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Agora Vamos Falar de Coisa Boa?

Olha, devo te dizer que pensei que seria difícil, mas não tanto quanto realmente foi.
Esse negócio de ter que virar a página não é o que a gente pode chamar de algo fácil. E tudo fica ainda pior quando aparece um monte de gente falando o que a gente deve ou não fazer, tipo, um monte de gente se achando dono da verdade. É, não é mole não.

É exatamente na dificuldade que a gente encontra a possibilidade.

Explico.
Pra quem, como eu, chegou a pensar que a saída seria mudar de casa, de país, de planeta, sei lá, pra saber se ia conseguir ter de volta bons dias de paz, até que consegui superar com certa velocidade.

É na dor que a gente sente que mora a força da superação.

Então dá pra pensar que: sofrer faz bem.
Que loucura, né? É. É mesmo.
É que a dor rima com amor, que por isso, se faz justo que façamos da dor alguma lição pra fazer a gente sentir amor de novo. Para pra pensar: até que faz sentido.

Por isso eu te larguei.
É, eu te deixei, de uma vez por todas.
E o quanto eu venho tentando fazer isso…
Essa vida de ser refém da saudade não tá com nada e nunca me trouxe nada mais que um monte de lembrança que eu quero esquecer.

Depois que comecei a pensar assim, comecei a entender melhor.
Vou te falar que até sinto uma raiva de mim, sabe?
É que eu me dediquei igual idiota muito pensando nessas de “quem sabe agora”, “vou fazer melhor”, “vou fazer os gostos” e etc, sem perceber que eu até poderia fazer bem pra você, mas no fim das contas jamais estaria fazendo bem a mim mesmo.

Se o tapa não arder a lição não foi aprendida.

Eu nunca ouvi falar de alguém que tenha superado sorrindo.
Eu tive que comer o tal do pão que o diabo amassou pra poder chegar aqui e ter grandeza pra te dizer: quero que se exploda.
Entenda, eu realmente não te desejo mal, não desejo mal pra ninguém nesse mundo, só que aconteça o que acontecer com você eu realmente não quero estar perto pra presenciar.

E quer saber? Eu não me arrependo, na verdade, nem chego perto de pensar nisso.
Vou te dizer a diferença entre nós dois: eu nunca menti ao te dizer o que eu sentia, já você, você sempre fez questão de tudo, menos de me dar alguma segurança sobre o que a gente vivia. E do contrário, pensava que uma noite de sexo me compraria.

Agora deu.
Pra quem vê de fora pode até parecer um exagero me ver falando desse jeito, mas sabe o que eu penso dessas pessoas? Que elas se explodam juntinho de você <3, pois ninguém estava no meu lugar pra sentir o que só eu sei que senti com o jeito que você me tratava, com as coisas que me falava e em como vinha com discurso de “confia em mim” que eu sempre acreditei. Então, eu estou me lixando para o que pensam sobre mim.

Não precisa fazer esforço pra me esquecer, pois quem não consegue lembrar de você sou eu.

É uma pena, sério, uma pena.
Fico triste em ter um sentimento bom transformado em algo absolutamente ridículo. Em outras palavras, fico mal por um dia ter te falado tudo o que te falei e hoje sentir nojo do que você se tornou. Ou do que você sempre foi, vai saber.

As coisas não andam tão bem assim pra mim ainda.
Eu ainda demoro um pouco pra dormir e acordo num horário que eu não gostaria; vez ou outra te encontro nos perfumes de alguém no metrô e nos refrões de algumas músicas, só que isso tudo faz parte, né?

Você vai me ver em todos os lugares que tentar me esconder.

Estarei exatamente lá: no beijo que te fará lembrar de mim e na risada gostosa de se ouvir.

Deixa eu te falar uma coisa.
Tem um negócio nessa nossa vida que se chama: reciprocidade. Essa palavra bonita significa algo do tipo: fazer aqui, receber ali. E isso é aplicado em tudo. Vai ver ninguém tenha te apresentado essa palavra ainda, – e aliás, pelo menos comigo você raramente entendeu – mas funciona assim: o destino também é recíproco com a gente. Apesar da gente não ter controle sobre ele, nós somos responsáveis pelas escolhas que fazemos para viver este destino. Parando de filosofar, o que eu quero dizer é que você vai receber c-a-d-a segundo que me faz passar, dos bons até os, digamos, horrorosos.

Não é questão de fazer algo pensando em algo em troca, mas sim, de fazer algo exatamente do jeito que gostariam que fizessem com a gente.

Eu não quero estar ao seu lado pra ver nada.
Eu não quero saber de nada sobre a sua vida. Sobre a sua família, eu desejo o bem.

Pode acontecer que tudo mude, é verdade.
Você pode aparecer amanhã com um monte de argumento pra tentar me convencer que a gente pode tentar de novo, você pode aparecer com a roupa que eu mais gosto, pode aparecer com os convites mais irrecusáveis, mas entenda, eu já não consigo nem ouvir seu nome.
Você pode querer voltar.
O tempo vai passar e com ele você “pensar melhor” e finalmente rever todas as merdas que me disse e o quanto isso me fez mal, mas sabe o quanto isso vai adiantar? DE NADA.

Entenda que não sou extremista a ponto de dizer que dessa água nunca beberei, mas estamos falando aqui sobre amor-próprio, sobre ter alguém que realmente mereça o que a gente sente, sobre como é bom poder dizer que há sinceridade e comprometimento.

Em tudo isso aqui, desde o começo, estamos falando sobre coisa boa, não sobre você.

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Cheguei Em Casa, Obrigado Por Hoje

Hoje eu ia te chamar pra sair.
Cheguei até a abrir sua janela no chat pensando em puxar algum assunto pra quem sabe depois a gente combinar alguma coisa e aproveitar esse dia. Mas me deu medo.
Me deu de parecer idiota.
Talvez esse medo todo tenha a ver com todas as outras vezes que eu já me esforcei por alguém e não tive absolutamente nada em troca, talvez isso tenha a ver com essa merda de reciprocidade que tanto falam e que faz tempo que eu não faço ideia do que significa.

O problema é que eu sou assim sentimental e incontrolável.

Desde criança, lá nas minhas primeiras paixõezinhas de escola, sempre fui quem sentia o coração despertar ao só chegar perto de quem eu gostava, aí eu ia e tentava falar alguma coisa e em praticamente todas as vezes o que eu falava era algo que não significava nada, mas pelo menos falava.

Transbordo tanto sentimento que tenho medo de morrer afogado em mim mesmo.

Engraçado é que isso era pra ser algo positivo.
Só que o mundo é estranho demais e na prática eu não vejo nada do que as pessoas compartilham sobre amor. Tudo que eu vejo é um monte de gente cansada de tentar, tentar e tentar de novo, um monte de gente calejada de sofrimento e que por isso não sentem mais a mínima vontade de algo novo, pois quando algo de fato novo surge, elas fogem, ela correm, elas ignoram, elas sentem medo.

Hoje todo mundo tem medo de conseguir ser feliz.

Por isso que logo quando a gente conhece alguém, muitas vezes já tratamos de procurar algum defeito na pessoa, pois por mais incrível que pareça, não consideramos que exista alguém que goste da gente como realmente somos. Estamos terrivelmente acostumados com a tristeza. É claro que, na teoria, isso tudo é mentira, inclusive as mesmas montagens de frases de efeito servem de prova sobre como as pessoas desejam coisas melhores. Só que na prática, ah na prática…

Por isso eu abri sua janela pra conversar e só fiquei lendo nosso histórico.
Cheguei a visitar teu perfil pra relembrar das suas últimas postagens e saber como andava o seu senso de humor.
Hoje eu ia te chamar pra sair pra gente fazer qualquer coisa que trouxesse uma alegria pra nós dois, mas eu não me sinto mais confortável para isso. Eu não quero mais ter que pensar: “por que você fez isso idiota?”. Não se trata de arrependimento, se trata de mudança de valor e prioridades baseada em experiências anteriores, que embora eu sei que de pouco valem, hoje em muito me fazem efeito.
Sempre fui quem corre atrás, quem torce o braço e quem confessa saudade. Só que chega uma hora que por maior que seja a vontade a gente tem que ter um controle e pensar se tem valido a pena.

Chega uma hora que a gente tem que pensar na gente.

E nesse sentido, aos poucos a gente vai se acalmando e aceitando as circunstâncias das nossas atitudes, ou seja, se eu tivesse mesmo falado com você talvez eu estaria chegando em casa agora comemorando um dia gostoso ou estaria me punindo por mais uma vez ter feito um esforço a mais por quem tem uma vontade a menos. Ou o que aconteceu: não falei com você, não te chamei pra sair, não tive que ouvir nada da sua parte, não tive sim nem não e aceitei viver meu dia.
Não quero parecer idiota de novo ao planejar um dia legal pra gente viver junto quando tudo o que você mais quer é que não fiquemos juntos de maneira nenhuma.

São as nossas atitudes que comprovam as nossas vontades. Não as nossas palavras.

Então aquele discurso de “ahh, eu queria tanto, mas hoje não vai dar!” – isso quando nem discurso existe – não significa bosta nenhuma quando na verdade você não queria nada e eu acabei de alguma maneira atrapalhando o seu dia, pois eu imagino te chamando no chat, você vendo o meu nome e pensando: “Que saco, lá vem de novo!”. E por mais loucura que imaginar isso possa parecer, é só exatamente o que você mostra.

Corações precisam de abraços e não de mensagens de saudade.

Estou falando que um pequeno gesto de verdade, um pequeno gesto ao vivo, um pequeno gesto sincero é melhor do que a mais linda palavra que a gente possa dizer.

O problema é que eu fico triste, pois se tem uma coisa que aprendi nessa vida é de não policiar meus sentimentos e não deixar de fazer as coisas que eu quero, só que essa vontade toda acaba exatamente no momento que eu me vejo remando sozinho, tentando por dois, querendo por dois. E isso aconteceu hoje.

Isso não é para soar como se eu estivesse desesperado em estar perto de você, isso tudo aqui é sobre o jeito que você leva a sua vida e em como é injusto esbravejar depois por todos os lados sobre o quanto as coisas não dão certo pra você. 

Hoje vi como eu mudei.
Consegui me controlar.
Deixei sim de fazer o que sentia, deixei sim de arriscar, deixei sim de talvez viver algo bem legal, mas hoje, mais do que nunca, hoje eu quis me poupar, eu quis evitar de pensar que tenho tanta coisa pra oferecer mas ninguém sem ninguém pra receber.
Tem coisa boa vindo que eu sei, hoje eu só preferi não desperdiçar o minha SMS de “Cheguei em casa, obrigado por hoje!” pra aproveitar com alguém que me convença que mereça.

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Vem Cá, Não Precisa Falar Nada

Deixa a voz falhar.
Encosta a cabeça, sente meu cheiro e suspire devagar.
Aqui a música é do meu coração feliz por encontrar o seu.
Ele aumenta de velocidade quando você diminui a distância de mim.
E é assim comigo todas as vezes desde a primeira vez.

Tem coisas que precisam acontecer.

Tenho um passado que não me traz sorrisos, mas este mesmo passado me trouxe até aqui e tenho certeza que se eu não vivesse o que vivi, jamais saberia o que é esse tal de valor as pequenas coisas.

As coisas que a gente demora pra aprender são as que nunca devemos esquecer.

Faz parte. Ninguém nasce sabendo de tudo, embora desde muito pequenos já aprendemos o que não podemos fazer. O critério sobre o que é certo ou errado, em tese, é o mesmo sobre o que vale dar valor ou não. As lições são as mesmas, as escolas que mudam e na escola da vida, só cabe 1 aluno por unidade.

Aqui eu já sequei minha lágrima, lembra?
Aqui também eu já te segurei pra tentar te fazer parar de chorar. Eu lembro.

É no silêncio do carinho que as boas intenções fazem morada.

Em outras palavas, até aqui e sobre “aqui” estou falando do nosso abraço e em como eu não sou nada sem ele.
É pertinho de você, entre os seus braços com suas mãos indo e voltando pelas minhas costas, junto ao seu cabelo e deitando no seu ombro, é onde eu gosto de ficar.
E tudo é ainda mais verdade quando é o nosso abraço deitado.

Quando a gente deita e eu te vejo de baixo para cima fazendo do meu peito seu travesseiro e meu coração falando coisas diretamente pra dentro do seu ouvido, é que eu celebro o meu passado por me deixar viver isso.
As coisas não mudam muito quando sou eu quem te vê por cima. Deitado sobre você com os cotovelos na cama, cabeça acima dos seus seios, queixos aproximados e a nossa respiração ofegante. Te ouço falar enquanto meço cada centímetro do seu rosto com a ponta dos dedos, aliás, as mesmas com que percorro seus lábios e saio tentando medir a sutileza com que você se expressa ao falar. E tudo isso acontecer devagar, enquanto a gente conversa.

Também é especial quando o sono vem.
De costas para mim, me aproximo e nossos corpos se encaixam como peças de engrenagens. Você se encolhe pelo frio da madrugada e eu te trago ainda mais pra perto como se eu falasse: “Não precisa se preocupar, estou aqui e aqui eu vou ficar”.

Falaria sobre nosso abraço por horas.
E quando eu toco a campainha e você vem abrir o portão? Ali se faz o nosso mais sincero abraço saudade. O primeiro das próximas horas, o mais faminto e talvez o mais longo. Toda vez você reclama que está descabelada e a verdade é que nesses momentos eu nunca reparo no seu cabelo. Abusada, quando faz frio, procura se aquecer colocando uma das mãos por baixo do meu moletom e minha camiseta, ou seja, gelando minhas costas com suas mãos de tão frias.

A gente gosta de transformar as coisas.
E o mais legal é que isso é natural. Sempre – e sem querer – encontramos alguma forma de fazer com o que o próximo abraço seja sempre melhor, apesar de algumas dificuldades. Tipo quando eu te busco de carro, parando em local proibido, te pedindo pra entrar rapidinho. Ali o abraço é adiado até o próximo momento de tranquilidade.
Tem também aquele que a gente dá escolhendo um filme no cinema. Um ao lado do outro, desocupamos uma das mãos para apontar os horários nos televisores ou para um segurar o jornal com a programação, enquanto o outro aponta as sessões.

Meio sem jeito, – lembra? – é quando tentamos também nos abraçar em algum show de uma banda que gostamos. Engraçado, no entanto, que esse absurdo da física de tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo até que faz sentido, porque a gente consegue, sabe lá como, curtir abraçados. É algo sobre viver um momento bom e querer compartilhar cada segundo um com ou outro. A gente não se gruda, mas também não nos policiamos.

Por isso, fica aqui, pode ficar. E se quiser, nem precisa falar nada, deixa a voz falhar. Encosta a cabeça, sente meu cheiro e suspire devagar.
Aqui, do jeito que a gente está, depois de me ouvir tanto falar.
Continua aqui descansando no meu ombro enquanto pego uma porção do seu cabelo e me divirto em colocar e retirar de trás da sua orelha.
Se um dia esse meu abraço não bastar pra você, acredite, ele continuará sendo igual e pra sempre vai saber como se comportar quando que te ver.

Agora, vem cá.
E fica aqui.

(Texto especial pelo Dia do Abraço!♥)
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É Que Quando a Gente Gosta… Bem, Deixa Pra Lá

Quanto mais o tempo passa, menos entendo quem eu sou e mais longe ainda fico de fazer ideia do que significam todas os meus sentimentos, muito embora, é bem verdade, sei que todos são bons. Não estou nessa vida pra propagar a parte infeliz dela. Desde que me conheço por gente procuro manter uma postura positiva e ocupar meus dias com mais sorrisos do que com qualquer outra coisa.

De remédio para as minhas dores de cabeça, você se tornou o motivo por todas elas.
Mas a culpa não é sua.

Você é um medicamento que venceu o prazo de validade.

Fico pensando como a vida é realmente incontrolável. Outro dia eu só conseguia lembrar da gente viajando pra praia com nossos amigos, dormindo juntos no chão dividindo o mesmo colchão de solteiro sem reclamar, e agora o que eu tenho feito é lembrar exatamente das mesmas coisas, só que o que não acontecia antes hoje é normal: hoje dói.

Sabe, eu penso tanto na gente.
Não que eu fique pensando pra encontrar uma maneira de reviver o passado ou desenhar um futuro, eu só penso pra me preencher, penso porque de um jeito estranhamente inexplicável até que me faz bem.
É uma merda, eu não consegui mais me envolver com outra pessoa, e não foi por falta de tentativa. Até hoje não entendo porque o meu coração nunca mais bateu do jeito que ele batia por você, até hoje me pergunto o que raios você tem de tão especial que só de ouvir seu nome mesmo sem ser exatamente sobre você, eu me abalo e procuro evitar.

Desabo só de imaginar outro alguém te vendo dormir e acordar.

Penso também se alguém conseguiu te entender tão bem quanto eu, se alguém sabe respeitar o lado da cama que você gosta de dormir, se alguém sabe que o seu jeito rude não é por mal e que no fundo você é só uma pessoa que carece de abraços mais apertos que os convencionais. Sabe, eu penso tanto se você tem voltado pra casa em segurança, se você tem se alimentado direito e penso até se você tem diminuído os desgastes com seus pais. Mesmo sem ter por quê eu ainda lembro muito de você e você não faz ideia do quanto.

Será que ainda sei o seu filme favorito? Será que você ainda quer viajar pelo mundo? Será que você ainda tropeça nas ruas sem querer? Não faz muito bem lembrar tanto assim, mas eu prefiro confessar minha fraqueza do que fingir esforço.
Se por acaso não conseguir parar de gostar de alguém for sinal de ser uma pessoa incapaz, então eu sou a mais incapaz de todas.

A gente não escolhe quando deixa de gostar.
No calendário não dá pra ver a data que o sentimento acaba.

Foram muitas as vezes em que eu passei pela sua casa e pensava se você estava bem. Já cuidei tanto de você sem você saber.

Hoje não sei bem se o que eu sinto é saudade, pois essa tal saudade é algo que a gente sente quando não temos mais, e sei lá, pode ser coisa de outro planeta, mas eu não sinto que não te tenho mais, não sinto que acabou, não sinto que a gente viveu tudo que a gente tinha que viver. E pode parecer loucura – como meus amigos inclusive dizem! – mas eu gosto de te manter com vida aqui dentro do meu peito. É óbvio que não sei explicar e mais óbvio ainda que eu gostaria que fosse diferente, mas eu não consigo fazer nada.

Não fala pra eu te esquecer, fala pro meu coração.

O tempo foi passando mas ainda tenho sua lembrança viva nos meus passos e em muitos dos meus sorrisos. Consigo sentir nossas mãos transpirando ao caminharmos nas tardes do verão, bem como sinto quando elas congelam nas impiedosas noites de inverno. E também como nossos pés batem quando nossas meias se perdem sob o edredom. Vejo como se fosse um filme a gente na praia quebrando as ondas com mergulhos desajeitados ao som das nossas próprias risadas e você perdendo a estribeira com a quantidade de sal no seu cabelo enquanto eu te jogava água em punhados.

Ouvi tanta gente dizer sobre a gente.
Foram tantas pessoas que tentaram me convencer que eu o que sinto é injusto, que tem um monte de gente lá fora querendo 1% do que eu tenho pra oferecer e que hoje só ofereço pra você. Muita gente me disse também que se você gostasse como eu digo que gosta ainda, você já teria vindo atrás. Chuva de lenga-lenga.

Eu nunca pedi pra ter razão, nunca esperei compreensão, eu só vivo pelo meu coração.

E pouco me importo se ele é otário e insiste em bater mais por você, que eu nem vejo mais direito, do que por meia dúzia de elogios que ouço numa noite qualquer.

Hoje eu queria ser outra pessoa.
Queria ser quem eu era quando tinha você comigo.
E queria que a gente fosse de novo juntos o que já fomos um dia.
Felizes.
Do nosso jeito. Felizes.

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Esse Dia Pode Ser Amanhã

Eu ia ser mais feliz se tivesse um botão no meu corpo que funcionasse como “Gostar”, “Não gostar”, sabe? Se eu fosse de fluído, ferro e graxa acho que as coisas dariam menos errado do que sendo de carne, osso e sentimento. Em tese, claro.

Pouco a pouco a gente aprende a lidar com o que somos ao invés do que com o que gostaríamos de ser.

A fase não é boa e ainda me peguei pensando nas histórias que vivi até hoje.
Em cada uma delas eu vi um lado diferente de mim. Vi também como as pessoas são diferentes diante das mesmas situações e como isso é interessante! Afinal, é bom saber que nem todas as pessoas sentem o mesmo tipo de ciúmes, que nem todas traem e por aí vai. Tem gente também que não vê graça em iniciais nas nuvens, já eu…

A verdade é que hoje eu não estou sabendo muito bem o que fazer com uma situação que eu vivia com mais frequência quando era mais jovem, criança mesmo, lá na escola. Foram inúmeras vezes que eu sonhei com uma história perfeita e a pessoa nem ficava sabendo desse sonho, outras milhares – as ocasiões mais difíceis -, quando eu conseguia romper a barreira da minha timidez, revelava tudo o que eu sentia, mas no fim, eu gostava por nós dois.

Voltei pra essa fase.
Hoje me vejo gostando por dois. Tanto, mas tanto, que chega a doer. É tão difícil ter que guardar pra si todo um sentimento bom quando a gente quer dividir com alguém, com alguém especial.
Nessa fase lembrei de outras dificuldades que já passei com esse negócio de gostar de alguém.
Sem saber muito bem o por quê, comecei a gostar muito de alguém que eu nunca tinha visto na vida. Sei lá, foi aos poucos, a gente conversava pra caramba, eu fazia as coisas rapidinho em casa pra gente poder ter o “nosso tempo” na internet. Meus amigos reclamavam que eu demorava pra responder mas não faziam ideia do quanto eu estava gostando do motivo pra essa demora.

Lembro que construímos algo que só nós dois acreditávamos. A gente se bastava. Ter como falar pela internet ou pelo celular já era o bastante, já que a realidade era a que morávamos a quilômetros de distância um do outro. Que situação complicada.

Dias novos trazem novos sabores dos velhos sentimentos.

Ali eu descobri que existe a saudade pelo que eu nem tinha. Que coisa louca! Me fazia falta quando não dava pra gente se falar; me enfurecia quando a conexão da internet caía ou quando eu ficava sem dinheiro pra colocar crédito no celular pra gente poder conversar outras horas durante o dia.

Já não bastasse tantas, tem também a dificuldade de controlar a vontade e a saudade por algo que nem temos.

Mas pra mim, no meu mundo, era tudo muito real, eu conseguia sentir tudo! Todas as minhas risadas eram reais, as minha preocupações também. Comecei a enlouquecer! Via pela cidade pessoas com o rosto parecido, via nas vitrines presentes que eu gostaria de comprar. Eu via um mundo onde eu não podia viver!

Ter que aceitar que faz parte é pior que aceitar o fim.

Porque o fim a gente sabe: uma hora ou outra, cedo ou tarde, vai chegar. Que seja daqui a 10 meses ou 100 anos. Agora, colocar na cabeça que as dificuldades que impedem as coisas de darem certo “fazem parte da vida” é algo que machuca e a gente se questiona se essa vida é realmente justa.

Ainda nessa mesma história, o fim chegou. Da mesma forma que “começou”, terminou, assim, inesperadamente. Só que eu levei mais tempo para superar. Sou dessas pessoas que não brinca com o que sente e mergulho de cabeça em coisas que nem tenho certeza.
Aí eu demorei pra deixar partir, demorei pra aceitar que não dava mais, que estava começando a fazer mal pra gente.

Só me convenço de que acabou quando eu coloco o ponto final. O meu ponto final particular, tendo em vista que falo das minhas histórias. E isso leva tempo, até acontecer eu fico pensando em alternativas pra dar certo, possibilidades, planejando fantasias. Eu sou assim, não tem jeito.

Como eu gostaria de não ter que viver de novo essa página da minha vida, essa busca enlouquecedora pela valiosa e simples reciprocidade. Inclusive isso me faz lembrar de uma outra história que vivi onde tudo corria muito bem. A gente já estava junto a um tempo, planejávamos coisas, mas a pessoa que estava comigo tinha medo, o mais puro medo de tentar a felicidade.

Só descobrimos atalhos quando mudamos o caminho.

É estranho pensar que tem gente que tem medo de mudanças, que aliás, vê essas mudanças como algo ruim ao invés de pensar em algo que pode ser melhor, que pode fazer tudo dar certo mais rápido. Isso nunca entrou na minha cabeça e eu me esforcei pra acreditar que aquela história não ia me fazer bem sem questionar se era um motivo genuíno ou não. Eu só desisti pra não ter que sofrer por algo que eu considero saudável. Não consigo viver uma história, que pode ser maravilhosa, com alguém que tem medo de tentar. Essa é a vida se provando surpreendente sempre.

Só que hoje…
Hoje é tão difícil viver essa minha fase. Eu sou uma enchente! Estou transbordando sentimento, o melhor deles, por alguém que não sente o mesmo.
É inevitável, me pergunto: Por quê eu fui gostar justo dessa pessoa? Tem tanta gente querendo ganhar tudo que eu tenho pra dar, mas não, lá vou eu e gosto de quem só sabe que eu existo.

O nosso maior problemas somos nós mesmos, logo, a nossa maior solução somos nós mesmos.

Eu gostaria que tudo isso tivesse sido diferente, gostaria que o que estou vivendo fosse diferente, gostaria de ter fotografias pra recordar, gostaria de entregar os presentes que pensei em comprar, gostaria que as datas comemorativas também fizessem sentido pra mim, gostaria de um monte de coisa boa. Mas tudo bem.

É um “tudo bem” de respeito e não de omissão.

Talvez não hoje, mas eu sei bem que um dia desses que estão pra nascer eu vou acordar achando que vai ser só mais um dia qualquer e aí vou chegar em casa a noite, e antes de dormir, vou deitar e pensar: valeu vida!

Na fraqueza posso não acreditar mais em mim, mas sempre acredito na última coisa que morre nessa vida.

#Este é um texto interativo especial. Foi escrito baseado em sugestões de temas/sentimentos de leitoras da página no Facebook.

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Um Brinde ao que Nem Aconteceu Ainda

Leia ouvindo:

Deixa a lágrima escorrer.
Segurar o choro é só um adiamento do que uma hora ou outra vai acontecer. Chorar faz  bem, só que mais do que fazer bem, faz parte.

Sabe aquelas coisas que todo mundo fala que faz parte da vida? Pois é, se faz parte, a gente precisa viver, a gente precisa ultrapassar.
Concordemos que muitas são as coisas que fazem parte da nossa vida. Se considerarmos que quem nos manda é o coração, e todos temos um, todos passaremos pelas mesmas coisas que ele quiser. Ele é responsável por toda a felicidade e por toda a dor e ele, só ele, especialmente no caso da dor, sabe a hora que podemos abrir a janela para o sol entrar de novo.

Ter que lidar com todos os nossos sentimentos, envolvendo várias pessoas, em várias situações, não é algo que podemos chamar de fácil. É difícil lidar com gente ignorante, com gente que só reclama, com gente que exagera e com mais um monte de tipo de gente. Só que é mais complicado lidar com a gente mesmo, com o que a gente sente.

E entre todas as coisas que a gente sente, uma das mais impiedosas é a saudade.
Reconhecer que não há nada mais que possamos fazer, que a nossa vontade de voltar no tempo, de fazer diferente, de dar mais um abraço, mais um beijo, de pedir desculpas, de dizer que gosta, nos sufoca e nos aperta o peito.

Deixa passar, que uma hora a saudade vira lembrança.

Toda a nossa vontade de reviver algumas coisas, rever algumas pessoas, enfim, matar certas saudades, nos afasta de coisas novas. É difícil eu sei, dentro da saudade não há espaço para novidades, só que a mudança começa por dentro da gente, começa pela vontade de mudar e pelo pensamento que devemos lutar pelo que tanto queremos, sem esquecer de considerar que nós só teremos aquilo que merecemos, isto é:

Não adianta desejar o amor da sua vida se você não é o amor de si mesmo.

As coisas da nossa vida são relacionadas e não acontecem sem querer, acontecem porque precisamos viver aquilo, que de alguma maneira vai influenciar os nossos próximos dias.

Não é pra viver em função do futuro, mas também não é pra viver como se ele não fosse existir.

Se for pra sentir dor, pra chorar e pra querer fazer uma ligação desesperada, que faça, mas que faça só uma vez, que lembre-se da importância em deixar os ciclos se encerrarem e toda a água da cachoeira descer para que novas águas possam aparecer.

Nossas experiências talvez sejam algo que continuará com a gente até depois da nossa morte. Tem como saber se há vida depois dessa? Não, né. São as experiências que nos trazem lições e que mudam nossa visão sobre a vida, valorizando mais as nossas atitudes, as pessoas ao nosso redor e o que sentimos.

Urgentes, somos feitos somente do Agora.

Só não precisa se preocupar se as coisas vão melhorar, porque elas vão, não precisa se preocupar se essa pessoa que você está pensando agora vai lembrar de você pra sempre, porque ela vai e quanto mais ela tentar te esquecer, mais você vai morar dentro dela.

As páginas viram mas continuam escritas.

Sempre lembraremos e pra sempre seremos lembrados. A diferença é que algumas pessoas revelam isso, e outras preferem deixar isso guardado em algum lugar que ela sabe onde está, mas que não precisa visitar sempre.

Não conseguimos lembrar do almoço de ontem mas lembramos da última vez que o nosso coração bateu mais forte.
E somos assim: estranhos, incontroláveis e imprevisíveis.

Deixa o relógio passar, para de ficar querendo que as coisas mudem se você não pode fazer nada, mas queira pelo menos pensar que elas mudem caso incline a pensar em coisas que não te fazem bem.
Deixa o vento bater e levar as experiências; hoje você viveu algumas, amanhã serão outras, e mesmo que forem as mesmas, serão vividas de formas diferentes.

Deixa a saudade voar pra longe como as pássaros fazem ao entardecer do verão. Acredite, eles sabem o que fazem e voam para um lugar seguro, imunes à qualquer ameaça.

Se hoje é saudade, amanhã é lição.

Deixa a saudade ir e você terá pra sempre a lembrança em um lugar que só você conhece.

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Estava Esperando a Certeza Pra Falar

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=_lkJkwnXQZ8

Estou aqui pra falar que eu tenho pensado em você.
Sabe, não é algo que eu tenho gostado mas é algo que eu não posso controlar.
Fazia tempo que eu não me impressionava com qualquer coisa e hoje acabo me impressionando por lembrar de você várias vezes durante o meu dia. Já faz tanto tempo desde a última vez que nos falamos e especialmente por isso eu teria motivo pra desacelerar e te esquecer, ou pelo menos sei lá, te guardar dentro das minhas lembranças, mas eu sou incapaz e ultimamente, talvez como nunca antes, tenho convivido a sua lembrança.

Voltei a pensar em você como alguém que me fez bem. Você lembra?
Esses dias me peguei rindo pra janela do ônibus quando a música que começou nos meus fones era um daqueles refrões que você tanto gostava. Ouvir de novo sem você foi como voltar no tempo e de alguma maneira te senti pertinho de mim ali de novo.

Teve uma época que comecei a me desesperar dada a quantidade de coincidências que começaram a me assombrar depois da nossa última despedida. Conheci pessoas com o mesmo nome que o seu, senti seu perfume em quase todos os lugares por onde passei e por algum motivo que eu não sei explicar qual, comecei a gostar de manteiga na pipoca como você tanto gostava.

Nessas de voltar a pensar, me dei conta do quanto você me faz falta.
Das experiências que tive depois, posso tranquilamente contar nos dedos de uma das mãos todas que me fizeram pensar em dar um segundo passo, mas aí, como se fosse uma intervenção divina, as coisas simplesmente não caminhavam.

Foi muito complicado ter que viver a fase de te comparar com as outras pessoas. Te procurei em todos os poucos beijos que dei depois de você, senti falta do seu carinho na minha nuca como fazia enquanto nos beijávamos e me deixou meio pra baixo o fato de eu não ter teu nariz encostando no meu depois de cada um dos beijos, sabe, aquele nosso beijo de esquimó? Errei em te comparar, mas eu não tinha controle do que estava fazendo e tudo o que eu sempre quis desde que terminamos, era encontrar alguém que preenchesse o incrível cratera que você deixou em mim.

Eu só não esperava que o tempo me fizesse pensar em você de novo.

E agora que voltei a pensar, me bateu uma vontade de te dizer que todo esse espaço vazio em mim não pode ser preenchido por outra pessoa que não seja você. É um espaço seu, como se tivesse seu nome, como se só você conseguisse se encaixar. E é muito difícil ter que conviver com a sua falta.

Só que assim, quer saber? Eu até tenho motivos pra não pensar em você se eu lembrar de tudo de horrível que me disse e das cosias que me faz passar, mas novamente, volto a me entregar para a parte boa da lembrança, a parte que se transforma em saudade na qual tenho me rendido.

Não estou falando isso pra te assustar, pra te pressionar ou pra te comover, só estou falando porque eu tenho pensado muito e não é de hoje, estou falando porque de alguma maneira eu também sei que te faço bem, que alguma coisa me diz que você ainda não encontrou quem ceda uma parte do edredom nas noites de frio, alguém que busque água na cozinha pra te evitar a enfrentar o medo do escuro, alguém que apesar de reclamar, tira o DVD do aparelho e assopra pra tirar as sujeirinhas na tentativa de fazê-lo funcionar, alguém que após perceber que um dos seus pés ficou severamente gelado, acorda e sai em busca da sua meia perdida entre nossos lençois. Eu não posso garantir, no entanto, que não tenha encontrado alguém assim, de repente você pode estar vivendo outra história neste exato momento, mas eu tenho certeza, eu tenho a mais absoluta certeza, que as coisas que eu fiz, do jeito que eu fiz, pra te ver feliz, ninguém nunca vai fazer melhor.

E é por isso que eu te falo todas essas coisas.
É que mais do que a saudade de ser feliz, me bateu a saudade de fazer alguém feliz, a saudade de te fazer feliz.

E se você quiser, nós podemos recomeçar. Se não, aos pouquinhos vou te colocar de novo lá no fundo da minha gaveta de lembranças, junto das roupas que gosto mas esqueço de usar, porque te jogar fora da minha vida eu nunca vou fazer.

Que a Palavra Mais Falada Seja a Mais Sentida

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=0b-cazkmLnU

#POSTESPECIAL

Amor.
Neste momento eu só quero falar sobre amor. Depois explico por quê.
Amor é uma das palavras que menos usei em todos os textos do Um Travesseiro Para Dois. Não fiz uma auditoria e pode até ser que ela já tenha sido bem citada, mas tenho certeza que em menos quantidade com relação a todos os outros sentimentos. E foi de propósito.
Amor todos nós sabemos que precisamos e que é o mais belo sentimento que existe, mas e todos os outros? Minha “preocupação” aqui é escrever sobre momentos que a gente vive todos os dias e não só sobre amor, pois ninguém vive só de amor.

Só que agora eu quero falar somente dele e tudo que o envolve.
Penso que não há uma definição precisa sobre o que é amor. Não há uma explicação que convença à todos, não há uma verdade absoluta, não há uma síntese. É um sentimento absolutamente involuntário e complexo no qual cada um vive e interpreta de uma forma diferente. Há o amor pela família e amigos, amor pelo trabalho, pelo lazer, mas aqui, agora, quero falar sobre o amor por alguém especial.

Convido você a pensar em um alguém especial que sinta um amor único. Seria divertido também, se conseguisse pensar em todas as outras pessoas que já foram especiais em uma fase da sua vida, só não vale resgatar a saudade, deixa ela pra lá. Só quero amor.

Amor pode ser isso que estamos fazendo: relembrar com carinho de alguém que nos fez tão bem, que independente do motivo do fim, nos fez um grande bem, nos mostrando coisas novas, nos ensinando, nos desafiando, enfim, compartilhando parte da própria vida com a nossa. Amor pela pessoa.
Há quem diga que amor só se sente uma vez. Será? Respeito, mas é difícil imaginar. Prefiro acreditar que a gente ama várias vezes na vida, de formas diferentes pois o amor possui licença sentimental para ser vivido de novas e diferentes formas.

Aqueles que tentam definir e julgar o amor, na verdade não o sentem.

São colocadas na cruz as pessoas que amam rapidamente. Atenção, vale o raciocínio: O que é amor rapidamente? Quem determina a velocidade com que as coisas acontecem? Desde quando o senso comum é referência sobre o coração? Reflita. Trocar de amor, ter um amor novo é o tipo de coisa que pouca gente aceita, é absolutamente inacreditável e incompreensível. Talvez por isso seja amor, né? Vale outro raciocínio. Se fosse algo previsível, com data de validade, com começo, meio e fim, com definições, com qualquer coisa que pudesse restringí-lo, eu acredito, não seria amor, seria qualquer outro sentimento.
Sejamos práticos. O que é a saudade? A saudade é a falta daquilo que já tivemos. FIM. Pode até existir novas formas de dizer a mesma coisa, mas daremos voltas e chegaremos à mesma conclusão.

E o amor? O que é o amor? Quem pode responder? Quem pode julgar?
Penso que este sentimento é mais complexo pois envolve uma fase em que está sendo vivida, envolve uma nova forma de ver as coisas, envolve a beleza pelas coisas que nem todos veem, envolve uma vida nova. Exemplo: Pode ser chamado de amor aquilo que se sente quando a pessoa não consegue se tranquilizar sem se certificar que a outra pessoa está segura em casa? Pode ué, por quê não? Quem gosta se preocupa, certo? Todo mundo quer alguém que se preocupe com a gente. Também pode ser chamado de possessividade ou como dizem na gíria: ser grude. E quem está certo? Qual livro podemos confiar? As pessoas mais velhas, em tese, mais sábias, podem nos convencer? O amor de escola não era amor real? Mas crianças não são mais sinceras? Depois que crescemos não estamos mais certos do que pensamos e sentimos? Mas adultos não pensam demais e sentem de menos?

Percebe o looping? Este, repito, é meu ponto de vista, profundamente variável dado a complexidade do sentimento, mas você tem todo o direito de ter o seu e ser o contrário.

É justamente essa magia toda que envolve o amor e é o motivo por acordarmos todas as manhãs. Nós curtimos fotos na internet de frases bonitas sobre o amor, nós achamos bonitinho casais antigos pelas ruas, nós lemos blogs que falam sobre coisas bonitinhas (Obrigado! <3), nós cantamos juntos com os refrões mais melosos,  nós assistimos aos filmes mais românticos, nós choramos por esses filmes, nós somos incontroláveis, nossos sentimentos são, o amor é. Evidente, essas coisas acontecem mais com quem está vivendo uma fase de amor por alguém.

Pense sobre qual outro sentimento a gente fica na dilema pra falar x ouvir. “Ele me disse eu te amo!“, “Ela parou de falar eu também e disse eu te amo!“. A gente celebra esses momentos. Comemoramos como se nada mais fosse importante na vida, dane-se tudo, ouvimos alguém revelar que nos ama, ouvimos uma pessoa dizer que além de cuidar da própria vida, agora está disposta a cuidar da nossa, e mais, ela ama fazer isso, ela ama cuidar da gente, ela faz por amor. Louco, não?
Mesmo na ansiedade em momentos como esses não há uma certeza se podemos chamar de amor. Neste caso, o senso comum, faz sentido, e por questão de amostragem, nos comprova que é algo próximo do que em geral as pessoas consideram amor.

Terminar com alguém por não se sentir no mesmo nível. É amor? Terminar com alguém por achar que a pessoa merece mais. É amor? Terminar com alguém dizendo: “Você gosta mais de mim do que eu de você!” É amor? Se diz tanto que ama, por quê terminou? Seria o desdobramento mais fraternal e angelical que se tem notícia do que é o amor por alguém? Quem está certo? Por quê alguém deve estar certo? É, as coisas simplesmente acontecem e quando o momento é o do fim, tudo que a gente faz é se desesperar em busca de uma resposta que nos traga alívio. Mas precisamos desse alívio? Será que não seria mais proveitoso mudarmos a vida, comprarmos roupas novas, mudar o visual, se permitir encontrar um novo amor ao invés de ficar querendo entender o amor passado? Se a gente entender, vai mudar alguma coisa? A pessoa vai voltar? Nascerá amor nela? Será que não esperamos o amor dela da mesma forma que sentimos? Mas aí não seria uma “manipulação de sentimentos” e não estaríamos vivendo em troco de alguma coisa? Atenção para não confundir reciprocidade com ansiedade. Será que toda essa teoria se concretiza na prática? Olha, dá pra perder o ar só de pensar. Falar de amor envolve mais sentimentos do que se pode imaginar.

Vou dividir um pouco do meu ponto de vista sobre o amor.
Primeiro eu acredito que amor não tem explicação. Ponto. Segundo que cada pessoa sente de uma forma diferente. Ponto. E terceiro, que se fosse fácil de entender milhões de bandas e artistas não existiriam, livros não seriam vendidos, novelas não seriam escritas, bombons não seriam criados, flores morreriam, abraços seriam mais curtos, beijos seriam públicos, bebidas não seriam refúgio, corações não seriam de pelúcia, laços não seriam dados, poesias não seriam escritas, estrelas só seriam estrelas, lua, céu, vento, mar, sol e chuva seriam só “coisas legais”. E nós sabemos que dentro do amor todas essas coisas possuem valor especial.

Valor. Amor. Valor. Amor. Valor. Amor. Valor.
Penso que são coisas que andam juntas. Melhor alguém que nos valorize do que alguém que diga que nos ama, melhor alguém que nos convença do que alguém que gaste dinheiro com a gente, melhor alguém que se esforça do que alguém que nem tenta, melhor alguém que chore na nossa frente do que alguém que diz gostar de comédia romântica.

Com amor tudo fica melhor. O beijo tem um novo sabor, o abraço é o melhor lugar do mundo, o sexo é um momento único onde dois se sentem um só, a risada é mais gostosa, a saudade é cada vez mais urgente e incontrolável, os fins de semana passam mais depressa, os perfumes ganham voz, as poltronas do cinema se tornam nossa cama, as filas podem demorar mais, as escadas rolantes não precisam parar, o elevador pode demorar, o ônibus pode não passar, o dinheiro pode até acabar, o frio pode congelar, o sol pode queimar, o vento pode levar, a chuva pode molhar… Só o amor transforma, só o amor constrói, só o amor revigora, justamente por ele ser inexplicável. O amor foi criado para ser sentido e não explicado.

Não há regra, não há receita, não há conclusão. O amor sobressai diante de tudo e todos. Quem nunca chorou aprende a chorar, quem nunca se desculpou aprende a se desculpar, quem nunca errou aprende a consertar. Ele é quem manda. Diante do amor nós não somos nada além de máquinas prontas e submissas à ele, que nos guia, que nos diz sobre o que rir e sobre o que reclamar. E ele é tão sincero.

Vejo mais ou menos assim.
Amor real é o amor que a gente sente, cada um de foma diferente. Fim.
E melhor do que falar “mais amor por favor”, é falar “mais amor pelo valor”.

Deixo meu amor pra você aqui,
Márcio Rodrigues.

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Pessoal, 
Obrigado por tudo até aqui, pela companhia e pelas incríveis palavras! O melhor está por vir e tudo é especial se quisermos que seja!

Este é o 200° POST NO UM TRAVESSEIRO PARA DOIS e espero que tenham gostado!

Foi escrito com amor.

É Tão Inacreditável Que Parece Brincadeira

É bom começar explicando uma coisa: o fato de vivermos no mesmo mundo não significa que temos controle um sobre o outro, ok? Então assim, antes de mais nada, é importante colocar na cabeça que o mundo é o mesmo, mas as pessoas são diferentes, que essas pessoas diferentes possuem os mesmos sentimentos mas demonstram e vivem de formas diferentes. Ficou claro até aqui? Espero que sim.

Agora sobre o que eu ia falar de fato, me diz uma coisa, o que aconteceu na sua vida? O que te fez ficar agir assim? Gostaria de saber, porque olha, pra uma mudança tão drástica assim do nada deve ter acontecido algo muito sério.
Entenda que não quero ser insensível, mas vamos refletir sobre o que está acontecendo.

Depois tanto tempo, tanto esforço, tanta coisa que eu fiz com você nunca se importando, sempre argumentando que as minhas tentativas eram em vão, que acabou, que a hora passou, que a página virou e mais aquele monte de merda, é isso mesmo, um monte de merda que você me falava com se fosse a pessoa mais certa do mundo, depois de tudo isso, você simplesmente tem a cara de pau de me procurar e pedir pra gente começar do zero?

Ah, por favor, presta atenção, como você não consegue ter vergonha disso? E é claro que não me entra na cabeça um negócio desse, não tem o menor cabimento e vou te explicar por quê. Como eu já disse, dediquei muito tempo da minha vida pra gente ficar bem, tentei de mil formas te convencer que a nossa história merecia uma chance pelas coisas que já tínhamos vivido, repito, dediquei MUITO tempo, e daí que simplesmente do nada, e pior, quando eu finalmente consigo andar por essa cidade com a cabeça livre, quando eu finalmente consigo virar essa merda de página como você adorava me pedir “ah, vira a página, já deu” você vem com esse discurso de “vamos tentar de novo?”. Sinceramente? A minha vontade é rir da sua cara, talvez por dó, talvez por raiva, talvez pelas duas coisas misturadas e multiplicadas.

Não, não vai ter nada de recomeço nenhum, não vai ter “tentar outra vez” e essa é a minha resposta pra você.
Olha, pare pra pensar e tente se lembrar das coisas que eu fiz, tente se lembrar para não dizer depois que eu não me esforcei, porque eu não consigo lembrar de uma pequena coisa que eu não tenha dito ou feito pra você e por você. Só que de nada valeu, nada te mudou, te tocou, não aconteceu nada e o que eu mais ouvia de você era pra eu parar com isso, que eu já estava me humilhando, que a nossa história tinha sido bonita, mas já era passado.

Que chame de rancor, que chame do que for, estou pouco me importando para o que você pode chamar isso ou pelo que pode achar de mim, acontece que diferente de você, eu não consigo levar a minha vida sem sinceridade, eu não consigo fingir que sinto alguma coisa, e mais, eu não consigo destratar as pessoas igual você fez comigo. Por isso – o que já é o bastante – e por mais um monte de coisa que eu te digo NÃO.

Você preferiu abrir mão de tudo a ter que considerar tudo.

Eu sou uma das pessoas que mais valorizo segundas chances nesse mundo, acho saudável e realmente pode dar certo. Penso que as pessoas podem sim mudar. Só que no nosso caso, ou melhor, no teu caso, você me fez muito mal, você me desrespeitou, você me ignorou, você não se importava comigo, você fugia, você mentia, você desaparecia. E essas coisas, pouco a pouco, foram criando uma casca dentro de mim, na verdade foram criando uma armadura contra você, algo que me blindasse ao tentar fazer algo por você.
Devo confessar, no entanto, que me bate a curiosidade de saber o que aconteceu com você, se alguém te falou algo, se te deram o maior fora da sua vida, queria saber o que fez você baixar a bola assim.

É claro que eu ainda gosto de você, só que agora eu gosto mais de mim.

Hoje eu sou mais eu, como nunca fui antes, hoje eu só quero perto de mim as pessoas que me querem por perto, hoje eu só quero ouvir a risada de quem realmente achou graça, hoje eu só quero uma mensagem no celular de quem realmente sentiu saudade, hoje eu só quero a vida de verdade. E dessa minha vida você não faz parte.

Parece grosseria da minha parte, né? Entendo você. É que vendo de fora assim né, você com toda a razão do mundo se fazendo de vítima, se fazendo da pessoa que mais errou nesse mundo comigo, se fazendo a pessoa que mais pode mudar, você desse jeito todo é claro que vai parecer grosseria ouvir meia dúzia de verdade.

Seria bom pra você se eu falasse o que quer ouvir, mas aí não seria eu.

Portanto, até aplaudo sua atitude e certa coragem, valorizo a tentativa, pena que vai ser em vão, porque das poucas certezas que tenho na minha vida, uma delas é que eu não quero que você faça parte dela de novo.

A gente vive no mesmo mundo, mas somos pessoas diferentes, vontades diferentes e absolutamente nada é como a gente quer que seja, elas são como devem ser.
Pega isso pra sua vida. Pensa pelo lado bom, algum bem ainda estou tentando te fazer.

Eu Sei Que o Problema Está Em Mim

Se pelo menos fosse uma novidade pra mim, eu poderia parar e pensar: “Nossa, mas o que eu faço agora? Não sei lidar com isso e tenho medo!” Só que não é. E mesmo assim, eu paro e penso a mesma coisa. Os anos vão passando, vou crescendo e aprendendo um monte de coisa nessa vida mas continuo sem entender muito bem como lidar comigo mesmo.
Já tentei de tudo pra resolver isso com o objetivo de me fazer ter vida de novo. Em muitas das vezes que tentei, pensei como seria bacana sei lá, acordar no dia seguinte, sem peso na consciência e pensar: “Como é bom o gosto de ter tentado!”. Só que eu não consigo.

Desisto das coisas que quero sem nunca sequer ter tentado.

E ninguém precisa me falar o quanto isso errado e me faz mal, afinal, da minha vida e de todos os meus problemas eu sei bem. Valorizo uma opinião de fora, sob outro ponto de vista, só não abaixo a cabeça para definições alheias sobre como eu sou ou como eu devo ser.

O negócio é que mais uma vez eu me vejo sem nenhuma direção, sem querer saber nenhuma opinião, mas querendo tomar alguma decisão.
A gente já se conhece a um tempinho, nos falamos com certa frequência e sério, eu tentei, tentei com tudo que eu tenho de força, tentei não me render, tentei resistir, tentei te evitar, tentei não te chamar pra conversar, tentei de tudo, mas todos os meus esforços foram em vão. Eu simplesmente não consegui.

Eu não consegui parar de gostar de você. Na verdade eu só estou começando.
E se esse fosse o maior problema eu poderia comemorar, o negócio é que você nem sabe disso. E eu, ah eu, como todas as outras vezes na minha vida, não sei nem como te dizer.
Nunca encarei momentos como esses de forma normal, como algo natural, sempre considerei tudo muito especial e talvez esteja aí meu erro.

É que eu gosto demais, choro demais, rio demais, sinto saudade demais, sinto raiva demais, sinto amor demais. Sinto amor demais. É que eu… sinto amor demais.
Aqueles que me conhecem sabem que não estou mentindo e que não preciso disso pra tentar comover ninguém, até porque, eu nunca tive alguém de fato, logo, nunca tentei.

É uma merda porque eu vejo os dias passando, a gente conversando, já fez mais de mês, não foi 1 nem 2, foram mais de 3 e continuo aqui sem novidades sobre o que eu sinto por você. Sem coragem pra falar o que eu tenho sentido.
É claro que tem muito a ver com medo. Morro de medo de que você se afaste de mim, de ouvir o mais cruel “não” que já ouvi. Tenho medo de fazer papel de ridículo, tenho medo de parecer gostar demais, tenho medo de te sufocar.

Em outras palavras, tenho medo de tentar ser feliz.

Simplesmente porque me dói a barriga imaginar que vou ter que te encarar e dizer olhando para os seus olhos, as coisas que eu só dizia treinando para o espelho. Acho que eu fico assim meio sem chão porque eu sei que o que sinto é real e eu gostaria muito que fosse correspondido.

Gosto das coisas da vida como se ela fizesse os meus gostos.

Pagaria pra ver sua cara se eu te contasse tudo que faço com você sem nem você perceber. Percebo que você não está bem pela quantidade de risadas que publica na internet. Algo não deu muito certo quando a foto que você posta é de algum ângulo inusitado dessa cidade. Parece loucura, parecem pequenas coisas demais, mas são as pequenas coisas que fazem todo o resto ser grande.

Não tenho certeza sobre como vai ser na próxima vez que a gente se ver, não sei se vou conseguir matar essa minha angústia e tentar falar logo tudo de uma vez ou se vou deixar comigo uma vez mais.

Entre todas as minhas dúvidas sobre o que fazer com o que eu sinto por você, tenho uma certeza: é real.

Quem sabe um dia.

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