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Sozinho, Farei as Mesmas Coisas que Fizemos Juntos

Tudo bem se tem que ser assim.
Eu não vou tentar te explicar como vejo tudo isso. Eu cansei.

A gente precisa ter a grandeza de admitir quando a melhor saída é o fim, rasgar as datas comemorativas e os filmes assistidos.

É claro que eu não vou conseguir esquecer tão fácil, mas também, isso nem é algo que eu quero. Esse negócio de transformar o carinho em rancor não é comigo e até tenho certa dó das pessoas que fazem isso. Ninguém tem sangue de barata, eu sei, mas também não precisamos sair por aí cultivando exatamente as coisas que não queremos colher, isto é, eu não preciso te transformar em algo ruim na minha vida por mais que você já tenha me feito sofrer, por mais que eu ainda sofra depois de tudo. Dos momentos que a gente viveu eu prefiro levar os bons comigo.

Meu amigos me perguntam se eu sou real em pensar assim.
Explico que por mais estranho que pareça, sim, eu penso exatamente dessa maneira sobre essas cosias. A estranheza deles justifica a carência em pessoas que pensam assim, ou melhor, que tentam pensar e encarar de um jeito diferente, fora do convencional “Quero que você morra!”. No entanto, eu não acho isso algo impossível, não me considero melhor que ninguém, eu só tento – e não é fácil – escolher o caminho das boas lembranças e das lições a ter que pensar em tudo que deu errado.

De todas as coisas que a gente vive na vida, as boas são as que a gente menos lembra e deveriam ser as únicas à serem lembradas.

Lembramos do maior trânsito, da maior fossa, do chefe mais chato, da pior dor de cabeça. E parece tão difícil lembrar de quando não teve trânsito, de quando a gente superou, dos chefes mais legais e do dia que demos o melhor dos nossos sorrisos.

Ao buscar a vida perfeita a gente deixa a felicidade passar em frente os nossos olhos.
Mais do que na conquista, a felicidade está em como você você conquistou.

Esse discurso todo soa bonito demais. Sendo assim, a verdade é que eu também desejo muito que você colha tudo que tenha plantado, desejo com todas as minhas forças que você encontre alguém que te teste, que aponte seus defeitos, que te mostre que nem sempre tem razão. Eu torço para que as coisas deem certo pra você exatamente como você faz dar certo para as outras pessoas na sua vida. A consciência é de cada um.

Só que na sua frente eu não choro mais.
Notícias minhas você não terá.

Não se trata de fuga ou covardia, se trata de respeito. Preciso de um tempo pra entender as coisas e pra relacionar que o que eu tinha até um mês atrás, não vou ter amanhã. Preciso de um tempo pra aprender a escolher os filmes sem ninguém, pra poder desassociar os cheiros à você, preciso de um tempo pra me ocupar com outras coisas.

O tempo ensina a gente a amar sozinho tudo o que já amamos com alguém.

Por mais que não faça sentido para ninguém, eu não te quero mal. Estou me esforçando ao máximo para preservar as nossas boas lembranças, pois elas são as histórias que eu quero contar à meus filhos um dia. “Olha só filho, eu já vim aqui antes, faz um tempão atrás e foi muito legal!”. É o tipo de coisa que eu quero viver um dia.

A gente lembra mais da lágrima que do riso.

É natural, o mundo conspira pra acontecer isso. Ainda mais em um mundo onde a felicidade está diretamente relacionada ao fato de ter alguém. Nos é condicionado como vida ideal aquela que se tem alguém ao lado, algo que até concordo, no entanto, a vida pode ser tão boa quanto, sem a necessidade de alguém. O mundo é esse sofrimento porque a gente esquece que antes de fazer bem à alguém, devemos fazer bem à nós mesmos. E de boas intenções nós sabemos qual lugar está cheio.

Só que eu estou tentando ir na contramão.
O único sentimento que combate a dor é a iniciativa, e dela, nasce a superação.
Por isso, bem aos poucos, estou tentando atravessar tudo isso de um jeito que não me abale tanto, de um jeito que me faça mais bem do que mal, de um jeito que mais do que você pra mim, que faça eu me sentir especial.

Não vai ser fácil, mas por falta de tentativa é que eu não vou morrer nessa vida.

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Sobre Ter o Que Contar, Mas Não Contar Com Ninguém

O mundo pesa muito nas nossas costas.
É tanta pressão nos cercando todos os dias que a vontade mais forte que às vezes vem à cabeça é de jogar toda essa merda pro alto e largar tudo e todos.
São dedos apontados na nossa cara acompanhados de uma cobrança de que devemos ser melhores, de que devemos ganhar mais dinheiro, de que devemos ter o sorriso do comercial de creme dental, de que devemos vestir a moda ao invés de roupas confortáveis, de que precisamos ter os melhores aparelhos simplesmente pra mostrar que temos, de que devemos, de que devemos, de que devemos… E ninguém para, senta ao nosso lado e pergunta: “Tá tudo bem com você? Conta o que está acontecendo” ou “Como você está bem, gostei da sua roupa! É bom te ver feliz!”.

Tem pessoas que seguem o lema do “minha vida vai bem, espero que a sua também”.

Se o motivo da dor for carência, nada como uma dose de chacota com uma pitada de “nos olhos do outros é refresco” pra resolver.
Pelo menos é assim que agem as pessoas que possuem esgoto e não sangue correndo nas veias.
Já se a dor for a falta de reconhecimento ou um desânimo com o calendário sem novidade, é de se esperar o discurso de que “tudo tem sua hora”. É como dizer que para um bolo ficar pronto é necessário ir ao forno. Disso, todos sabemos.

Apesar de reais, tem vezes que o silêncio pode ajudar mais que os clichês.

Voltando à cobrança. Esse nosso mundo é mais feito pelo que parece ser do que pelo que realmente é. Você pode até não ser bem sucedido, mas tem que aparentar, e para tal, vale até comprar um carro parcelado em 434345354x ou o celular mais moderno só pra não se sentir excluído diante das pessoas que, aparentemente, são felizes e “atualizadas”.

Pra quê ser, se podemos aparentar?

Pra quê sentir, se podemos omitir?

Pra quê chorar se podemos postar “hahaha”?
Pra gente mostrar como somos fortes e gritar pro mundo que a nossa vida é legal e que as coisas sempre dão certo. É por aí. A escolha é nossa.
Não é nada mais que uma gigante, pesada e agressiva ilusão.

Em contrapartida, tem as pessoas que fazem de uma unha quebrada motivo para UTI. Já dizia a música “sofrer para despertar audiência”. Gente que prefere gritar pro mundo o quanto a vida não está boa do que fazer alguma coisa para mudar tudo.

Essa merda toda cansa à qualquer um que tenha coração.

É tanto sentimento que a gente se afoga sozinho.

Temos que fazer parte, temos que fazer sentido, temos que nos destacar, temos que nos superar, temos que ultrapassar, temos que ganhar tempo, temos, temos e temos. Eu temo é pelo que podemos nos tornar. Temos que fazer tanta coisa que esquecemos de fazer o que mais sabemos: ser nós mesmos. Ser eu, ser você, sermos nós. Recheados de defeitos e roupas nem sempre de marca, com gostos populares na culinária e atual domínio em uma só língua. Ser nós mesmos é admitir que gostamos da música que todos fazem piada, é não ter vergonha de não saber lidar direito em uma mesa com tantos talheres, pratos, entradas, petiscos e o escambal. Só a gente sabe do que a gente precisa e em tudo que precisamos melhorar, afinal, seja a dor ou a felicidade, quem viverá cada uma delas seremos nós mesmos, sozinhos, sempre e pra sempre. Ser o que de fato somos não nos faz pior que ninguém que saiba ser além.

As lições são as mesmas para todas as pessoas, o que muda é o nosso ano na escola.

Sobre “só a gente saber do que precisamos”, é claro que contamos e muito com a ajuda das pessoas que gostamos. No assunto em questão, no entanto, digo sobre eu, sobre você, sobre nós, sobre a gente, momentos antes de colocar a cabeça no travesseiro. Ali, naquele momento, no fundo nós sabemos, nunca terá ninguém pra enxugar a nossa última lágrima, tão menos terá alguém pra assistir o nosso mais bonito e sincero sorriso celebrando o dia feliz que vivemos.

Na viagem dos sentimentos, as pessoas são as passagens para os eternos destinos.

Embora grande demais, a gente coloca o mundo inteiro nas costas, e pra completar, as pessoas são egoístas demais pra ajudar a gente à carregar, ou são prestativas demais a ponto de quererem o mundo só pra elas.

Ninguém nunca vai entender como é difícil esquecer um amor que doeu, tão menos como ainda dói ver a foto que já fez sorrir ou como corta o peito sentir o cheiro que já fez suspirar. Ninguém vai entender como a tua página pesa pra virar, ninguém vai entender as coisas que a sua cabeça solitária pensa. E isso não é problema, isso é verdade, uma verdade cruel, mas ainda assim verdade, ainda assim melhor que qualquer vã esperança. Talvez seja a deixa da vida para que arregacemos as mangas.

Pode parecer um egocentrismo barato, mas se a gente não encontrar as respostas dentro da gente, ninguém vai chegar na porta da nossa e dizer: “Oi, sei como resolver os problemas da sua vida!”, ainda mais se tratando de um mundo onde tudo que as pessoas mais querem é pisar em problemas ao invés de resolverem. É uma defesa ingênua pensar que o fim de semana frenético te alivia a tensão da segunda-feira à seguir. Obviamente, não é justo que sejamos reféns destes mesmos problemas, o que acontece é que não podemos viver como se eles não existissem.

Problemas não resolvidos são como machucados não remediados.
As cicatrizes não aliviam o peso do mundo mas dão mais força pra gente suportar.

Vou Assistir de Camarote Quando a Sua Hora Chegar

Sabe por quê eu fico assim tão tranquilo quanto ao teu jeito? Porque eu definitivamente não me importo mais com você muito menos com o que você pensa. Eu não desejo nada de muito ruim além de que você se exploda com esse teu jeito e o teu discurso de “sou assim e não vou mudar”!
E não, não é raiva, rancor ou sei lá algo assim, é só uma questão de cansaço e de reflexão. O tempo passou e só agora eu percebi o quanto eu estava sendo idiota com você, ou melhor por você. Mesmo longe, sempre me preocupei com a sua felicidade e atravessei madrugadas sentado no meu quintal imaginando onde você estaria, qual boca estaria beijando ou pra quem estaria entregando seu corpo. Em todas essas vezes eu pedi a Deus que te protegesse e que assegurasse que de um ou jeito ou de outro, fazendo o que fosse, que você estivesse feliz. Mas isso são coisas que você não precisava saber e não quero que surte qualquer efeito te falando agora.

Eu só fico assim tão tranquilo quanto à você porque eu acredito e confio muito na lei do troco, e sério, pode parecer bobagem ou fantasia, mas ninguém me tira da cabeça a certeza de que ainda vou ver meu telefone tocando com você me chamando, ainda vou te ver batendo na minha porta, me chamando na internet, forçando encontros comigo e fazendo o diabo pra chamar a minha atenção, pra chegar em mim e dizer: “Desculpa, eu me arrependo!” E olha, se isso acontecer de verdade, vai ser muito divertido viver esse momento. A lei do plantou colheu pode demorar pra fazer sentido, mas quando faz, é irreversível e não há coração de pedra que não ceda ao arrependimento e a dor do remorso.

Que se exploda também todos os meus esforços por você e que corra pela sarjeta todas as lembranças das coisas que planejei pra gente. Demorei, mas cheguei a conclusão de que você não merece que eu sinta tudo o que já senti. Não estou a procura de alguém  que me mereça, estou a procura de mim mesmo. Pra que eu alguém possa me merecer, eu preciso fazer sentido pra mim mesmo e por enquanto estou confuso demais. Ou não também, não devo te contar detalhes do que eu penso.
A culpa é sua pela confusão da minha cabeça! Porque em um certo momento cheguei a acreditar que eu estava enlouquecendo, pois tudo que eu fazia de bom não tinha menor o efeito em você, todas as coisas que eu falava, toda a lágrima que escorri na sua frente praticamente te implorando pra gente continuar a história, nunca foram nada mais que cenário pra você. É uma merda porque comecei a pensar que eu estava fazendo pouco, sabe? E toda vez eu me sentia na obrigação de fazer mais e mais! Nunca achei que fosse o bastante, porque você nunca reagia de modo que me convencesse de que estava pelo menos lisonjeada com o que eu fazia, pelo contrário, tenho certeza de que todas as vezes que eu te liguei você contava os minutos pra eu parar de falar e poder te deixar ligar pra alguma amiga e então combinarem a próxima balada.

Nesse meu sentimento todo tem muita decepção envolvida! Em pensar que eu achei já ter vivido o suficiente nesse sentido… É uma nova lição de que quanto mais você acha que já viveu de tudo, menos você viveu algo de fato. Você se tornou uma desconhecida, não faço ideia de quem seja e até o teu sorriso sempre tão perfeito, ficou amarelo. Mas não sou eu quem você deve ouvir, você nunca gostou mesmo de fazer isso. Vai lá ouvir as pessoas que desenham o mundo dos sonhos pra você, aquele mesmo mundo onde não há espaço para o aprendizado nas coisas chatas, só tem felicidade, tudo é colorido e tudo é motivo pra festa. Igual a vida, né? Só que não.

E eu só sou a ponta de tudo o que você está perdendo. Você, teimosa, não consegue perceber todas as cagadas que faz. Mas eu faço questão de te lembrar. Além de eu ir embora, suas amizades sinceras também estão indo. Apesar de eu achar que isso não faz assim tanta diferença pra você né, afinal, quem precisa de amigo chato pra dizer o que a gente tem que ouvir e não que a gente quer ouvir, né? VOCÊ! Você precisa de gente assim, mas repito, não sou eu quem vai te dar novas dicas de como se comportar pra não perder todos que gostam de você. Essas e outras coisas você só vai aprender quando estiver bebendo da própria lágrima, quando se olhar no espelho e ver que o vermelho da maquiagem da noitada foi substituído pelo teu próprio sangue escorrendo. Não é o que eu desejo, mas é o que eu vou chamar de justo, caso aconteça.

Por essas e por outras coisas que eu não me importo mais com você. Simplesmente cansei de me preocupar com quem não faz a mínima questão da minha sobrevivência e fica quieta, não fala nada, quanto mais você disser que exagero, mais eu vou achar que é verdade.

Não tenho tanta certeza se foi bom enquanto durou.
Ou melhor, pra mim foi e é isso que eu preciso levar pro resto da minha vida.