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A Gente Pode Começar De Novo?

Eu fico tentando mudar as coisas, 
fico tentando pensar em algo pra falar quando a gente perde o assunto.
Penso também que seria ótimo se eu conseguisse lembrar de algo engraçado e então conseguisse te fazer mostrar um ou outro riso.
Eu fico tentando.
É mais ou menos por isso que eu sou assim.
Me preocupo em saber se você está bem como eu gostaria que estivesse.
Acordo fazendo planos de coisas pra gente fazer e eu conseguir te agradar.
E claro, isso não significa que eu me submeto à você,
É que me faz tão bem te fazer bem. E isso ninguém nunca vai entender.
Por isso eu abro mão de algumas coisas que eu gosto.
Por isso eu deixo você escolher o filme no cinema.
Contanto que na pipoca tenha manteiga.
Quando você está triste, eu fico pior.
Pois não há espaço para outra coisa em seu rosto
que não seja a carinha preguiçosa de sono ao acordar
ou o sorriso que até mesmo quando irônico não consegue disfarçar beleza.
Há quem diga que exagero demais.
Que é por isso que eu sofro tanto depois.
Só que o engraçado é que essas opiniões sobre mim não significam nada,
a não ser que comecem a pagar as minhas contas no fim do mês.
Então, por mais amigo que que a pessoa pode ser,
prefiro ouvir os conselhos do meu coração.
E ele é meio louco, devo te confessar. Mas qual não?
Tem hora que ele fala coisas do tipo: “Tome alguma atitude agora!”,
já em outras, ele prefere ficar na do: “Calma, respira e respeita”.
E é claro ou óbvio que eu fico confuso?
Só que no fim, pelo menos a minha consciência fica tranquila e me deixa dormir.
Aliás eu gosto tanto de dormir.
Você sabe que basta ter um lugar onde encostar que eu já estou lá: pescando.
Basta você me dar um abraço mais longo, um carinho a mais no cabelo
que eu já estou lá: rendido.
No meu edredom tem lugar pra nós dois.
Mas seria melhor se você usasse meias por nós dois.
Não que pra mim seja problema ter que te aquecer 99% das vezes,
ou ter que te emprestar alguma meia, ou ter que pegar suas meias perdidas.
Entendo que meu edredom não é tão novo assim,
mas talvez justamente o fato dele ser surradinho é o que deixa tudo mais gostoso.
Às vezes eu paro pra pensar nas coisas que já me disse,
fico pensando em como conseguiu aguentar tanto tempo
viver umas histórias onde tudo o que você conseguia era: não ser feliz.
É claro que eu não sou ninguém pra julgar e sei bem que você sorriu ali muitas vezes,
só que você não merece ter momentos de dúvida sobre o que sentir,
dúvida sobre a quem confiar e a quem pedir companhia.
Penso naqueles que já passaram por você
e o quanto não se tocaram de tão privilegiados que eram.
Aí eu paro de pensar quando lembro de mim.
Pois mais privilegiados que eles, sou eu.
Esse meu jeito de ser com você
é a minha forma de demonstrar um pouco do que você merece.
Por isso eu deixo o pacote de bolacha vazio em cima da mesa,
pra você ir pegar na seca e ver que está vazio
e entender de uma vez por todas quem é que manda.
Igual você faz quando deixa claro que está chata pra caramba, 
insuportável, um porre, totalmente descontrolada nos dias difíceis do mês,
e me ordena pra comprar chocolate branco, sorvete e doces diversos.
Aí eu vou lá e compro tudo pra mostrar quem é que manda.
Como eu disse, para alguns pode parecer exagero o jeito que eu gosto de você,
mas para mim, é só o mínimo.
O dia que eu conseguir retribuir pelo menos um pouco
todo o bem que você me faz sem exatamente fazer nada,
eu vou pensar em uma nova forma de te fazer ainda mais feliz.
Percebe como é infinito?
Você me faz bem sem fazer nada específico,
e eu tento te retribuir tentando te fazer bem pelo menos parecido.
Qualquer coisa a gente pode recomeçar, se você quiser.
Entre a gente não há espaço para o passado perdido.
Quanto mais a gente se conhece,
mais eu tenho vontade de saber quem é você,
entender teus gostos, teus sonhos e tuas vontades,
só pra eu me esforçar mais em garantir que a minha mão quentinha
vai ter pra sempre a sua fria pra aquecer.
E completar.

Isso Significa Muito Mais do que Imagina

Trilha sonora:

Sabe,
É louco pensar em nós.
Em nós como dois, não mais nós como um só.
Nós que já fomos um, hoje somos mais, também pudera, depois de sermos um, quebrado, é justo sermos um por inteiro.
Em outras palavras, não lembro mais de quem eu já fui.
Dia desses me esforcei pra lembrar dos motivos que já me fizeram pensar em não tentar mais, em não tentar nunca mais, mas eu não consegui.

Chega uma hora na vida,
Que a gente muda a forma de ver as coisas todas elas. Não dá para prever quando essa hora vai chegar, mas ela vai. Por isso eu não julgo aqueles que vivem dos beijos da noite, até porque não me cabe julgar, mas a hora vai chegar pra eles, assim como você fez chegar pra mim.

Deita aqui, coloquei a almofada, deixa eu te explicar melhor.
Algumas vezes eu saí a noite por essa cidade na aparente procura de diversão desenfreada e desregrada, mas na verdade, confesso, gostaria de encontrar alguém que pudesse ouvir alguns dos versos que escrevo. Procurava no lugar errado. Só que aquela era minha fase e não me envergonho. Só faz parte.

Teve vezes também que eu me escondi atrás de um gole do que eu nem lembro bem o que era. Me fazia feliz – pelo menos eu achava – acordar no dia seguinte e postar na internet “Bom dia, ressaca”. Era legal porque demonstrava que eu tive uma noite e tanto, que eu tinha me divertido pra caramba e tinha novas histórias para colecionar, e se meus amigos comentavam nesse post ficava tudo ainda mais divertido. Só que nunca foi bem assim. Na volta, com o sol quase nascendo, sem ninguém no metrô minha cabeça já ardia de dor e eu me arrependia. “Não aguento mais isso, nem sei mais o que estou fazendo”, era o tipo de coisa que vagava na minha cabeça. Meus posts de “bom dia” eram pelo celular, ainda na cama, de onde eu não queria ter que levantar pra ter que pensar em algo pra fazer.
E aí se fazia a solidão.

Mas a gente tenta.
E é tentando que a gente acerta.

Respeito os dias que a vida me traz.
Minhas experiências não me fazem aventureiro, não saio experimentando de tudo para provar – pra quem? – que eu tenho força e o quanto minha ousadia é ilimitada. Também não julgo quem o faz, só que a vida não é um seriado da TV. De histórias forçadas pra contar é o que a gente menos precisa.
Pouco a pouco fui deixando as experiências chegarem pra mim e fui aceitando os sinais que a vida mostrava.

Encontrei num domingo sozinho no parque uma felicidade que nunca tinha vivido. Era uma felicidade honesta, de mim por mim mesmo, com as coisas que estão lá agora e estarão lá amanhã, com o cenário natural construído pela chuva, pelo sol, pelo frio, pelo calor, por todas as coisas. Lembro que sentei embaixo de uma árvore e fiquei vendo as pessoas vivendo. A partir de então, coloquei na cabeça que as coisas tinham que mudar e só mudaria se eu fizesse algo para tal.

Eu precisava encontrar um pouco mais de mim pra poder te encontrar depois.

Foram várias as vezes que eu sofri o “Julgamento na Melhor das Intenções” que por mais saudável que fosse, nunca me trouxe sorriso. Me vi cercado de gente que queria me ajudar, mas só de segunda a sexta, porque de fim de semana tinham outras coisas pra fazer. Isso é sobre a tal da amizade de conveniência: gente que te ajuda só quando tem tempo, que só te vê se puder levar o “amor” junto, que cobra a sua presença mas não move um dedo para ser presente. Engraçado que o tempo que eu tenho livre é o mesmo das pessoas que dizem gostar de mim, a diferença é que o meu lugar na fila de prioridade é lá onde o céu encontra o mar.

Posso continuar fazendo carinho no seu cabelo? Gosto tanto! Estou acabando de falar.
As coisas foram mais ou menos assim durante muito tempo e pra mim é importante traçar um paralelo do que eu vivi e do que tenho vivido, especialmente de quem me fez bem, quem não me fez e quem me faz hoje.

E eu não sei bem como vai ser amanhã quando eu acordar, não sei nem como vai ser depois que você se levantar aqui, mas se a vida acabasse aqui eu já estaria feliz. Só de saber que eu estava errado quando achei ter vivido a melhor da felicidade, e aí te encontro e você me mostra que tem mais, que tem a mesma de outro sabor, que eu posso melhorar, que eu posso sim terminar de ler os livros que enrolo tanto, que eu posso arrumar minha cama antes de sair, que eu posso cuidar mais da minha família, que podemos economizar e assistir filme em casa para que eu tenha dinheiro para comprar roupas necessárias, que eu posso ser um profissional melhor no trabalho, posso ser mais produtivo, posso comer melhor durante o dia, posso ficar bem, comigo e com você.

É isso.

#CURTA: www.facebook.com/umtravesseiroparadois

Enquanto Isso o Edredon Continua Sendo Só Meu

Eu sinceramente não espero muito de você.
Pra quem já secou os olhos de tanto sofrer por tanta gente que ao invés de marcar minha vida com algo que valesse a lembrança, só fizeram questão de se tornarem novos motivos para eu esquecer, passei a desacreditar um pouco no que eu idealizo de especial na minha vida. Hoje eu deixo na mão do que tem que acontecer, é irreversível e até meio inocente eu querer mudar alguma coisa sendo que já vai acontecer, sabe?

Mas, devo falar, eu espero coisas boas pra nós. Pelo menos são em todas elas que eu me apego e direciono tudo que há de bom em mim.
Não tenho muitos planos do que fazer, tenho sim algumas vontades, mas prefiro decidir com você o que e quando faremos, por uma questão de respeito. E quer saber? No fim das contas, independente do que eu faça, se for com você, não vai ter o menor problema. Contanto, peço, que não seja algo como correr no parque ao sol do meio-dia, porque isso, vou te contar, vai ser muito difícil que eu consiga fazer. Só que eu não disse “não”, disse que vai ser difícil e espero que tenha entendido que se for importante pra você, eu prometo tentar.

Ultimamente tenho controlado minha ansiedade. Tenho reparado que as estreias no cinema estão tão condizentes com a minha vontade de vê-las, e aí entro em paranoia, pensando se você gostaria de ver alguma delas.
Recebo e-mails de compras coletivas e pacotes de viagens e também me pego pensando como seria a sua reação se eu comprasse pra gente algo desse tipo, sei lá, na surpresa mesmo.

Quando vejo meus amigos na internet combinando as baladas do próximo fim de semana, lembro das vezes em que me rendi à essas ocasiões na expectativa ingênua de faturar algo mais do que uma conta gorda de cartão de crédito no fim do mês.

As bocas que beijei sabem menos de mim do que eu gostaria que soubessem.
E os abraços que já dei duraram menos tempo do que eu gostaria que durassem.

Talvez essas coisas tenham acontecido para me mostrar que de fato não era a hora. Comecei a aceitar, vida estranha, comecei a aceitar. E todo o dinheiro que eu gastava nesses lugares hoje eu guardo pra gente aproveitar de uma forma melhor.
Não foi uma ou duas vezes, foram bem algumas em que aceitei perder algumas horas de sono no meio de pessoas misturadas entre as que querem esvaziar a cabeça do stress da semana, as que querem dar risadas e fazer palhaçadas com os amigos e as que buscam novos contatos na agenda do celular focados em um único o objetivo: o contrário do meu.

O que procuro eu não vou encontrar na entrada VIP de uma sexta-feira, mas sim na fila do supermercado em um sábado a noite.

Você vai rir se eu te contar que já me vi rindo com você vendo a TV aos domingos? É que nunca passa algo interessante, aí com o que me resta pra ver, sei lá, algo seriado aleatório, já me peguei rindo e imaginando: “Vai ser legal quando a gente estiver vendo isso juntos”. São coisas que nascem e ficam na minha cabeça e não me importo de serem assim.

Dizem que chego a ser infantil quando falo de nós dois e eu nem ligo. O que me importa de verdade é saber se estou te fazendo bem, se de alguma forma estou te estimulando a ser melhor para si mesmo antes de tentar ser especial pra mim. O tempo me fez entender que pra eu ser alguém melhor, eu preciso ajudar alguém a ser também e isso me conforta e me anima. Fico feliz com a possibilidade de ajudar alguém a ser feliz. Até me empolgo, imagina que legal ouvir de alguém: “Você me faz feliz!”.

São só algumas coisas que eu penso sobre a gente.

Mesmo sem ter te conhecido ainda.