigo para comer uma coisa que há tempos ele não come por motivos óbvios, ou simplesmente, fale de coisas que tenha certeza que ele vai gostar de falar. Isso é se colocar no lugar.

Não precisamos ser lembrados das coisas que queremos mas ainda não temos.

Ninguém mais além de quem passa por uma fase difícil sabe o quanto é difícil e ninguém que está vivendo uma fase dessas vai explicar todo o dia sobre o que gosta e quer conversar.

Às vezes a gente só quer conversar.

O respeito também entra na questão de criar situações desagradáveis. Entenda, se você e todos os seus amigos estão namorando, como você quer que aquele amigo ou amiga solteiro queira sair com vocês? Não é óbvio que em algum momento vão distribuir beijos carinhosos, vão relembrar situações do namoro, vão se chamar apelidando e etc? Qual a graça de comer algo gostoso sem ter alguém pra também colocar carinhosamente na boca? Qual a vantagem de ir ao cinema sem alguém pra dividir a pipoca, rir, chorar ou ficar com medo junto, em meio a um monte de gente que está fazendo isso?

Quem namora, sabe muito bem quando está sendo desnecessário.
A não ser que tenha menos de 10 anos e namore alguém com idade igual, neste caso, faz sentido, teu senso ainda está sendo formado.

No fim, todos queremos ser ridículos; deliciosa e apaixonadamente ridículos.
Gostar de alguém é ser ridículo, ou vai me dizer que só a sua voz não fica de neném quando quer fazer mimo? Pois é.

Só respeita quem ainda não pode celebrar a delícia em ser ridículo.

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O Seu Jeito De Zzzz…

Até que sou inteligente.
Sempre me certifico de deixar um pente perto da cama nos dias que a gente dorme junto. Falando assim parece loucura né, mas não é não, nas primeiras horas da manhã ele me é muito útil. Eu não penteio o cabelo a uns 15 anos, desde que adotei o corte “bagunçadinho”, acontece que uso o pente pra arremessar contra o despertador e fazê-lo cair em cima de uma almofada estrategicamente posicionada pra abafar o barulho da queda e da música despertadora. Esse troço está tão velho que quebrou a função “desligar o alarme”, ou seja, ele desperta todos os dias, inclusive aos fins de semana e só não me desfaço dele porque foi um presente da minha mãe de quando eu era criança. E eu não levanto pra desligá-lo porque fico com dó de te atrapalhar dormindo, aí inventei essa solução.
Não há nada mais insuportável do que o despertador tocando de manhã sempre interrompendo o melhor do nosso sono.
Lembra que você me perguntou se ele despertava mesmo? Então, quando a gente dorme junto eu dou um jeito de parecer que não, rs. Já não me basta todos os dias levantar pra desligar esse danado. Não permito qualquer intromissão durante o nosso sono, mesmo quando é hora de acordarmos, faço questão de prolongar os 5 minutinhos.

Falando em sono, já te falei que sei todos os seus movimentos enquanto dorme? É sério!
Primeiro, enquanto assistimos TV, você gosta de deitar em meu peito enquanto faço carinho no teu cabelo. Aí quando me dou conta, estou falando sozinho. Você dorme muito rápido. Desligo a TV e entendo que é melhor mesmo a gente descansar. Te coloco na cama e você vira para o lado contrário de mim e inconscientemente (ou não?) puxa meu braço direito junto com 90% do edredom. Eu deixo, acho tão bonitinho. Aí eu também durmo.

Acabo acordando de vez em quando durante noite. Ora por você quase me jogar da cama se esparramando pelo colchão, ora por eu estar morrendo de frio sem ter um centímetro de edredom sobre o meu corpo. Você é muito possessiva na hora de dormir, o lado bom é que como está em sono profundo, eu me aproveito. Com certo jeito e alguma força puxo um pedaço do edredom de volta e delicadamente junto as suas pernas para que a cama possa caber nós dois.

E é assim todas as noites.

Tem as horas também que te dá um ataque de amor e você vem me abraçar na conchinha colocando a mão dentro da minha camiseta. Gosto tanto! Ah, tem também as horas que saem umas faíscas entre a gente e quando percebemos já estamos juntos no chuveiro no meio da madrugada… Esses momentos são bem interessantes, vale ressaltar.

Teus sonhos são bem engraçados. Às vezes parece estar correndo em cima da cama, outras vezes reclama com alguém de nome indecifrável, outras canta um refrão qualquer. Uma dia, prometo, vou te filmar dormindo, é uma das coisas mais engraçadas que eu já vi! E uma das que que mais amo.

Quando acordo pra fazer xixi e volto pro quarto, sempre fico de pé uns segundinhos te observando. Acho tão “seu” o jeito que você junta as duas palmas das mãos e coloca entre o travesseiro e a cabeça. Você se encolhe e parece uma bolinha no meio da cama. E devo confessar que rio quando te vejo travando uma batalha para conseguir cobrir os pés.

Você costuma acordar de médio-humor, nem bom, nem ruim, mas sempre me diz um “oi” preguiçoso com um bafinho que eu nem ligo e os olhos com alguma sujeirinha-dos-sonhos. Vem pra perto de mim com o rosto amassado de modo que eu consigo contar todas as dobras do travesseiro impressas em você.

Meus dias são sempre melhores quando preciso usar o pente.